17.1.15

So fly away Peter and fly away Paul - from the finger-tip ledge of
contentment.
The long restless rustle of high heel boots calls.
And I'm probably bound to deceive you after all.
Something must be wrong with me and my brain - if I'm so patently
unrewarding.
But my dreams are for dreaming and best left that way - and my zero to your
power of ten equals nothing at all.

There's no double-lock defense; there's no chain on my door.
And I'm available for consultation,
But remember your way in is also my way out, and love's four-letter word is
no compensation.

Well, I'm the Black Ace dog handler: I'm a waiter on skates - so don't you
jump to your foreskin conclusion -
Because I'm up to my deaf ears in cold breakfast trays -
To be cleared before I can dine on your sweet Sunday lunch confusion.

24.5.14

Agreement

I, the undersigned, come hereby inform myself and thyself that from this moment on will I forget your person and no longer write or by any means of communication that exists or shall be created, contact such said person.

Even knowing that this same promise has been broken in the past, this very time this very promise shall stand.

MB

6.4.14

Flash Back

Sal de mar na mão, de repente 
Eu, você, nós dois, frente a frente 
Risos de retrato de rostos contra o vento 
Um mergulho, em vão, contra o tempo 

São memórias presas num prumo 
Barco ou rumo acerta o seu rumo 
Tempo de um passado 
De olhos ancorados 
Num profundo mar azul, mergulhados 

Há naufrágios antigos 
Há seus medos contidos 
Lento, cái meu corpo rumo à caça 
Um passado imenso, por mim, passa 
Num momento breve, eu sei 
Morro de certeza 
Que toda essa beleza foi

(Roberto Menescau)
Eu quero o amor da flor de cactus
Ela não quis...

19.1.14

Do today what tomorrow won't mind

31.12.13

Pobre Asdrúbal...

Naquele dia lindo de dezembro, Asdrúbal acordou e fez tudo que achava que devia fazer. Foi ao mercado comprar as coisas da ceia que só ele comeria. Claro que ele já tinha planejado e na verdade, pela primeira vez ia fazer a ceia que há muitos anos vinha querendo: saladas!
Ele não acreditava que era saudável comer peru, presunto e todas essas coisas cozidas fariam uma ceia saudável. Principalmente nos últimos dois anos quando ele se tornara vegetariano. Muitas vezes ele se achava um vegetariano fajuto, pois comia ovos e leite. E manteiga, mas sempre teve a preocupação de saber de onde vinham o leite e os ovos, Queria ter certeza que viriam de uma produção onde não havia maus tratos aos animais.
Um belo dia se pegou pensando que a manteiga que ele usava pra fazer os molhos brancos ou qualquer outra coisa, não passavam pelo mesmo critério de “qualidade”. Se sentia hipócrita e meio monstro. Aquilo não fazia bem a ele. Ainda assim, continuava a comprar ovos e leite somente das fazendas ou granjas que publicamente se declaravam isentas de sofrimento animal.
Na verdade, Asdrúbal tinha uma pulga atrás da orelha. Se perguntava o porquê as empresas das quais ele comprava tão cegamente o leite (em uma empresa) e os ovos (em outra empresa) nunca apresentaram os subprodutos do leite e dos ovos.
Mas isso não é importante. Nem nunca foi nessa pretensa parábola. Asdrúbal passou a vida negligenciando coisas e pessoas que gostavam e gostam dele. Algumas vezes saía de um relacionamento como se ele fosse a pessoa maior quando na verdade, nunca tinha sido. Aceitava brigas, arrumava brigas e doenças pra facilitar. Se perguntava quase todas as noites “onde havia errado”. Mas ele sabia mesmo sem se perguntar. Sabia que não queria se ferir ou ser ferido e se perguntava se “isso era realmente possível”.
Talvez fosse... Ou talvez ele realmente não soubesse diferenciar um bom sexo de um bom relacionamento...

Onde iria o pobre Asdrúbal? Quantas possibilidades? Saberia ele como todas as possibilidades terminariam? Terminariam todas as possibilidades? Ou seria ele o eterno viajante do tempo?

16.11.13

Yusuf Islam

Dava uma grana que não tenho (e pelo que andei vendo, nunca terei) pra ver o show do Yusuf Islam. Ou Cat Steves...

Man of Steel

Depois de muita preocupação com a direção que o Zack Snyder (não me levem a mal! Watchmen foi super super bacana, mas 300 é sofrível) daria ao filme, mesmo com o roteiro do Chrsitpher Nolan finalmente assisti O Homem de Aço!
Confesso que quando o filme terminou fiquei me perguntando se tinha gostado ou não. Vinte e quatro horas depois digo que é um filme bom, mas não incrível. Talvez nenhum outro filme consiga ser tão mágico pra mim quanto o original de 78 com o Christopher Reeve. Pode ser que nunca mais apareça um sujeito com tanta cara de Super-Homem quanto ele apesar de eu ter achado o Henry Cavill muito bom! Muito melhor que o Bradon Routh!
Li muitas matérias e cometários dando conta que as cenas de ação foram muito extensas... Jura? Chegamos, pois ao ponto que se o filme tem muitas cenas de ação, neguinho critica. Se tem de meno, neguinho critica... Assim fica difícil, bicho! Eu gostei da cenas de luta! Gostei de ver o Clark Kent ter que se virar com os super-sentidos e ter que aprender a conviver com eles! Boa sacada!
Fazendo vistas grossas a diversos detalhes científicos (bora combinar que num filme que tem um cara que voa, a gente pode ser mais desleixado com os talhes, buracos negros e afins). Além disso, fiquei com uma sensação estranha com relação ao Jor-El ser tão presente (tipo, presente MESMO, saca?) e achei que a aproximação do Super-Homem com a Lois Lane ter ficado meio... rapidinha, meio sem embasamento, sem admiração, sem flerte, sem vôo...
Isto posto, ainda acho que Kripton é visualmente mais legal no original do que nesse. Esse é obviamente mais bem feito, mas ficou parecendo que os caras fizeram porque podem meio que sem ter a preocupação de ter que ser criativo (o que carajos é aquele bicho que o Jor-El voa? Deu um certo deja-vu de Star Wars Episódio III com aquela criatura que o Obi Wan monta. Parece que o lance é matar os bichos pra gente detestar mais os vilões ao invés de fazerem com que a gente goste mais dos mocinhos pelas características boas que eles deveriam ter).
Ao fim e ao cabo é uma boa diversão. Acho que nesses tempos, talvez a gente precise de mais heróis que evitam carnificinas e presem mais o valor da vida mesmo que seja a vida do bandido. Que ajam mais por uma vontade de fazer o bem do que por vingança.
Ainda mais ao fim (e consequentemente, ao cabo) acho que nunca mais nenhum super-herói vai mudar o destino do mundo por causa da mulher...
"Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história
Por causa da mulher"
(Gil)

23.10.13

uma semana pra 3.9

20.9.13

A conversação entre a psicóloga e o filósofo............................................

19.9.13

aliás, tenho andado tão valente que assisto filme de terror com um pé pra fora da cama! Awww Yeah!!!
sempre achei que eu fosse um cara de criar raízes... descobri que posso ser transplantado!

13.9.13

wear your love like heaven

14.8.13

Polka dots and Moonbeamns

A country dance wasbeing held in the garden
I felt a bump and heard an "Oh, beg your pardon"
Suddenly I saw - polka dots and Moonbeams
All around a pug-nosed dream

The music started, and was I the perplexed one
I held my breath, and said "May I have the next one?"
In my fightened arms - polka dots and moonbeams
Sparkled on a oug-nosed dream

There was questions in the eyes of other dancers
As we floated over the floor
There were questions, but my heart knew all the answers
And perhaps a few things more

Now in a cottage, built of lilacs and laughter
I know the meaning of the words: ever after
And I'll aways  see polka dots ans moonbeans
When I kiss my pug-nosed dream

https://www.youtube.com/watch?v=eKmu1xctslE

11.8.13

if I had a penny...

28.7.13

try and catch the wind...


Yellow is the color of my true love's hair,
In the morning, when we rise,
In the morning, when we rise.
That's the time, that's the time,
I love the best.
Blue's the color of the sky-y,
In the morning, when we rise,
In the morning, when we rise.
That's the time, that's the time,
I love the best.
Green's the color of the sparklin' corn,
In the morning, when we rise,
In the morning, when we rise.
That's the time, that's the time,
I love the best.
Mellow is the feeling that I get,
When I see her, m-hmm,
When I see her, oh yeah.
That's the time, that's the time,
I love the best.

Freedom is a word I rarely use,
Without thinking, m-hmm,
Without thinking, oh yeah.
Of the time, of the time,
When I've been loved.

27.7.13


"god is in the rain"

12.7.13

ia postar um vídeo de mim tocando flauta, mas a coisa fico feia pra carái! Foda... É só falar "valendo" que eu amarelo...
Deve se aplicar pra outras áreas da minha vida também...

10.7.13

Curiosidades da vida

O clima e as pessoas são melhores ni Gomes, mas o gengibre do Simplesmente é simplesmente imbatível.
End of the lesson!

7.7.13

Still waters run deep

Me recuso a acreditar que as animações que eu quero ver só tem dublado!

A namorada do Murray tá super linda com pinta de "make love, not war"!

4.7.13

Anarquismo, bomba, revolta popular, revolução

Agora tem que dar título nas postagens? Que palhaçada! Ou é forma de se controlar o que se escreve? Se eu escrevo "bomba" o google levanta uma bandeira vermelha na minha postagem e reporta diretamente pra quem de direito? E quem de direito saber o que eu escrevo senão quem me lê?

blablabla

Daí que voltei a jogar hoje. Pense num sujeito que vai estar TODO dolorido amanhã!

28.6.13

Minas

beleza sem palavras...
Milton
"plantei um pé de fulô, deu capim..."
e venho fazendo isso. Hora de mudar meu modus operandi

Não-Análise

- Então, Senhor Asdrúbal... O que te trouxe aqui?
- Não... Péssima pergunta. Eu não tenho que implicitamente confiar em você só porque tô te pagando. Eu vou te fazer perguntas pra saber se posso confiar em você.
- Mas não é assim que funciona
- Não ERA assim que FUNCIONAVA. Eu preciso saber se posso confiar em você. Quantos anos você tem?
- 28
- Qual sua banda de rock favorita?
- Isso importa?
- Se não fosse importante, eu não tinha perguntado... Banda favorita?
- Led Zeppelin
- Jura? Jóia! Qual o som deles que você mais gosta do Houses of the Holy?
- .... Qual?
- Houses of the Holy. Um dos discos icônicos da banda que você mais gosta... Lembra?
- Sim, sim...
- Então...
- A que abre o LP
- Você é quase um bom... o que quer que você seja. Bora mudar se assunto?
- Vamos
- Filme preferido?
- Eraserhead.
- Hmmmm... Do Lynch, né?
- É
- Você gosta mesmo do filme ou você achou que ia conquistar minha simpatia dizendo o nome de um filme underground?
- Não, não! Eu gosto mesmo!
- Defesa com enfase... Interessante...
- E o seu filme favorito?
- Tenho muitos e meus filmes, assim como minhas músicas favoritas, variam de acordo com minhas fases. Vou te dar um exemplo pra você tentar se familiarizar comigo, ok?
- Ok
- Blade Runner
- Ah! O grande caçador que mata a tudo e a todos e ainda assim, permanece frio e calculista?
- Faulty analysis. Eu sou o cara que não sabe bem o que ou quem é. Acho que nossa hora acabou...
- Mas só se passaram dez minutos...
- E se você não me decifrou, só me resta te devorar

Acabei de perceber que tenho diversos problemas e que só quem pode me entender, é alguém que tenha o(s) mesmo(s) problema(s) que eu.
Há!
It seems so easy now...!

19.6.13

a toast to shitty coices!

27.3.13

Adeus


Eu sei que é o que você quer, mas mesmo assim, tudo que eu tenho é “adeus”.

26.1.13

So Romantic

"A small part of me, even after this time
Has never stoped waiting for you
To live in this state of hoping
When hoping seems so utterly mad
I can't help but consider that so romantic
Though I know I should consider it sad"

24.3.12

Infatuation


Prefiro seu olhar ao cheiro do café ou ao barulho da chuva. Prefiro meu olhar no seu, seu olhar no meu. Prefiro te ver a ter que fazer qualquer outra coisa se o mundo acaba quando você senta no meu colo, me olha, me beija e ri da minha cara amarrotada.
Adoro nosso silêncio quando paramos pra escutar os pássaros. Nosso silêncio quando escutamos a chuva, nossa cumplicidade.
Rio quando você esconde seu rosto no meu braço com um misto de medo e admiração dos raios e trovões. E me olha, sorri e acende o cigarro.
Encostada em mim, você dorme suave. Me pego perdido pensando que não seio que sinto e chego à inevitável conclusão que penso demais.

21.3.12

Encontro


Então os dois pararam naquela pequena rua. A vontade das mãos que se procuravam. Os olhos perdidos na imensidão dos olhares que se buscavam. A eletricidade dos corpos que se queriam tanto. A chuva que mais trazia a vontade do abraço. Os lábios calados. Os olhares que se encontraram. O receio. O tremor. O carinho. O polegar que de leve passou pela bochecha. Os olhos fechados, o gostar, quer. O toque dos lábios na pele, as mãos no rosto, os lábios nos lábios. O cheiro, o gosto. Mais uma vez os olhos se encontraram e agora as mãos se deram, os dedos se entrelaçaram, os braços envolviam o corpo, as respirações descompassaram. Se apertavam, se desejavam, se queriam, se sentiam. De que importa a chuva, o frio, a rua deserta?

Se encontraram. 

20.12.11

Time to Say Goodbye...


Talvez se passe uma vida sem saber o que se passa consigo. Talvez se passe uma vida sabendo demais. Talvez se passe uma eternidade entre saber e não querer saber. Talvez.
Mas uma hora se chega à derradeira conclusão de que é chegada a hora de se dizer adeus a tudo que se viveu antes. De se desprender, se jogar em outra realidade, outro tempo, na mesma vida com pessoas diferentes. O medo que eu tinha de te encontrar continua o mesmo, guardado pra um momento em que não sejamos os mesmos, em que não sejamos diferentes, em que possamos ser quem somos sem máscaras e sem medos, sem dependências.
Mas não. A hora que se aproxima é a hora que, por mais que me doa, é quando preciso dizer adeus. A você, a esperança que sempre alimentei – e na verdade nem sei bem o porquê – de que pudéssemos pelo menos dizer adeus um ao outro. O “tchau, se cuida” que, pelo menos eu, sempre senti falta, senti vazio.
Agora eu posso dizer que posso viver. Posso achar que não fomos um erro que não pude corrigir. Que mais que tivéssemos sido meu erro, fomos nosso erro.
Agora posso finalmente enveredar pelos meus próprios becos, sabendo que consegui ME perdoar pelo que nunca causei sozinho.

11.12.11

Helplessly Hoping

Helplessely hoping her harlequin hovers nearby
Awaiting a word
Gasping at glimpses of true spirit
He runs, wishing he could fly
Only to trip at the sound of goodbye
Wordlessly watching, he waits by the window
And wonders at the empty place inside
Heartlessly helping himself to her bad dreams
He worries, did he hear a goodbye?
Or even hello?

They are one person
They are two alone
They are three together
They are four for each other

Stand by the stairways, you'll see something
Certain to tell you confusion has its cost
Love isn't lying, its loose in a lady
Who lingers, saying she is lost
And chocking on hello

13.11.11

Love is wild in her I confuse her love with the sea...

6.9.11

Que eu te dava um puta beijo na boca só pra gente não ficar sem ter o que falar! Bom... nem é SÓ por isso, mas serve como uma boa desculpa pra te dar um beijo!

3.9.11

Loco

Um dia, em sonho, estava em Buenos Aires. Logo ali em Arenlanes. Fiquei ali esperando que um louco aparecesse, mas descobri que enlouqueci meu coração e também descobri que ser louco é ser só.
Mas que é tão bom ser louco!

20.8.11

Close your eyes...

Era um domingo como outro qualquer. As crianças corriam pela grama ainda molhada do orvalho, e você voltava da sua corrida. Eu não gosto dessas coisas de exercício...
Deitados na grama, as crianças longe, só nós. Coloco minha mão sobre seus olhos e você se agita:
- Porra! Mas o que é isso?
- Cala a boca e escuta!
Coloco os fones em você, aperto o “play” e deixo a música te dominar, te acalmar, te fazer sorrir. Agora que eu sei que você tá relaxada, tiro um dos fones do seu ouvido e te digo baixinho:
- Eu te amo...

http://www.youtube.com/watch?v=GlEdd3HKVcU

9.7.11

Da série "Diálogos Insanos"

Entreouvido numa loja de artesanato em Santa Teresa:
Moça: Você te vinte pratas aí? Em casa eu te dou.
Moço: Melhor me dar em casa do que aqui na frente de todo mundo, né?
Vendedora: (gargalhadas)
Moça: (gargalhadas)
Moço: (fingindo olhar os CDs fazendo aquela cara de absolutamente nada)
Moça: Tá vendo, vendedora? Quase 15 anos de amizade! O pior é que nem em casa eu dou pra ele!
Moço: Eu tento, né?
Vendedora: Claro! O importante é não desistir!
MOço: (olhando um panfleto em cima da mesa da vendedora) Gente, a gente fica aqui falando de dar aqui, dar ali e tal, eu olho pra uma coisa que tá escrito "suba santa" e eu li "suruba santa". Melhor eu ir comer...

14.5.11

Chapéus

Então os dias se tornaram noites, as noites se tornaram dias, os dias se tornaram dias e as noites se tornaram noites.
Antes disso, antes que o tempo se fizesse tempo, nossos chapéus ficaram sobre o sofá e antes disso ficaram sobre o teclado e antes disso ficaram sobre nossas cabeças.
Parece tão banal, mas foi tão lindo...

12.4.11

Aqui, ali, ontem e agora

Em verdade, sempre tive muita dificuldade em começar a escrever. As coisas acabam se amenizando depois de um árduo começo. Não que cheguem a ficar boas, mas... A gente faz o que pode.
Sempre fui avesso a essas coisas de escrever diários, mas tenho passado por coisas muito intensas e chega uma hora em que, pra mim, não adianta conversar com as pessoas, preciso escrever visceral, ardida e apaixonadamente como tudo que sempre fiz e faço.
Cheguei, como todos chegam, ao ponto em que as perguntas – todas – ficam aqui rodopiando. Sempre gostei mais das perguntas do que das respostas e isso foi uma coisa que me acertou como uma bela porrada na cara. Quem em sã consciência gosta mais dos mistérios do que do descobrimento? Loucos! Juntemo-nos! De modo que possamos rir das expressões incrédulas dos caretas! Que possamos correr pelas ruas, gritando nossos amores tristes, nossas alegrias radiantes, nossas paixões infinitas, nossos ilusões super-esporte!
Volto às perguntas, pois tenho me questionado muito, recentemente. Venho tentando me entender, entender processos, sentimentos, reações. Na verdade, venho questionando começos e fins, términos e voltas, esperanças e desesperos. Onde fica nosso destino? Estamos fadados a uma busca inútil, porém, talvez fértil de nós mesmos? Talvez a fertilidade da busca nos faça amadurecer de modo que nos busquemos mais e mais e mais e nos achemos tão interessantes que não tenhamos mais espaço para outros. Serão os outros realmente companheiros nessa viagem em busca de mim? Se sim, então não passam de meros coadjuvantes. Se sou tão interessante a ponto de não precisar de ninguém, então porque busco outros e outras? Se sou incompleto, quem vai me completar? Será que completo ou completei alguém? Talvez sejamos somente esse imenso nada recheado de questões dentro desse jarro de carne e ossos que nos permeia pelas questões tão básicas e que, mesmo assim, continuam sem resposta.
Existe um fato: ninguém muda. As pessoas são quem são, as coisas são o que são e ao mesmo tempo não somos ninguém e nada é. Então que diabos é essa dicotomia toda? De onde criamos isso?
Saio da varanda, vou até o banco no jardim, sento e fumo. Vejo a fumaça desaparecer no vento e aproveito pra olhar as estrelas. Não consigo evitar certa vergonha de me questionar tanto enquanto tantas coisas maiores têm problemas maiores. As estrelas têm que se preocupar com seu próprio campo gravitacional de modo que não atraiam outras estrelas porque se isso acontecesse, seria definitivamente o fim. E eu aqui me preocupando com o curso dos meus pensamentos... Triste epitáfio de um ser tão ínfimo. Na lápide desse ser, lia-se: “Morreu pensando que se pudesse comparar seus problemas com os das estrelas. Coitado - riram-se elas.” Esqueço minhas preocupações por um momento e rio da minha própria besteira.
E então, as coisas continuam as mesmas na terceira pedra a partir do sol. As dúvidas continuam, as manias de grandeza também. Mas as respostas estão logo ali, “over the rainbow” e o pote de ouro no fim dele fica ali em Santa Teresa. É onde fui e sou feliz. É onde me encontro comigo, onde sinto todas as dores, delícias e dúvidas de ser quem sou. Onde me recolho e me espalho, onde posso mudar ou permanecer, onde posso ser dicotômico. Mesmo que distante. Mesmo que uma ilha.
Cada um com seus defeitos, cada um com seus problemas (grandes, enormes ou pequenos)¸cada um com suas idiossincrasias, cada um com seus limites, cada um com seu cada qual, cada louco com seu livro. Somos tão diferentes e tão iguais que as mesmas coisas que me atraem, me repelem e nesse abismo entre mim e eu mesmo, me completo. Mesmo que sozinho.
Ao fim e ao cabo, somos todos companheiros, passageiros e tripulantes do mesmo barco. Uns desembarcam antes, outros seguem rio abaixo comigo. Mesmo que eu queria continuar junto, mesmo que os dois queiram, em algum momento o fim há de chegar. E não se engane, companheiro. Ele chega. Às vezes silencioso como uma brisa, outras esporrento como uma coisa bem esporrenta que não consigo pensar agora.
Amar, odiar, não amar, amar mais ou menos, esconder, aparecer. Isto posto, nos resta o que nos é imperativo: precisamos de atenção, de amor, carinho, afeição. Podemos ser corajosos, querer que tudo dê certo, tenta mudar PRA que tudo dê certo. Ou podemos não fazer absolutamente nada e ainda assim nos sentirmos heróis. Uma coisa como “ A balada do anti-herói”. Talvez seja melhor ser o anti-herói. Afinal, quem não faz nada, não erra e quem não erra, não leva bronca do chefe.
Nos demais, o tempo se encarrega de nos mudar. Quanto mais velho ficamos, quanto mais próximos do fim, mais nos damos conta de que o que parecia tão importante, não é mais e que passamos tanto tempo pelejando contra mudanças que poderíamos ter feito tão entes e de forma tão menos dolorosa.

18.1.11

Riquixá (Pousse-Pousse)

Nuits blanches, lunette grises
Matisse, je m’émerveille
Une femme um diamant à l’aise
On n’a pás de nouvelles
Matin d’une toile douce
Désormais je l’apelle
La pareses éternelle
Je rêve dans mom pousse-pousse

Jê pars seule em silience
Mes souvenir mise em sène
Rapport d’une seule nuit
La vie dans une semaine
À peine un jour partout
Tes yeux d’un coup dans la Seine
Le souffle d’une mauvaise reine

5.1.11

You Don't Know What Love Is

You don't know what love is
‘Til you’ve learned the meaning of the blues
Until you’ve loved a love you've had to lose
You don't know what love is
You don't know how lips hurt
Until you've kissed and had to pay the cost
Until you've flipped your heart and you have lost
You don't know what love is
Do you know how lost I've been
At the thought of reminiscing
And how lips that taste of tears
Lose their taste for kissing
You don't know how hearts burn
For love that cannot live yet never dies
Until you've faced each dawn with sleepless eyes
You don't know what love is
You don't know how hearts burn
For love that cannot live yet never dies
Until you've faced each dawn with sleepless eyes
You don't know what love is
What Love Is

28.12.10

Nosso tempo

O que somos nós senão o sol que brinca nas ondas, que bate nas pedras, que se desfaz e se assenta na praia, e é levada pelo vento? Pra onde fomos então? Onde estamos senão em nós? Se nos encontramos na mesma praia ou em algum outro lugar, mas ao mesmo tempo se o mundo, o universo, e os deuses perceberam quando nossos olhares se encontraram, então como fugir? Como se esconder? Se nos descobrimos e nos escondemos em nossos peitos, como separar a unidade? E ainda assim, como podemos evitar nos separar se o vento continua nos levando? Mas se nos (re)encontramos, então talvez o vento, a praia, as ondas e o sol assim o queiram. E assim será porque antes que vento, sol, mar e praia tenham querido assim quisemos nós

18.12.10

Minuano

Day comes slowly - absorbing the darknesses softly.
Night leaves gently - her beauty is spent, and she rises.
I step into the lightness - I hear you.
You're calling me out of my sadness.
Your flowering wonders are calling me home.

Darkness lingers - but always surrenders to loving.
Darkest midnight - is swallowed in oceans of laughter.
I follow into lightness - I hear you.
You're calling me out of my sadness.
Your flowering wonders are calling me home.

Dancing along a dawn that leads to you -
Singing a song that blossoms in a fugue as morning settles on
Dreaming into a sky of brilliant blue -
Noticing clouds are whispering that you will dance with me very soon

Already been as high as Kathmandu -
`Willing to go as far as Timbuktu
Nowhere's too far away - I may catch up with you today -
maybe today will finally be the day

Flying along a dawn that leads to you -
Singing a song that makes itself anew - a music magic wand
Reaching into a sky of brilliant blue -
eagles are calling out to say the you will dance me very soon

Already been as high as Kathmandu -
Willing to go as far a Timbuktu
Nowhere's too far away - I may catch up with you today -
maybe today we'll make our getaway!
Like light from the stars made ten thousand years ago - comes love, like a gift of sight
Growing stronger every moment on the way home
(Kurt Elling)

12.12.10

Acordormindo

O lento acordar se dissipa quando a casa se enche de música e o cheiro do café. Ainda dormindo você se mexe, muda de posição tentando permanecer no perene sono que te abraça, acolhe, serena. Saio do quarto e boto minha cara pra fora da janela onde os pássaros fazem a algazarra de sempre subindo, descendo, voando, brigando, mas ainda assim enfeitando a moldura do quadro que se pinta do lado de fora.
Saio pela rua flutuando no caminho que me leva até seus sonhos, corro até chegar a seus braços, me afogo no oceano dos seus carinhos, sonho seus sonhos, fico bêbado da sua risada. Mergulho, fujo, volto à tona, retorno, te vejo e mesmo longe, volto pra te encontrar.
Preguiçosa, você acorda ao som da música. Seus braços me apertam enquanto lavo a louça da nossa farra de ontem. Seu beijo no meu pescoço me arrepia, me viro, te abraço de volta. Ficamos ali abraçados na cozinha, dançamos sem sair do lugar ao som que nos preenche, nossos olhos se encontram, se cumprimentam e tristemente se despedem mesmo sabendo que o amanhã é nosso, que podemos tudo, que nos queremos, nos amamos.
Te acompanhar até seu carro sempre foi doloroso. De uma certa forma, é como se eu nunca mais fosse te ver. Seu aceno pela janela me corta o coração. Viro as costas e volto para onde a música me preenche de novo. Nosso lugar. Deito e sonho acordado com o dia em que não teremos mais que nos despedir, onde não há separação seja de corpos ou de almas, onde seremos quem somos, quem queremos ser, quem devemos ser.

26.11.10

Embala Eu

Embala eu, embala eu
Menininha do Gantois
Embala pra lá, embala pra cá
Menininha do Gantois

Oh, dá-me a sua benção
Menininha do Gantois
Livrai-me dos inimigos
Menininha do Gantois

Dá-me a sua proteção
Menininha do Gantois
Guiai os meus passos por onde eu caminhar
Vira os olhos grandes de cima de mim
Pras ondas do mar

9.11.10

O verdadeiro amor não traz consigo sofrimento, egoísmo, ciúmes ou orgulho. Amar é dar o melhor de si pela pessoa amada, sem necessidade de propriedade ou retribuições. Quem ama confia, respeita e perdoa.

Barbosa Filho

7.11.10

Pros erros há perdão, pros fracassos chance, pros amores impossíveis tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando, que sonhando; fazendo, que planejando; vivendo que esperando. Porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive, já morreu.

Veríssimo

1.11.10

Loucuras

De todas as pessoas que amam e cometem loucuras, eu cometo a loucura de respeitar a vontade de outro...

31.10.10

What if...

What if after all of my ego was destroyed... All that is left is love...?

15.10.10

Espumas ao Vento

Sei que ai dentro ainda mora um pedacinho de mim
Um grande amor não se acaba assim
Feito espumas ao vento

Não é coisa de momento, raiva passageira
Mania que dá e passa, feito brincadeira
O amor deixa marcas que não dá pra apagar

Sei que errei tô aqui pra te pedir perdão
Cabeça doida, coração na mão
Desejo pegando fogo

Sem saber direito a hora nem o que fazer
Eu não encontro uma palavra só para te dizer
Mas se eu fosse você eu voltava pra mim de novo

E de uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar

14.10.10

There's a Lull in My Life

Oh, there's a lull in my life
It's just a void, an empty space
When you are not in my embrace

Oh, there's a lull in my life
The moment that you go away
There is no night, there is no day

The clock stops ticking
The world stops turning
Everything stops
But that flame in my heart
That keeps burning, burning

Oh, there's a lull in my life
No matter how I may pretend
I know that you alone can end
The ache in my heart
The call of my arms
The lull in my life

The clock stops its ticking
The world stops its turning
Everything stops
But that flame in my heart
That keeps burning, burning

Oh, there's a lull in my life
No matter how I may pretend
I know that you alone can end
The ache in my heart
The call of my arms
The lull in my life

7.10.10

Ainda Mais

Foi como tudo na vida que o tempo desfaz
Quando menos se quer
Uma desilusão assim
Faz a gente perder a fé
E ninguém é feliz, viu
Se o amor não lhe quer
Mas enfim, como posso fingir
E pensar em você como um caso qualquer
Se entre nós tudo terminou
Eu ainda não sei mulher
E por mim não irei renunciar
Antes de ver o que eu não vi em seu olhar
Antes que a derradeira chama que ficou
Não queira mais queimar

Vai, que toda verdade de um amor
O tempo traz
Quem sabe um dia você volta para mim
E amando ainda mais

(Paulinho da Viola)

5.10.10

Respostas. Respostas?

Cada beijo de amor trocado vira luz ou flor? Ou ambos? Projetos de futuro viram passado? Às vezes estão tão presentes ainda que perduram num espaço para o qual não há tempo verbal. Seriam as lágrimas de saudade vertidas a umidade que rega a flor do beijo que foi antes trocado? O sexo que não foi feito seria aquela nuvem que cobre o luar que eu queria tanto ver? Esse vazio no peito seriam os planos feitos a dois não concretizados ou esses planos são apenas essa falta de vontade de ir a algum lugar? Como me achar nesta argamassa que fizemos dos nossos dois sentires? Onde me buscar se virei dois? Tudo que foi vivido mudou-se para uma ilha distante, inalcançável ou está dentro de mim e de você e só é visível juntando as nossas duas coordenadas? Se eu tivesse feito projetos eles seriam os mesmo que os seus ou será que os meus seriam formulados em uma língua estrangeira e ignata?

Cais

Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar

1.7.10

A Ilha

Pra onde vão os planos que você queria fazer? Pra onde vão os planos que nunca fizemos? E os planos que fizemos? Onde ficam? Onde ficam os nossos carinhos? Nossas noites, nosso toque, nosso sexo? Pra onde vão as coisas quando tudo se acaba? Onde é que se armazena as lágrimas que me salgam a boca, caem no chão ou se evaporam quando o dia vem raiando? Há uma sessão em que possa guardar? Onde fica a ilha imaginária onde escondemos nossas frustrações, nossas tristezas, nosso fim de mundo? Onde escondo minha incapacidade de te fazer feliz?
Falávamos de filhos, apartamentos. Nossas vidas, sua vida, minha vida. Onde foi que nos misturamos tanto a ponto de chegar onde chegamos?
Acho que qualquer relacionamento, no fundo, no fundo, acaba se relacionando a grana. Minha incapacidade de projetar, de fazer planos acabou por te afastar de mim. Eu sinto muito por isso. Queria ter sido uma pessoa em que você pudesse confiar a ponto de acreditar que o que eu estou passando é só uma fase.
Sei que você sente falta de tanta coisa em mim. Sei que você sente falta do meu calor, do meu carinho, da minha atenção, da minha risada e da forma que eu te fazia rir.
Um dia, quero nadar até essa tal ilha e revisitar tudo o que ainda está aqui em casa. Quero sentir seu cheiro de novo. Seu abraço, meus braços em você, nosso beijo.

10.6.10

13.9.09

A busca pela bem-aventurança

Eu gosto MESMO é dessas manhãs e tardes quando a casa se enche de sons e cores!
While working at the conformity factory, my love almost bled to death...

6.7.09

Mariana

De tudo o que sentia, o que mais chamava atenção era o quão diferente era de seus pais.
A mãe obsessiva. Quando limpava a casa, fazia de modo que a Virgem Maria pudesse descer dos céus e usar a latrina. No fundo, todo mundo é assim. Não teria problema se isso acontecesse uma vez por semana, mas isso acontecia todos os dias. Francamente, era demais.
Seu pai era da rigidez militar e tinha como lema “ordem e método”. Era ritualístico: chegava em casa do trabalho, se servia de uma dose de uísque e sentava para assistir o jornal. Como não fosse suficiente, era racista. Nos dias em que excedia sua uma dose, bradava aos quatro ventos:
- Esses alemães foram, são e sempre serão idiotas! Na tentativa de exterminar os judeus, fizeram um puta serviço de preto! - Daí pra baixo.
De tanta vergonha, a mãe munia-se de um pano e partia a limpar a cozinha. Resmungando como o Zé Buscapé de saias.
Do alto de seus dezenove anos e já acostumada com os teatros familiares, simplesmente flutuava pela vida. Amava o sol e adorava a chuva. Criava amores-perfeitos no parapeito da janela do quarto e conversava com eles a cada rega.
Escrevia poesias. Não era Drummond nem Pessoa, mas gostava do que escrevia. Adorava escrever ao som de Full On. Ela mesma percebia a contradição e o abismo entre as duas coisas, mas a final, ela era assim. E dizia:
- É uma coisa Ying-Yang, sabe? A dualidade do ser humano, uma coisa cósmica e tal...
Vivia na porta do Estação. Adorava ver as expressões das pessoas quando saiam de um filme e tentava adivinhar se o filme era bom, se ela gostaria, se recomendaria ao namorado.
Ah! Ela tinha um namorado. Ela era artista plástico. Morava num apartamento que ele comprara e transformara num loft que não tinha móveis. Mariana passava as tardes lá e adorava ver seu namorado pintar, esculpir. Gostava de ficar no meio daquela confusão de tintas, telas, argila e metais. Ela se sentia parte do processo criativo dele. Gostava de acreditar que ela era a musa, a grande inspiração divina, a epifania. Curiosa e inesperadamente como tudo na vida dela, o namoro acabou. Caminhando pelo Jardim Botânico, ela se deparou com um sujeito que estava sentado num bar. Ela escutava bossa-nova no mp3, mas ele não olhou de volta. A luz de seus olhos só se encontrariam mais tarde. Ele escrevia. Rabiscava mais que escrevia. As palavras vinham como que de outro mundo e ela se encantou. Atravessou a rua e sentou na mesa ao lado dele. Ele, meio concentrado, meio encantado, fingiu não ter visto. Bebericava o chopp e beliscava o cigarro meio fumado pelo vento. E rabiscava num pedaço de papel coisas sobre o espaço e o tempo. O perder, o encontrar, o querer.
Sem saber por que, ele levantou os olhos do papel e encontrou os olhos de Mariana. Ela sorria como ele nunca tinha visto. “Across the Universe”, ele pensou.
- O que você tá escrevendo?
- Não sei. Mas tenho certeza que é pra você!
Depois de um tempo, Mariana na casa de seus pais. Chamou os dois na sala e disse com seu jeitinho calmo:
- Vim aqui pegar minhas coisas. Vou me mudar. Não quero que vocês fiquem chateados comigo. Na verdade, acho que nunca pertenci, nunca fiz parte. – Subiu as escadas, fez sua mala, pegou seus amores-perfeitos e se foi.
No dia seguinte, a mãe de Mariana fez o mesmo. Sumiu no mundo com uma mala contendo uma muda de roupas, uma escova de dentes e uma foto de sua filha. Quando o primeiro inverno depois de todos esses acontecimentos chegou, o pai de Mariana, tão desbaratinado, pegou o revólver na gaveta achando que era a bombinha pra asma. Da mãe, nunca mais se ouviu falar. Dizem por aí que comprou uma moto e viaja mundo a fora com outros motoqueiros. Outros dizem que casou com uma defensora dos direitos das mulheres.
Mariana e o escritor moram juntos e têm um filho. Os dois compraram uma casa e a cercaram de amores-perfeitos. Viajam uma vez por ano pra Europa, bebem vinho, escutam música, escrevem, fazem amor...

2.7.09

A César o que é de César

Bom... Com a grana das minhas féria eu acabei por comprar um IPod. Shuffle, mas IPod.
Uma das minhas grandes diversões depois de comprar esse brinquedinho é selecionar as músicas que eu vou escutar sabe-se lá em que ordem, sabe-se lá indo pra onde (ou vindo de onde), sabe-se lá fazendo o que.
Acabou que, sem querer, coloquei uma música no Tamagoshi-IPod que eu não escutava há séculos. E o bacana nem foi isso... Foi lembrar de quem me ensinou a gostar desse som. E, pensando nisso, a verdade é que essa pessoa acabou por me ensinar tanta coisa mais que isso...
Me ensinou carinho, mais ainda do que eu já conhecia. Me ensinou que vida a dois é uma coisa super legal. Que mesmo não sendo um cachorro, se pode abanar o rabo quando a pessoa que você ama chega em casa! Hahahahaha! Isso era o máximo!
Saudade de você, pessoa!

Ah! e a música é essa

8.6.09

Penso

Ando pelas ruas debilmente iluminadas pelos parcos postes e penso. Logo, Existo?
Penso. Logo, sou!
Porque o ato de pensar é muito mais pessoal do que simplesmente existir.

28.5.09

Bate papo

Tava de papo com uma amiga no msn e ela me pergunta se tá tudo bem. Respondo que tô num clima "fim de férias". Daí ela me aconselha: "Cuidado com a deprê!". Apuro o ouvido e tá chovendo.
Cuidado com o que mesmo?
Mas tá maneiro...

8.5.09

Where...

Where have I loved you before? If only now we seem so close?
I know I’ve seen you... The other day... In a dream
When have we been so in Love with each other?
Did you forget me? ‘Cause I have...
Have you met someone else? Have you loved someone else?
Do you want to go for coffee?
See ya! Love ya!
Bye...

2.4.09

Deixa eu te falar...

Deixa eu te dizer uma coisa. Deixa eu te falar sobre as minhas fraquezas. Deixa eu te contar das coisas que me deixam super feliz.
Você quer ouvir? Você chora quando vê um filme? Você chora quando escuta um pedacinho tão lindo de uma música?
Essas coisas são pedacinhos do céu, de uma coisa muito maior que a gente e que chegam aqui com a única finalidade de fazer a gente pensar, chorar, pensar.
Daí que a gente se rasga, sofre, chora e faz pensar que tem toda uma coisa ali na frente da gente.
O que á lá na frente, a gente nem conhece, mas a gente molda. O que ficou pra trás, a gente usa como aprendizado.
Agora, a gente curte, aproveita, enjoy, abre os braços, mete os peitos.
Eu, encho minha taça, acendo um cigarro e aproveito.

21.3.09

Beatnik

And why is that? Why do I feel so ashamed when I think of any of you?
Why do I think of flowers? Why do the flowers silently sream?
É como se houvesse uma razão. E na verdade meus farrapos são só oque restam quando penso na sua metade.
Na metade que me completa, na metade que você completa. Mas quem É você? Você é?
Você grita como as flores amarelas ou as margaridas grtiam junto em silenciosa harmonia?
Você grita como as flores amarelas ou as margaridas grtiam junto em silenciosa harmonia?

10.3.09

Lento Acordar

Ali, deitado na relva, acariciado pelo toque do sol que cega e aquece, que ilumina e queima. Sentia e dava boas vindas às cores, ao calor, ao toque da grama em suas costas, em suas pernas. A cena bucólica era como um prelúdio. Já não escutava nada ao seu redor o mundo estava ali aos seus pés. Levou as mãos ao rosto e se permitiu sentir-se vivo, quente. Sorriu levemente. Esticou os braços, espreguiçou-se, rolou.
O acordar já não lhe pareceu tão pesaroso. A gata, enroscada entre suas pernas percebeu o movimento e o saudou com um miado preguiçoso, rouco de sono. Esticou o braço e sentiu a cama vazia do outro lado
- Talvez seja hora...

22.2.09

A gente

Quando foi que a gente se distanciou tanto? Por quê? Eu gosto tanto de você! Quero tanto te abraçar, sentir esse calor que você faz tanta questão de esconder atrás dessa frieza calculista, impessoal.
Meu carinho, meu abraço é de graça.
A gente tem a mesma necessidade: a gente ficou tão distante que a gente se esbarra e faz tanta pergunta idiota só pra sentir um pequeno contato com o outro. A gente precisa de contato físico, emocional... E a gente só faz viver dentro da gente.
E se a gente tentasse viver junto?
Vai que dá certo...

22.8.08

Da falta que os amigos fazem

E se um dia tudo mudasse? E se um dia voltasse a ter o assento como companhia e testemunha do que escrevia. E se um dia voltasse a ter o sentimento à flor da pele? Como seriam as coisas? Seria ele como é hoje? Seria uma pessoa melhor? Pior? Igual?
Havia muito tempo não se questionava essas coisas até que um dia, o céu se fez azul novamente. As cores tinham mais brilho, eram mais intensas, tinha voltado para seus amigos.
Tinha ficado mais velho, sim. Se sentia mais velho, seu cabelo ficara mais ralo, mais cinza. Em outros momentos se sentia só, em outros se perguntava qual o sentido disso tudo. Da vida, do ser, do estar, do ir, do vir.
Um belo dia, uma grande amiga disse que sentia saudade da pessoa que ele fora antes de se tornar aquela pessoa cinza e mecanizada.
- Onde foi parar aquele Marcito que eu conheci? Aquele que escrevia com tanta leveza, que era tão otimista?
Foi naquele momento que ele se deu conta de que ele sentia falta de si mesmo.

14.8.08

Rélou, pípou!

Triste como um tango, seus passos ecoavam na rua deserta e ele cambaleava procurando um último bar, uma última alma. As lágrimas escorriam pelo seu rosto, mas ele já nem sentia mais entorpecido que estava pelas agruras da vida que sempre insistia em esbarrar seus ombros cansados.

As últimas luzes da noite iam se apagando. Uma após a outra como se um teatro se fechasse após a saída dos últimos espectadores. Com as mãos enfiadas nos bolsos do longo sobretudo, parou sob um poste e, olhando a fria luz que desenhava um perfeito círculo sobre si, recostou-se nesse poste e seus joelho cederam sob o peso do vinho.

Ali, sentado, admirava os belos círculos concêntricos da fria luz de inverno. Já não perseguia mais seus fantasmas. Na verdade, seus fantasmas o fitavam de longe, com pena. Já não habitavam seu armário, já não o assombravam. Tinham finalmente cedido à tentação de vê-lo sucumbir.

Ali, caído, sentia-se ser observado e percebia que comentavam a seu respeito, mas não tinha mais forças para contestar. Foi ali que percebeu. Levantou-se sem esforço. Caminhava levemente. Virou-se para ver o lugar onde antes estivera sentado, inerte e sorriu. Sentia-se forte de novo. Cumprimentou seus fantasmas que não acreditavam no que viam.

Mais uma vez, lá ia ele, os ombros aprumados, o olhar reto, o passo firme. Ali perto, embarcou no ônibus que passava na ladeira que o levava para casa.

Descendo a ladeira, pôde ver o horizonte que clareava e ali, soube que nada tinha acabado. Estava apensa começando...

21.7.08

Balada Para Un Loco

Las tardecitas de Buenos Aires tiene ese que se yo, viste?
Salgo de casa por Arenales, lo de siempre en la calle y en mi,
cuando de repente, detras de ese arbol, se aparece el,
mezcla rara de penultimo linyera y de primer polizonte
en el viaje a Venus. Medio melon en la cabeza,
las rayas de la camisa pintadas en la piel,
dos medias suelas clavadas en los pies
y una banderita de taxi libre levantada en cada mano...
Parece que solo yo lo veo, porque el pasa entre la gente
y los maniquies le guiñan, los semaforos le dan tres luces celestes
y las naranjas del frutero de la esquina le tiran azahares,
y asi medio bailando, y medio volando,
se saca el melon, me saluda, me regala una banderita
y me dice:

Ya se que estoy piantao, piantao, piantao,
no ves que va la luna rodando por Callao
y un corso de astronautas y niños con un vals
me baila alrededor...
Baila, veni, vola...

Ya se que estoy piantao, piantao, piantao,
yo miro a Buenos Aires del nido de un gorrion;
y a vos te vi tan triste; veni, vola, senti el loco berretin
que tengo para vos.

Loco, loco, loco, cuando anochezca en tu porteña soledad,
por la ribera de tu sabana vendre con un poema
y un trombon a desvelarte el corazón.

Loco, loco, loco, como un acrobata demente saltare
sobre el abismo de tu escote hasta sentir
que enloqueci tu corazón de libertad, ya vas a ver.

Y asi el loco me convida a andar
en su ilusión super-sport,
y vamos a correr por las cornisas
con una golondrina en el motor.
De Vieytes nos aplauden. Viva, viva...
los locos que inventaron el amor;
y un angel y un soldado y una niña
nos dan un valsecito bailador.
Nos sale a saludar la gente linda
y el loco, loco mio, que se yo,
provoca campanarios con su risa
y al fin, me mira y canta a media voz:

Quereme asi, piantao, piantao, piantao...
trepate a esta ternura de locos que hay en mi,
ponete esta peluca de alondras y vola, vola conmigo ya:
veni, vola, veni...

Quereme asi piantao, piantao, piantao,
abrite los amores que vamos a intentar la magica locura
total de revivir, veni, vola, veni, tra...lala...lara...


Procurem Amelita Baltar nos seus programas de download. Ela é esposa do Astor Piazzola.
Essa é umas das músicas mais bonitas do mundo! Caso não encontrem, me passa um mail que a gente resolve a falha grave de você nunca ter escutado essa música! Afinal, somos todos loucos!

30.4.08

Dois Dias em Abril

Cabo-Frio, 18/04/2008

Eu não olhava para ele. Ou tentava não olhar, mas sob os óculos escuros, uma espiada sempre me escapava. Pior era vê-lo ali escrevendo, lendo, fumando um cigarro ou bebendo uma cerveja. Vê-lo ali e não poder falar com ele.
Não posso dizer que me incomoda muito o fato de ele nem me dizer "bom dia!" como ele dizia antes. Afinal, eu também não não me dirigia a ele. Só com o olhar eu tentava me comunicar, quando tinha certeza de que ninguém mais estava vendo. Será que ele percebe? Aposto que sim! Principalmente quando nossos olhares se encontram por alguns mínimos segundos. Agora sei que ele também me percebe.
Beleza não é o forte dele. Não à primeira vista. Muito mais charmoso, ele sabe fazer uso disso e acaba se tornando mais bonito, seu olhar fica mais penetrante, ele fica mais confiante. Os olhos de uma cor que não se pode prever. Quase sempre verdes, mas muito azuis de outras. Me olhando, me descobrindo, me revelando segredos. Fico sem graça e passo a mão nos cabelos tentando desviar meu olhar. Acabo olhando aqueles olhos infinitos de novo e fico tímida como uma adolescente.
Naquela sexta-feira regada a sol, cerveja e boa conversa, já no fim do dia quando ele sabia que eu já me entregara, ele simplesmente se levantou, deu dois passos na minha direção, segurou meu queixo com a leveza e a firmeza que eu esperava e me beijou sem pressa, degustando. Um beijo doce, profundo.
Beijo molhado, nu, suado e com Pedrinha de Aruanda, ê! Me sentia protegida e olhando em seus olhos, contei as coisas da minha vida, meus impedimentos, meus medos. Ele compreendeu, disse que estava tudo bem ao pé do meu ouvido. Arrepio. Caminhada até minha casa, mais daquele beijo.
O dia seguinte ia correndo e eu queria ficar mais perto, beijar, mas não posso! A noite chegou. Passeio na beira do mar, barzinho, Divas in Las Vegas no DVD, minhas mãos nas mãos dele, sopa no restaurante japonês, dança desajeitada ao som de uma música linda e desconhecida, risos, cumplicidade. Promessas.
Não cumpri com o nosso combinado e espero que ele entenda. Não vou voltar pra ele. Melhor partir para onde vim. Marcamos nossos corpos e me vou. Até...

19.3.08

Diário da Obra - Dia 2




Se um apartamento é medido pela quantidade de paredes que ele tem, a cada dia que passa eu tenho menos apartamento...
Detalhe: o cara foi tirar a privada do banheirinho (que vai virar um banheiro social) e eu constatei que todas as baratas do Rio de Janeiro moram ali. Me peguei pensando no comprimento total do cano e quantas baratas poderiam caber ali. Tomei um dormonid e dormi no meio das marretadas. Triste vida.

18.3.08

Diaário de uma Obra - Dia 1






Começou o inferno.
Sete da manhã os caras chegaram e se puseram a quebrar tudo!
No final do dia eu tinha menos uma parede e meia e uma vontade de pegar a Tita e me mudar pra casa de mamãe.

9.3.08

Destiny



I lie awake
I’ve gone to ground
I’m watching porn
In my hotel dressing gown
Now I dream of you
But I still believe
There’s only enough for one in this
Lonely hotel suite

The journey’s long
And it feels so bad
I’m thinking back to the last day we had.
Old moon fades into the new
Soon I know I’ll be back with you
I’m nearly with you
I’m nearly with you

When I’m weak I draw strength from you
And when you’re lost I know how to change your mood
And when I’m down you breathe life over me
Even though we’re miles apart we are each other’s destiny

On a clear day
I’ll fly home to you
I’m bending time getting back to you
Old moon fades into the new
Soon I know I’ll be back with you
I’m nearly with you
I’m nearly with you

When I’m weak I draw strength from you
And when you’re lost I know how to change your mood
And when I’m down you breathe life over me
Even though we’re miles apart we are each other’s destiny

When I’m weak I draw strength from you
And when you’re lost I know how to change your mood
And when I’m down you breathe life over me
Even though we’re miles apart we are each other’s destiny

I’ll fly, I’ll fly home
I’ll fly home and I’ll fly home

21.2.08

Das coisas estranhas que trazem as pessoas aqui (e as devidas considerações cretinas)

Entraram no Google procurando alguma coisa estranha e acabaram aqui...

"Sou todo coração" - Cara, eu trabalho numa clínica. Quem sabem a gente não arruma uns transplantes baratinhos...?

"Descobrir que ainda te amo" - Pai Marcito de Ogum trás a pessoa amada em um dia e meio!

"Descobri que..." - Descobri o descobri

"Anjos saen en fotos" - Claro! E a ala psiquiátrica fica logo ali!

"achei que não o amava mais, as descobri que o amo" - De novo?

"ABREVIAÇAO DE PRESIDENTE" - FDP

"filme tem cancer e se apaixona que também tem cancer" - Como assim? Filme tem câncer? Filme se apaixona? Ainda mais por outro filme que TAMBÉM TE CÂNCER? ZÉ! PÁRA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!

"tampou com o dedo" - E explodiu quando peidou

10.2.08

Música da semana



Spent my days with a woman unkind,
Smoked my stuff and drank all my wine.
Made up my mind to make a new start,
Going To California with an aching in my heart.
Someone told me there's a girl out there
With love in her eyes and flowers in her hair.
Took my chances on a big jet plane,
Never let them tell you that they'all are the same.
The sea was red and the sky was grey,
I wondered how tomorrow could ever follow today.
The mountains and the canyons started to tremble and shake
As the children of the sun began to awake.

Seems that the wrath of the Gods
Got a punch on the nose and it started to flow;
I think I might be sinking.
Throw me a line if I reach it in time
I'll meet you up there where the path
Runs straight and high.

To find a queen without a king,
They say she plays guitar and cries and sings... la la la la
Ride a white mare in the footsteps of dawn
Tryin' to find a woman who's never, never, never been born.
Standing on a hill in my mountain of dreams,
Telling myself it's not as hard, hard, hard as it seems

30.1.08

Carnaval na Lapa

Pleno carnaval. Estava eu parado do lado de fora do boteco, assistindo ao hipnotizante rebolado de uma morena estonteante. Assisto. Assisto. Assisto. Eis que sinto uma pesada mão em meu ombro. Naquele momento o mundo girou com violência. Ou isso ou fui girado até dar de encontro um afro-brasileiro do tamanho de... De... Nem sei. Me faltam adjetivos! O cara, com a cara a menos de um palmo da minha, falava um monte de coisas, mas eu perdi completamente a concentração ao ver o movimento dos lábios do negão. Não eram lábios, eram beiços! Beiças! No feminino mesmo! Ok. Sejamos sinceros: ninguém pode se concentrar no que alguém diz quando ameaçadores beiços cheirando a cachaça estão tão perto da sua cara.
Num pentelhésimo de lucidez, percebi que o camarada estava ficando muito puto nas calças e que minha integridade física corria sério risco. Consegui entender o que ele dizia:
- Que papo é esse de ficar olhando pra minha mulher, rapá?
Usando de toda a malandragem aprendida em 33 anos de vida no Rio de janeiro, disparei:
- Ô, rapaz... Mil perdões. Eu não sabia que ela era sua mulher. Peloamordedeus perdoe minha ignorância e completa falta de discrição.
- É o que?
- Eu disse que não queria passar por um completo palhaço, bêbado que fica olhando pra mulher dos outros. Foi mal mesmo, bicho! Pra te provar que eu não estava de má fé, má vontade ou qualquer outra coisa que seja má, deixa eu te pagar uma gelada. CHICO! Traz uma cerveja cu-de-foca pro nosso caríssimo amigo aqui.
- Não sô teu amigo, palhaço!
- CHICO! Traz uma cerveja gelada como o grande caralho de asas pro nosso nobre colega!
- Também não sou seu colega, otário!
- CHICO! PELA FÉ NO SANTO SEPÚLCRO, TRAZ UMA CERVEJA PRO NOSSO ILUSTRE DESCONHECIDO!
Pouco depois, copos cheios e ânimos apaziguados, com a desculpa de tirar água do joelho, passei no balcão, paguei minha conta e saí sorrateiramente. Seguia o caminho pra casa muito concentrado até que fui desconcentrado pelo rebolar de uma loirinha linda com uma saia microscópica...

29.1.08

Fui!

- E aí, menina?
- Oi! Como vc tá?
- Jóia! E vc? Beleza?
- De boa!
- Me separei... Acho que pra valer... E carnaval? Vai viajar?
- Nem. Vou ficar por aqui e piranhar. Tô na pista pra negócio! Hahahahaha!
- É... Acho que é a boa...
- Vamos cair no Carmelitas!
- Onde é?
- Aqui em Santa!
- Vem me buscar? Hehehe
- Nem se eu tivesse carro
- Quando eu comprar meu carrinho, vou te visitar
- Precisa de carro? Vivi minha vida inteira sem e tô de boa. Enquanto existir táxi e ônibus...
- Quando é que vc vem visitar a gente?
- Nem sei... Quando é que vcs vem me visitar?
- Pô, vc é que tem que vir aqui
- ..........
- .........
- Quer saber de uma? Eu passei a porra da minha vida inteira indo visitar, sacou? Eu tô bem de saco cheio de ficar visitando gente que não tem um puto de um interesse em me visitar. Cansei dessa merda! Porra! To aqui morando sozinho e sabe quando foi que alguém ligou ou escreveu perguntando se eu tô legal ou se tô precisando de alguma coisa nem que seja uma palavra de conforto ou cinco pratas? Nunca! Vou te mandar a real: eu baixei ao zero minhas expectativas com relação a vcs! Entendeu? Funciona assim: se eu não espero nada, não me decepciono! Então eu não espero porra nenhuma de vcs! Nem uma palavra de conforto, nem cinco pratas, nem nada! E quer saber mais? Vivi mais de metade da minha vida sem picas de vcs! Te juro que morro antes de precisar de alguma coisa! “Quando eu comprar meu carrinho”? Quero que se fodam vc, seu carro e quem mais estiver envolvido! Junta todo mundo em frente ao computador que eu quero falar uma vez só: vão se foder! Me esqueçam! Pronto! Falei!

23.1.08

Homenagem

Mãe de Deus das Candeias

Ó Mãe de Deus das candeias
Aceita essa romaria
Que os romeiros são de longe
Não podem vir todo dia
A vossa água é tão santa
Que a nossa vida clareia
E lava todas as culpas,
Ó Mãe de deus das candeias
Mãe de deus das candeias
Senhora de tanta luz
Quem vai doente, vem são
Quem vai cego, vem com luz
És Maria, nossa alegria
Estrela do mar que nos alumia
Estrela do mar, luz guia
Estrela do mar, luzia
Estrela do mar, luz guia
Estrela do mar, luzia

Todas as vezes que eu escuto essa música, me lembro da minha maínha! Coisa assim de saudade de boa que dá. Coisa de filho que ama muito minha maínha!

16.1.08

A little poetry

Her Praise

She is foremost of those that I would hear praised.
I have gone about the house, gone up and down
As a man does who has published a new book,
Or a young girl dressed out in her new gown,
And though I have turned the talk by hook or crook
Until her praise should be the uppermost theme,
A woman spoke of some new tale she had read,
A man confusedly in a half dream
As though some other name ran in his head.
She is foremost of those that I would hear praised.
I will talk no more of books or the long war
But walk by the dry thorn until I have found
Some beggar sheltering from the wind, and there
Manage the talk until her name come round.
If there be rags enough he will know her name
And be well pleased remembering it, for in the old days,
Though she had young men's praise and old men's blame,
Among the poor both old and young gave her praise.

William Butler Yeats

8.1.08

Dia Branco

Branca era a cor daquela manhã. O sol era branco. Despiu-se dos brancos lençóis e, sentado na beirada da cama, calçou os brancos chinelos. Arrastando-se até o banheiro de brancos azulejos, contemplava as brancas paredes enquanto a branca gata roçava suas pernas tão, tão brancas. Olhou-se no espelho e deparou-se com um homem branco cuja barba, assim como o cabelo, já ficava branca.
Abriu a torneira e a branca água caía quente sobre o branco corpo do branco homem que colocou um pouco do branco shampoo na mão em concha e espalhou sobre a branca cabeça. Esfregou o branco sabonete sobre o corpo e ficou assistindo a branca espuma escoar pelo branco ralo.
Depois de enxugar-se na branca toalha, foi até o quarto onde a branca camisa pendurada no branco cabide o aguardava. Como sempre, vestiu a branca camisa, calçou as negras meias e vestiu a desbotada calça jeans.
Já metade fora de casa, uma rajada de vento trouxe uma fita toda colorida que caiu no meio da sala. A branca gata se aproximava lentamente, com medo, receio. O que seria aquilo? Vencendo o medo, ela, a branca gata, foi chegando perto da colorida fita e cheirando a fita, a gata se coloriu.
E a colorida gata olhou para o branco homem e miou olhando do branco homem para a branca janela. Não se sabe por que, mas o branco homem entendeu a mensagem e correu na direção da janela. E a abriu.
Naquele momento, os brancos móveis tomaram cor de madeira, a colcha que ficava sobre o sofá se tornou colorida com a cor da Índia, as plantas se tornaram verdes como nunca se havia visto, a gata se tornara colorida em tons de negro, branco e caramelo. Os verdes olhos dela fitaram o ainda branco homem e ele correu até o escritório abrindo as janelas num rompante. Aquela luz multicolorida entrava em casa deflorando a brancura, estuprando o cinza, afastando o ordinário.
O branco homem correu até o quarto para abrir as janelas, mas antes disso arrancou a roupa branca, negra e desbotada. Nu, foi até a janela e abriu ali as portas para todas as cores. Viu seu branco corpo se tornar bronzeado e, com os braços abertos, respirou fundo. Sentiu as cores e a vida invadindo seu corpo e sua alma. A colorida gata deitou-se do seu lado e pediu carinho. Com os olhos bem abertos o colorido homem via e escutava os pássaros logo ali do lado de fora da sua janela.
Quando o telefone tocou, ele não estranhou e caminhou até a sala. O telefone que antes fora negro, brilhava em tons dourados. A voz tão familiar e tranqüila do outro lado disse: Marcito, seu cretino!! Vamos pra Maromba?

6.1.08

A Espera

Fui trabalhar no dia seguinte com a sensação de que tinha feito tudo, tudo certinho. Tinha te tocado do jeito certo, tinha de beijado como você gosta, tinha dito palavras doces. O dia se arrastava e eu esperava que você me ligasse de volta ou respondesse minha mensagem, mas a espera foi em vão.
Não sabia muito bem o que esperar de um outro dia. Não sei se realmente queria que você aparecesse. Não sei se tenho andado muito solitário e vulnerável. Na verdade, esperava que você fosse transparente como fui exigido. Talvez eu esperasse que alguma coisa fosse dita nem que fosse “sai da minha vida”.
Deitado na minha cama, me dividia entre olhar para a televisão e assistir a chuva que caia lá fora. Minha cabeça se perdia em meio a pensamentos diversos de ontem, hoje e amanhã. Abracei um dos mil travesseiros que me rodeavam e um pensamento me atingiu como uma flecha fazendo com que os outros voassem: tenho estado sozinho. Mas não há tristeza em minha solidão. Muito pelo contrário.
Sentado na beirada da cama, meus pés tocam o chão frio. Acendo um cigarro e espero.

12.12.07

Agora

Coisa de doido...
Tem horas que me sinto só. Muito só. Ao mesmo tempo me sinto ótimo estando sozinho. Sou eu que faço minhas coisas, ajeito a máquina de lavar roupa, lavo a louça (coisa que detesto), varro a casa, lavo roupa, passo roupa (outra coisa que detesto).
Tem horas que escuto uma música bonita, vejo um filme bacana e quero ter alguém do lado pra poder fazer comentários, mas essa vontade passa rápido.
Tem horas que me preocupo com isso achando que vou morrer solteiro ou qualquer coisa assim, mas essa é outra preocupação que passa. E passa rápido.
Minha vida, meus amigos, minha casa, minha gata... Essas são as coisas importantes. Talvez eu tenha encontrado as minhas coisas, meu amadurecimento, minha vida. Como disse uma grande amiga: eu saí da vida das pessoas que amo e as chamei de volta agora. E as pessoas que eu amo responderam, voltaram, estão do meu lado! O que pode ser melhor que isso?

10.12.07

Comments

Já tem um tempão que o enetation (www.enetation.co.uk) saiu do ar. Todo esse tempo e muitos mails depois, não acredito que o serviço volte. O que é uma merda gigantesca. Tinha muita coisa bacana ali. Muita coisa que eu tinha muito carinho. Mas serviço de graça é assim mesmo. Tanto em .co.uk como em .com.br...

28.11.07

A festa

Os dias se passaram e a ressaca também. O mais importante de tudo que aconteceu foi o que ficou. As pessoas, o clima de completa confraternização, as risadas. Tudo isso ficou entranhado nas paredes da casa nova. A felicidade é feita de coisas pequenas como reunir as pessoas que se ama num mesmo lugar e curtir um ao outro.
É muito bom estar de volta ao círculo de amizades que foi criado ao meu redor. É bom saber que tenho um porto seguro mesmo estando afastado por um longo e tenebroso inverno. Essa reunião foi como voltar pra casa. Mais que isso, foi como voltar pra casa e encontrar todos de braços abertos.

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