12.3.04

Pedaço de Mim

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

(Chico Buarque)

10.3.04

Velho

- Abre! É pra você!
- Não imaginei que fosse pra sua mãe!
O velho, sentado em sua poltrona, admirava estático o cuidadoso embrulho feito pela moça da livraria. As mãos trêmulas pelos anos de tabagismo e intimidade com a garrafa começaram a desfazer o laço.
- Ah! Você é desses? – Perguntei me divertindo.
- Desses?
- É! Desses que desfazem o laço e vão abrindo o embrulho cheio de cuidados! Se você soubesse a agonia que isso causa em quem te dá o presente...
- Já fui moço e tive pressa! As coisas hoje me parecem mais divertidas quando feitas vagarosamente.
Velho. Era assim que eu o chamava. Coisa nossa. Na verdade, ele já era velho de espírito antes de sê-lo de fato. Lembro de quando perguntei sua idade e ele, rabugento como sempre, respondeu:
- Dez anos a mais que meu corpo!
Comecei a acreditar que ele jamais abriria o maldito embrulho e sabia que ele o abria devagar só pra me irritar. Passei a ter certeza disso quando reparei que ele colocara o livro a frente do rosto e me espiava por cima do mesmo fazendo força para não rir da minha angústia. Depois de mais alguns agoniantes instantes, o papel de embrulho enfeitado com vários Garfields caiu ao chão e um silêncio denso pairou sobre a sala. Pude ver que os grandes olhos verdes do Velho estavam marejados por trás das grossas lentes. Lentamente ele levantou a cabeça e me fuzilou com o olhar:
- Imbecil! Isso certamente custou uma pequena fortuna! Fortuna essa que deveria ter sido empregada num belo e romântico jantar com sua namorada!
- Também te amo, Velho! Que bom que você gostou!
O livro em questão era um exemplar da primeira edição de O Ser e o Nada de Jean Paul Sartre, escritor preferido do Velho e que de fato tinha me custado muitos meses de horas extras. Valeu à pena. Velho era escritor e já tinha algumas centenas de trabalhos publicados. Obras existencialistas e sobre realismo dialético. Havia se formado em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e por volta de 2007, já depois dos 30 anos de idade. Aos 35, fora convidado pelo governo francês a fazer um doutorado em Sorbonne, o que o obrigou a abandonar as escolas em que lecionava história e filosofia para o segundo grau. Foi assim que o conheci. Em uma branca sala de aula do Centro Educacional Anísio Teixeira, o ainda jovem professor entra em sala vestindo uma surrada calça jeans, tênis e uma camiseta com uma desbotada gravura de O Grito estampada no peito. Jogou sobre a mesa uma pasta de couro repleta de livros, textos e anotações que carregava a tira-colo. Olhou para a turma de aproximadamente 40 alunos e disparou:
- Bom dia, criaturas acéfalas! Sim! Acéfalas! Com o passar dos anos e com a minha tutela, os senhores se tornarão criaturas capazes de portar alguma coisa parecida com um cérebro dentro dessa cachola vazia que paira sobre seus pescoços! Sem mais delongas, quero que os senhores, por escrito, me entreguem seus nomes, idade, o último livro que leram e o livro que mais gostaram em todas as suas vazias vidas!
Os alunos se entreolhavam apavorados, cochichavam e murmuravam enquanto o Velho abriu a porta da sala, encostou-se ao batente e fumava um cigarro soltando a fumaça para fora da sala.
- Professor? O senhor vai fumar aqui? – perguntou um incauto aluno
- Vou não! Já estou fumando aqui! Algum problema?
- É que eu não suporto cheiro de cigarro...
- Ótimo! Fica sem respirar! Fiquem avisados, senhores: aqui dentro desta sala de aula não existe democracia! Exerçam a democracia em seus lares, no futebol de rua ou em qualquer outro lugar. Aqui dentro é uma ditadura comandada com mão de aço por este que vos fala!
Confesso que esse primeiro encontro foi um pouco traumatizante, mas no decorrer daquele ano, Velho foi mostrando quem ele realmente era: um pai pra muitos de nós e carrasco para outros tantos.
Certo dia, mais da metade da turma tinha matado aula para beber cerveja numa birosca perto do colégio. Velho deu sua aula para a metade presente (eu estava na metade da cervejada) e depois disso foi até a birosca. Entrou fingindo que não tinha nos visto, pediu duas cervejas, pegou um copo e sentou-se entre nós. Do meu lado, para ser preciso. Olhou um por um na roda, encheu seu copo passando as garrafas para que nos servíssemos, ergueu seu copo, brindamos e todo o conteúdo do copo foi sorvido em poucos segundos.
Fazia um calor rubro naquela tarde de julho. Velho conversava conosco e citava poetas, filósofos, falamos sobre música, cinema, literatura, artes. Seu discurso era sempre inflamado e apaixonado o que nos fazia prestar atenção naquele jovem velho que dizia odiar os modernistas e, principalmente, os pós-modernistas. Dizia que seu gosto musical começou em 1920 e parou no comecinho da década de 80 fazendo pouco caso e criticando todos os nossos ídolos. Numa análise mais profunda, acho até que ele se divertia com isso! No fim da tarde nos disse:
- Essa época que vocês estão vivendo é muito especial. Cultivem suas amizades, leiam MUITO e de tudo que passar por essas mãos, namorem e bebam com responsabilidade, tratem bem o outro, cuidem do nosso meio ambiente, sejam engajados em alguma causa que vocês acreditem piamente, tratem as mulheres com muito carinho e respeito. É nessa época da vida de vocês que seus valores, sua moral e sua ética estão se formando. Não desperdicem isso, não se tornem pessoas vazias e lembrem-se: a felicidade está na busca pelo seu sonho e não na realização do mesmo. - Velho pagou nossa conta e se foi cantarolando Ventura Highway. Fiquei observando o passo forte e decidido daquele homem que se tornaria meu ideal de vida.
Isso foi há muitos anos e nunca perdemos contato. Semana passada fui visitá-lo no hospital. Perecia que a velhice física o havia alcançado. Continuava rabugento como sempre mas de uma forma mais branda. Conversamos amenidades por cerca de uma hora até que Velho ficou cansado e me pediu para que eu fosse para casa.
Morrera ao longo daquela noite, foi o que a mocinha do hospital me contou pelo telefone. Ela me contou também que ele tinha deixado uma carta para mim. Corri até o hospital e ao entrar no seu quarto, vi a carta sobre a cama. Abri e li:
“Animal,
Não quis te contar mas sabia que não passaria da noite então, quando você se foi, escrevi essas linhas tortas não sabendo muito bem o por quê.
Quero que você seja o guardião de tudo que foi meu: meus livros, discos e escritos. Sei que estarão bem guardados com você.
Enquanto escrevo, lembrei-me de uma vez quando você me disse que queria ser igual a mim e que respondi em alto e bom som: ‘Impossível, Animal! Impossível!’
Saiba que continua achando impossível existir alguém igual a mim mas, rest assure que tu te tornaste uma pessoa melhor do que eu tenha sido em qualquer momento da minha existência.

Do pai que nunca fui para o filho que nunca tive!

Um forte abraço do
Velho
”.

O que dizer dela?

E o que dizer dela, nua em pêlo,
pêlos ouriçados pela proximidade dele?
O que dizer dela, que ofega
e desfalece de olho aberto,
boca receptiva e
nua em pêlo?
O que dizer dele,
que com todos os defeitos-imperfeições dela,
é quem a recolhe nos braços,
cacos de dia,
e os remonta, um a um,
até ela ser outra,
nua em pêlo,
olho fechado, sono profundo.
O que dizer disso tudo,
que acontece a esmo,
dia sim outro também;
o que dizer dela?

3.3.04

Etc.

Estou sozinho, estou triste etc.
Quem virá com a nova brisa que penetra
Pelas frestas do meu ninho
Quem insiste em anunciar-se no desejo
Quem tanto não vejo ainda
Quem pessoa secreta
Vem, te chamo
Vem etc.

(Caetano Veloso)

27.2.04

Memórias

Fazia frio e chovia uma chuvinha fina naquele dia de inverno. Passava um pouco das oito da manhã; o homem de terno e gravata dentro da TV narrava as notícias em tom dramático, a chaleira apitava sobre o fogão, os gatos se enrodilhavam em suas pernas pedindo comida e no aparelho de som, George Winston tocava “Rain”.
Não pensava em nada. Olhava os pingos de chuva se transformarem em flocos de neve e dançarem até o batente das janelas. Se esforçava, mas não conseguia lembrar de nada. Era quase um zumbi: não comia, mal dormia e tentava lembrar da época em que estava vivo. “Se estar vivo é sentir, então nunca estive vivo. Ao menos, não consigo me lembrar...”.
Acendeu um cigarro e sentou-se junto à janela observando o pequeno montinho de neve sobre o parapeito. O fogo da lareira crepitava e o cheiro de café se espalhava lentamente como um fog inglês. Um frio cinza tomava conta do alto apartamento de onde se via grande parte da cidade espalhando-se em blocos idênticos, que continham casa idênticas, que continham gente identicamente contente com a segurança de uma família e um lar. Não lembrava de nada.
Um dos gatos se empoleirou no alto da estante e deitava como a esfinge enquanto o outro, num canto do sofá, dormia tranqüilamente. O telefone tocou, mas resolveu deixar a máquina atender. Do outro lado, uma voz mais do que familiar:
- Marcio, aqui é sua mãe! Eu sei que você está em casa bebendo café com vodka e fumando um cigarro atrás do outro! – fez uma pausa longa. “Desistiu”. – Meu filho, você não pode se isolar do mundo! O mundo não se resume à sua casa, cara! Há quanto tempo você não escreve? Há quanto tempo você vem dizendo que não consegue criar? Me liga quando quiser...., e logo! Um beijo!
“Não sou só. Sou livre. Me libertei de tudo que me prendia, me angustiava. Disse não! Liberdade é poder dizer não!”. Acendeu outro cigarro, recostou-se no sofá e cochilou. Seus sonhos eram agitados e em preto e branco. Sempre sonhava colorido, mas dessa vez tudo estava em tons de cinza. Imagens obscuras se fundiam às sombras, pessoas se escondiam no escuro, todos fugiam exceto por um par de olhos que o seguia. Olhava por cima dos ombros tentando ver um rosto, mas não via nada mais do que um par de olhos.
Acordou num salto com o toco do cigarro queimando seus dedos. Derrubou o cinzeiro que se espatifou no carpete espalhando cinzas e tocos de cigarro. Correu até seu quarto e ao passar por um espelho, não se reconheceu. O rosto envelhecido, a barba grande, os quilos acumulados na cintura. Não era mais a imagem que tinha de si.
Ao entrar no quarto avistou os jeans jogados sobre a escrivaninha, era o que precisava. Agarrou os jeans, correu na direção da porta de saída agarrando os sapatos e o sobretudo no caminho. Chamou o elevador e vestia suas roupas enquanto esperava. Tinha se lembrado onde vira aqueles olhos. Onde os tinha visto? Quando? Não lembrava.
Lembrou-se de uma cidade que era fronteiriça e era para lá que dirigia o carro. Seu coração batia como se fosse explodir dentro do peito. Não se lembrava de endereço ou telefone. “Louco! Louco! Se diz livre mas entregou-se a todos os charmes da burguesia para que se sentisse livre! Ridículo! Você é ridículo!!”. Sua mente vociferava, tinha um nó no estômago e as pernas formigavam. Ao chegar a duas quadras de onde acreditava ser o que procurava, largou o carro no meio da rua e corria sob a chuva que agora caia torrencialmente. Corria e não sabia se gritava ou se tinha a boca aberta num grito mudo. Sabia que corria. Escutava seus passos no chão, tropeçava em montes de neve fofa, mas continuava a correr.
Chegou a um prédio de três andares, parou em frente e gritou. A mulher sentada junto à janela do último andar ouviu. Não podia acreditar naquilo e correu escadaria abaixo. Abriu o portão e os dois se viram. “Esses são os olhos”. Caminharam lentamente um na direção do outro. Ele tentou secar o rosto com a palma da mão. Queria saber se aquilo era real. Lembrou-se de tudo! Dela. Da vida, das conversas ao telefone. Ela parou. Ele caminho até ela e disse:
- Preciso de você! Preciso viver e acho que só vou viver quando estiver com você!
Ela andou até ele, o abraçou e disse:
- Shhh... Vai ficar tudo bem!

19.2.04

Opa.

Se eu disser que estou de DIETA MONETÁRIA séria e que, em lugar da boca fechei foi a mão, eu vou pro inferno, Pai?

Pra mim, conceito de "caro e barato" é simples:
- É mais de um real?
- É um e cinquenta, mina. ( notem que estou mesmo em são paulo )
- Então não quero.

Né?

12.2.04

EU QUERO.

Descobri que existe um vibrador da Hello Kity e agora não sossego enquanto não tiver um só pra, vc sabe, colocar na mesa de centro da sala pra enfeitar.

\o/

5.2.04

Conversas que um dia chato no escritório pode gerar

Marcio: sabe qual é a pior forma de se encotrar um bicho na goiaba?
Marcio: encontrar
Daniel San: lembra o bixinho do C&P
Marcio: sei. quer responder a porra da pergunta?
Daniel San: sei não
Marcio: encontrar meio bicho!
Marcio: hahahahahahahahaha!
Daniel San: eca!
Marcio: muito engraçado!
Marcio: irc!
Daniel San: fazia anos que eu não ria tanto
Marcio: eu imagino!
Daniel San :décadas
Daniel San: desde a Guerra do Vietnã
Marcio: eu lembro de vc se descaralhando de rir no meio da guerra
Daniel San: quando servi com John Kerry, meu amigo, futuro presidente dos EE.UU
Marcio: manjo!
Marcio: sabe que ele dava muito a bunda pro dentista do pelotão?
Daniel San: estávamos num bote PC149, no meio de um alagado
Marcio: o Dr. Extração sem Dor
Daniel San: sabia, fui eu que os apresentei
Daniel San: mas, como ia dizendo...
Marcio: ah!
Marcio: sim, diga!
Daniel San: estávamos num bote, PC149, no meio de um alagado... de um lado, trezentos vietnamitas
Marcio: e aí?
Daniel San: de outro, um paredão de mata fechada sem nenhuma possibilidade de correr
Daniel San: eu podia ver a felicidade no rosto daqueles putos camponeses
Daniel San: foi quando JK me disse
- abra aquela caixa
Daniel San: eu abri, e para minha surpresa, encontrei vários saquinhos, com um gás escuro dentro
Daniel San: um gás meio verde, meio azul
Marcio: eita
Daniel San: ele disse para mim
- despeje-os na água, todos!
Daniel San: eu os despejei, enquanto os camponeses riam e engatilhavam as escopetas e metralhadoras
Marcio: e aí, e aí?
Daniel San: quando os saquinhos chegaram na borda do matagal onde os vietnamitas estavam
Daniel San: ele puxou do bolso uma espécie de controle remoto
Daniel San: apertou um botãozinho que dizia mais ou menos
- shoot her ass!
Daniel San: e boooooooommmmm!!!!!!!!!!!!
Daniel San: a mata toda se transformou numa fétida e verde-escura fumaçeira!
Daniel San: foi quando ele me disse
- comprei isto do Márcio... saca o Personal Peido-Embaleitor 74?
Daniel San: (the end)
Marcio: é verdade! me lembro de ter vendido pra ele o último carregamento!
Daniel San: foi o que salvou aquela missão americana em solo hostil
Marcio: nesse dia, eu estava num bar em Pu-tang
Daniel San: hahahahahahahaha!
Marcio: bebi tanto e comi tanto uma vietnamita que mijei fogo no dia seguinte!
Daniel San: sim, eu lembro, fica numa picada, perto de Zo-Nang
Daniel San: aaahhhh, por isso que o batalhão lhe chamava de lança-fogo??
Marcio: isso! foi uma época triste de ,minha vida!
Daniel San: então foi assim que saímos do Vietnã... num Airbus
Marcio: sim, sim... me lembro bem!
Daniel San: comprado em Feira de Sant´ana, pelo Sarney
Marcio: lembro-me inclusive, que o avião tinha uma decoração toda nordestina!
Daniel San: tava lá o velho Ulysses também,
Marcio: não foi Ulysses que queria abrir a porta do avião pra vomitar?
Daniel San: isso, as atendentes nos recebiam com aqueles chapéu-lampião
Daniel San: não, quem FEZ isso foi o Tancredo Neves
Marcio: ah é...!
Marcio: se lembra do Delfin entalado no assento?
Daniel San: hahaha! ele queria ir na asa!
Daniel San: sim, estamos apresentando o programa: RECORDAR É VIVER
Marcio:claro! estamos relembrando as histórias do nosso tempo no Vietnam
Marcio: guerra é fogo!
Daniel San: literalmente

Falar besteira nessa quantidade é quase uma arte!

4.2.04

Jabá pouco é bobagem

Fala, sangue.

Seguinte: aquele lance de meninadatorre.com tava me dando nos pacová já. Aí, chutei o pau da barraca e fiz um outro, nome nadavê, tipo ansim, pá botá os bicho pá fora, tá ligado?

Então.

Agora a Menina da Torre é A MINA CARIOCA DE SAMPA.

Já tô pedindo um template lá. Quem quiser ajudar.....
Mas ó, Chefe: fica tranquilo que eu já trouxe meus paninhos pra cá e me instalei, falou?
Daqui não saio, adqui ninguém me ti-ra.

3.2.04

A Verdade Verdadeira

Perseverar é se foder até não poder mais.

E, para quem não sabia: eu sempre estive aqui. Muito prazer, eu sou a Menina da Torre e costumo abalar Bangu. Bangu não, que é coisa de pobre. Mindinguinha. Eu abalo do Jabaquara ao Tucuruvi. Sou a rainha do Taboão. E por aí afora. Tô chique que só, me afogando em enchentes em uma das maiores metrópoles do mundo. Mas pelo menos é de se dar orgulho. " Uma das maiores do mundo" Heh.

Sou a Vice-Presidente de Operações desta pocilga até segunda ordem.
E ai de quem ousar dizer o contrário.
Estou exilada e por enquanto só mantenho contato por aqui. E não, este não é meu novo endereço. Em breve, na sua TV, a próxima novela das sete. Não perca!

30.1.04

Aquela velha idade nova.

Eram duas, as moças. Bem, "moças" é bondade, já que deviam equilibrar-se entre seus sessenta e setenta anos. Não importa. Estavam lado a lado, em um daqueles bancos de cor cinza do metrô de São Paulo. Linha Azul, estação Ana Rosa, sentido Tucuruvi, destino Sé. Quem conhece um pouco esse caos de linhas e baldeações e metamorfoses já se situou. Quem não, bem, também não tem muito o que exlicar. É mais ou menos como estar na Linha verde do metrô do Rio, na estação de Triagem, sentido Estácio, destino São Cristóvão. Ok. Mas divago.

Eram duas, as moças. Ambas enrugadas, mas as semelhanças paravam por aí. A da esquerda, tadinha, um pouco curvada, vestido de pano preto e branco, cabelo preso em coque, sandálias rasteiras de couro, nenhum acessório a não ser por uma bolsa igualmente de pano preto e olhos azuis distantes em algum ano de antes. Ou de depois. Ou de nunca mais.

Eram duas, as moças. A da direita, enrugada sim, mas o sintoma velhice só se podia perceber por este fato. Vestia jeans bordado, camisa de seda com babados, jaqueta jeans com lantejoulas, sapato bico fino e carregava em si anéis e brincos ostensivos. Tinha uma maquiagem forte, cabelos avermelhados e um esforço gigantesco em se parecer mais nova. Inquieta, não sossegava um minutos, abria a bolsa, tirava um espelhinho, ajeitava o cabelo, puxava um lenço, secava o rosto - céus, como fazia calor - , olhava o telefone, virava-se para olhar a rua, cruzava as pernas, descruzava e quem estava em volta começou a se incomodar.

Menos eu. Eram duas, as moças. E eu ali, de pé - tinha cedido o meu lugar no banco cinza para a primeira, da esquerda - frente às duas, tecendo cenas em minha mente: de onde estavam vindo? Por que eram tão diferentes? Que passado guardavam ali, estampado em cada ruga e em cada gesto - exagerado em uma e nulo em outra - e para onde estavam seguindo?

Fiquei a imaginar. Eram duas as moças. Algumas décadas atrás, a da esquerda era uma recatada moça de família. Casou-se sem amor, teve filhos por ser o percurso normal da mulher, envelheceu porque assim o tinha de ser. A outra, da direita, essa não: frequentou salões e cabarés, deitou-se com os homens que quis - e com os que não quis, por dinheiro. Viveu. Quebrou a cara algumas vezes, mas paciência. Ou poderia ser o contrário. Ou não. Sou só eu imaginando coisas.

Eu ali, frente à elas. Uma quieta, a outra irrequieta ainda. Elas me olham. E eu me imagino equilibrando-me entre meus sessenta e setenta anos, se vou ser como uma ou outra. E elas ficam ali, a lembrar de seus vinte e poucos.

E desço sem perguntar qual das duas é mais feliz.

25.1.04

Análise

Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, nesse ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

(Fernando Pessoa)

20.1.04

Perguntinhas...

Vocês já repararam que eu tenho dado títulos aos meus textos?
Vocês (além do Léo) repararam que eu matei meu primeiro personagem?

13.1.04

Das memórias e seus percalços

Andava pela rua cabisbaixo repassando sua vida como se fosse uma sessão de slides. Recriava diálogos modificando-os como se acontecessem agora e pudesse incluir ou suprimir falas, fazer outros movimentos. De um certo modo, se divertia.
Uma chuva fina caia sobre a cidade emprestando uma coloração plúmbea e fria aos prédios e até mesmo ao mar que mais parecia uma continuação em movimento do céu negro e carregado. Sentou-se em um banco da orla e nem se incomodou com o contato da pedra fria e úmida contra seu traseiro. Admirava o movimento das ondas e suas memórias surgiam no mesmo ritmo: indo e voltando não dando mais tempo para que as cenas fossem reconstruídas. Simplesmente apareciam abruptamente, sumindo com delicadeza deixando suas impressões na areia e voltando para o fundo escuro de onde vieram. Sentia-se sufocado por tantas lembranças e já não conseguia mais ficar sentado, precisava se movimentar. Acreditava que assim deixaria para trás suas memórias mas não podia. “Quem sou eu sem minhas memórias? Como uma pessoa pode se sentir completa sem relembrar o que passou, o que vivi?”. Parou repentinamente e reparou que estava de olhos fechados. As perguntas cessaram assim como o ir e vir de suas lembranças. Olhou ao redor e se descobriu nu em meio à praia, suas roupas tinham ficado para trás e sentia seu corpo quente apesar do dia frio. Olhou para o mar e resolveu ir de encontro às suas memórias, foi indo, indo, vencendo as ondas com toda a determinação que lhe restava. De tão determinado, sentia-se invencível, capaz de vencer a própria morte.
Seu corpo fora encontrado ainda agonizante nas areias da praia de Ipanema. O pescador que o encontrou, contou à polícia que ainda pode ouvir seu último sussurro:
- Encontrei – ele dizia – encontrei...!

8.1.04

"Se o rio não fosse turvo
Narciso teria visto o fundo".


Do amigo, professor e poeta: Marco Antônio Saraiva

2.1.04

Para começar bem o ano

"A memória é a mãe de todas as musas"

12.12.03

- Sabe o que eu queria?
- Não.
- Ser seguro de mim...
- E você não é?
- Não. Por que? Pareço?
- Parece... Mas também, a gente se conhece pouco. Ainda não sei suas reações, seu comportamento.
- É verdade. E o mais curioso é que parece que a gente se conhece há tempos incontáveis.
- Tempo... Acho que é a única coisa comum a tudo. Tudo mesmo! Tudo tem um tempo seu, próprio. E ainda assim, tempo pode ser conceitual.
- Como assim?
- Qual o tempo certo de se começar a trabalhar? Qual o tempo certo de se ter um filho? “O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem”.
- O que é isso? É seu?
- Não. É uma coisa de um livro que eu li quando era pequeno. Cada letra tinha um versinho desses. O “T” era esse. Acho que era um livro de trava-línguas.
- E você lembra dos outros?
- Não... Tem muito tempo que eu li isso... Quanto tempo a gente tem aqui nessa terra? Quando eu morrer, para onde vai o tempo?
- Por que você se preocupa tanto com o tempo?
- Porque perdi muito tempo tentando descobrir quem eu sou.
- E já descobriu?
- Não. Alguém já se descobriu por completo?
- Não que eu conheça. As pessoas mudam de acordo com o tempo.
- O tempo conceitual ou o tempo geral, dessa forma que a gente conhece?
- Acho que da forma geral, mundana.
- Ah...Mas o que deflagra essas mudanças? O tempo ou a vivência?
- Quanto mais tempo de vida se tem, maior a vivência. Então o tempo nos muda.
- Mas pode-se ter muita vivência em pouco tempo de vida. A vida é dissonante e muitas vezes, nos leva para lugares estranhos.
- É verdade... Por falar em tempo... Nosso tempo acabou. São cento e cinqüenta dinheiros.
- Ué! Há pouco tempo atrás eram cem dinheiros!
- Ah... Mas isso foi há muito tempo!
- É... Deve ser o sinal dos tempos...

26.11.03

A Estrada

Encostei meu carro e olhei para o mapa mais uma vez. Quem olhava de longe e me via de cenho franzido poderia pensar que eu estava entendendo o que estava desenhado ali. Tirei os olhos do mapa e olhei para frente algumas vezes numa tentativa vã de me achar naquela imensidão de estrada cercada por mato. Sai do carro para ter uma visão melhor da estrada e, quem sabe, achar uma placa que indicasse onde eu estava.
- Muito bem... Admita! Você está completamente perdido! Também... Mapa vagabundo dos diabos! – Pensava com uma certa raiva de mim. – Muito bonito, Zé! Culpe o mapa!
No som do carro, Robert Plant cantava as maravilhas que o esperavam na Califórnia e, logo em seguida, Christopher Cross dizia “nunca serei o mesmo sem você aqui”. Era uma seleção musical duvidosa, porém eclética. Duvidosa porque os roqueiros me crucificariam e os românticos me queimariam vivo ainda que gostasse muito dessa misturada sem dar preferência a um ou a outro.
Rasguei o “falso” mapa e me sentei no capô do carro para admirar a paisagem ao meu redor. Descobri que já passavam das três da tarde e que estava dirigindo desde as seis da manhã. Fui ao carro mais uma vez para buscar o maço de cigarros e, droga, só tem mais dois!
- Preciso de cigarros e uma cerveja. E rápido! – Voltei para o banco do motorista, girei a chave e o rosnado do motor me fez relaxar um pouco. Mick Jagger começou a cantar Paint in Black. Coloquei os óculos escuros e me senti como Mad Max. Acelerava cada vez mais e, como a estrada estava vazia, posicionei o carro bem sobre as faixas amarelas. Parecia que o carro as ia engolindo furiosamente como um cortador de grama a jato.
Ao longe, avistei um posto de gasolina que não recebia fregueses há um bom tempo. A poeira já tinha se apossado das bombas de combustível e da varanda da pequena loja de conveniência anexa ao posto. Uma senhora, perto dos seus setenta anos, sentava em uma cadeira de balanço na varanda e fumava um cigarro enquanto admirava o nada.
Estacionei o carro ao lado de uma das bombas e sai do carro em estilo cinematográfico retirando os óculos escuros puxando a haste direita num movimento brusco para a esquerda e para baixo.
A tal senhora usava um vestido quadriculado com um avental amarrado à cintura. Veio caminhando lentamente em minha direção e disse com uma voz quase firme tentando disfarçar a tremedeira:
- Não tenho combustível. O fornecedor deveria ter passado aqui há uma semana mas ainda não veio.
- A senhora tem cigarros?
- Tem uma máquina lá dentro que acho que ainda funciona – Tentei em vão identificar seu sotaque numa esperança de descobrir onde estava mas não deu certo.
- Ok! Obrigado.
Entrei na pequena loja onde, nos fundos, ficava a máquina. Depositei duas notas e apertei o botão correspondente à marca de minha preferência mas nada aconteceu. Chutei a lateral da máquina e três maços caíram no receptáculo. Sem cerimônia, peguei os três e os guardei nos bolsos dos jeans que já estavam bem surrados.
- Ah, vai... Foi a máquina que quis me roubar e depois da coerção, mudou de idéia! – Pensei me desculpando pelo furto qualificado.
Havia uma porta lateral na da loja e, muito curioso, resolvi averiguar. A tal porta não era aberta há muito tempo e, com um certo esforço, consegui move-la. As velhas dobradiças rangeram e um odor espesso de poeira me invadiu as narinas.
Atrás da porta havia um grande salão de pé direito alto. Muitas mesas com cadeiras apoiadas cercavam um pequeno palco e sobre ele, um piano coberto com lençol branco e mais acima, um belo e majestoso lustre de cristal. As janelas de vidro colorido retratavam grandes nomes do jazz como Wayne Shorter, Louis Armstrong, John Coltrane e Thelonious Monk.
Lentamente, meio hipnotizado, caminhei até o majestoso piano de calda. Descobri a frente do instrumento e a inscrição Steinway and Sons pareceu tomar vida ao refletir a débil iluminação externa que era filtrada pelos vidros coloridos. Levantei a tampa do teclado e pressionei uma tecla. O som encheu o ambiente ecoando por todos os cantos e custou a morrer. Sentei-me no empoeirado banquinho fazendo uma nuvem branca subir. Dedilhei alguns acordes e o piano estava surpreendentemente afinado. Uma empolgação juvenil tomou conta de mim e continuei tocando animadamente.
- Há muito tempo não se escuta música nesse salão. – A senhora estava escorada no umbral da porta e me olhava com olhos tristes.
- Credo! A senhora me assustou!
- Estava só observando. Toque mais se quiser.
- Um pergunta: a senhora tem alguma previsão de quando o combustível vai chegar?
- Não. Como está seu tanque?
- Vazio. Bem vazio.
- Posso te alugar um quarto que tenho aqui em cima. Nada luxuoso: uma cama grande, um relógio de parede e uma geladeira.
- E quem precisa de mais que isso?
Sorrimos e a senhora chegou mais perto do piano cantando algumas canções antigas.

24.11.03

Gente boa, juro que não é por falta de tempo ou de saco que não tenho escrito.
O fato é que sou extremamente crítico com meus textos e antes de soltá-los, quero ter a certeza de que apresentarei a vocês alguma coisa que eu considere boa a ponto de ir ao ar!
Perdoem este escriba...

12.11.03

Sentou-se à mesa munido de lápis e papel, acendeu um cigarro, deu uma tragada e apoiou-o no cinzeiro que tinha furtado de um restaurante. Soltou a fumaça vagarosamente tentando achar formas distintas e sorriu com co canto da boca.
A sala toda estava escura a não ser pelo lustre que ficava exatamente sobre a mesa. Dentro do lustre uma lâmpada concentrava seu facho amarelado sobre o papel e o cinzeiro. Além disso, a casa escura e silenciosa como uma igreja. Percebendo a movimentação seus gatos subiram na mesa para averiguar o que acontecia, ganharam carinhos, festinhas e desceram para continuar dormindo no sofá.
Olhava além do único ponto luminoso da casa e percebeu como a fumaça do cigarro criava formas fantasmagóricas. Tinha a impressão de que a escuridão parecia querer engolfá-lo e torná-lo parte dela.
Recostou na cadeira, deu uma longa tragada no cigarro apagando-o logo em seguida. Fechou os olhos e permaneceu assim por algum tempo. Tinha a nítida sensação de que o tempo havia parado. Sentiu uma moleza e cochilou. Ao acordar, percebeu que estava bem no meio de um campo de alfazemas. O dia ia nascendo e o sol, preguiçosamente começava a despontar no horizonte. Olhou para baixo e viu a leve bruma que subia do chão trazendo consigo, o cheiro inebriante das plantas. Passou os olhos ao seu redor e não havia nada mais do que muitos quilômetros de plantações de flores divididas em enormes retângulos não muito regulares delimitados por uma pequena vala onde a água se concentrava.
Havia papoulas vermelhas, rosas de todas as cores, margaridas, violetas, amores-perfeitos. Sentiu algo frio atingir seu peito e olhando para si, percebeu que estava nu e que o sistema de irrigação tinha sido ligado. Sentiu o cheiro de terra molhada invadir suas narinas, fechou os olhos, fez uma volta completa sobre os pés tentando distinguir todos os aromas presentes e sentiu que em algum lugar distante, estavam queimando lenha. Abriu os olhos e viu fumaça ao longe.
Começou a caminhar na direção da fumaça mas não consegui conter a curiosidade em saber que lugar era aquele. Começou a correr e lembrou-se de que estava nu.
- Como é que eu apareço assim na casa dos outros? – Pensou parando de correr.
Continuou caminhando mas a largas passadas e decidiu que contaria uma história qualquer aos seus possíveis anfitriões.
Chegou até os rústicos e irregulares degraus que levavam até a varanda de tábuas corridas que, devido às intempéries, estavam empenadas e soltas em alguns pontos. Bateu com os nós dos dedos à pesada porta de madeira de lei e correu para trás de um barril a fim de se esconder. Esperou alguns segundos mas não houve resposta. Dirigiu-se à porta mais uma vez e bateu mais forte correndo em seguida para seu barril-esconderijo. Nada. Voltou à porta e girou a maçaneta e a porta abriu forçando os gonzos secos e rangendo alto.
Ao espiar dentro da casa reparou que se sentia estranhamente familiarizado com os móveis e com o ambiente. Não havia televisão na sala. Somente dois sofás de três lugares cada formavam um ângulo reto entre si e que emolduravam uma mesa de centro com tampo de vidro. Sobre a mesa, um cinzeiro com algumas guimbas de cigarros de palha. ouviu um ruído de uma panela de barro sendo postas sobre um fogão a lenha. Em pouco tempo o cheiro de café invadiu a casa. Agora ouvia passos se dirigindo a espaçosa e pouco mobiliada sala.
Sentiu um frio no estômago mas decidiu que não correria nem se esconderia. Um velho magro porém com a musculatura bem definida pelos anos de trabalho braçal. Um cavanhaque já branco e muito bem aparado emoldurava a boca de lábios grossos. Alguns vasos bem dilatados nos cantos do nariz denunciavam a intimidade com o álcool.
O velho voltou-se para ele e os verdes, expressivos e penetrantes olhos verdes encontraram os seus.
- Finalmente você chegou! – Disse com a voz firme – Estou te esperando desde bem cedo. Por que demorou tanto? – Abriu a boca mas não conseguia proferir as palavras. – Nah... não diga nada. Sei o que você está pensando.
- Quem é você – Balbuciou o jovem.
- Não reparou a semelhança? Eu sou você. Somos a mesma pessoa com alguns anos de intervalo.
- Mas que lugar é esse? Como é que isso aconteceu?
- Tem uma hora na vida de uma pessoa, quando se está feliz e equilibrado, em que uma janela temporal é aberta. Ao olhar por essa janela, pode-se ver o passado ou o futuro. Sua escolha foi o futuro
- Esse é o meu futuro? Mas não é nada do que planejei apesar de não me desagradar em nada!
- Essa foi a escolha que fizemos!
- Foi uma boa escolha?
- Foi a grande escolha que fizemos. Aqui somos felizes com nossas flores, o silêncio, o trabalho. Nossos amigos nos visitam com freqüência e ainda por cima, fazemos nossa própria cerveja!
Sentaram se um em cada sofá, bebiam cerveja e fumavam conversando sobre o passado. Riram bastante e lá pelas tantas, foram dormir. O jovem acordou cedo e não se lembrava de ter dormido tão bem assim. Queria conversar com o velho mas não o encontrou. Resignou-se e foi cuidar do trabalho da fazenda. Herança de seu futuro.

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