4.8.03

Tinha entrado na primeira estação do metro e estranho o quão vazia estava. Olhou ao redor e viu umas poucas pessoas com ares um tanto ou quanto ranzinza mas se conformou que aquela era a expressão “normal” que se via nos rostos de quem transitava pelas ruas da cidade.
Enquanto esperava a composição achou que seria engraçado reparar se as pessoas tinham a “cara” da roupa que vestiam ou vice-versa. De fato a brincadeira estava divertida e ainda fazia com que a espera parecesse mais curta.
Viu uma moça bonita vestindo uma roupa bem simples: calça cáqui e uma camiseta também em tons pastéis. Combinavam com a pessoa sim. Porque não? Ela era bem bonitinha, usava óculos de gatinha (o que talvez não fosse condizente comas suas roupas ou estilo de ser) e os cabelos castanhos que lhe batiam no ombro, estavam comportadamente escovados e brilhosos.
Mas o mais curioso da viagem aconteceu quando já estava sentado e o trem já havia andado umas três ou quatro estações.
um senhor já bem velhinho entrou no trem trajando um elegante terno cinza de risca de giz. As listras eram bem suaves e ele achou que talvez não tivesse reparado nelas se o velhinho não estivesse realmente elegante.
- Possivelmente vai resolver alguma coisa importante. Deve ser seu melhor terno. – Pensou nisso distraidamente enquanto checava, pela enésima vez, se os papeis estavam dentro da pasta e se ficaria nervoso na hora do encontro com o cliente.
Tudo checado, tudo em cima, voltou a reparar no velhinho. Com isso, reparou também que algumas pessoas olhavam para ele e se divertiam. Riam veladamente e algumas faziam força para prender o riso. Achou aquilo uma afronta e resolveu averiguar o porque da chacota.
Levantou-se e ofereceu seu lugar para o velhinho elegante. O velhinho agradeceu muito educadamente mas ainda assim, pareceu um pouco incomodado com a minha atitude.
Por estarem um pouco distantes, o velhinho teve que andar uns três passos para chegar até o assento vazio. Nesse meio tempo, pode perceber que havia um mafuá de fita adesiva presa na sola do sapato do velhinho. Tanta fita fez aquilo parecer um laço de fita grotesco e sem a graça brilhante das fitas que embrulham nossos presentes.
Ao ver que esse era o motivo das risadas alheias pensou numa forma de retirar o falso e esdrúxulo laço de fita ou de avisar ao velhinho. Diante da elegância do mesmo achou por bem tirar o ridículo enfeite sem fazer alarde.
Com um movimento de quadril conseguiu passar para o lado do velhinho onde estava o infame bolo de fita. Pisou firmemente sobre um pedaço de fita e viu que a mesma desgrudara do pé do velhinho.
Distraidamente pensou – Sapatos bem engraxados! Não merecem isso! – Ficou em pé de modo que veria o velhinho a todo tempo. Quando percebeu que a estação do senhor tinha chegado, ficou observando até que as portas se fecharam com um apito estridente.
O velhinho saiu do trem, ajeitou a gravada e o colete, empertigou-se e foi andando resolver o quer que fosse.
E ele ali. Ainda se sentindo bem. Olhou ao redor e se sentiu melhor ainda por perceber que ninguém reparou no que fizera e esse, foi sua grande recompensa.

31.7.03

Já que virou bagunça vamos bagunçar!
Só tem um problema: EU NÃO SOU BAGUNCEIRO!!!! Fui quando era criança mas eu consegui absorver quase todas as manias-de-limpeza-que-beiram-a-paranóia de mamãe e, de vez em quando, me pego consertando o posicionamento dum objeto qualquer por não estar formando angulos retos com o móvel que o sustenta.
Juro que estou fazendo o possível para me tornar um pouco mais relapso ou socialmente relaxado.

Hoje de manhã, sentado no troninho, li que no estado do Rio de Janeiro, a extração de petróleo e exploração do gás natural rende royalties. Esses royalties são convertidos em verbas para a FECAM (Fundo Estadual de Conservação Ambiental), por exemplo.
Na mesma matéria, Paulo Gramado diz que a nossa prezada governadora Rosângela Matheus (sim porque Rosinha Garotinho, ninguém merece) enviou à Assembléia Legislativa, projeto de Lei que reduziria de 20% para 5% o valor repassado para a FECAM paralisando assim, as obras de despoluição da Baia de Gauanabara e do Emissário da Barra.
Indignado, o deputado estadual Carlos Mink (PT-RJ) nos agracia com a seguinte pérola: "Desse jeito vamos perder as olimpíadas"
Penso eu o quão glorioso seria para o Brasil, sediar tamanho evento.
Como é sabido, existe uma cidade "base" e outras cidades que sediariam alguns outros esportes olímpicos.
Agora imaginem vocês que São Paulo sediaria os jogos de basquete, por exemplo. Estamos na final do torneio olímpico do referido esporte e o jogo não poderia ser outro senão Brasil x EUA e o Brasil se sagra medalhista de ouro.
Descobre-se depois que o jogo foi ganho por W.O. pois a delegação americana não conseguiu chegar ao estádio devido ao pesado trânsito.
Melhor ainda: final olímpica do futebol, sediada no Rio de Janeiro, entre Brasil e Nigéria. As duas delegações se aproximam do (ex) maior do mundo para a tão esperada final. Ao se aproximarem um pouco mais, se deparam com as ruas vazias, sem ônibus e apenas uns poucos ambulantes vendendo quelas bandeirolas meia-boca e umas cornetas com defeito.
Mais ao longe, vislumbra-se alguns sujeitos vestindo roupas pretas, muitos cordões de ouro e os rostos coberto por balaclava (tá bom... toca ninja). "Escolhido" por seus companheiros, um membro da CBF se aproxima de um dos "guardas" e pergunta o que está havendo
- Ah, Dotô! Hoje não tem jogo não porque o hômi mandou fechar tudo!
Claro que isso tudo é ficção e a grande verdade é que poderemos perder as olimpíadas por causa da redução da verba da FECAM.
E eu aqui pensando que... humpf!

30.7.03

Ô.

Tô de volta. Mais maravilhosa que nunca.
[ cof cof cof ]

Descobri que tenho um "AH" especial.
É, porque existem vários tipos de "AH", e funciona mais ou menos assim:

O "AH" de satisfação,
de desejo,
de surpresa,
de alegria,
de tristeza,
de decepção,
de raiva,
de injúria,
de desprezo,
de consolo,
e de um monte de outras coisas que eu poderia listar.

mas o meu AH em questão é o de histeria, de desespero. Porque eu quis gritar, mas o AH foi grande demais e acabou estuprando a caixa de comentários, o que foi uma pena e ao mesmo tempo, a diversão de marmanjos letrados e competentes....

Então, para vcs que amaram o meu AH, e que mesmo sendo puxa-sacos eu considero como um elogio e com direito a trilha sonora imaginária, imaginem agora um BLOG INTEIRO pronunciando expressões de filme pornô, porque o que farei agora será inesquecível.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH...

::::::::::::::::::::::::::::::::

Pronto, Marcio.
Toda a sua intenção de fazer um blog sério e inteligente foi por água abaixo.
Desculpa aê.

28.7.03

Finalmente Magnólia!!

Paul Thomas Anderson (de "Boogie Nights - Prazer Sem Limites" e do recente e mal comentado "Embriagados de Amor") cantou, dançou e acabou com a festa! Traduzindo: escreveu, produziu e dirigiu o que talvez seja um dos filmes mais cheios de simbolismos da última década. Magnólia ("Magnolia" 1999) chama a atenção por ser uma história que conta como muitas histórias se perdem, , se repetem, se (re)encontram, se misturam e algumas vezes se unem a outra história fazendo com que as duas ganhem sentido.
Vamos ver se eu consigo desatar o nó dos personagens: Frank T. J. Mackey (Tom Cruise muito bem dirigido e atuando muito bem) é o apresentador de um programa machista que ensina como seduzir para, logo em seguida, dispensar mulheres.
Frank odeia seu pai, Earl Partridge (o sempre bom Jason Robards) que abandonou a primeira mulher, mãe de Mackey e não o reconhece como pai.
Earl Partridge tem câncer no cérebro e nos pulmões e está em estado terminal. É casado com Linda (Jullianne Moore deslumbrante como sempre e em atuação marcante e forte sem ser over) que descobre que ela é a única herdeira da fortuna de Earl. Earl é ainda, produtor de um show de auditório chamado "O Que as Cranças Sabem" que é apresentado por Jimmy Gator (Philip Baker Hall discreto mas muito bom) que também tem câncer mas num estágio menos avançado do que o de Earl.
Jimmy é pai de Claudia Winston Gator, cocainômana que acusa seu pai de estupro e presentador do programa desde sua criação. Jimmy tem em suas mãos um pequeno replay do que já vira: um pequeno gênio que realmente faz a diferença no jogo onde um grupo de três crianças desafia um grupo de três adultos para ver quem responde mais perguntas sobre temas variados. É nesse programa que as vidas do garoto-gênio Stanley Spector (Jeremy Blackman) e do ex-garoto-gênio Donnie Smith (William H. Macy) se misturam. Donnie tinha sido a estrela do show nos anos 60 e depois de uma série de fracassos na vida, se descobre pobre, trabalhando numa loja de departamentos que pertence a dois árabes, uma homossexualidade latente e apaixonado pelo bartender que o serve (uma curiosidade: ao perceber que o bartender usa aparelho nos dentes, Donnie pede um empréstimo aos seus chefes para colocar um aparelho nos dentes e chamar a atenção de uma forma muito peculiar).
Stanley não quer nada daquilo. Não quer ser estrela, não quer fama e, numa nota pessoal, acrescento que ele trocaria toda a sua inteligencia pela atenção do pai Rick Spector (Michael Bowen).
Jim Kurring (John C. Reilly) é um policial solitário que é chamado para atender uma denúncia de som muito alto na casa de Claudia e se apaixona à primeira vista o que parece acontecer com ela também.
O filme me chamou muito a atenção não só pela riqueza e complexidade dos personagens mas também, como já disse ali em cima, pelos simbolismos. O começo do filme mostra uma placa no estúdio onde é produzido o programa em questão onde se lê: Exodus 8:2 (Êxodo 8:2) e é o pulo do gato para que o final não fique parecendo um filme de Buñuel. A passagem da bíblia diz: "Mas se recusares a deixá-lo ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos". Não quero me aprofundar nessa questão pois vai tirar a graça daqueles que querem ver o filme (quem já viu e quiser debater comigo, segue o mail).
Outra parte interessante é o pequeno rapper que canta o assassino investigado por Jim e no final acaba tendo uma senhora participação no desenrolar da história.
Sob aspectos técnicos, o filme é maravilhoso! Desde a trilha sonora belíssima composta por Aimeé Mann até a direção, direção de fotografia, edição enfim... percebe-se que o filme foi feito com muito carinho e aborda questões muito delicadas como culpa, homosexualidade e família.
É um filme denso que vale assistir com um pouco de carinho. Possivelmente vai incomodar e você se sentirá compelido a desligar o vídeo e ir dormir. Recomendo um pouco de paciência e, depois de alguns dias de assistido, uma auto-análise.
Prestem muita atenção na cena em que os personagens do filme, um por vez, cantam um trecho de uma música com a voz gostosa da Aimeé.
Filmaço!!


Mudando de pau pra caralho: POR FAVOR, GENTE. MINHA "CAIXINHAS DE HISTERIA" NÃO SÃO CLASSIFICADOS! EU JURO QUE VISITO TODOS OS BLOGS DE QUEM TEM BLOG E PASSA AQUI PRA VISITAR. NÃO PRECISA DISSO!
O QUE VAI ACABAR ACONTECENDO É QUE EU VOU DAR UM JEITO NISSO SEJA BLOQUEANDO O IP OU, PIOR AINDA, TIRANDO A POSSIBILIDADE DE COMENTAREM ESSES TEXTOS DE DUVIDOSA QUALIDADE LITERÁRIA.
AGRADEÇO A COMPREENSÃO!

Agora mudando de caralho pra cacete: "...Nos demais, todo o mundo sabe: o coração tem moradia certa. Fica bem no meio do peito. Mas comigo a antomia ficou louca, sou todo, todo coração!"

24.7.03

Sei que prometi uma crítica cinematográfica uma vez por semana aqui nesse espaço mas as coisas se tornaram insuportavelmente vazias para mim.
Meu relacionamento de quase qatro anos acabou e acho que para sempre.
Se bem que, sempre é tempo demais. Significa, no mínimo, até o dia que eu morrer. Então vamos mudar isso: "meu relacionamento de quase quatro anos acabou e acho que, por enquanto, não há esperança de volta."
Deixo aqui uma promessa: hoje vou assistir Magnólia pela terceira vez e amanhã deixo uma crítica aqui.
É sim. Já assisti Magnólia duas vezes e a verdade é que ainda não consegui juntar tudo o que o filme pode representar ou não. Pode ser que eu esteja procurando cabelo em ovo mas eu acho que tem uma coisa muito importante por trás da chuva de sapos.

Aproveito o ensejo para convidá-los a ler a revelação que O Mago fez lá.
Dando uma de aproveitador quero agradecer os elogios tão carinhosos que tenho recebido nas caixinhas de comentários que o Paulo Polzonoff chama de "caixinha de histeria" com toda a propriedade. Acho muito engraçado.
Este que vos escreve essas parcas linhas, sou eu. Mesmo.

22.7.03

Não vale amar
Se não há mais prazer
É melhor esquecer
Não vale a pena enganar
Nosso amor sem esperança
Já deixou de ser criança
Felicidade se cansa
É necessário mudar
Quando o amor
Já não é mais verdade
Passa a ser falsidade
E só desgostos trará

Mentes sem motivo aparente
Mostrar um sorriso indiferente
Não existe mais alegria
De fazer poesia, de cantar por aí
E eu já não escondo o cansaço
De ser presa fácil em teus braços
Foge do meu ser a ilusão de viver
Nas garras do teu coração
Como é triste amar em vão

E não vale amar se não há
Mais prazer.

21.7.03

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás só fazendo de conta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

18.7.03

Seguinte: economizem seus tão suados e preciosos dinheiros e não joguem na Mega-Sena nem na Lotomania! Desse fim-de-semana não passa: vou ficar milionário e acabar com todos os problemas do mundo me tornando um cidadão cosmopolita-modelo!! Bem cheio dos títulos assim!
Revirando umas músicas (nem tão) antigas assim, me deparei com umas gravações do Kid Abelha em começo de carreira. Com isso descobri que a Paula Toller não sabia cantar naquela época.
Hoje estava escutando no rádio uma nova gravação nesse "desplugado" que eles gravaram para a MTV. Descobri que de lá para cá ela não se dedicou a aprender a cantar, não se esforçou e acha que canta!
Este será mais um fim-de-semana dedicado à sétima arte. Devo assistir mais uma vez aos outros filmes da segunda trilogia do Kieslowki sobre os ideais da bandeira francesa.
Comecei no último fim-de-semana com "A Liberdade é Azul" e quero ver se termino de ver todos nesse agora.

Breve: críticas cinematográficas uma vez por semana!

16.7.03

Uma pequena homenagem a uma amiga que eu gosto muito e que está vendo suas meninas abrirem as asas e ganhando o mundo.
Deve ser uma sensação estranha porque, ao fim e ao cabo, a gente cria filho pro mundo mas quando eles estão indo, a gente não quer que eles se vão!
Força Mariazinha!!!!

"Olha as minhas meninas
As minhas meninas
Pra onde é que elas vão
Se já saem sozinhas
As notas da minha canção
Vão as minhas meninas
Levando destinos
Tão iluminados de sim
Passam por mim
E embaraçam as linhas
Da minha mão

As meninas são minhas
Só minhas na minha ilusão
Na canção cristalina
Da mina da imaginação
Pode o tempo
Marcar seus caminhos
Nas faces
Com as linhas
Das noites de não
E a solidão
Maltratar as meninas
As minhas não

As meninas são minhas
Só minhas
As minhas meninas
Do meu coração"

(Chico Buarque)

11.7.03

DESCOBRI A MELHOR LOCADORA DE DVD DO MUNDO!!! PARADISE VÍDEO QUE FICA NA FIGUEIREDO MAGALHÃES, 581 C!
TEM TUDO QUANTO É FILME LÁ!
Passada a empolgação, esse finde vou assistir: MASH, Morangos Silvestres, A Liberdade é Azul e Sonhos (sempre ele). Estarei muito bem acompanhado de uma garrafa de vodka e uns poucos cigarrinhos!!

10.7.03

Descobri que paciência é um exercí­cio. Deve-se exercitar a sua paciência a cada segundo sem se violentar, é claro.
Descobri também que a vida é um rio... tortuoso... algumas vezes calmo e muitas vezes agitado. Que o vento leva o barco mas quem escolhe o rumo é o timoneiro. E que meu barco não navega...
Estou descobrindo que deve ter alguma coisa muito errada comigo... É sim. Explico: eu agora tenho três empregos: um fixo e dois que eu faço "freela". No fixo eu já desisti de apresentar idéias, debater políticas da empresa e afins. É muito cansativo quando se está disposto a arriscar, batalhar e as outras pessoas partem do princípio do "quem não faz, não erra".
No outro, um dos "freela", eu comecei empolgado mas já me decepcionei porque o foco que essa outra empresa quer dar é muito formal. Não gosto de formalidades. Me sinto preso, amarrado. Achei que eu trabalharia com gente dita normal mas não. Eles cresceram o olho e querem saber somente de grana, grana, grana!!
Então voltando, se das tês empresas em que trabalho discordo da polí­tica de duas delas, definitivamente tem alguma coisa errada comigo!
É a velha história: se das, digamos, 100 pessoas que você conhece 3 te acham chato, tem alguma coisa errada com essas três pessoas. Mas se 97 pessoas te acham chato, tem alguma coisa errada contigo.
Descobri também que, para variar sobre o tema, estou duro feito um côco. Por conta disso, eu que ia sair para dançar, já não vou mais. O que fazer? Simples! Vou comprar uma garrafa de vodka (no cartão de crédito, é claro), apagar as luzes da casa, ligar o rádio (tem um programa que só toca "disco dancing" todos os sábados por volta de 22:00h) no máximo, dançar até cair e depois mirar uma reta até a cama e já dormir no caminho até ela!

9.7.03

Descobri que Sonhos de Akira Kurosawa (Akira Kurasawa's Dreams) é um filme que preciso ter em casa. Gosto de rever algumas coisas no filme e depender de locadora que tenha não é legal. E sempre que eu quero rever é num rompante. Bate uma vontade louca de assistir o filme e como ele não faz parte da minha coleção, fico eu triste esperando que a TVA reprise a qualquer momento. Não... na verdade eu sempre espero que o diretor de programação da TVA leia meus pensamentos e decida alterar a grade de programação imediatamente para eu poder assistir o filme.
O filme narra oito contos. Oito questionamentos intimistas sobre morte, velhice e futuro.
Mestre que é, Kurosawa nos faz passear por um mundo de pura poesia em movimento recheada de cores, planos longos, distantes e abertos (como manda um dos dogmas do cinema) e se dá ao luxo de usar alguns poucos efeitos visuais holliwoodianos para temperar. Ao longo do passeio somos apresentados a um verdadeiro banquete de imagens e cores retratando folclores orientais como em "Sol Atrás da Chuva" onde um garotinho, apesar de proibido por sua mãe, entra na floresta depois da chuva e se depara com criaturas cantando e tocando e fica maravilhado com a singular coreografia. "O Pomar de Pêssegos" (um dos meus preferidos) conta a história de criaturas que acusam um garoto de estar matando os pessegueiros e o garoto se defende dizendo que sua famí­lia era responsável apesar de seus protestos.
Talvez o mais recheado dessas cores tão presentes no cinema oriental seja "O Corvo" onde um estudante de pintura entra em um quadro de Van Gogh (interpretado por Martin Scorcese). Motivo mais do que óbvio para transformar um filme numa verdadeira aquarela.
Outro ponto forte do filme é a quase ausência de diálogos. Confesso que se não os houvesse (como na trilogia de Saura "Amor Bruxo", "Bodas de Sangue" E "Carmen"), ficaria satisfeito da mesma forma. A beleza e grandiosidade das cenas enche os olhos e confirma o que dizem a respeito da comparação entre imagen e palavras.
Vale assistir e mais de uma vez!!

8.7.03

Descobri que eu DEFINITIVAMENTE preciso sair e balançar o esqueleto!!! E rápido!!!
Descobri que eu me divirto muito, mas muito mesmo quandou ouço os discos da Arca de Noé!
Mas tanto, tanto que transcrevo uma musiquinha do segundo disco. Acordei cantando a música e o pior é que eu morro de rir a cada vez que eu canto! Como se eu fosse criança de novo. Mas acho que qualquer um viraria criança mais uma vez ao escutar...

O AR (O VENTO)

"Estou vivo, mas não tenho corpo
Por isso é que eu não tenho forma
Peso eu também não tenho
Não tenho cor

Quando sou fraco
Me chamo brisa
E se assovio
Isso é comum
Quando sou forte
Me chamo vento
Quando sou cheiro
Me chamo pum!"

(E. Bacalov/Vinicius de Moraes/Toquinho)

7.7.03

Descobri que eu preciso beber pelo menos um cerveja e fumar uns dois cigarros quando chego em casa depois de um dia de trabalho!
A cerveja dilui minhas frustrações e desilusões e cada tragada exalada do cigarro me dá a sensação de que todos os maus pensamentos estão indo embora com a fumaça.
Depois janto, assisto um pouco de televisão para imbecilizar, uma boa noite de sono e estou pronto para encarar essas gentes doidas dessa cidade maluca!
Além de cultivar essas duas válvulas de escape descobri que escrever aqui também me tira da realidade. Já teve um escritoe que disse que da prática vem uma boa escrita. Tomara. Vou insistir. Quem sabe um dia desses não acabo escrevendo razoavelmente bem?
Descobri também que preciso conversar mais com uma amiga genial de mamãe! No sábado reafirmei como é maravilhoso conversar sobre cinema com Ana Maria. Não só sobre cinema, é claro. Mas principalmente sobre cinema porque ela é uma daquelas pessoas que eu queria ser: vai ver tuuuudo quanto é filme no cinema sem o menor preconceito. Eu ainda fico meio ressabiado e se não tiver certeza, espero sair em vídeo.

2.7.03

Descobri que as coisas nem sempre são certas como queremos e que trilhos descarrilham com muito mais frequência do que imaginamos. E que não adianta darmos murros em pontas de facas, porque as feridas nos dedos doem, porém muito menos do que a impaciência de não poder resolver o qeu se quer.

Descobri que eu preciso de dinheiros muitos para comprar um carro.

Descobri que eu sou uma sonâmbula que acorda com uma caneca de nescau ao lado e não se lembra que bebeu....
Descobri que Encontrando Forrester (Finding Forrester. Direção: Gus Van Sant. Com: Sean Connery, F. Murray Abraham, Anna Paquin, Busta Rhymes, April Grace, Michael Pitt e Michael Nouri) é melhor da segunda vez que se assiste.
Descobri que muitos sonhos não são alcançados pelo medo do fracasso ou, pior ainda, pelo medo do sucesso. Descobri que o medo paralisa, petrifica, congela. E que é por isso que eu tenho estado parado, nesse estado de criogenia por todo esse tempo. A primeira descoberta publicada aqui vem me ajudando como nunca a romper a inércia causada por muitas frustrações e abandonos de sonhos e ideais.
Descobri que os anos e o contato com pessoas "erradas" me embruteceram a alma e petrificaram o coração. Criaram um mal-humor eterno, um rancor cinza e deflagaram reações violentas. Hoje digo, com o peito estufado, que todos os alarmas devem ser alertados pois homem que eu deveria ter sido está surgindo das cinzas graças às pessoas "certas".
Coloco certos e errados entre aspas pois creio que essa distinção não existe. As pessoas são, sempre serão certas e responsáveis direta ou indiretamente pelo que sou e pelo que virei a ser. Os momentos é que não são propícios ou são equivocados.
Pessoas recentes, pessoas antigas, pessoas que sempre estiveram ali, pessoas que aparecem de vez em quando mas que são sempre bem-vindas...
Descobri que se não fosse por elas, esse processo de (re) descobrimento não seria possível.

1.7.03

Descobri que eu queria ter nas mãos o poder de fazer feliz todos que me cercam.
E descobri que não tenho tal poder e que essa descoberta deixou um vazio enorme no peito.
"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio..."
Descobri que os juros do meu cheque especial estão pela hora da morte enquanto as prestadoras de serviço (que por meio de liminar não podem incluir o nome de ninguém em SERASA's SPC's e afins) cobram por volta de 2% de juros. Adivinhem só? Isso mesmo! Esse mês vou dar um calote generalizado nas contas de telefone e afins pra ver se eu consigo não entrar no especial.
Descobri também que dos partamentos que tenho visto esses dias, o que mais gostei fica na esquina da Lopes Quintas com Corcovado e que nessa esquina passa um ônibus em intervalos regulares. Com essa descoberta descobri que vou ter que amarrar os livros, os disco e as louças porque a impressão que dá é que o dito ônibus passa dentro do apartamento. Eu e os gatos vamos precisar de litros de coquetel de Passiflorine com Maracujina.

30.6.03

Descobri que adoro procurar apartamento!!!
Mesmo! É sério!
Tudo começa com o trabalho de pesquisa feito no jornal. A análise da quantidade de quartos, metragem, planta baixa, luminosidade etc.
Depois vem a fase da pesquisa no campo. O andar pelo bairro escolhido analisando todas as vantagens que o bairro em questão oferece. Proximidade de comércio, tranquilidade, silêncio, possibilidade de se comprar cigarros ou pilhas para os controles remotos às três da manhã em noites de insônia...
A seguir vem a fase de análise do apartamento em si.
Me fantasio de arquiteto-engenheiro-bombeiro hidáulico e passeio pelo apartamento vazio percebendo todos o aspectos físico dos ecos, puxo descargas, acendo/apago lâmpadas, piso fortes nos tacos para constatar se estão bem presos, abro/fecho janelas e termino com uma piadinha sem graça mas que não amarra nem desata uma possível negociação futura:
- Bom Doutor, o apartamento é bom mas o senhor sabe, né? Quem decide é a patroa!
Os dois damos risadinhas cúmplices e vou embora ainda vestindo meu cinturão de ferramentas invisível.

Arquivo do blog

Free counter and web stats