E me defino nas palavras de Shakespeare:
Thou hast nor youth nor age,
But, as it were, an after dinner's sleep,
Dreaming on both
(Não és jovem nem velho,
Mas como, se após o jantar adormecesses,
Sonhando que ambos fosses)
4.8.05
30.7.05
6.7.05
Prisão
Fui conduzido por corredores estreitos cercados de guardas. Ainda estava algemado. Me despedia de alguns conhecidos que me desejavam sorte por trás das grades de suas celas, mas na maior parte do caminho, olhava para o chão. O velho piso de cimento empoeirado não ia deixar saudades. Sentia que me faria uma grande falta a rachadura em forma de cachorro na parede cheia de infiltrações da minha cela com quem eu conversava e contava segredos.Eu e os guardas chegamos ao portão principal por onde eu entrara muitos anos atrás. A luz do dia violava minhas retinas. Minha vida recomeçava ali.
23.10.04
14.10.04
100° Post
Aêêêêêêêêêêê!!!!
Quem diria que eu chegaria aqui! 100° post!!!
Pra comemorar, vou anunciar minha flauta:
Vendo flauta transversa Yamaha F100 SII. Tá um pouco escurecida pela falta de uso, mas funciona direitinho. Sapatilhas e lubrificação em perfeito estado. Preço: R$ 900,00. Tenho visto por aí gente vendendo o mesmo modelo de flauta entre R$ 1.200,00 e R$ 1.300,00. Como a minha tá precisando de uma limpeza, tô dando essa colher de chá! Quem se interessar, deixa um recado COM E-MAIL ali nos comentários oumanda um mail pro endereço ali de cima em "fale comigo".
Muito grato, gente boa! Inté a próxima!!
Quem diria que eu chegaria aqui! 100° post!!!
Pra comemorar, vou anunciar minha flauta:
Vendo flauta transversa Yamaha F100 SII. Tá um pouco escurecida pela falta de uso, mas funciona direitinho. Sapatilhas e lubrificação em perfeito estado. Preço: R$ 900,00. Tenho visto por aí gente vendendo o mesmo modelo de flauta entre R$ 1.200,00 e R$ 1.300,00. Como a minha tá precisando de uma limpeza, tô dando essa colher de chá! Quem se interessar, deixa um recado COM E-MAIL ali nos comentários oumanda um mail pro endereço ali de cima em "fale comigo".
Muito grato, gente boa! Inté a próxima!!
6.9.04
Meu Tempo é Hoje
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
Meu mundo é hoje
Não existe amanhã pra mim
Eu sou assim
Assim morrerei um dia
Não levarei arrependimentos
Nem o peso da hipocrisia
Tenho pena daqueles
Que se agacham até o chão
Enganando a si mesmos
Por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte nesse enorme batalhão
Pois sei que além de flores
Nada mais vai pro caixão
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
(Paulinho da Viola)
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
Meu mundo é hoje
Não existe amanhã pra mim
Eu sou assim
Assim morrerei um dia
Não levarei arrependimentos
Nem o peso da hipocrisia
Tenho pena daqueles
Que se agacham até o chão
Enganando a si mesmos
Por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte nesse enorme batalhão
Pois sei que além de flores
Nada mais vai pro caixão
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
(Paulinho da Viola)
13.8.04
Lições
Eu tenho que aprender que eu tenho que sentar pra escrever na hora que a idéia bate. Esses dias, estava eu na cozinha quando uma idéia super legal pra um texto me ocorreu. Pensei: "daqui a pouco eu sento lá e escrevo nem que seja o rascunho...". Quem foi que te falou que eu consegui me lembrar o que eu tinha pensado? Fiquei eu sentado na frente do computador, o editor de texto olhando pra mim inquisitivamente e eu com cara de mané...
Depois eu fico me cobrando escrever... Quem é que pode escrever sendo um preguiçoso de carteirinha?
Humpf!
Depois eu fico me cobrando escrever... Quem é que pode escrever sendo um preguiçoso de carteirinha?
Humpf!
7.8.04
Bluer than Blue
After you go
I can catch up on my reading
After you go
I'll have a lot more time for sleeping
And when you're gone it looks like things
Are gonna be a lot easier
Life will be a breeze, you know
I really should be glad
But I'm bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
After you go
I'll have a lot more room in my closet
After you go
I'll stay out all night long if I feel like it
And when you're gone
I can run through the house screaming
And no one will ever hear me
I really should be glad
But I'm bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
I don't have to miss no TV shows
I can start my whole life over
Change the numbers on my telephone
But the nights will sure be colder, and I'm
...Bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
Bluer than blue
(Michael Johnson)
Sei lá... Me deu uma tristeza...
I can catch up on my reading
After you go
I'll have a lot more time for sleeping
And when you're gone it looks like things
Are gonna be a lot easier
Life will be a breeze, you know
I really should be glad
But I'm bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
After you go
I'll have a lot more room in my closet
After you go
I'll stay out all night long if I feel like it
And when you're gone
I can run through the house screaming
And no one will ever hear me
I really should be glad
But I'm bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
I don't have to miss no TV shows
I can start my whole life over
Change the numbers on my telephone
But the nights will sure be colder, and I'm
...Bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
Bluer than blue
(Michael Johnson)
Sei lá... Me deu uma tristeza...
27.7.04
Prêmio
Update:
Acatando sugestões, os prêmios passam a ser: 1 mariola mordida, 1 caceteira elétrica, 1 pênis Montreal ou um caralho de pelúcia!
Antenção, meus adorados leitores!
Enquanto escrevo, este humilde blog conta com 7912 visitas! Em sendo assim, resolvi premiar a visita de número 8000 com uma mariola mordida ou uma caceteira elétrica!
O vencedor poderá escolher entre esses dois maravilhosos prêmios patrocinados pela Velho Mago Inc.
Acatando sugestões, os prêmios passam a ser: 1 mariola mordida, 1 caceteira elétrica, 1 pênis Montreal ou um caralho de pelúcia!
Antenção, meus adorados leitores!
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O vencedor poderá escolher entre esses dois maravilhosos prêmios patrocinados pela Velho Mago Inc.
13.7.04
Da Saudade e do Tempo
Depois de um longo e tenebroso inverno, consegui, finalmente, assistir ao documentário “Paulinho da Viola – Meu Tempo é Hoje”. Outra hora eu falo do filme ou escrevo uma daquelas minhas parcas críticas cinematográficas que ninguém lê.
O que me chamou a atenção foi uma descoberta que fiz: eu não tenho saudade.
Uma vez constatado o fato, abri outra cerveja, acendi mais um cigarro e me pus a pensar na coisa. Abri o dicionário para ver a morfologia e o significado literal da palavra “saudade”. Segue:
“1. Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável.”
Para mim, bastaram as sete primeiras palavras e, na verdade, uma delas diz quase tudo: “incompletude”.
Muitas vezes, uso expressões como “tenho saudade de jogar bola na pracinha” ou coisa que o valha, mas na verdade não é saudade. Eu não gostaria de ter dez anos de novo. Nem dezoito, nem três. Penso no meu passado com muito carinho, muito afeto e procuro não repetir algumas burradas que cometi lá. O que passou, virou história, aprendizado. Pessoas também passaram e continuam passando pela minha vida e fazendo parte e construindo comigo a minha história. Umas chegam e vão, outras chegam ficam um tempo e também se vão. Mas as mais importantes são as que marcam. As marcas que carregamos são indeléveis e nem a implacabilidade do tempo pode apagar. Da mesma forma, não sinto saudades. Da mesma forma, penso nas pessoas que se foram com muito carinho e respeito. O que deveria ser vivido naquele tempo com aquela pessoa, foi completo, me bastou, me fez completo.
Recentemente encontrei pessoas de um passado nem tão distante assim. Gente de colégio, gente de quem gosto muito mesmo! Claro que a conversa girou em torno das coisas desse passado. Me vinham imagens e boas sensações daquele tempo, mas o tempo ficou lá. As pessoas reapareceram, mas a união, a cumplicidade que se tinha naquele tempo, não existem mais. As pessoas seguem seus caminhos. Existe o carinho por termos dividido uma época tão rica na vida de qualquer um. Época de experimentações, afirmações, medos, dúvidas muito mais intensos do que hoje.
Mudando um pouco, mas não completamente de assunto. Reparei, nessa aventura de reler meus textos antigos, que escrevo muito sobre mares, rios e sobre o tempo. Mar e rio são metáforas para o próprio tempo e confesso que muitas vezes usei dessas metáforas sem saber desse significado.
O tempo não pára, a vida não pára. Sentir saudade é uma forma de se tentar ficar lá naquele tempo e isso interrompe, vai contra o sentido da própria vida. Como dizia Heráclito a vida é um fluxo de constante movimento (como o rio, como o mar). Eu tenho problemas com o tempo. Nunca quis que o tempo parasse. Sei que tenho problemas em administrar meu tempo, mas vou aprendendo enquanto sigo essa minha vereda.
“A única coisa que nos cabe decidir é o que fazer com o tempo que nos foi dado”
Gandalf
“O tempo perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.”
(Se alguém souber o autor, este velho e alquebrado escriba agradecerá a contribuição)
“Meu tempo as vezes se perde
Em coisas que não desejo...”
Retiro – Paulinho da Viola
"O vento empurra o barco, mas quem escolhe o rumo é o timoneiro"
Marcio Brito
O que me chamou a atenção foi uma descoberta que fiz: eu não tenho saudade.
Uma vez constatado o fato, abri outra cerveja, acendi mais um cigarro e me pus a pensar na coisa. Abri o dicionário para ver a morfologia e o significado literal da palavra “saudade”. Segue:
“1. Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável.”
Para mim, bastaram as sete primeiras palavras e, na verdade, uma delas diz quase tudo: “incompletude”.
Muitas vezes, uso expressões como “tenho saudade de jogar bola na pracinha” ou coisa que o valha, mas na verdade não é saudade. Eu não gostaria de ter dez anos de novo. Nem dezoito, nem três. Penso no meu passado com muito carinho, muito afeto e procuro não repetir algumas burradas que cometi lá. O que passou, virou história, aprendizado. Pessoas também passaram e continuam passando pela minha vida e fazendo parte e construindo comigo a minha história. Umas chegam e vão, outras chegam ficam um tempo e também se vão. Mas as mais importantes são as que marcam. As marcas que carregamos são indeléveis e nem a implacabilidade do tempo pode apagar. Da mesma forma, não sinto saudades. Da mesma forma, penso nas pessoas que se foram com muito carinho e respeito. O que deveria ser vivido naquele tempo com aquela pessoa, foi completo, me bastou, me fez completo.
Recentemente encontrei pessoas de um passado nem tão distante assim. Gente de colégio, gente de quem gosto muito mesmo! Claro que a conversa girou em torno das coisas desse passado. Me vinham imagens e boas sensações daquele tempo, mas o tempo ficou lá. As pessoas reapareceram, mas a união, a cumplicidade que se tinha naquele tempo, não existem mais. As pessoas seguem seus caminhos. Existe o carinho por termos dividido uma época tão rica na vida de qualquer um. Época de experimentações, afirmações, medos, dúvidas muito mais intensos do que hoje.
Mudando um pouco, mas não completamente de assunto. Reparei, nessa aventura de reler meus textos antigos, que escrevo muito sobre mares, rios e sobre o tempo. Mar e rio são metáforas para o próprio tempo e confesso que muitas vezes usei dessas metáforas sem saber desse significado.
O tempo não pára, a vida não pára. Sentir saudade é uma forma de se tentar ficar lá naquele tempo e isso interrompe, vai contra o sentido da própria vida. Como dizia Heráclito a vida é um fluxo de constante movimento (como o rio, como o mar). Eu tenho problemas com o tempo. Nunca quis que o tempo parasse. Sei que tenho problemas em administrar meu tempo, mas vou aprendendo enquanto sigo essa minha vereda.
“A única coisa que nos cabe decidir é o que fazer com o tempo que nos foi dado”
Gandalf
“O tempo perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.”
(Se alguém souber o autor, este velho e alquebrado escriba agradecerá a contribuição)
“Meu tempo as vezes se perde
Em coisas que não desejo...”
Retiro – Paulinho da Viola
"O vento empurra o barco, mas quem escolhe o rumo é o timoneiro"
Marcio Brito
8.7.04
Do Beijo
- Meu bem, me dá um beijo?
- Assim, sem mais nem menos?
- É que me deu vontade de esquecer o mundo...
- Assim, sem mais nem menos?
- É que me deu vontade de esquecer o mundo...
1.7.04
Das Definições. Parte I
Gemidos: palavras que se começa a dizer, mas no meio do caminho, já se tem certeza de que o outro entendeu e a necessidade de completá-las se esvai!
28.6.04
Aniversário
Um ano. Ontem, dia 27 de junho esse blog completou um ano de existência. Passei os dias que antecederam esse aniversário me dedicando a ler tudo o que escrevi desde o começo, desde o dia 27 de junho de 2003 e me diverti bastante.
Tudo começou quando o Mago já estava agonizante. Eu já estava cansado do personagem e queria continuar escrevendo, mas não lá. Não escrevendo o que eu escrevia. Decidi que seria interessante falar sobre descobertas minhas sobre o mundo, sobre mim, sobre os outros. Achei que seria mais interessante ainda ter gente que pudesse contribuir com suas próprias descobertas, enriquecendo assim o blog. Acabou não dando certo por diversos motivos, mas resolvi continuar com a coisa assim mesmo tendo como colaboradora a já conhecida Menina da Torre que aparecia esporadicamente pra escrever. Sempre fui admirador dos textos e da própria Menina da Torre e, um belo dia, mostrei a ela um continho que eu tinha escrito a respeito de uma cena no metrô da qual fui protagonista e ela, com toda a propriedade me disse:
- Por que você não publica isso, caralho? Ficou ótimo!!
- Pô... Taí! Vou publicar mesmo!
Fiquei surpreso com a quantidade de gente que tinha gostado do conto. Como algumas pessoas sabem, eu sou meu crítico mais ferino e isso me impediu de publicar muitas coisas aqui. Principalmente no começo quando eu não tinha segurança no que escrevia. Hoje, um pouco menos inseguro nos meus textos, escrevo e quase não percebo. O que antes era um certo esforço, hoje sai naturalmente. Há muito já não tento domar minhas palavras e nem tento direcionar a escrita. Simplesmente deixo as coisas fluírem, as estórias surgirem e seus personagens ganharem vida nessas parcas linhas que escrevo.
Um ano. Em um ano vi blogs morrerem e blogs nascerem. Vi a minha forma de escrever mudar muito e ainda vi gente que mudou a forma de escrever depois que passou a me ler (apesar de não reconhecer. Acontece... eu acho.). Conheci gentes e conheci gente. Fiz amigos. Uns ficaram no caminho, outros estreitaram os laços de amizade. Ganhei e perdi. Gente que me ajudou a escrever melhor, a superar crises. Gente que me mostrou tanta coisa sobre mim tendo somente lido meus textos. Gente que me encanta. Aqui me expus, contei fragmentos da minha vida, contei minhas angústias, tristezas, frustrações, alegrias, paixões. Vi uniões e separações. Falei sobre música e cinema que são minhas grandes paixões. Me apaixonei, quebrei a cara e nunca odiei ninguém. Talvez a mim mesmo em certos momentos. Confesso que não posso mais ter contato com algumas pessoas. Ainda me é muito doloroso... Mas não guardo rancores. Essas coisas envenenam e descobri que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Um dia, quem sabe eu escrevo sobre isso. Ou não. Tem coisas que é melhor a gente não mexer mais. Pode ser que a ferida se abra de novo e a dor volte ainda mais intensa. É... Melhor esquecer.
Confesso também que perdi um pouco do tesão de escrever. Mentira. Perdi o tesão de escrever e publicar aqui. Tenho escrito muito. Minha vida chegou a um momento de mudanças estruturais que eu estou achando o máximo. Vou voltar a fazer coisas que nunca deveria ter deixado de lado e resolvi fazer outras que nunca tinha feito. Percebi que a vida premia a ousadia e resolvi ser ousado.
Sou um sujeito que cria raízes. Criei aqui, mas essas eu vou ter que cortar. Preciso canalizar essa minha criatividade para outro lugar. Fazer outras coisas. Dar um rumo nessa minha vida. Tenho sonhos e chegou a hora de correr atrás deles.
Não vou parar de publicar alguns textos aqui, mas a freqüência vai diminuir drasticamente. Tenho muito carinho pelos meus textos e pelos que me acompanham. Meu e-mail está ali em cima e o endereço é também meu MSN. Apareçam se quiserem.
Pra terminar, resolvi postar uma música que passei anos caçando. Sabia quem tocava, mas não sabia o nome da música e nem entendia direito a letra. Com uma ajuda do pessoa da Rádio Antena 1 daqui do Rio, descobri que a música é Talking Out of Turn do The Moody Blues.
When I took a little loving from you
Oh I, never thought about the hurting inside
But I took a little more than I should
Oh why, can't explain that I ever would
Let you slip through my fingers
Let you escape like yesterday
I would appreciate you knowing
I thought your love had come to stay
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
But I took a little more of your each day
When I didn't see that I was breaking you apart
With angry words of love I didn't mean
Oh why, can't believe that I ever would
Talk myself out of tomorrow
Talked like a fool to yesterday
And as the evening loses colour
Your love began to fade away
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Talking out of turn
If I upset you
I didn't mean to hurt you
I didn't mean to make you cry
I don't need an alibi
To start me talking out of turn
When I took a little loving from you
Oh I, can't believe that I ever would
Let you slip through my fingers
Let you escape like yesterday
I would appreciate you knowing
I thought your love had come to stay
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Tudo começou quando o Mago já estava agonizante. Eu já estava cansado do personagem e queria continuar escrevendo, mas não lá. Não escrevendo o que eu escrevia. Decidi que seria interessante falar sobre descobertas minhas sobre o mundo, sobre mim, sobre os outros. Achei que seria mais interessante ainda ter gente que pudesse contribuir com suas próprias descobertas, enriquecendo assim o blog. Acabou não dando certo por diversos motivos, mas resolvi continuar com a coisa assim mesmo tendo como colaboradora a já conhecida Menina da Torre que aparecia esporadicamente pra escrever. Sempre fui admirador dos textos e da própria Menina da Torre e, um belo dia, mostrei a ela um continho que eu tinha escrito a respeito de uma cena no metrô da qual fui protagonista e ela, com toda a propriedade me disse:
- Por que você não publica isso, caralho? Ficou ótimo!!
- Pô... Taí! Vou publicar mesmo!
Fiquei surpreso com a quantidade de gente que tinha gostado do conto. Como algumas pessoas sabem, eu sou meu crítico mais ferino e isso me impediu de publicar muitas coisas aqui. Principalmente no começo quando eu não tinha segurança no que escrevia. Hoje, um pouco menos inseguro nos meus textos, escrevo e quase não percebo. O que antes era um certo esforço, hoje sai naturalmente. Há muito já não tento domar minhas palavras e nem tento direcionar a escrita. Simplesmente deixo as coisas fluírem, as estórias surgirem e seus personagens ganharem vida nessas parcas linhas que escrevo.
Um ano. Em um ano vi blogs morrerem e blogs nascerem. Vi a minha forma de escrever mudar muito e ainda vi gente que mudou a forma de escrever depois que passou a me ler (apesar de não reconhecer. Acontece... eu acho.). Conheci gentes e conheci gente. Fiz amigos. Uns ficaram no caminho, outros estreitaram os laços de amizade. Ganhei e perdi. Gente que me ajudou a escrever melhor, a superar crises. Gente que me mostrou tanta coisa sobre mim tendo somente lido meus textos. Gente que me encanta. Aqui me expus, contei fragmentos da minha vida, contei minhas angústias, tristezas, frustrações, alegrias, paixões. Vi uniões e separações. Falei sobre música e cinema que são minhas grandes paixões. Me apaixonei, quebrei a cara e nunca odiei ninguém. Talvez a mim mesmo em certos momentos. Confesso que não posso mais ter contato com algumas pessoas. Ainda me é muito doloroso... Mas não guardo rancores. Essas coisas envenenam e descobri que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Um dia, quem sabe eu escrevo sobre isso. Ou não. Tem coisas que é melhor a gente não mexer mais. Pode ser que a ferida se abra de novo e a dor volte ainda mais intensa. É... Melhor esquecer.
Confesso também que perdi um pouco do tesão de escrever. Mentira. Perdi o tesão de escrever e publicar aqui. Tenho escrito muito. Minha vida chegou a um momento de mudanças estruturais que eu estou achando o máximo. Vou voltar a fazer coisas que nunca deveria ter deixado de lado e resolvi fazer outras que nunca tinha feito. Percebi que a vida premia a ousadia e resolvi ser ousado.
Sou um sujeito que cria raízes. Criei aqui, mas essas eu vou ter que cortar. Preciso canalizar essa minha criatividade para outro lugar. Fazer outras coisas. Dar um rumo nessa minha vida. Tenho sonhos e chegou a hora de correr atrás deles.
Não vou parar de publicar alguns textos aqui, mas a freqüência vai diminuir drasticamente. Tenho muito carinho pelos meus textos e pelos que me acompanham. Meu e-mail está ali em cima e o endereço é também meu MSN. Apareçam se quiserem.
Pra terminar, resolvi postar uma música que passei anos caçando. Sabia quem tocava, mas não sabia o nome da música e nem entendia direito a letra. Com uma ajuda do pessoa da Rádio Antena 1 daqui do Rio, descobri que a música é Talking Out of Turn do The Moody Blues.
When I took a little loving from you
Oh I, never thought about the hurting inside
But I took a little more than I should
Oh why, can't explain that I ever would
Let you slip through my fingers
Let you escape like yesterday
I would appreciate you knowing
I thought your love had come to stay
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
But I took a little more of your each day
When I didn't see that I was breaking you apart
With angry words of love I didn't mean
Oh why, can't believe that I ever would
Talk myself out of tomorrow
Talked like a fool to yesterday
And as the evening loses colour
Your love began to fade away
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Talking out of turn
If I upset you
I didn't mean to hurt you
I didn't mean to make you cry
I don't need an alibi
To start me talking out of turn
When I took a little loving from you
Oh I, can't believe that I ever would
Let you slip through my fingers
Let you escape like yesterday
I would appreciate you knowing
I thought your love had come to stay
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
3.6.04
Futuro do pretérito mal feito
Sempre se pegava absorto, pensando no passado e na falsa segurança que este trazia. Olhava fotos antigas e seus olhos se enchiam de lágrimas como se vivesse o passado agora. Sentia-se seguro no passado quando era querido, amado e divertido. Em momentos como esse a vida lhe parecia calma e feliz. Vivia seu presente no passado, seu passado no presente. Hoje era apenas mais um. Visto como um louco, inconstante e piegas.
Certo dia olhou para o futuro e não viu nada mais que seu próprio reflexo envelhecido, triste e solitário. Não sozinho, mas solitário. Não queria viver o futuro. No futuro, continuava cometendo os mesmo erros, mas tinha mais dificuldade em se reerguer quando lhe puxavam o tapete ou quando ele tropeçava em sua própria pressa em se revelar, se resolver, se conhecer.
Em outro dia, curioso para saber se algo mudara em seu futuro, viu uma pessoa próxima. Era uma mulher. Bonita, de sorriso largo e sincero. Foi apenas um flash que vira. Sabia que mesmo que aquilo acontecesse, seria fugaz. Não criava mais ilusões a respeito de seu futuro. Sabia que daria um jeito de estragá-lo. Como fez ao longo de toda a sua vida.
Andava nu pelas ruas da cinzenta cidade. Era assim que se sentia com sua “arte”. Como se estivesse exposto aos olhares curiosos dos transeuntes que comentavam, censuravam ou aplaudiam. Sim. Havia quem aplaudisse mesmo que hipocritamente. Nesse dia, a mulher refletida ao seu lado no futuro, passou por ele. Apresentou-se, conversaram, mas como sempre, falara demais. Ela, por algum milagre, não percebera ou talvez fingisse não perceber.
Ele, mais uma vez, tinha se auto-sabotado. Perguntava-se se teria visto o futuro ou só mais uma repetição do passado. Um eco de um grito abafado em seu frágil peito de vidro. Coitado... De tão frágil, fino e transparente, começava a vazar. Uma pequena rachadura que ele tampou com o dedo. Mais uma rachadura que tampou com outro dedo até que não havia mais dedos para conter o vazamento. Vazio, foi pra casa catando os cacos de seu peito pelo caminho. Já na casa que não era sua, deitou-se na cama de outra pessoa e chorava lágrimas que já haviam sido derramadas.
Certo dia olhou para o futuro e não viu nada mais que seu próprio reflexo envelhecido, triste e solitário. Não sozinho, mas solitário. Não queria viver o futuro. No futuro, continuava cometendo os mesmo erros, mas tinha mais dificuldade em se reerguer quando lhe puxavam o tapete ou quando ele tropeçava em sua própria pressa em se revelar, se resolver, se conhecer.
Em outro dia, curioso para saber se algo mudara em seu futuro, viu uma pessoa próxima. Era uma mulher. Bonita, de sorriso largo e sincero. Foi apenas um flash que vira. Sabia que mesmo que aquilo acontecesse, seria fugaz. Não criava mais ilusões a respeito de seu futuro. Sabia que daria um jeito de estragá-lo. Como fez ao longo de toda a sua vida.
Andava nu pelas ruas da cinzenta cidade. Era assim que se sentia com sua “arte”. Como se estivesse exposto aos olhares curiosos dos transeuntes que comentavam, censuravam ou aplaudiam. Sim. Havia quem aplaudisse mesmo que hipocritamente. Nesse dia, a mulher refletida ao seu lado no futuro, passou por ele. Apresentou-se, conversaram, mas como sempre, falara demais. Ela, por algum milagre, não percebera ou talvez fingisse não perceber.
Ele, mais uma vez, tinha se auto-sabotado. Perguntava-se se teria visto o futuro ou só mais uma repetição do passado. Um eco de um grito abafado em seu frágil peito de vidro. Coitado... De tão frágil, fino e transparente, começava a vazar. Uma pequena rachadura que ele tampou com o dedo. Mais uma rachadura que tampou com outro dedo até que não havia mais dedos para conter o vazamento. Vazio, foi pra casa catando os cacos de seu peito pelo caminho. Já na casa que não era sua, deitou-se na cama de outra pessoa e chorava lágrimas que já haviam sido derramadas.
2.6.04
Classificados
Vendo coração.
Vinte e muitos (quase trinta) anos de uso. Ventrículos em perfeito estado de funcionamento. Tem a péssima mania de se apaixonar pelas pessoas erradas e adquiriu diversas cicatrizes devido a essa pequena falha. Encontra-se um pouco mofado, mas nada que manhãs de sol, boa música, livros ou filmes não possam dar jeito. Desanda a bater acelerado quando perto do objeto de afeição. Fiel, companheiro e cúmplice. Por fora não parece grande, mas cabem muitas pessoas confortavelmente. Dou preferência àqueles que tiverem a auto-estima em um nível que não o torne babaca nem o endureça. Tratar aqui mesmo!
Vinte e muitos (quase trinta) anos de uso. Ventrículos em perfeito estado de funcionamento. Tem a péssima mania de se apaixonar pelas pessoas erradas e adquiriu diversas cicatrizes devido a essa pequena falha. Encontra-se um pouco mofado, mas nada que manhãs de sol, boa música, livros ou filmes não possam dar jeito. Desanda a bater acelerado quando perto do objeto de afeição. Fiel, companheiro e cúmplice. Por fora não parece grande, mas cabem muitas pessoas confortavelmente. Dou preferência àqueles que tiverem a auto-estima em um nível que não o torne babaca nem o endureça. Tratar aqui mesmo!
31.5.04
O Retorno
Andava eu pelas ruas do Rio de Janeiro. O dia estava bonito com o sol amenizando o frio do inverno (?) carioca. Sentei-me num banco da orla de Ipanema e admirava o encontro de céu e mar quando um vento forte trouxe nuvens. O céu tornou-se plúmbeo e raios cruzavam as nuvens. Tomado do mais legítimo pânico, me escondi debaixo do banco quando uma voz tonitroante dirigiu-se a mim:
- Sai daí de baixo, frouxo!
- Quem é?
- Sou eu, o Mago! O Velho Mago!
- Mago? Por onde andavas?
- Ah! por aí... Entrei em contato contigo pois quero que sejas meu arauto! Avise à plebe ignara que EU voltei para sanar o males da humanidade!
Desde esse dia, sou o arauto desse cara aqui
- Sai daí de baixo, frouxo!
- Quem é?
- Sou eu, o Mago! O Velho Mago!
- Mago? Por onde andavas?
- Ah! por aí... Entrei em contato contigo pois quero que sejas meu arauto! Avise à plebe ignara que EU voltei para sanar o males da humanidade!
Desde esse dia, sou o arauto desse cara aqui
20.5.04
As Letras Aprisionadas
Olho a branca folha em branco e suspiro. Depois olho para dentro de mim e vejo um bilhão de letras se espremendo para cair sobre a branca folha, mas a porta está fechada. Levanto-me e dou voltas pela casa procurando pela chave. Não encontro. Procuro no fundo do copo e na guimba do cigarro, mas a chave também não está lá. Resignado, me recolho para tentar dormir, mas as letras se agitam dentro de minha cabeça, fazem barulho e não me deixam nem cochilar. Peço que se calem e elas se recusam. Ouço um barulho e descubro que as letras tinham arrombado a porta e se espalhavam pelo chão. Levanto-me desesperado tentando recolhe-las, mas elas são rápidas demais e se atiram sobre a branca folha agora não mais em branco e dizem: “SOMOS MAIS FORTES QUE SUA DEPRESSÃO, SEUS PORRES OU SUA SOLIDÃO!”
Desde então, parei de trancar a porta. Fecho os olhos e as letras tomam vida em folhas coloridas.
Desde então, parei de trancar a porta. Fecho os olhos e as letras tomam vida em folhas coloridas.
19.5.04
13.5.04
A Sala
Dentro da mínima sala, o pequeno e esquálido homem sentava-se no chão abraçado aos joelhos. Tinha como testemunha de seus pensamentos, o próprio assento e a rachadura no teto em forma de cachorro que resolvera chamar de Fred. Já não sabia há quanto tempo não via outra paisagem senão as marcas de infiltrações e as rachaduras nas paredes que o encarceravam. Imaginava que horas seriam, pois ouvia passos do lado de fora da porta de ferro batido.
Algumas vezes, uns homens entravam na sala. Mandavam-no ficar de costas para a porta e um dos homens o vendava. Ficavam muitas horas perguntando coisas sem sentido: “Onde está a bomba?” “Para quem você trabalha?” “De qual célula você faz parte?” “Quem são seus comparsas?”
No princípio ele respondia o que sabia, ou seja, nada. Depois de muito tempo sendo interrogado e respondendo o que os homens não queriam ouvir, resolveu calar-se por completo para descontentamento de seus interrogadores. Depois que eles saiam, ficava conversando com Fred durante horas. Por vezes achava que todas as suas faculdades mentais o haviam abandonado, mas rapidamente se convencia do contrário. Lembrava-se de seu nome, seu endereço, da casa onde morou, dos vizinhos.
Em verdade, lembrar-se de sua vida era tudo o que lhe havia restado, além de conversar com Fred que já tinha se tornado um grande amigo e confidente. Contava à figura de cachorro no teto seus segredos e medos mais profundos. Coisas que ele escondia até de si mesmo como o filho que tivera e abandonara, o homem que teve que matar, o medo de morrer só. Sendo que esse último já estava superado. Sabia que estava na sala para morrer. Poderia até ser de velhice, mas morreria se tivesse sorte.
Um dia, escutava os passos do lado de fora e os homens pareciam mais apressados. A porta se abriu com violência e, pela primeira vez, vira os homens. Vestiam uniformes negros. A sombra dos quepes cobria seus olhos de modo que só se via órbitas negras e ainda carregavam pistolas em coldres presos em suas cinturas. Dois homens entraram primeiro parando à frente da porta. Logo em seguida, com passadas lentas e controladas, um jovem comandante entrou também.
- Eu sou o Comandante Hessler – disse pausadamente. A voz dura e firme do comandante feriu-lhe os ouvidos – As coisas vão mudar aqui, meu caro. Quero que você responda a todas as minhas perguntas. Levante-se! – O pequenino homem levantou-se com dificuldade. A luz que penetrava pela porta incomodava seus olhos fazendo-os arder. – Vire-se para a parede! – Ordenou o comandante. O homenzinho, em pé no centro da sala não se moveu.
- Vire-se!!
Sem esperar mais, o comandante sacou de sua pistola e acertou um único e certeiro tiro bem no meio da testa do homem que ousara desafiar suas ordens. Em silêncio os três homens deixaram a sala e rumaram para o gabinete do General onde o Comandante Hessler faria seu relatório.
O impassível general escutou todo o relatório de Hessler sem piscar e ao fim, dirigiu palavra ao seu sobordinado:
- O senhor é burro, comandante? – Hessler gagejou:
- Co-como, senhor?
- Uma sala tem quantas paredes, idiota?
- Qua-quatro, senhor...
- Então o prisioneiro não desobedeceu a sua ordem! Tínhamos razões para acreditar que, em breve ele estaria pronto para nos dizer tudo! Comandante?
- S-s-sim, senhor...
- Considere-se exonerado!
Dias depois o corpo do Comandante Hessler trajando seu uniforme de gala, foi encontrado em sua residência. Pendurado pelo pescoço a um nó de forca preso a uma viga do teto. A carta que pairava abaixo das lustosas botas negras, tinha grifada as palavras "exoneração desronrosa".
Algumas vezes, uns homens entravam na sala. Mandavam-no ficar de costas para a porta e um dos homens o vendava. Ficavam muitas horas perguntando coisas sem sentido: “Onde está a bomba?” “Para quem você trabalha?” “De qual célula você faz parte?” “Quem são seus comparsas?”
No princípio ele respondia o que sabia, ou seja, nada. Depois de muito tempo sendo interrogado e respondendo o que os homens não queriam ouvir, resolveu calar-se por completo para descontentamento de seus interrogadores. Depois que eles saiam, ficava conversando com Fred durante horas. Por vezes achava que todas as suas faculdades mentais o haviam abandonado, mas rapidamente se convencia do contrário. Lembrava-se de seu nome, seu endereço, da casa onde morou, dos vizinhos.
Em verdade, lembrar-se de sua vida era tudo o que lhe havia restado, além de conversar com Fred que já tinha se tornado um grande amigo e confidente. Contava à figura de cachorro no teto seus segredos e medos mais profundos. Coisas que ele escondia até de si mesmo como o filho que tivera e abandonara, o homem que teve que matar, o medo de morrer só. Sendo que esse último já estava superado. Sabia que estava na sala para morrer. Poderia até ser de velhice, mas morreria se tivesse sorte.
Um dia, escutava os passos do lado de fora e os homens pareciam mais apressados. A porta se abriu com violência e, pela primeira vez, vira os homens. Vestiam uniformes negros. A sombra dos quepes cobria seus olhos de modo que só se via órbitas negras e ainda carregavam pistolas em coldres presos em suas cinturas. Dois homens entraram primeiro parando à frente da porta. Logo em seguida, com passadas lentas e controladas, um jovem comandante entrou também.
- Eu sou o Comandante Hessler – disse pausadamente. A voz dura e firme do comandante feriu-lhe os ouvidos – As coisas vão mudar aqui, meu caro. Quero que você responda a todas as minhas perguntas. Levante-se! – O pequenino homem levantou-se com dificuldade. A luz que penetrava pela porta incomodava seus olhos fazendo-os arder. – Vire-se para a parede! – Ordenou o comandante. O homenzinho, em pé no centro da sala não se moveu.
- Vire-se!!
Sem esperar mais, o comandante sacou de sua pistola e acertou um único e certeiro tiro bem no meio da testa do homem que ousara desafiar suas ordens. Em silêncio os três homens deixaram a sala e rumaram para o gabinete do General onde o Comandante Hessler faria seu relatório.
O impassível general escutou todo o relatório de Hessler sem piscar e ao fim, dirigiu palavra ao seu sobordinado:
- O senhor é burro, comandante? – Hessler gagejou:
- Co-como, senhor?
- Uma sala tem quantas paredes, idiota?
- Qua-quatro, senhor...
- Então o prisioneiro não desobedeceu a sua ordem! Tínhamos razões para acreditar que, em breve ele estaria pronto para nos dizer tudo! Comandante?
- S-s-sim, senhor...
- Considere-se exonerado!
Dias depois o corpo do Comandante Hessler trajando seu uniforme de gala, foi encontrado em sua residência. Pendurado pelo pescoço a um nó de forca preso a uma viga do teto. A carta que pairava abaixo das lustosas botas negras, tinha grifada as palavras "exoneração desronrosa".
12.5.04
Já não me vejo, não me tenho como antes,
A vida ganhou um papel muito grande.
Contorno teu contorno,
Sinto teu olhar de perto e por dentro
Corro risco de vida
E nem o medo me impede.
O sentimento humano
Nunca se solidificará
Nunca se sentirá concreto
Presencio tua ausência.
Solidifiquei-me em teu corpo,
Duramente sobrevivi em teu coração,
Bombeando-me, líquida,
Em breve destino...
Evaporei-me junto com teu silêncio.
E eis que me senti viva.
A vida ganhou um papel muito grande.
Contorno teu contorno,
Sinto teu olhar de perto e por dentro
Corro risco de vida
E nem o medo me impede.
O sentimento humano
Nunca se solidificará
Nunca se sentirá concreto
Presencio tua ausência.
Solidifiquei-me em teu corpo,
Duramente sobrevivi em teu coração,
Bombeando-me, líquida,
Em breve destino...
Evaporei-me junto com teu silêncio.
E eis que me senti viva.
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