16.1.08

A little poetry

Her Praise

She is foremost of those that I would hear praised.
I have gone about the house, gone up and down
As a man does who has published a new book,
Or a young girl dressed out in her new gown,
And though I have turned the talk by hook or crook
Until her praise should be the uppermost theme,
A woman spoke of some new tale she had read,
A man confusedly in a half dream
As though some other name ran in his head.
She is foremost of those that I would hear praised.
I will talk no more of books or the long war
But walk by the dry thorn until I have found
Some beggar sheltering from the wind, and there
Manage the talk until her name come round.
If there be rags enough he will know her name
And be well pleased remembering it, for in the old days,
Though she had young men's praise and old men's blame,
Among the poor both old and young gave her praise.

William Butler Yeats

8.1.08

Dia Branco

Branca era a cor daquela manhã. O sol era branco. Despiu-se dos brancos lençóis e, sentado na beirada da cama, calçou os brancos chinelos. Arrastando-se até o banheiro de brancos azulejos, contemplava as brancas paredes enquanto a branca gata roçava suas pernas tão, tão brancas. Olhou-se no espelho e deparou-se com um homem branco cuja barba, assim como o cabelo, já ficava branca.
Abriu a torneira e a branca água caía quente sobre o branco corpo do branco homem que colocou um pouco do branco shampoo na mão em concha e espalhou sobre a branca cabeça. Esfregou o branco sabonete sobre o corpo e ficou assistindo a branca espuma escoar pelo branco ralo.
Depois de enxugar-se na branca toalha, foi até o quarto onde a branca camisa pendurada no branco cabide o aguardava. Como sempre, vestiu a branca camisa, calçou as negras meias e vestiu a desbotada calça jeans.
Já metade fora de casa, uma rajada de vento trouxe uma fita toda colorida que caiu no meio da sala. A branca gata se aproximava lentamente, com medo, receio. O que seria aquilo? Vencendo o medo, ela, a branca gata, foi chegando perto da colorida fita e cheirando a fita, a gata se coloriu.
E a colorida gata olhou para o branco homem e miou olhando do branco homem para a branca janela. Não se sabe por que, mas o branco homem entendeu a mensagem e correu na direção da janela. E a abriu.
Naquele momento, os brancos móveis tomaram cor de madeira, a colcha que ficava sobre o sofá se tornou colorida com a cor da Índia, as plantas se tornaram verdes como nunca se havia visto, a gata se tornara colorida em tons de negro, branco e caramelo. Os verdes olhos dela fitaram o ainda branco homem e ele correu até o escritório abrindo as janelas num rompante. Aquela luz multicolorida entrava em casa deflorando a brancura, estuprando o cinza, afastando o ordinário.
O branco homem correu até o quarto para abrir as janelas, mas antes disso arrancou a roupa branca, negra e desbotada. Nu, foi até a janela e abriu ali as portas para todas as cores. Viu seu branco corpo se tornar bronzeado e, com os braços abertos, respirou fundo. Sentiu as cores e a vida invadindo seu corpo e sua alma. A colorida gata deitou-se do seu lado e pediu carinho. Com os olhos bem abertos o colorido homem via e escutava os pássaros logo ali do lado de fora da sua janela.
Quando o telefone tocou, ele não estranhou e caminhou até a sala. O telefone que antes fora negro, brilhava em tons dourados. A voz tão familiar e tranqüila do outro lado disse: Marcito, seu cretino!! Vamos pra Maromba?

6.1.08

A Espera

Fui trabalhar no dia seguinte com a sensação de que tinha feito tudo, tudo certinho. Tinha te tocado do jeito certo, tinha de beijado como você gosta, tinha dito palavras doces. O dia se arrastava e eu esperava que você me ligasse de volta ou respondesse minha mensagem, mas a espera foi em vão.
Não sabia muito bem o que esperar de um outro dia. Não sei se realmente queria que você aparecesse. Não sei se tenho andado muito solitário e vulnerável. Na verdade, esperava que você fosse transparente como fui exigido. Talvez eu esperasse que alguma coisa fosse dita nem que fosse “sai da minha vida”.
Deitado na minha cama, me dividia entre olhar para a televisão e assistir a chuva que caia lá fora. Minha cabeça se perdia em meio a pensamentos diversos de ontem, hoje e amanhã. Abracei um dos mil travesseiros que me rodeavam e um pensamento me atingiu como uma flecha fazendo com que os outros voassem: tenho estado sozinho. Mas não há tristeza em minha solidão. Muito pelo contrário.
Sentado na beirada da cama, meus pés tocam o chão frio. Acendo um cigarro e espero.

12.12.07

Agora

Coisa de doido...
Tem horas que me sinto só. Muito só. Ao mesmo tempo me sinto ótimo estando sozinho. Sou eu que faço minhas coisas, ajeito a máquina de lavar roupa, lavo a louça (coisa que detesto), varro a casa, lavo roupa, passo roupa (outra coisa que detesto).
Tem horas que escuto uma música bonita, vejo um filme bacana e quero ter alguém do lado pra poder fazer comentários, mas essa vontade passa rápido.
Tem horas que me preocupo com isso achando que vou morrer solteiro ou qualquer coisa assim, mas essa é outra preocupação que passa. E passa rápido.
Minha vida, meus amigos, minha casa, minha gata... Essas são as coisas importantes. Talvez eu tenha encontrado as minhas coisas, meu amadurecimento, minha vida. Como disse uma grande amiga: eu saí da vida das pessoas que amo e as chamei de volta agora. E as pessoas que eu amo responderam, voltaram, estão do meu lado! O que pode ser melhor que isso?

10.12.07

Comments

Já tem um tempão que o enetation (www.enetation.co.uk) saiu do ar. Todo esse tempo e muitos mails depois, não acredito que o serviço volte. O que é uma merda gigantesca. Tinha muita coisa bacana ali. Muita coisa que eu tinha muito carinho. Mas serviço de graça é assim mesmo. Tanto em .co.uk como em .com.br...

28.11.07

A festa

Os dias se passaram e a ressaca também. O mais importante de tudo que aconteceu foi o que ficou. As pessoas, o clima de completa confraternização, as risadas. Tudo isso ficou entranhado nas paredes da casa nova. A felicidade é feita de coisas pequenas como reunir as pessoas que se ama num mesmo lugar e curtir um ao outro.
É muito bom estar de volta ao círculo de amizades que foi criado ao meu redor. É bom saber que tenho um porto seguro mesmo estando afastado por um longo e tenebroso inverno. Essa reunião foi como voltar pra casa. Mais que isso, foi como voltar pra casa e encontrar todos de braços abertos.

4.11.07

Mandamentos Para Se Viver Só

1 - Mantenha a casa em ordem. Ninguém pode viver num chiqueiro.
2 – Mantenha a casa limpa. Poucas coisas são melhores que cheiro de casa limpa por você mesmo.
3 – Tenha incensos, essências, coisas que façam sua casa ter um cheiro agradável caso você não tenha tempo ou esteja muito cansado para uma limpeza séria.
4 – Tenha plantas. Muitas plantas. Plantas bonitas e cheirosas.
5 – Cuide das suas plantas. Regue e sempre regue escutando música. Elas adoram e respondem a isso.
6 – Não tenha medo de gastar. Afinal, é a sua casa!
7 – Tenha filmes. Nem sempre o cara que faz a programação da TV tem o seu gosto.
8 – Dê atenção ao seu gato (caso você tenha um. Isso é muito importante se você não quer sua casa cheirando a xixi de gato!).
9 – (Muito importante) Faça da sua casa o seu retiro. Espiritual ou não. Sinta-se bem em casa. Goste de estar em casa.
10 – Faça sua própria comida mesmo que o dia tenha sido desgastante, cansativo e tal.
11 – Dance sozinho mesmo que você ache que tem alguém olhando. Você já é ridículo sem dançar...
12 – Cultive o hábito da leitura. Se você não tem TV a cabo, você vai precisar!
13 – Se você fuma, mantenha seus cinzeiros limpos como se a Virgem Maria pudesse apagar os cigarros dela ali.

24.8.07

Nova vida, vida nova!





Queria dizer umas palavras de Caetano:

Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E a mãe do seu irmão
Minha mãe e eu
Meus irmãos e eu
E os pais da sua mãe
E a irmã da sua mãe
Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a morte e tem o amor
E tem o mote e tem a glosa
Eu digo que ela é gostosa
Eu digo que ela é gostosa
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E o irmão da sua mãe

Funciona pra mim como se fosse meu anjo-da-guarda dizendo isso pra mim já que não tenho irmãos, tios ou qualquer familiar além de mamãe e meu padastro me dizendo essas coisas.
Minha vida vai mudar radicalmente sim. Fico eu aqui, morrendo de medo, ansiedade, pânico, sofrimento. Mas é difícil não dar certo com tanta gente boa torcendo a favor.

N.A: Fui fazer minha despedida oficial dos jogos de tênis hoje (vou morar em Santa Teresa e conheço minha preguiça. Sei que não vou ao Jardim Botânico jogar) e eis que a figurinha ali de cima me aparece na quadra fazendo a maior das bagunças com a rede a as bolinhas de tênis. Fiquei me perguntando: o que será que significa um gato aparecer na sua despedida?

22.4.07

Yours

You, with your hand outstretched
Finger on the key
This lock that you release
Is opening but isn't free
And I hope that you can see
How it beats inside of me
Instead of pushing fear aside
I want to run I want to hide
I am vulnerably yours

She, who is wanting me
Whose touch can make me cry
I can only understand
By never asking her why
Hear the contradictions fly
And as hard as I may try
Every truth becomes a lie
In the ache of her reply
I am passionately.....

Yours
And the saddest eyes are
Yours
And the softest skin is
Yours
And the hope I borrow is
Yours
So won't you let me in I'm yours
All that I begin is yours
Every prize I win is yours
At your feet again I'm yours
All I am is yours

All I am is wanting you
I've fallen down and I can't seem to come to
If I should die before I wake
I commend my soul into this ache
Up above the world so high
Where the water tends to meet the sky
She's all I'm after by the toe
And I won't let go....

And I wanted you to know
That if you reap what you would sew
I would take it blow by blow
All I am is....

Yours
And the saddest eyes are
Yours
And the softest skin is
Yours
And the hope I borrow is
Yours
So won't you let me in I'm yours
All that I begin is yours
Every prize I win is yours
At your feet again I'm yours
All I am is yours
Yours

21.4.07

Ainda te quero, ainda te amo

E mais uma vez me deparo contigo, folha em branco.
O que era tão fácil agora me parece tão difícil. Mesmo agora que sei e reconheço estar só. Escolha, eu sei.
Talvez seja a noite que trás os fantasmas que rondam minha cama. Talvez os fantasmas me rondem o tempo todo e eu só perceba sua presença quando é noite.
Eu deveria te procurar, mas tenho muito medo da sua rejeição. Não creio que você vá me receber de braços abertos depois do que fiz. Talvez eu tenha tanto medo da sua rejeição que não me arrisque a saber se você ainda me quer ou não. Talvez eu carregue para sempre o benefício (?) da dúvida. Ou quem sabe eu te ligue numa dessas noites? Só pra escutar sua voz. Como eu fiz outro dia e você não sabe e nem percebeu.
Acho que o que me faz não te procurar é a vergonha. Vergonha de ter feito o que eu fiz.
Como explicar o inexplicável? Como dizer de forma compreensível que, olhando para trás, eu me achava possuído por um espírito ruim ou qualquer coisa assim? A não ser que você acredite que aquele fosse eu. Se sim, não há mais esperanças. Esperanças que eu fiz questão de matar friamente.
Me pego pensando em você e achando que pensando com muita força, o telefone vai tocar e vou ouvir a suavidade da sua voz dizendo que me ama.
De qualquer modo, quero que você saiba que sua motivação me fez uma pessoa melhor. Sou conhecido no meu ambiente de trabalho e as pessoas gostam de mim porque você me fez ver quem eu sou.
Acho, francamente, que você nunca voltaria pra mim pelo simples fato de eu ter tido outra mulher. Acho que isso seria um entrave na nossa vida.
Acho que ainda não te procurei porque acho muita coisa.
A verdade é a seguinte: achei que pudesse te esquecer nos braços de outra mulher, mas isso não é verdade e nunca foi. Achei que já tinha te esquecido. Achei que não te amava mais. E no meio de todos os meus “achismos”, descobri que ainda te amo. E descobri que a gente não deu certo por causa dos meus medos. Sempre tive muito medo de te perder. Tenho medo de ser quem eu posso ser.
Te liguei e uma outra pessoa atendeu. Não sei se não sei seu número ou se você mudou. Toda a coragem que eu tinha juntado foi em vão. Que meus sentimentos fiquem registrados. Quem sabe você ainda Lê o que eu escrevo...

18.4.07

Sempre

Sempre
Eu te contemplava sempre
Feito um gato aos pés da dona
Mesmo em sonho estive atento
Para poder lembrar-te sempre
Como olhando o firmamento
Vejo estrelas que já foram
Noite afora para sempre

O teu corpo em movimento
Os teus lábios em flagrante
O teu riso,o teu silêncio
Serão meus ainda e sempre

Dura a vida alguns instantes
Porém mais do que bastantes
Quando cada instante é sempre

(Chico Buarque, sempre ele)

5.4.07

Escrever é Negar Sentimentos

Uma vez um poeta disse: "escrever é negar sentimentos".

Chegou em casa naquela noite se sentindo diferente, estranho, esquisito. Tirou o paletó como fazia sempre, fumou um cigarro como sempre, mas as coisas lhe pareciam diferentes, estranhas, esquisitas.
Não tinha fome, não tinha sede, nada. Andava nu pela casa o que lhe pareceu ainda mais diferente, estranho, esquisito. Não era hábito seu. Colocou uma música, mas o som lhe parecia uma cacofonia e resolveu tirar. Nu e no silêncio da casa, caminhou até o quarto, sentou na beirada da cama com a cabeça apoiada nas mãos, os cotovelos apoiados nos joelhos e fitava o nada. Num repente começou a rezar. Do jeito dele, claro. Tinha estudado em colégio de padre quando pequeno, mas não sabia Pai-Nosso ou Ave-Maria, então naquela estranheza, naquela diferença, naquela esquisitice, conversou com Deus.
Dizia coisas desconexas, estúpidas, absurdas e ao mesmo tempo coerentes e inteligentes. Sabia que Deus entendia. Falou durante horas e horas e horas e horas sem fim. Em dado momento, achou que perderia a voz e passou a falar para dentro, murmurando. Sabia que Deus o escutava. Tinha certeza. Afinal, nunca tinha falado antes com Ele e seria uma grande sacanagem se o todo-poderoso não o escutasse agora.
Não pediu nada. Nem para ele, nem para ninguém. Só falou.
Quando achou que tinha terminado, sentou-se ao computador e escreveu e escreveu e escreveu até que não sentia mais a ponta dos dedos. Até que não conseguia mais manter o corpo na cadeira. Até que foi tomado de todo o cansaço do mundo. Se atirou da cadeira para a cama e dormiu.
Em um sonho, ouviu uma frase. Como se alguém muito, muito longe gritasse, conseguiu distinguir algumas palavras.
Acordou aos prantos. Lá estava ele. Mais uma vez, negando seus sentimentos...

24.2.07

Ainda assim

Mesmo que as coisas fossem adiante. Mesmo que você realmente não me amasse mais. Mesmo que eu não te amasse mais, eu faria tudo outra vez.

Mesmo que tudo fosse verdade. Que você conseguisse não me amar mais de uma hora pra outra como foi dito. Mesmo que eu não te quisesse mais, ainda assim, faria tudo de novo.

Faria tudo pra começar de novo. Pra escrever tudo de novo. Pra ouvir a chuva caindo mais uma vez. Pra ver os mesmos filmes. Te conhecer de novo e continuar te amando.

Isso tudo porque só carrego comigo as boas lembranças. Porque te levo em meu corpo como tatuagem (tá bom, isso não é meu... Peguei emprestado do Chico. Buarque. Não o gato).

Não que eu queria que as coisas chegassem ao que chegaram, mas os bons momentos... Esses são eternos.

A dor. A dor. Física, palpável, densa, insustentável. Mas há um tempo para tudo nessa vida. Na minha, na sua, na nossa. As noites insones, os remédios... Tudo isso há de ser compensado.

“Preciso descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
Que bota no corpo uma outra vez...
... Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu”

19.2.07

Don't Walk Away

Why do I say, don't walk away
You'll be the way your were before
When you don't want me anymore
Don't turn around, don't ever leave
A lonely room where empty days
Are gathering to meet me when you're gone, gone
How in the world will I go on
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away)
Don't walk away, don't say goodbye
Don't turn around, don't let it die
When shadows fall, when day is done
All through the night, all of my life
Don't walk away Is it a dream, when will it end
When everything we've ever known
Has ended and I'm all alone
Where will I go, where will I be
The feelings that I've never shown
Maybe I'll find the answer when you're gone, gone
How in the world will I go on
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away)

12.1.07

Minha vida, minha morte

Curiosamente, não se sabe o que vai acontecer. Ou melhor, sabe-se, mas é melhor não pensar nisso.
Era meu último dia na cela. De uma forma estranha e reconfortante, as pessoas, ou melhor, os guardas me tratavam como se eu fosse gente. Até então, eu era somente um prisioneiro.Minha morte, por enforcamento, estava marcada para dez da noite.
Tudo me parecia uma grande metáfora. Eu pensava em tudo que tinha feito e não conseguia me sentir livre. Sabia com uma precisão cirúrgica tudo o que tinha feito. Sabia que não tinha sido o que minha mãe esperava de mim. Sabia que não consegui sair do casulo como havia prometido à minha esposa. Logo essas duas que tanto confiavam e acreditavam em mim.
No meu último jantar, pedi que me servissem o purê de batatas de minha esposa e um contra-filé “deep fried” de minha mãe. Claro que não era igual, mas os cozinheiros da prisão fizeram o melhor deles.
Pedi um cigarro e fumei como se fuma o último cigarro da sua vida. Também pedi uma dose de vodka. Minha cabeça ficou leve e o cigarro me queimou a língua como se fosse cascalho quente. Pensei nas duas mulheres da minha vida pela penúltima vez. Respirei fundo e fui conduzido pelos estreitos e fétidos corredores da prisão. Eu estava curiosamente calmo e cantava baixinho (Let’s make love, for old trimes sake. Let’s set right, an old mistake. Let’s invite our hearts to break. Is right tonight, just for old times sake.)
Ao chegarmos à forca, tentei fugir, lutei, acertei um soco em um dos guardas, mas fui contido. O padre falava qualquer coisa que não consegui compreender, pois chorava demais. Acho que chorava numa desesperada tentativa de fazer com que todos sentissem pena de mim e me deixassem ir. Mas isso seria ridículo. Cada um carrega sua cruz e a minha era ser morto por enforcamento. Compreendi tudo o que me foi dito a respeito de minha sentença e parei com o choro.
Minhas últimas palavras foram: Queria ser Superman e fazer o tempo voltar. Já que não posso, alguém explica pra Tita, por favor. Ela não vai entender porque eu sumi por tanto tempo. Minha mãe... Você fez o melhor, criou o melhor. Não se culpe, pois a culpa é toda minha. Bebê... Desculpe. Queria ser melhor. Queria ter tentado com mais força, mas eu não consegui. Queria ter te dado tudo que você merece. Queria ter te feito feliz, mas se eu te fiz feliz por cinco minutos da sua vida, então esses foram os cinco minutos mais felizes da minha vida.
Minha última lágrima escorreu quando a corda foi posta ao redor do meu pescoço. Fechei os olhos e a última coisa que senti foi o chão faltar de baixo de mim. A última coisa que escutei foi o estalar do meu pescoço. Morri sem ter conseguido ser o que as duas pessoas que eu amo tivessem a chance de vislumbrar alguma esperança em mim. Na verdade, morri muito depois de ter matado todas as esperanças das minhas duas mulheres.

26.10.06

Fato oficializado:

OPINIÃO É QUE NEM BUNDA. CADA UM TEM A SUA E ACHA QUE A DO OUTRO FEDE MAIS!

20.12.05

Classificados

Gente boa,

Já que não pinta emprego, resolvi anunciar meus serviços de tradução Inglês-Português-Inglês. Não sou juramentado, mas quebro um galho que só vendo! Faço traduções técnicas, manual de instrução, livros, matérias jornalísticas (já fiz uma pro jornal Extra que ganhou prêmio lá fora), história em quadrinhos, o que vier.

Precisando, entrar em contato pelo mail: marcito_ribeiro@hotmail.com que também é o MSN.

FELIZ NATAL E BOM 2006!!

28.11.05

Nosso Deque

Fui caminhando pela orla da lagoa prestando atenção nas faces das pessoas - impressionante o que um domingo ensolarado traz de sorrisos – não pude deixar de observar. Andava despreocupada e preguiçosamente carregando Ruben Braga que me faria companhia, mas sem deixar de prestar atenção nos rostos alheios. A vida deveria ser feita única e exclusivamente de domingos de sol.
Cheguei ao nosso deque e sentei-me à sombra para ler minha companhia. Ali crianças bem vestidas de pais melhor ainda vestidos, corriam e gritavam em louco frenesi sem atrapalhar minha leitura. Uma das crianças me olhava com ar desconfiado possivelmente tentando imaginar o que poderia ser mais interessante do que gritar e correr. Sorri para ela que me sorriu de volta e voltou aos seus afazeres infantis. Talvez tenha se tranqüilizado sabendo que eu também me divertia.
Um Bem-Te-Vi chegou perto de mim para saber o que eu lia. Primeiro pousou acima de mim num fio de eletricidade, mas a visão não era boa. Aproximou-se mais, aprovou minha leitura, me olhou nos olhos e viu o quão feliz eu estava; aposto que, como todo Bem-Te-Vi é fofoqueiro, foi correndo contar aos outros Bem-Te-Vis que ali naquele deque se sentava um homem feliz. E aposto uma mariola mordida que ele sabia porque eu estava feliz!
O sol fazia com que os outros suassem, mas para mim ele chamou uma brisa leve que me protegia do calor. Luzes dançavam sobre a superfície da água que balançavam levemente o nosso deque quase que embalando nosso sonho que agora, é mais real do que a própria vida.

24.11.05

Bebê

Engraçado como as coisa começam... Talvez começar seja a parte mais difícil da caminhada, ou é o que dizem. Pra mim, os buracos da estrada são os mais complicados. Acho fácil começar assim como acho fácil desistir. Mas é na longa caminhada, quando ela me olha e diz: "Calma, Bebê. A gente vai juntos até o fim." que eu esqueço os buracos, olho nos olhos dela, me vejo e aí, tudo fica mais suave...

"Não , não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar. Aprendi! A vida me ensinou a caminhar cantando, como convém a mim e aos que vão comigo" Thiago de Mello ( pois já não vou mais sozinha)

15.10.05

Eu Sou o Tigre

Eu sou o delicioso Paradoxo.
O mundo inteiro é meu palco.
Eu incendeio novas trilhas;
Eu procuro o inatingível,
E intento o que não foi intentado.
Danço ao som da música da vida
Em alegre abandono.
Venha cavalgar comigo no meu carrossel.
Veja as cores em número infinito,
As luzes que cintilam.
Todos me aclamam o realizador sem paralelo.

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