5.1.11

You Don't Know What Love Is

You don't know what love is
‘Til you’ve learned the meaning of the blues
Until you’ve loved a love you've had to lose
You don't know what love is
You don't know how lips hurt
Until you've kissed and had to pay the cost
Until you've flipped your heart and you have lost
You don't know what love is
Do you know how lost I've been
At the thought of reminiscing
And how lips that taste of tears
Lose their taste for kissing
You don't know how hearts burn
For love that cannot live yet never dies
Until you've faced each dawn with sleepless eyes
You don't know what love is
You don't know how hearts burn
For love that cannot live yet never dies
Until you've faced each dawn with sleepless eyes
You don't know what love is
What Love Is

28.12.10

Nosso tempo

O que somos nós senão o sol que brinca nas ondas, que bate nas pedras, que se desfaz e se assenta na praia, e é levada pelo vento? Pra onde fomos então? Onde estamos senão em nós? Se nos encontramos na mesma praia ou em algum outro lugar, mas ao mesmo tempo se o mundo, o universo, e os deuses perceberam quando nossos olhares se encontraram, então como fugir? Como se esconder? Se nos descobrimos e nos escondemos em nossos peitos, como separar a unidade? E ainda assim, como podemos evitar nos separar se o vento continua nos levando? Mas se nos (re)encontramos, então talvez o vento, a praia, as ondas e o sol assim o queiram. E assim será porque antes que vento, sol, mar e praia tenham querido assim quisemos nós

18.12.10

Minuano

Day comes slowly - absorbing the darknesses softly.
Night leaves gently - her beauty is spent, and she rises.
I step into the lightness - I hear you.
You're calling me out of my sadness.
Your flowering wonders are calling me home.

Darkness lingers - but always surrenders to loving.
Darkest midnight - is swallowed in oceans of laughter.
I follow into lightness - I hear you.
You're calling me out of my sadness.
Your flowering wonders are calling me home.

Dancing along a dawn that leads to you -
Singing a song that blossoms in a fugue as morning settles on
Dreaming into a sky of brilliant blue -
Noticing clouds are whispering that you will dance with me very soon

Already been as high as Kathmandu -
`Willing to go as far as Timbuktu
Nowhere's too far away - I may catch up with you today -
maybe today will finally be the day

Flying along a dawn that leads to you -
Singing a song that makes itself anew - a music magic wand
Reaching into a sky of brilliant blue -
eagles are calling out to say the you will dance me very soon

Already been as high as Kathmandu -
Willing to go as far a Timbuktu
Nowhere's too far away - I may catch up with you today -
maybe today we'll make our getaway!
Like light from the stars made ten thousand years ago - comes love, like a gift of sight
Growing stronger every moment on the way home
(Kurt Elling)

12.12.10

Acordormindo

O lento acordar se dissipa quando a casa se enche de música e o cheiro do café. Ainda dormindo você se mexe, muda de posição tentando permanecer no perene sono que te abraça, acolhe, serena. Saio do quarto e boto minha cara pra fora da janela onde os pássaros fazem a algazarra de sempre subindo, descendo, voando, brigando, mas ainda assim enfeitando a moldura do quadro que se pinta do lado de fora.
Saio pela rua flutuando no caminho que me leva até seus sonhos, corro até chegar a seus braços, me afogo no oceano dos seus carinhos, sonho seus sonhos, fico bêbado da sua risada. Mergulho, fujo, volto à tona, retorno, te vejo e mesmo longe, volto pra te encontrar.
Preguiçosa, você acorda ao som da música. Seus braços me apertam enquanto lavo a louça da nossa farra de ontem. Seu beijo no meu pescoço me arrepia, me viro, te abraço de volta. Ficamos ali abraçados na cozinha, dançamos sem sair do lugar ao som que nos preenche, nossos olhos se encontram, se cumprimentam e tristemente se despedem mesmo sabendo que o amanhã é nosso, que podemos tudo, que nos queremos, nos amamos.
Te acompanhar até seu carro sempre foi doloroso. De uma certa forma, é como se eu nunca mais fosse te ver. Seu aceno pela janela me corta o coração. Viro as costas e volto para onde a música me preenche de novo. Nosso lugar. Deito e sonho acordado com o dia em que não teremos mais que nos despedir, onde não há separação seja de corpos ou de almas, onde seremos quem somos, quem queremos ser, quem devemos ser.

26.11.10

Embala Eu

Embala eu, embala eu
Menininha do Gantois
Embala pra lá, embala pra cá
Menininha do Gantois

Oh, dá-me a sua benção
Menininha do Gantois
Livrai-me dos inimigos
Menininha do Gantois

Dá-me a sua proteção
Menininha do Gantois
Guiai os meus passos por onde eu caminhar
Vira os olhos grandes de cima de mim
Pras ondas do mar

9.11.10

O verdadeiro amor não traz consigo sofrimento, egoísmo, ciúmes ou orgulho. Amar é dar o melhor de si pela pessoa amada, sem necessidade de propriedade ou retribuições. Quem ama confia, respeita e perdoa.

Barbosa Filho

7.11.10

Pros erros há perdão, pros fracassos chance, pros amores impossíveis tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando, que sonhando; fazendo, que planejando; vivendo que esperando. Porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive, já morreu.

Veríssimo

1.11.10

Loucuras

De todas as pessoas que amam e cometem loucuras, eu cometo a loucura de respeitar a vontade de outro...

31.10.10

What if...

What if after all of my ego was destroyed... All that is left is love...?

15.10.10

Espumas ao Vento

Sei que ai dentro ainda mora um pedacinho de mim
Um grande amor não se acaba assim
Feito espumas ao vento

Não é coisa de momento, raiva passageira
Mania que dá e passa, feito brincadeira
O amor deixa marcas que não dá pra apagar

Sei que errei tô aqui pra te pedir perdão
Cabeça doida, coração na mão
Desejo pegando fogo

Sem saber direito a hora nem o que fazer
Eu não encontro uma palavra só para te dizer
Mas se eu fosse você eu voltava pra mim de novo

E de uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar

14.10.10

There's a Lull in My Life

Oh, there's a lull in my life
It's just a void, an empty space
When you are not in my embrace

Oh, there's a lull in my life
The moment that you go away
There is no night, there is no day

The clock stops ticking
The world stops turning
Everything stops
But that flame in my heart
That keeps burning, burning

Oh, there's a lull in my life
No matter how I may pretend
I know that you alone can end
The ache in my heart
The call of my arms
The lull in my life

The clock stops its ticking
The world stops its turning
Everything stops
But that flame in my heart
That keeps burning, burning

Oh, there's a lull in my life
No matter how I may pretend
I know that you alone can end
The ache in my heart
The call of my arms
The lull in my life

7.10.10

Ainda Mais

Foi como tudo na vida que o tempo desfaz
Quando menos se quer
Uma desilusão assim
Faz a gente perder a fé
E ninguém é feliz, viu
Se o amor não lhe quer
Mas enfim, como posso fingir
E pensar em você como um caso qualquer
Se entre nós tudo terminou
Eu ainda não sei mulher
E por mim não irei renunciar
Antes de ver o que eu não vi em seu olhar
Antes que a derradeira chama que ficou
Não queira mais queimar

Vai, que toda verdade de um amor
O tempo traz
Quem sabe um dia você volta para mim
E amando ainda mais

(Paulinho da Viola)

5.10.10

Respostas. Respostas?

Cada beijo de amor trocado vira luz ou flor? Ou ambos? Projetos de futuro viram passado? Às vezes estão tão presentes ainda que perduram num espaço para o qual não há tempo verbal. Seriam as lágrimas de saudade vertidas a umidade que rega a flor do beijo que foi antes trocado? O sexo que não foi feito seria aquela nuvem que cobre o luar que eu queria tanto ver? Esse vazio no peito seriam os planos feitos a dois não concretizados ou esses planos são apenas essa falta de vontade de ir a algum lugar? Como me achar nesta argamassa que fizemos dos nossos dois sentires? Onde me buscar se virei dois? Tudo que foi vivido mudou-se para uma ilha distante, inalcançável ou está dentro de mim e de você e só é visível juntando as nossas duas coordenadas? Se eu tivesse feito projetos eles seriam os mesmo que os seus ou será que os meus seriam formulados em uma língua estrangeira e ignata?

Cais

Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar

1.7.10

A Ilha

Pra onde vão os planos que você queria fazer? Pra onde vão os planos que nunca fizemos? E os planos que fizemos? Onde ficam? Onde ficam os nossos carinhos? Nossas noites, nosso toque, nosso sexo? Pra onde vão as coisas quando tudo se acaba? Onde é que se armazena as lágrimas que me salgam a boca, caem no chão ou se evaporam quando o dia vem raiando? Há uma sessão em que possa guardar? Onde fica a ilha imaginária onde escondemos nossas frustrações, nossas tristezas, nosso fim de mundo? Onde escondo minha incapacidade de te fazer feliz?
Falávamos de filhos, apartamentos. Nossas vidas, sua vida, minha vida. Onde foi que nos misturamos tanto a ponto de chegar onde chegamos?
Acho que qualquer relacionamento, no fundo, no fundo, acaba se relacionando a grana. Minha incapacidade de projetar, de fazer planos acabou por te afastar de mim. Eu sinto muito por isso. Queria ter sido uma pessoa em que você pudesse confiar a ponto de acreditar que o que eu estou passando é só uma fase.
Sei que você sente falta de tanta coisa em mim. Sei que você sente falta do meu calor, do meu carinho, da minha atenção, da minha risada e da forma que eu te fazia rir.
Um dia, quero nadar até essa tal ilha e revisitar tudo o que ainda está aqui em casa. Quero sentir seu cheiro de novo. Seu abraço, meus braços em você, nosso beijo.

10.6.10

13.9.09

A busca pela bem-aventurança

Eu gosto MESMO é dessas manhãs e tardes quando a casa se enche de sons e cores!
While working at the conformity factory, my love almost bled to death...

6.7.09

Mariana

De tudo o que sentia, o que mais chamava atenção era o quão diferente era de seus pais.
A mãe obsessiva. Quando limpava a casa, fazia de modo que a Virgem Maria pudesse descer dos céus e usar a latrina. No fundo, todo mundo é assim. Não teria problema se isso acontecesse uma vez por semana, mas isso acontecia todos os dias. Francamente, era demais.
Seu pai era da rigidez militar e tinha como lema “ordem e método”. Era ritualístico: chegava em casa do trabalho, se servia de uma dose de uísque e sentava para assistir o jornal. Como não fosse suficiente, era racista. Nos dias em que excedia sua uma dose, bradava aos quatro ventos:
- Esses alemães foram, são e sempre serão idiotas! Na tentativa de exterminar os judeus, fizeram um puta serviço de preto! - Daí pra baixo.
De tanta vergonha, a mãe munia-se de um pano e partia a limpar a cozinha. Resmungando como o Zé Buscapé de saias.
Do alto de seus dezenove anos e já acostumada com os teatros familiares, simplesmente flutuava pela vida. Amava o sol e adorava a chuva. Criava amores-perfeitos no parapeito da janela do quarto e conversava com eles a cada rega.
Escrevia poesias. Não era Drummond nem Pessoa, mas gostava do que escrevia. Adorava escrever ao som de Full On. Ela mesma percebia a contradição e o abismo entre as duas coisas, mas a final, ela era assim. E dizia:
- É uma coisa Ying-Yang, sabe? A dualidade do ser humano, uma coisa cósmica e tal...
Vivia na porta do Estação. Adorava ver as expressões das pessoas quando saiam de um filme e tentava adivinhar se o filme era bom, se ela gostaria, se recomendaria ao namorado.
Ah! Ela tinha um namorado. Ela era artista plástico. Morava num apartamento que ele comprara e transformara num loft que não tinha móveis. Mariana passava as tardes lá e adorava ver seu namorado pintar, esculpir. Gostava de ficar no meio daquela confusão de tintas, telas, argila e metais. Ela se sentia parte do processo criativo dele. Gostava de acreditar que ela era a musa, a grande inspiração divina, a epifania. Curiosa e inesperadamente como tudo na vida dela, o namoro acabou. Caminhando pelo Jardim Botânico, ela se deparou com um sujeito que estava sentado num bar. Ela escutava bossa-nova no mp3, mas ele não olhou de volta. A luz de seus olhos só se encontrariam mais tarde. Ele escrevia. Rabiscava mais que escrevia. As palavras vinham como que de outro mundo e ela se encantou. Atravessou a rua e sentou na mesa ao lado dele. Ele, meio concentrado, meio encantado, fingiu não ter visto. Bebericava o chopp e beliscava o cigarro meio fumado pelo vento. E rabiscava num pedaço de papel coisas sobre o espaço e o tempo. O perder, o encontrar, o querer.
Sem saber por que, ele levantou os olhos do papel e encontrou os olhos de Mariana. Ela sorria como ele nunca tinha visto. “Across the Universe”, ele pensou.
- O que você tá escrevendo?
- Não sei. Mas tenho certeza que é pra você!
Depois de um tempo, Mariana na casa de seus pais. Chamou os dois na sala e disse com seu jeitinho calmo:
- Vim aqui pegar minhas coisas. Vou me mudar. Não quero que vocês fiquem chateados comigo. Na verdade, acho que nunca pertenci, nunca fiz parte. – Subiu as escadas, fez sua mala, pegou seus amores-perfeitos e se foi.
No dia seguinte, a mãe de Mariana fez o mesmo. Sumiu no mundo com uma mala contendo uma muda de roupas, uma escova de dentes e uma foto de sua filha. Quando o primeiro inverno depois de todos esses acontecimentos chegou, o pai de Mariana, tão desbaratinado, pegou o revólver na gaveta achando que era a bombinha pra asma. Da mãe, nunca mais se ouviu falar. Dizem por aí que comprou uma moto e viaja mundo a fora com outros motoqueiros. Outros dizem que casou com uma defensora dos direitos das mulheres.
Mariana e o escritor moram juntos e têm um filho. Os dois compraram uma casa e a cercaram de amores-perfeitos. Viajam uma vez por ano pra Europa, bebem vinho, escutam música, escrevem, fazem amor...

2.7.09

A César o que é de César

Bom... Com a grana das minhas féria eu acabei por comprar um IPod. Shuffle, mas IPod.
Uma das minhas grandes diversões depois de comprar esse brinquedinho é selecionar as músicas que eu vou escutar sabe-se lá em que ordem, sabe-se lá indo pra onde (ou vindo de onde), sabe-se lá fazendo o que.
Acabou que, sem querer, coloquei uma música no Tamagoshi-IPod que eu não escutava há séculos. E o bacana nem foi isso... Foi lembrar de quem me ensinou a gostar desse som. E, pensando nisso, a verdade é que essa pessoa acabou por me ensinar tanta coisa mais que isso...
Me ensinou carinho, mais ainda do que eu já conhecia. Me ensinou que vida a dois é uma coisa super legal. Que mesmo não sendo um cachorro, se pode abanar o rabo quando a pessoa que você ama chega em casa! Hahahahaha! Isso era o máximo!
Saudade de você, pessoa!

Ah! e a música é essa

8.6.09

Penso

Ando pelas ruas debilmente iluminadas pelos parcos postes e penso. Logo, Existo?
Penso. Logo, sou!
Porque o ato de pensar é muito mais pessoal do que simplesmente existir.

28.5.09

Bate papo

Tava de papo com uma amiga no msn e ela me pergunta se tá tudo bem. Respondo que tô num clima "fim de férias". Daí ela me aconselha: "Cuidado com a deprê!". Apuro o ouvido e tá chovendo.
Cuidado com o que mesmo?
Mas tá maneiro...

8.5.09

Where...

Where have I loved you before? If only now we seem so close?
I know I’ve seen you... The other day... In a dream
When have we been so in Love with each other?
Did you forget me? ‘Cause I have...
Have you met someone else? Have you loved someone else?
Do you want to go for coffee?
See ya! Love ya!
Bye...

2.4.09

Deixa eu te falar...

Deixa eu te dizer uma coisa. Deixa eu te falar sobre as minhas fraquezas. Deixa eu te contar das coisas que me deixam super feliz.
Você quer ouvir? Você chora quando vê um filme? Você chora quando escuta um pedacinho tão lindo de uma música?
Essas coisas são pedacinhos do céu, de uma coisa muito maior que a gente e que chegam aqui com a única finalidade de fazer a gente pensar, chorar, pensar.
Daí que a gente se rasga, sofre, chora e faz pensar que tem toda uma coisa ali na frente da gente.
O que á lá na frente, a gente nem conhece, mas a gente molda. O que ficou pra trás, a gente usa como aprendizado.
Agora, a gente curte, aproveita, enjoy, abre os braços, mete os peitos.
Eu, encho minha taça, acendo um cigarro e aproveito.

21.3.09

Beatnik

And why is that? Why do I feel so ashamed when I think of any of you?
Why do I think of flowers? Why do the flowers silently sream?
É como se houvesse uma razão. E na verdade meus farrapos são só oque restam quando penso na sua metade.
Na metade que me completa, na metade que você completa. Mas quem É você? Você é?
Você grita como as flores amarelas ou as margaridas grtiam junto em silenciosa harmonia?
Você grita como as flores amarelas ou as margaridas grtiam junto em silenciosa harmonia?

10.3.09

Lento Acordar

Ali, deitado na relva, acariciado pelo toque do sol que cega e aquece, que ilumina e queima. Sentia e dava boas vindas às cores, ao calor, ao toque da grama em suas costas, em suas pernas. A cena bucólica era como um prelúdio. Já não escutava nada ao seu redor o mundo estava ali aos seus pés. Levou as mãos ao rosto e se permitiu sentir-se vivo, quente. Sorriu levemente. Esticou os braços, espreguiçou-se, rolou.
O acordar já não lhe pareceu tão pesaroso. A gata, enroscada entre suas pernas percebeu o movimento e o saudou com um miado preguiçoso, rouco de sono. Esticou o braço e sentiu a cama vazia do outro lado
- Talvez seja hora...

22.2.09

A gente

Quando foi que a gente se distanciou tanto? Por quê? Eu gosto tanto de você! Quero tanto te abraçar, sentir esse calor que você faz tanta questão de esconder atrás dessa frieza calculista, impessoal.
Meu carinho, meu abraço é de graça.
A gente tem a mesma necessidade: a gente ficou tão distante que a gente se esbarra e faz tanta pergunta idiota só pra sentir um pequeno contato com o outro. A gente precisa de contato físico, emocional... E a gente só faz viver dentro da gente.
E se a gente tentasse viver junto?
Vai que dá certo...

22.8.08

Da falta que os amigos fazem

E se um dia tudo mudasse? E se um dia voltasse a ter o assento como companhia e testemunha do que escrevia. E se um dia voltasse a ter o sentimento à flor da pele? Como seriam as coisas? Seria ele como é hoje? Seria uma pessoa melhor? Pior? Igual?
Havia muito tempo não se questionava essas coisas até que um dia, o céu se fez azul novamente. As cores tinham mais brilho, eram mais intensas, tinha voltado para seus amigos.
Tinha ficado mais velho, sim. Se sentia mais velho, seu cabelo ficara mais ralo, mais cinza. Em outros momentos se sentia só, em outros se perguntava qual o sentido disso tudo. Da vida, do ser, do estar, do ir, do vir.
Um belo dia, uma grande amiga disse que sentia saudade da pessoa que ele fora antes de se tornar aquela pessoa cinza e mecanizada.
- Onde foi parar aquele Marcito que eu conheci? Aquele que escrevia com tanta leveza, que era tão otimista?
Foi naquele momento que ele se deu conta de que ele sentia falta de si mesmo.

14.8.08

Rélou, pípou!

Triste como um tango, seus passos ecoavam na rua deserta e ele cambaleava procurando um último bar, uma última alma. As lágrimas escorriam pelo seu rosto, mas ele já nem sentia mais entorpecido que estava pelas agruras da vida que sempre insistia em esbarrar seus ombros cansados.

As últimas luzes da noite iam se apagando. Uma após a outra como se um teatro se fechasse após a saída dos últimos espectadores. Com as mãos enfiadas nos bolsos do longo sobretudo, parou sob um poste e, olhando a fria luz que desenhava um perfeito círculo sobre si, recostou-se nesse poste e seus joelho cederam sob o peso do vinho.

Ali, sentado, admirava os belos círculos concêntricos da fria luz de inverno. Já não perseguia mais seus fantasmas. Na verdade, seus fantasmas o fitavam de longe, com pena. Já não habitavam seu armário, já não o assombravam. Tinham finalmente cedido à tentação de vê-lo sucumbir.

Ali, caído, sentia-se ser observado e percebia que comentavam a seu respeito, mas não tinha mais forças para contestar. Foi ali que percebeu. Levantou-se sem esforço. Caminhava levemente. Virou-se para ver o lugar onde antes estivera sentado, inerte e sorriu. Sentia-se forte de novo. Cumprimentou seus fantasmas que não acreditavam no que viam.

Mais uma vez, lá ia ele, os ombros aprumados, o olhar reto, o passo firme. Ali perto, embarcou no ônibus que passava na ladeira que o levava para casa.

Descendo a ladeira, pôde ver o horizonte que clareava e ali, soube que nada tinha acabado. Estava apensa começando...

21.7.08

Balada Para Un Loco

Las tardecitas de Buenos Aires tiene ese que se yo, viste?
Salgo de casa por Arenales, lo de siempre en la calle y en mi,
cuando de repente, detras de ese arbol, se aparece el,
mezcla rara de penultimo linyera y de primer polizonte
en el viaje a Venus. Medio melon en la cabeza,
las rayas de la camisa pintadas en la piel,
dos medias suelas clavadas en los pies
y una banderita de taxi libre levantada en cada mano...
Parece que solo yo lo veo, porque el pasa entre la gente
y los maniquies le guiñan, los semaforos le dan tres luces celestes
y las naranjas del frutero de la esquina le tiran azahares,
y asi medio bailando, y medio volando,
se saca el melon, me saluda, me regala una banderita
y me dice:

Ya se que estoy piantao, piantao, piantao,
no ves que va la luna rodando por Callao
y un corso de astronautas y niños con un vals
me baila alrededor...
Baila, veni, vola...

Ya se que estoy piantao, piantao, piantao,
yo miro a Buenos Aires del nido de un gorrion;
y a vos te vi tan triste; veni, vola, senti el loco berretin
que tengo para vos.

Loco, loco, loco, cuando anochezca en tu porteña soledad,
por la ribera de tu sabana vendre con un poema
y un trombon a desvelarte el corazón.

Loco, loco, loco, como un acrobata demente saltare
sobre el abismo de tu escote hasta sentir
que enloqueci tu corazón de libertad, ya vas a ver.

Y asi el loco me convida a andar
en su ilusión super-sport,
y vamos a correr por las cornisas
con una golondrina en el motor.
De Vieytes nos aplauden. Viva, viva...
los locos que inventaron el amor;
y un angel y un soldado y una niña
nos dan un valsecito bailador.
Nos sale a saludar la gente linda
y el loco, loco mio, que se yo,
provoca campanarios con su risa
y al fin, me mira y canta a media voz:

Quereme asi, piantao, piantao, piantao...
trepate a esta ternura de locos que hay en mi,
ponete esta peluca de alondras y vola, vola conmigo ya:
veni, vola, veni...

Quereme asi piantao, piantao, piantao,
abrite los amores que vamos a intentar la magica locura
total de revivir, veni, vola, veni, tra...lala...lara...


Procurem Amelita Baltar nos seus programas de download. Ela é esposa do Astor Piazzola.
Essa é umas das músicas mais bonitas do mundo! Caso não encontrem, me passa um mail que a gente resolve a falha grave de você nunca ter escutado essa música! Afinal, somos todos loucos!

30.4.08

Dois Dias em Abril

Cabo-Frio, 18/04/2008

Eu não olhava para ele. Ou tentava não olhar, mas sob os óculos escuros, uma espiada sempre me escapava. Pior era vê-lo ali escrevendo, lendo, fumando um cigarro ou bebendo uma cerveja. Vê-lo ali e não poder falar com ele.
Não posso dizer que me incomoda muito o fato de ele nem me dizer "bom dia!" como ele dizia antes. Afinal, eu também não não me dirigia a ele. Só com o olhar eu tentava me comunicar, quando tinha certeza de que ninguém mais estava vendo. Será que ele percebe? Aposto que sim! Principalmente quando nossos olhares se encontram por alguns mínimos segundos. Agora sei que ele também me percebe.
Beleza não é o forte dele. Não à primeira vista. Muito mais charmoso, ele sabe fazer uso disso e acaba se tornando mais bonito, seu olhar fica mais penetrante, ele fica mais confiante. Os olhos de uma cor que não se pode prever. Quase sempre verdes, mas muito azuis de outras. Me olhando, me descobrindo, me revelando segredos. Fico sem graça e passo a mão nos cabelos tentando desviar meu olhar. Acabo olhando aqueles olhos infinitos de novo e fico tímida como uma adolescente.
Naquela sexta-feira regada a sol, cerveja e boa conversa, já no fim do dia quando ele sabia que eu já me entregara, ele simplesmente se levantou, deu dois passos na minha direção, segurou meu queixo com a leveza e a firmeza que eu esperava e me beijou sem pressa, degustando. Um beijo doce, profundo.
Beijo molhado, nu, suado e com Pedrinha de Aruanda, ê! Me sentia protegida e olhando em seus olhos, contei as coisas da minha vida, meus impedimentos, meus medos. Ele compreendeu, disse que estava tudo bem ao pé do meu ouvido. Arrepio. Caminhada até minha casa, mais daquele beijo.
O dia seguinte ia correndo e eu queria ficar mais perto, beijar, mas não posso! A noite chegou. Passeio na beira do mar, barzinho, Divas in Las Vegas no DVD, minhas mãos nas mãos dele, sopa no restaurante japonês, dança desajeitada ao som de uma música linda e desconhecida, risos, cumplicidade. Promessas.
Não cumpri com o nosso combinado e espero que ele entenda. Não vou voltar pra ele. Melhor partir para onde vim. Marcamos nossos corpos e me vou. Até...

19.3.08

Diário da Obra - Dia 2




Se um apartamento é medido pela quantidade de paredes que ele tem, a cada dia que passa eu tenho menos apartamento...
Detalhe: o cara foi tirar a privada do banheirinho (que vai virar um banheiro social) e eu constatei que todas as baratas do Rio de Janeiro moram ali. Me peguei pensando no comprimento total do cano e quantas baratas poderiam caber ali. Tomei um dormonid e dormi no meio das marretadas. Triste vida.

18.3.08

Diaário de uma Obra - Dia 1






Começou o inferno.
Sete da manhã os caras chegaram e se puseram a quebrar tudo!
No final do dia eu tinha menos uma parede e meia e uma vontade de pegar a Tita e me mudar pra casa de mamãe.

9.3.08

Destiny



I lie awake
I’ve gone to ground
I’m watching porn
In my hotel dressing gown
Now I dream of you
But I still believe
There’s only enough for one in this
Lonely hotel suite

The journey’s long
And it feels so bad
I’m thinking back to the last day we had.
Old moon fades into the new
Soon I know I’ll be back with you
I’m nearly with you
I’m nearly with you

When I’m weak I draw strength from you
And when you’re lost I know how to change your mood
And when I’m down you breathe life over me
Even though we’re miles apart we are each other’s destiny

On a clear day
I’ll fly home to you
I’m bending time getting back to you
Old moon fades into the new
Soon I know I’ll be back with you
I’m nearly with you
I’m nearly with you

When I’m weak I draw strength from you
And when you’re lost I know how to change your mood
And when I’m down you breathe life over me
Even though we’re miles apart we are each other’s destiny

When I’m weak I draw strength from you
And when you’re lost I know how to change your mood
And when I’m down you breathe life over me
Even though we’re miles apart we are each other’s destiny

I’ll fly, I’ll fly home
I’ll fly home and I’ll fly home

21.2.08

Das coisas estranhas que trazem as pessoas aqui (e as devidas considerações cretinas)

Entraram no Google procurando alguma coisa estranha e acabaram aqui...

"Sou todo coração" - Cara, eu trabalho numa clínica. Quem sabem a gente não arruma uns transplantes baratinhos...?

"Descobrir que ainda te amo" - Pai Marcito de Ogum trás a pessoa amada em um dia e meio!

"Descobri que..." - Descobri o descobri

"Anjos saen en fotos" - Claro! E a ala psiquiátrica fica logo ali!

"achei que não o amava mais, as descobri que o amo" - De novo?

"ABREVIAÇAO DE PRESIDENTE" - FDP

"filme tem cancer e se apaixona que também tem cancer" - Como assim? Filme tem câncer? Filme se apaixona? Ainda mais por outro filme que TAMBÉM TE CÂNCER? ZÉ! PÁRA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!

"tampou com o dedo" - E explodiu quando peidou

10.2.08

Música da semana



Spent my days with a woman unkind,
Smoked my stuff and drank all my wine.
Made up my mind to make a new start,
Going To California with an aching in my heart.
Someone told me there's a girl out there
With love in her eyes and flowers in her hair.
Took my chances on a big jet plane,
Never let them tell you that they'all are the same.
The sea was red and the sky was grey,
I wondered how tomorrow could ever follow today.
The mountains and the canyons started to tremble and shake
As the children of the sun began to awake.

Seems that the wrath of the Gods
Got a punch on the nose and it started to flow;
I think I might be sinking.
Throw me a line if I reach it in time
I'll meet you up there where the path
Runs straight and high.

To find a queen without a king,
They say she plays guitar and cries and sings... la la la la
Ride a white mare in the footsteps of dawn
Tryin' to find a woman who's never, never, never been born.
Standing on a hill in my mountain of dreams,
Telling myself it's not as hard, hard, hard as it seems

30.1.08

Carnaval na Lapa

Pleno carnaval. Estava eu parado do lado de fora do boteco, assistindo ao hipnotizante rebolado de uma morena estonteante. Assisto. Assisto. Assisto. Eis que sinto uma pesada mão em meu ombro. Naquele momento o mundo girou com violência. Ou isso ou fui girado até dar de encontro um afro-brasileiro do tamanho de... De... Nem sei. Me faltam adjetivos! O cara, com a cara a menos de um palmo da minha, falava um monte de coisas, mas eu perdi completamente a concentração ao ver o movimento dos lábios do negão. Não eram lábios, eram beiços! Beiças! No feminino mesmo! Ok. Sejamos sinceros: ninguém pode se concentrar no que alguém diz quando ameaçadores beiços cheirando a cachaça estão tão perto da sua cara.
Num pentelhésimo de lucidez, percebi que o camarada estava ficando muito puto nas calças e que minha integridade física corria sério risco. Consegui entender o que ele dizia:
- Que papo é esse de ficar olhando pra minha mulher, rapá?
Usando de toda a malandragem aprendida em 33 anos de vida no Rio de janeiro, disparei:
- Ô, rapaz... Mil perdões. Eu não sabia que ela era sua mulher. Peloamordedeus perdoe minha ignorância e completa falta de discrição.
- É o que?
- Eu disse que não queria passar por um completo palhaço, bêbado que fica olhando pra mulher dos outros. Foi mal mesmo, bicho! Pra te provar que eu não estava de má fé, má vontade ou qualquer outra coisa que seja má, deixa eu te pagar uma gelada. CHICO! Traz uma cerveja cu-de-foca pro nosso caríssimo amigo aqui.
- Não sô teu amigo, palhaço!
- CHICO! Traz uma cerveja gelada como o grande caralho de asas pro nosso nobre colega!
- Também não sou seu colega, otário!
- CHICO! PELA FÉ NO SANTO SEPÚLCRO, TRAZ UMA CERVEJA PRO NOSSO ILUSTRE DESCONHECIDO!
Pouco depois, copos cheios e ânimos apaziguados, com a desculpa de tirar água do joelho, passei no balcão, paguei minha conta e saí sorrateiramente. Seguia o caminho pra casa muito concentrado até que fui desconcentrado pelo rebolar de uma loirinha linda com uma saia microscópica...

29.1.08

Fui!

- E aí, menina?
- Oi! Como vc tá?
- Jóia! E vc? Beleza?
- De boa!
- Me separei... Acho que pra valer... E carnaval? Vai viajar?
- Nem. Vou ficar por aqui e piranhar. Tô na pista pra negócio! Hahahahaha!
- É... Acho que é a boa...
- Vamos cair no Carmelitas!
- Onde é?
- Aqui em Santa!
- Vem me buscar? Hehehe
- Nem se eu tivesse carro
- Quando eu comprar meu carrinho, vou te visitar
- Precisa de carro? Vivi minha vida inteira sem e tô de boa. Enquanto existir táxi e ônibus...
- Quando é que vc vem visitar a gente?
- Nem sei... Quando é que vcs vem me visitar?
- Pô, vc é que tem que vir aqui
- ..........
- .........
- Quer saber de uma? Eu passei a porra da minha vida inteira indo visitar, sacou? Eu tô bem de saco cheio de ficar visitando gente que não tem um puto de um interesse em me visitar. Cansei dessa merda! Porra! To aqui morando sozinho e sabe quando foi que alguém ligou ou escreveu perguntando se eu tô legal ou se tô precisando de alguma coisa nem que seja uma palavra de conforto ou cinco pratas? Nunca! Vou te mandar a real: eu baixei ao zero minhas expectativas com relação a vcs! Entendeu? Funciona assim: se eu não espero nada, não me decepciono! Então eu não espero porra nenhuma de vcs! Nem uma palavra de conforto, nem cinco pratas, nem nada! E quer saber mais? Vivi mais de metade da minha vida sem picas de vcs! Te juro que morro antes de precisar de alguma coisa! “Quando eu comprar meu carrinho”? Quero que se fodam vc, seu carro e quem mais estiver envolvido! Junta todo mundo em frente ao computador que eu quero falar uma vez só: vão se foder! Me esqueçam! Pronto! Falei!

23.1.08

Homenagem

Mãe de Deus das Candeias

Ó Mãe de Deus das candeias
Aceita essa romaria
Que os romeiros são de longe
Não podem vir todo dia
A vossa água é tão santa
Que a nossa vida clareia
E lava todas as culpas,
Ó Mãe de deus das candeias
Mãe de deus das candeias
Senhora de tanta luz
Quem vai doente, vem são
Quem vai cego, vem com luz
És Maria, nossa alegria
Estrela do mar que nos alumia
Estrela do mar, luz guia
Estrela do mar, luzia
Estrela do mar, luz guia
Estrela do mar, luzia

Todas as vezes que eu escuto essa música, me lembro da minha maínha! Coisa assim de saudade de boa que dá. Coisa de filho que ama muito minha maínha!

16.1.08

A little poetry

Her Praise

She is foremost of those that I would hear praised.
I have gone about the house, gone up and down
As a man does who has published a new book,
Or a young girl dressed out in her new gown,
And though I have turned the talk by hook or crook
Until her praise should be the uppermost theme,
A woman spoke of some new tale she had read,
A man confusedly in a half dream
As though some other name ran in his head.
She is foremost of those that I would hear praised.
I will talk no more of books or the long war
But walk by the dry thorn until I have found
Some beggar sheltering from the wind, and there
Manage the talk until her name come round.
If there be rags enough he will know her name
And be well pleased remembering it, for in the old days,
Though she had young men's praise and old men's blame,
Among the poor both old and young gave her praise.

William Butler Yeats

8.1.08

Dia Branco

Branca era a cor daquela manhã. O sol era branco. Despiu-se dos brancos lençóis e, sentado na beirada da cama, calçou os brancos chinelos. Arrastando-se até o banheiro de brancos azulejos, contemplava as brancas paredes enquanto a branca gata roçava suas pernas tão, tão brancas. Olhou-se no espelho e deparou-se com um homem branco cuja barba, assim como o cabelo, já ficava branca.
Abriu a torneira e a branca água caía quente sobre o branco corpo do branco homem que colocou um pouco do branco shampoo na mão em concha e espalhou sobre a branca cabeça. Esfregou o branco sabonete sobre o corpo e ficou assistindo a branca espuma escoar pelo branco ralo.
Depois de enxugar-se na branca toalha, foi até o quarto onde a branca camisa pendurada no branco cabide o aguardava. Como sempre, vestiu a branca camisa, calçou as negras meias e vestiu a desbotada calça jeans.
Já metade fora de casa, uma rajada de vento trouxe uma fita toda colorida que caiu no meio da sala. A branca gata se aproximava lentamente, com medo, receio. O que seria aquilo? Vencendo o medo, ela, a branca gata, foi chegando perto da colorida fita e cheirando a fita, a gata se coloriu.
E a colorida gata olhou para o branco homem e miou olhando do branco homem para a branca janela. Não se sabe por que, mas o branco homem entendeu a mensagem e correu na direção da janela. E a abriu.
Naquele momento, os brancos móveis tomaram cor de madeira, a colcha que ficava sobre o sofá se tornou colorida com a cor da Índia, as plantas se tornaram verdes como nunca se havia visto, a gata se tornara colorida em tons de negro, branco e caramelo. Os verdes olhos dela fitaram o ainda branco homem e ele correu até o escritório abrindo as janelas num rompante. Aquela luz multicolorida entrava em casa deflorando a brancura, estuprando o cinza, afastando o ordinário.
O branco homem correu até o quarto para abrir as janelas, mas antes disso arrancou a roupa branca, negra e desbotada. Nu, foi até a janela e abriu ali as portas para todas as cores. Viu seu branco corpo se tornar bronzeado e, com os braços abertos, respirou fundo. Sentiu as cores e a vida invadindo seu corpo e sua alma. A colorida gata deitou-se do seu lado e pediu carinho. Com os olhos bem abertos o colorido homem via e escutava os pássaros logo ali do lado de fora da sua janela.
Quando o telefone tocou, ele não estranhou e caminhou até a sala. O telefone que antes fora negro, brilhava em tons dourados. A voz tão familiar e tranqüila do outro lado disse: Marcito, seu cretino!! Vamos pra Maromba?

6.1.08

A Espera

Fui trabalhar no dia seguinte com a sensação de que tinha feito tudo, tudo certinho. Tinha te tocado do jeito certo, tinha de beijado como você gosta, tinha dito palavras doces. O dia se arrastava e eu esperava que você me ligasse de volta ou respondesse minha mensagem, mas a espera foi em vão.
Não sabia muito bem o que esperar de um outro dia. Não sei se realmente queria que você aparecesse. Não sei se tenho andado muito solitário e vulnerável. Na verdade, esperava que você fosse transparente como fui exigido. Talvez eu esperasse que alguma coisa fosse dita nem que fosse “sai da minha vida”.
Deitado na minha cama, me dividia entre olhar para a televisão e assistir a chuva que caia lá fora. Minha cabeça se perdia em meio a pensamentos diversos de ontem, hoje e amanhã. Abracei um dos mil travesseiros que me rodeavam e um pensamento me atingiu como uma flecha fazendo com que os outros voassem: tenho estado sozinho. Mas não há tristeza em minha solidão. Muito pelo contrário.
Sentado na beirada da cama, meus pés tocam o chão frio. Acendo um cigarro e espero.

12.12.07

Agora

Coisa de doido...
Tem horas que me sinto só. Muito só. Ao mesmo tempo me sinto ótimo estando sozinho. Sou eu que faço minhas coisas, ajeito a máquina de lavar roupa, lavo a louça (coisa que detesto), varro a casa, lavo roupa, passo roupa (outra coisa que detesto).
Tem horas que escuto uma música bonita, vejo um filme bacana e quero ter alguém do lado pra poder fazer comentários, mas essa vontade passa rápido.
Tem horas que me preocupo com isso achando que vou morrer solteiro ou qualquer coisa assim, mas essa é outra preocupação que passa. E passa rápido.
Minha vida, meus amigos, minha casa, minha gata... Essas são as coisas importantes. Talvez eu tenha encontrado as minhas coisas, meu amadurecimento, minha vida. Como disse uma grande amiga: eu saí da vida das pessoas que amo e as chamei de volta agora. E as pessoas que eu amo responderam, voltaram, estão do meu lado! O que pode ser melhor que isso?

10.12.07

Comments

Já tem um tempão que o enetation (www.enetation.co.uk) saiu do ar. Todo esse tempo e muitos mails depois, não acredito que o serviço volte. O que é uma merda gigantesca. Tinha muita coisa bacana ali. Muita coisa que eu tinha muito carinho. Mas serviço de graça é assim mesmo. Tanto em .co.uk como em .com.br...

28.11.07

A festa

Os dias se passaram e a ressaca também. O mais importante de tudo que aconteceu foi o que ficou. As pessoas, o clima de completa confraternização, as risadas. Tudo isso ficou entranhado nas paredes da casa nova. A felicidade é feita de coisas pequenas como reunir as pessoas que se ama num mesmo lugar e curtir um ao outro.
É muito bom estar de volta ao círculo de amizades que foi criado ao meu redor. É bom saber que tenho um porto seguro mesmo estando afastado por um longo e tenebroso inverno. Essa reunião foi como voltar pra casa. Mais que isso, foi como voltar pra casa e encontrar todos de braços abertos.

4.11.07

Mandamentos Para Se Viver Só

1 - Mantenha a casa em ordem. Ninguém pode viver num chiqueiro.
2 – Mantenha a casa limpa. Poucas coisas são melhores que cheiro de casa limpa por você mesmo.
3 – Tenha incensos, essências, coisas que façam sua casa ter um cheiro agradável caso você não tenha tempo ou esteja muito cansado para uma limpeza séria.
4 – Tenha plantas. Muitas plantas. Plantas bonitas e cheirosas.
5 – Cuide das suas plantas. Regue e sempre regue escutando música. Elas adoram e respondem a isso.
6 – Não tenha medo de gastar. Afinal, é a sua casa!
7 – Tenha filmes. Nem sempre o cara que faz a programação da TV tem o seu gosto.
8 – Dê atenção ao seu gato (caso você tenha um. Isso é muito importante se você não quer sua casa cheirando a xixi de gato!).
9 – (Muito importante) Faça da sua casa o seu retiro. Espiritual ou não. Sinta-se bem em casa. Goste de estar em casa.
10 – Faça sua própria comida mesmo que o dia tenha sido desgastante, cansativo e tal.
11 – Dance sozinho mesmo que você ache que tem alguém olhando. Você já é ridículo sem dançar...
12 – Cultive o hábito da leitura. Se você não tem TV a cabo, você vai precisar!
13 – Se você fuma, mantenha seus cinzeiros limpos como se a Virgem Maria pudesse apagar os cigarros dela ali.

24.8.07

Nova vida, vida nova!





Queria dizer umas palavras de Caetano:

Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E a mãe do seu irmão
Minha mãe e eu
Meus irmãos e eu
E os pais da sua mãe
E a irmã da sua mãe
Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a morte e tem o amor
E tem o mote e tem a glosa
Eu digo que ela é gostosa
Eu digo que ela é gostosa
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E o irmão da sua mãe

Funciona pra mim como se fosse meu anjo-da-guarda dizendo isso pra mim já que não tenho irmãos, tios ou qualquer familiar além de mamãe e meu padastro me dizendo essas coisas.
Minha vida vai mudar radicalmente sim. Fico eu aqui, morrendo de medo, ansiedade, pânico, sofrimento. Mas é difícil não dar certo com tanta gente boa torcendo a favor.

N.A: Fui fazer minha despedida oficial dos jogos de tênis hoje (vou morar em Santa Teresa e conheço minha preguiça. Sei que não vou ao Jardim Botânico jogar) e eis que a figurinha ali de cima me aparece na quadra fazendo a maior das bagunças com a rede a as bolinhas de tênis. Fiquei me perguntando: o que será que significa um gato aparecer na sua despedida?

22.4.07

Yours

You, with your hand outstretched
Finger on the key
This lock that you release
Is opening but isn't free
And I hope that you can see
How it beats inside of me
Instead of pushing fear aside
I want to run I want to hide
I am vulnerably yours

She, who is wanting me
Whose touch can make me cry
I can only understand
By never asking her why
Hear the contradictions fly
And as hard as I may try
Every truth becomes a lie
In the ache of her reply
I am passionately.....

Yours
And the saddest eyes are
Yours
And the softest skin is
Yours
And the hope I borrow is
Yours
So won't you let me in I'm yours
All that I begin is yours
Every prize I win is yours
At your feet again I'm yours
All I am is yours

All I am is wanting you
I've fallen down and I can't seem to come to
If I should die before I wake
I commend my soul into this ache
Up above the world so high
Where the water tends to meet the sky
She's all I'm after by the toe
And I won't let go....

And I wanted you to know
That if you reap what you would sew
I would take it blow by blow
All I am is....

Yours
And the saddest eyes are
Yours
And the softest skin is
Yours
And the hope I borrow is
Yours
So won't you let me in I'm yours
All that I begin is yours
Every prize I win is yours
At your feet again I'm yours
All I am is yours
Yours

21.4.07

Ainda te quero, ainda te amo

E mais uma vez me deparo contigo, folha em branco.
O que era tão fácil agora me parece tão difícil. Mesmo agora que sei e reconheço estar só. Escolha, eu sei.
Talvez seja a noite que trás os fantasmas que rondam minha cama. Talvez os fantasmas me rondem o tempo todo e eu só perceba sua presença quando é noite.
Eu deveria te procurar, mas tenho muito medo da sua rejeição. Não creio que você vá me receber de braços abertos depois do que fiz. Talvez eu tenha tanto medo da sua rejeição que não me arrisque a saber se você ainda me quer ou não. Talvez eu carregue para sempre o benefício (?) da dúvida. Ou quem sabe eu te ligue numa dessas noites? Só pra escutar sua voz. Como eu fiz outro dia e você não sabe e nem percebeu.
Acho que o que me faz não te procurar é a vergonha. Vergonha de ter feito o que eu fiz.
Como explicar o inexplicável? Como dizer de forma compreensível que, olhando para trás, eu me achava possuído por um espírito ruim ou qualquer coisa assim? A não ser que você acredite que aquele fosse eu. Se sim, não há mais esperanças. Esperanças que eu fiz questão de matar friamente.
Me pego pensando em você e achando que pensando com muita força, o telefone vai tocar e vou ouvir a suavidade da sua voz dizendo que me ama.
De qualquer modo, quero que você saiba que sua motivação me fez uma pessoa melhor. Sou conhecido no meu ambiente de trabalho e as pessoas gostam de mim porque você me fez ver quem eu sou.
Acho, francamente, que você nunca voltaria pra mim pelo simples fato de eu ter tido outra mulher. Acho que isso seria um entrave na nossa vida.
Acho que ainda não te procurei porque acho muita coisa.
A verdade é a seguinte: achei que pudesse te esquecer nos braços de outra mulher, mas isso não é verdade e nunca foi. Achei que já tinha te esquecido. Achei que não te amava mais. E no meio de todos os meus “achismos”, descobri que ainda te amo. E descobri que a gente não deu certo por causa dos meus medos. Sempre tive muito medo de te perder. Tenho medo de ser quem eu posso ser.
Te liguei e uma outra pessoa atendeu. Não sei se não sei seu número ou se você mudou. Toda a coragem que eu tinha juntado foi em vão. Que meus sentimentos fiquem registrados. Quem sabe você ainda Lê o que eu escrevo...

18.4.07

Sempre

Sempre
Eu te contemplava sempre
Feito um gato aos pés da dona
Mesmo em sonho estive atento
Para poder lembrar-te sempre
Como olhando o firmamento
Vejo estrelas que já foram
Noite afora para sempre

O teu corpo em movimento
Os teus lábios em flagrante
O teu riso,o teu silêncio
Serão meus ainda e sempre

Dura a vida alguns instantes
Porém mais do que bastantes
Quando cada instante é sempre

(Chico Buarque, sempre ele)

5.4.07

Escrever é Negar Sentimentos

Uma vez um poeta disse: "escrever é negar sentimentos".

Chegou em casa naquela noite se sentindo diferente, estranho, esquisito. Tirou o paletó como fazia sempre, fumou um cigarro como sempre, mas as coisas lhe pareciam diferentes, estranhas, esquisitas.
Não tinha fome, não tinha sede, nada. Andava nu pela casa o que lhe pareceu ainda mais diferente, estranho, esquisito. Não era hábito seu. Colocou uma música, mas o som lhe parecia uma cacofonia e resolveu tirar. Nu e no silêncio da casa, caminhou até o quarto, sentou na beirada da cama com a cabeça apoiada nas mãos, os cotovelos apoiados nos joelhos e fitava o nada. Num repente começou a rezar. Do jeito dele, claro. Tinha estudado em colégio de padre quando pequeno, mas não sabia Pai-Nosso ou Ave-Maria, então naquela estranheza, naquela diferença, naquela esquisitice, conversou com Deus.
Dizia coisas desconexas, estúpidas, absurdas e ao mesmo tempo coerentes e inteligentes. Sabia que Deus entendia. Falou durante horas e horas e horas e horas sem fim. Em dado momento, achou que perderia a voz e passou a falar para dentro, murmurando. Sabia que Deus o escutava. Tinha certeza. Afinal, nunca tinha falado antes com Ele e seria uma grande sacanagem se o todo-poderoso não o escutasse agora.
Não pediu nada. Nem para ele, nem para ninguém. Só falou.
Quando achou que tinha terminado, sentou-se ao computador e escreveu e escreveu e escreveu até que não sentia mais a ponta dos dedos. Até que não conseguia mais manter o corpo na cadeira. Até que foi tomado de todo o cansaço do mundo. Se atirou da cadeira para a cama e dormiu.
Em um sonho, ouviu uma frase. Como se alguém muito, muito longe gritasse, conseguiu distinguir algumas palavras.
Acordou aos prantos. Lá estava ele. Mais uma vez, negando seus sentimentos...

24.2.07

Ainda assim

Mesmo que as coisas fossem adiante. Mesmo que você realmente não me amasse mais. Mesmo que eu não te amasse mais, eu faria tudo outra vez.

Mesmo que tudo fosse verdade. Que você conseguisse não me amar mais de uma hora pra outra como foi dito. Mesmo que eu não te quisesse mais, ainda assim, faria tudo de novo.

Faria tudo pra começar de novo. Pra escrever tudo de novo. Pra ouvir a chuva caindo mais uma vez. Pra ver os mesmos filmes. Te conhecer de novo e continuar te amando.

Isso tudo porque só carrego comigo as boas lembranças. Porque te levo em meu corpo como tatuagem (tá bom, isso não é meu... Peguei emprestado do Chico. Buarque. Não o gato).

Não que eu queria que as coisas chegassem ao que chegaram, mas os bons momentos... Esses são eternos.

A dor. A dor. Física, palpável, densa, insustentável. Mas há um tempo para tudo nessa vida. Na minha, na sua, na nossa. As noites insones, os remédios... Tudo isso há de ser compensado.

“Preciso descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
Que bota no corpo uma outra vez...
... Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu”

19.2.07

Don't Walk Away

Why do I say, don't walk away
You'll be the way your were before
When you don't want me anymore
Don't turn around, don't ever leave
A lonely room where empty days
Are gathering to meet me when you're gone, gone
How in the world will I go on
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away)
Don't walk away, don't say goodbye
Don't turn around, don't let it die
When shadows fall, when day is done
All through the night, all of my life
Don't walk away Is it a dream, when will it end
When everything we've ever known
Has ended and I'm all alone
Where will I go, where will I be
The feelings that I've never shown
Maybe I'll find the answer when you're gone, gone
How in the world will I go on
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away)

12.1.07

Minha vida, minha morte

Curiosamente, não se sabe o que vai acontecer. Ou melhor, sabe-se, mas é melhor não pensar nisso.
Era meu último dia na cela. De uma forma estranha e reconfortante, as pessoas, ou melhor, os guardas me tratavam como se eu fosse gente. Até então, eu era somente um prisioneiro.Minha morte, por enforcamento, estava marcada para dez da noite.
Tudo me parecia uma grande metáfora. Eu pensava em tudo que tinha feito e não conseguia me sentir livre. Sabia com uma precisão cirúrgica tudo o que tinha feito. Sabia que não tinha sido o que minha mãe esperava de mim. Sabia que não consegui sair do casulo como havia prometido à minha esposa. Logo essas duas que tanto confiavam e acreditavam em mim.
No meu último jantar, pedi que me servissem o purê de batatas de minha esposa e um contra-filé “deep fried” de minha mãe. Claro que não era igual, mas os cozinheiros da prisão fizeram o melhor deles.
Pedi um cigarro e fumei como se fuma o último cigarro da sua vida. Também pedi uma dose de vodka. Minha cabeça ficou leve e o cigarro me queimou a língua como se fosse cascalho quente. Pensei nas duas mulheres da minha vida pela penúltima vez. Respirei fundo e fui conduzido pelos estreitos e fétidos corredores da prisão. Eu estava curiosamente calmo e cantava baixinho (Let’s make love, for old trimes sake. Let’s set right, an old mistake. Let’s invite our hearts to break. Is right tonight, just for old times sake.)
Ao chegarmos à forca, tentei fugir, lutei, acertei um soco em um dos guardas, mas fui contido. O padre falava qualquer coisa que não consegui compreender, pois chorava demais. Acho que chorava numa desesperada tentativa de fazer com que todos sentissem pena de mim e me deixassem ir. Mas isso seria ridículo. Cada um carrega sua cruz e a minha era ser morto por enforcamento. Compreendi tudo o que me foi dito a respeito de minha sentença e parei com o choro.
Minhas últimas palavras foram: Queria ser Superman e fazer o tempo voltar. Já que não posso, alguém explica pra Tita, por favor. Ela não vai entender porque eu sumi por tanto tempo. Minha mãe... Você fez o melhor, criou o melhor. Não se culpe, pois a culpa é toda minha. Bebê... Desculpe. Queria ser melhor. Queria ter tentado com mais força, mas eu não consegui. Queria ter te dado tudo que você merece. Queria ter te feito feliz, mas se eu te fiz feliz por cinco minutos da sua vida, então esses foram os cinco minutos mais felizes da minha vida.
Minha última lágrima escorreu quando a corda foi posta ao redor do meu pescoço. Fechei os olhos e a última coisa que senti foi o chão faltar de baixo de mim. A última coisa que escutei foi o estalar do meu pescoço. Morri sem ter conseguido ser o que as duas pessoas que eu amo tivessem a chance de vislumbrar alguma esperança em mim. Na verdade, morri muito depois de ter matado todas as esperanças das minhas duas mulheres.

26.10.06

Fato oficializado:

OPINIÃO É QUE NEM BUNDA. CADA UM TEM A SUA E ACHA QUE A DO OUTRO FEDE MAIS!

20.12.05

Classificados

Gente boa,

Já que não pinta emprego, resolvi anunciar meus serviços de tradução Inglês-Português-Inglês. Não sou juramentado, mas quebro um galho que só vendo! Faço traduções técnicas, manual de instrução, livros, matérias jornalísticas (já fiz uma pro jornal Extra que ganhou prêmio lá fora), história em quadrinhos, o que vier.

Precisando, entrar em contato pelo mail: marcito_ribeiro@hotmail.com que também é o MSN.

FELIZ NATAL E BOM 2006!!

28.11.05

Nosso Deque

Fui caminhando pela orla da lagoa prestando atenção nas faces das pessoas - impressionante o que um domingo ensolarado traz de sorrisos – não pude deixar de observar. Andava despreocupada e preguiçosamente carregando Ruben Braga que me faria companhia, mas sem deixar de prestar atenção nos rostos alheios. A vida deveria ser feita única e exclusivamente de domingos de sol.
Cheguei ao nosso deque e sentei-me à sombra para ler minha companhia. Ali crianças bem vestidas de pais melhor ainda vestidos, corriam e gritavam em louco frenesi sem atrapalhar minha leitura. Uma das crianças me olhava com ar desconfiado possivelmente tentando imaginar o que poderia ser mais interessante do que gritar e correr. Sorri para ela que me sorriu de volta e voltou aos seus afazeres infantis. Talvez tenha se tranqüilizado sabendo que eu também me divertia.
Um Bem-Te-Vi chegou perto de mim para saber o que eu lia. Primeiro pousou acima de mim num fio de eletricidade, mas a visão não era boa. Aproximou-se mais, aprovou minha leitura, me olhou nos olhos e viu o quão feliz eu estava; aposto que, como todo Bem-Te-Vi é fofoqueiro, foi correndo contar aos outros Bem-Te-Vis que ali naquele deque se sentava um homem feliz. E aposto uma mariola mordida que ele sabia porque eu estava feliz!
O sol fazia com que os outros suassem, mas para mim ele chamou uma brisa leve que me protegia do calor. Luzes dançavam sobre a superfície da água que balançavam levemente o nosso deque quase que embalando nosso sonho que agora, é mais real do que a própria vida.

24.11.05

Bebê

Engraçado como as coisa começam... Talvez começar seja a parte mais difícil da caminhada, ou é o que dizem. Pra mim, os buracos da estrada são os mais complicados. Acho fácil começar assim como acho fácil desistir. Mas é na longa caminhada, quando ela me olha e diz: "Calma, Bebê. A gente vai juntos até o fim." que eu esqueço os buracos, olho nos olhos dela, me vejo e aí, tudo fica mais suave...

"Não , não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar. Aprendi! A vida me ensinou a caminhar cantando, como convém a mim e aos que vão comigo" Thiago de Mello ( pois já não vou mais sozinha)

15.10.05

Eu Sou o Tigre

Eu sou o delicioso Paradoxo.
O mundo inteiro é meu palco.
Eu incendeio novas trilhas;
Eu procuro o inatingível,
E intento o que não foi intentado.
Danço ao som da música da vida
Em alegre abandono.
Venha cavalgar comigo no meu carrossel.
Veja as cores em número infinito,
As luzes que cintilam.
Todos me aclamam o realizador sem paralelo.

26.9.05

As Mais Tocadas de Marcito

1- Collin Hay – Down Under (Accoustic Version)
2- Damien Rice – The Blower’s Daughter
3- Blues Treavellers – Canadian Rose
4- Ella Fitzgerald and Oscar Peterson – Midnight Sun
5- Lynyrd Skynyrd – Heartbreak Hotel
6- Nina Simone – Love Me or Leave Me
7- John Coltrane – Central Park West
8- The Guess Who – No Sugar Tonight
9- Black Box – Fall Into my Love
10- Seals and Crofts – Summer Breeze
11- Ednardo - Dorothe L’Amour
12- Ednardo – Flora
13- Milton Nascimento – Canção Amiga
14- Novos Baianos – A Menina Dança
15- Paulinho da Viola – Bebadosamba
16- Ac/Dc – Ride On
17- The Band – The Night They Drove Old Dixie Down
18- Aimee Mann – Wise Up
19- Bill Evans & Eddie Gomes – Invitation
20- Blues Travellers – Make My Way

3.9.05

Bebadosamba

Um mestre do verso, de olhar destemido,
disse uma vez, com certa ironia :
“Se lágrima fosse de pedra
eu choraria”
Mas eu, Boca, como semrpe perdido
Bêbado de sambas e tantos sonhos
Choro a lágrima comum,
Que todos choram
Embora não tenha, nessas horas,
Saudade do passado, remorso
Ou mágoas menores
Meu choro, Boca,
Dolente, por questão de estilo,
É chula quase raiada
Solo espontâneo e rude
De um samba nunca terminado
Um rio de murmúrios da memória
De meus olhos, e quando aflora
Serve, antes de tudo,
Para aliviar o peso das palavras
Que ninguém é de pedra
(Paulinho da Viola)

4.8.05

Gerontion

E me defino nas palavras de Shakespeare:

Thou hast nor youth nor age,
But, as it were, an after dinner's sleep,
Dreaming on both

(Não és jovem nem velho,
Mas como, se após o jantar adormecesses,
Sonhando que ambos fosses)

30.7.05


Só pra testar o fato de poder colocar imagens, resolvi mostrar a vista do quarto que eu fiquei lá na Maromba.

6.7.05

Prisão

Fui conduzido por corredores estreitos cercados de guardas. Ainda estava algemado. Me despedia de alguns conhecidos que me desejavam sorte por trás das grades de suas celas, mas na maior parte do caminho, olhava para o chão. O velho piso de cimento empoeirado não ia deixar saudades. Sentia que me faria uma grande falta a rachadura em forma de cachorro na parede cheia de infiltrações da minha cela com quem eu conversava e contava segredos.Eu e os guardas chegamos ao portão principal por onde eu entrara muitos anos atrás. A luz do dia violava minhas retinas. Minha vida recomeçava ali.

23.10.04

Uma semana...

E falta uma semana pro meu aniversário...

14.10.04

100° Post

Aêêêêêêêêêêê!!!!
Quem diria que eu chegaria aqui! 100° post!!!
Pra comemorar, vou anunciar minha flauta:

Vendo flauta transversa Yamaha F100 SII. Tá um pouco escurecida pela falta de uso, mas funciona direitinho. Sapatilhas e lubrificação em perfeito estado. Preço: R$ 900,00. Tenho visto por aí gente vendendo o mesmo modelo de flauta entre R$ 1.200,00 e R$ 1.300,00. Como a minha tá precisando de uma limpeza, tô dando essa colher de chá! Quem se interessar, deixa um recado COM E-MAIL ali nos comentários oumanda um mail pro endereço ali de cima em "fale comigo".

Muito grato, gente boa! Inté a próxima!!

6.9.04

Meu Tempo é Hoje

Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
Meu mundo é hoje
Não existe amanhã pra mim
Eu sou assim
Assim morrerei um dia
Não levarei arrependimentos
Nem o peso da hipocrisia
Tenho pena daqueles
Que se agacham até o chão
Enganando a si mesmos
Por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte nesse enorme batalhão
Pois sei que além de flores
Nada mais vai pro caixão
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim

(Paulinho da Viola)

13.8.04

Lições

Eu tenho que aprender que eu tenho que sentar pra escrever na hora que a idéia bate. Esses dias, estava eu na cozinha quando uma idéia super legal pra um texto me ocorreu. Pensei: "daqui a pouco eu sento lá e escrevo nem que seja o rascunho...". Quem foi que te falou que eu consegui me lembrar o que eu tinha pensado? Fiquei eu sentado na frente do computador, o editor de texto olhando pra mim inquisitivamente e eu com cara de mané...
Depois eu fico me cobrando escrever... Quem é que pode escrever sendo um preguiçoso de carteirinha?
Humpf!

7.8.04

Bluer than Blue

After you go
I can catch up on my reading
After you go
I'll have a lot more time for sleeping
And when you're gone it looks like things
Are gonna be a lot easier
Life will be a breeze, you know
I really should be glad
But I'm bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
After you go
I'll have a lot more room in my closet
After you go
I'll stay out all night long if I feel like it
And when you're gone
I can run through the house screaming
And no one will ever hear me
I really should be glad
But I'm bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
I don't have to miss no TV shows
I can start my whole life over
Change the numbers on my telephone
But the nights will sure be colder, and I'm
...Bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
Bluer than blue

(Michael Johnson)

Sei lá... Me deu uma tristeza...

27.7.04

Prêmio

Update:
Acatando sugestões, os prêmios passam a ser: 1 mariola mordida, 1 caceteira elétrica, 1 pênis Montreal ou um caralho de pelúcia!

 
Antenção, meus adorados leitores!
Enquanto escrevo, este humilde blog conta com 7912 visitas! Em sendo assim, resolvi premiar a visita de número 8000 com uma mariola mordida ou uma caceteira elétrica!
O vencedor poderá escolher entre esses dois maravilhosos prêmios patrocinados pela Velho Mago Inc.

13.7.04

Da Saudade e do Tempo

Depois de um longo e tenebroso inverno, consegui, finalmente, assistir ao documentário “Paulinho da Viola – Meu Tempo é Hoje”. Outra hora eu falo do filme ou escrevo uma daquelas minhas parcas críticas cinematográficas que ninguém lê.
O que me chamou a atenção foi uma descoberta que fiz: eu não tenho saudade.
Uma vez constatado o fato, abri outra cerveja, acendi mais um cigarro e me pus a pensar na coisa. Abri o dicionário para ver a morfologia e o significado literal da palavra “saudade”. Segue:
“1. Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável.”
Para mim, bastaram as sete primeiras palavras e, na verdade, uma delas diz quase tudo: “incompletude”.
Muitas vezes, uso expressões como “tenho saudade de jogar bola na pracinha” ou coisa que o valha, mas na verdade não é saudade. Eu não gostaria de ter dez anos de novo. Nem dezoito, nem três. Penso no meu passado com muito carinho, muito afeto e procuro não repetir algumas burradas que cometi lá. O que passou, virou história, aprendizado. Pessoas também passaram e continuam passando pela minha vida e fazendo parte e construindo comigo a minha história. Umas chegam e vão, outras chegam ficam um tempo e também se vão. Mas as mais importantes são as que marcam. As marcas que carregamos são indeléveis e nem a implacabilidade do tempo pode apagar. Da mesma forma, não sinto saudades. Da mesma forma, penso nas pessoas que se foram com muito carinho e respeito. O que deveria ser vivido naquele tempo com aquela pessoa, foi completo, me bastou, me fez completo.
Recentemente encontrei pessoas de um passado nem tão distante assim. Gente de colégio, gente de quem gosto muito mesmo! Claro que a conversa girou em torno das coisas desse passado. Me vinham imagens e boas sensações daquele tempo, mas o tempo ficou lá. As pessoas reapareceram, mas a união, a cumplicidade que se tinha naquele tempo, não existem mais. As pessoas seguem seus caminhos. Existe o carinho por termos dividido uma época tão rica na vida de qualquer um. Época de experimentações, afirmações, medos, dúvidas muito mais intensos do que hoje.
Mudando um pouco, mas não completamente de assunto. Reparei, nessa aventura de reler meus textos antigos, que escrevo muito sobre mares, rios e sobre o tempo. Mar e rio são metáforas para o próprio tempo e confesso que muitas vezes usei dessas metáforas sem saber desse significado.
O tempo não pára, a vida não pára. Sentir saudade é uma forma de se tentar ficar lá naquele tempo e isso interrompe, vai contra o sentido da própria vida. Como dizia Heráclito a vida é um fluxo de constante movimento (como o rio, como o mar). Eu tenho problemas com o tempo. Nunca quis que o tempo parasse. Sei que tenho problemas em administrar meu tempo, mas vou aprendendo enquanto sigo essa minha vereda.

“A única coisa que nos cabe decidir é o que fazer com o tempo que nos foi dado”
Gandalf

“O tempo perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.”
(Se alguém souber o autor, este velho e alquebrado escriba agradecerá a contribuição)

“Meu tempo as vezes se perde
Em coisas que não desejo...”
Retiro – Paulinho da Viola

"O vento empurra o barco, mas quem escolhe o rumo é o timoneiro"
Marcio Brito

8.7.04

Do Beijo

- Meu bem, me dá um beijo?
- Assim, sem mais nem menos?
- É que me deu vontade de esquecer o mundo...

1.7.04

Das Definições. Parte I

Gemidos: palavras que se começa a dizer, mas no meio do caminho, já se tem certeza de que o outro entendeu e a necessidade de completá-las se esvai!

28.6.04

Aniversário

Um ano. Ontem, dia 27 de junho esse blog completou um ano de existência. Passei os dias que antecederam esse aniversário me dedicando a ler tudo o que escrevi desde o começo, desde o dia 27 de junho de 2003 e me diverti bastante.
Tudo começou quando o Mago já estava agonizante. Eu já estava cansado do personagem e queria continuar escrevendo, mas não lá. Não escrevendo o que eu escrevia. Decidi que seria interessante falar sobre descobertas minhas sobre o mundo, sobre mim, sobre os outros. Achei que seria mais interessante ainda ter gente que pudesse contribuir com suas próprias descobertas, enriquecendo assim o blog. Acabou não dando certo por diversos motivos, mas resolvi continuar com a coisa assim mesmo tendo como colaboradora a já conhecida Menina da Torre que aparecia esporadicamente pra escrever. Sempre fui admirador dos textos e da própria Menina da Torre e, um belo dia, mostrei a ela um continho que eu tinha escrito a respeito de uma cena no metrô da qual fui protagonista e ela, com toda a propriedade me disse:
- Por que você não publica isso, caralho? Ficou ótimo!!
- Pô... Taí! Vou publicar mesmo!
Fiquei surpreso com a quantidade de gente que tinha gostado do conto. Como algumas pessoas sabem, eu sou meu crítico mais ferino e isso me impediu de publicar muitas coisas aqui. Principalmente no começo quando eu não tinha segurança no que escrevia. Hoje, um pouco menos inseguro nos meus textos, escrevo e quase não percebo. O que antes era um certo esforço, hoje sai naturalmente. Há muito já não tento domar minhas palavras e nem tento direcionar a escrita. Simplesmente deixo as coisas fluírem, as estórias surgirem e seus personagens ganharem vida nessas parcas linhas que escrevo.
Um ano. Em um ano vi blogs morrerem e blogs nascerem. Vi a minha forma de escrever mudar muito e ainda vi gente que mudou a forma de escrever depois que passou a me ler (apesar de não reconhecer. Acontece... eu acho.). Conheci gentes e conheci gente. Fiz amigos. Uns ficaram no caminho, outros estreitaram os laços de amizade. Ganhei e perdi. Gente que me ajudou a escrever melhor, a superar crises. Gente que me mostrou tanta coisa sobre mim tendo somente lido meus textos. Gente que me encanta. Aqui me expus, contei fragmentos da minha vida, contei minhas angústias, tristezas, frustrações, alegrias, paixões. Vi uniões e separações. Falei sobre música e cinema que são minhas grandes paixões. Me apaixonei, quebrei a cara e nunca odiei ninguém. Talvez a mim mesmo em certos momentos. Confesso que não posso mais ter contato com algumas pessoas. Ainda me é muito doloroso... Mas não guardo rancores. Essas coisas envenenam e descobri que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Um dia, quem sabe eu escrevo sobre isso. Ou não. Tem coisas que é melhor a gente não mexer mais. Pode ser que a ferida se abra de novo e a dor volte ainda mais intensa. É... Melhor esquecer.
Confesso também que perdi um pouco do tesão de escrever. Mentira. Perdi o tesão de escrever e publicar aqui. Tenho escrito muito. Minha vida chegou a um momento de mudanças estruturais que eu estou achando o máximo. Vou voltar a fazer coisas que nunca deveria ter deixado de lado e resolvi fazer outras que nunca tinha feito. Percebi que a vida premia a ousadia e resolvi ser ousado.
Sou um sujeito que cria raízes. Criei aqui, mas essas eu vou ter que cortar. Preciso canalizar essa minha criatividade para outro lugar. Fazer outras coisas. Dar um rumo nessa minha vida. Tenho sonhos e chegou a hora de correr atrás deles.
Não vou parar de publicar alguns textos aqui, mas a freqüência vai diminuir drasticamente. Tenho muito carinho pelos meus textos e pelos que me acompanham. Meu e-mail está ali em cima e o endereço é também meu MSN. Apareçam se quiserem.
Pra terminar, resolvi postar uma música que passei anos caçando. Sabia quem tocava, mas não sabia o nome da música e nem entendia direito a letra. Com uma ajuda do pessoa da Rádio Antena 1 daqui do Rio, descobri que a música é Talking Out of Turn do The Moody Blues.

When I took a little loving from you
Oh I, never thought about the hurting inside
But I took a little more than I should
Oh why, can't explain that I ever would
Let you slip through my fingers
Let you escape like yesterday
I would appreciate you knowing
I thought your love had come to stay

Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn

But I took a little more of your each day
When I didn't see that I was breaking you apart
With angry words of love I didn't mean
Oh why, can't believe that I ever would
Talk myself out of tomorrow
Talked like a fool to yesterday
And as the evening loses colour
Your love began to fade away

Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn

Talking out of turn
Talking out of turn

If I upset you
I didn't mean to hurt you
I didn't mean to make you cry
I don't need an alibi
To start me talking out of turn

When I took a little loving from you
Oh I, can't believe that I ever would
Let you slip through my fingers
Let you escape like yesterday
I would appreciate you knowing
I thought your love had come to stay

Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn

3.6.04

Futuro do pretérito mal feito

Sempre se pegava absorto, pensando no passado e na falsa segurança que este trazia. Olhava fotos antigas e seus olhos se enchiam de lágrimas como se vivesse o passado agora. Sentia-se seguro no passado quando era querido, amado e divertido. Em momentos como esse a vida lhe parecia calma e feliz. Vivia seu presente no passado, seu passado no presente. Hoje era apenas mais um. Visto como um louco, inconstante e piegas.
Certo dia olhou para o futuro e não viu nada mais que seu próprio reflexo envelhecido, triste e solitário. Não sozinho, mas solitário. Não queria viver o futuro. No futuro, continuava cometendo os mesmo erros, mas tinha mais dificuldade em se reerguer quando lhe puxavam o tapete ou quando ele tropeçava em sua própria pressa em se revelar, se resolver, se conhecer.
Em outro dia, curioso para saber se algo mudara em seu futuro, viu uma pessoa próxima. Era uma mulher. Bonita, de sorriso largo e sincero. Foi apenas um flash que vira. Sabia que mesmo que aquilo acontecesse, seria fugaz. Não criava mais ilusões a respeito de seu futuro. Sabia que daria um jeito de estragá-lo. Como fez ao longo de toda a sua vida.
Andava nu pelas ruas da cinzenta cidade. Era assim que se sentia com sua “arte”. Como se estivesse exposto aos olhares curiosos dos transeuntes que comentavam, censuravam ou aplaudiam. Sim. Havia quem aplaudisse mesmo que hipocritamente. Nesse dia, a mulher refletida ao seu lado no futuro, passou por ele. Apresentou-se, conversaram, mas como sempre, falara demais. Ela, por algum milagre, não percebera ou talvez fingisse não perceber.
Ele, mais uma vez, tinha se auto-sabotado. Perguntava-se se teria visto o futuro ou só mais uma repetição do passado. Um eco de um grito abafado em seu frágil peito de vidro. Coitado... De tão frágil, fino e transparente, começava a vazar. Uma pequena rachadura que ele tampou com o dedo. Mais uma rachadura que tampou com outro dedo até que não havia mais dedos para conter o vazamento. Vazio, foi pra casa catando os cacos de seu peito pelo caminho. Já na casa que não era sua, deitou-se na cama de outra pessoa e chorava lágrimas que já haviam sido derramadas.

2.6.04

Classificados

Vendo coração.
Vinte e muitos (quase trinta) anos de uso. Ventrículos em perfeito estado de funcionamento. Tem a péssima mania de se apaixonar pelas pessoas erradas e adquiriu diversas cicatrizes devido a essa pequena falha. Encontra-se um pouco mofado, mas nada que manhãs de sol, boa música, livros ou filmes não possam dar jeito. Desanda a bater acelerado quando perto do objeto de afeição. Fiel, companheiro e cúmplice. Por fora não parece grande, mas cabem muitas pessoas confortavelmente. Dou preferência àqueles que tiverem a auto-estima em um nível que não o torne babaca nem o endureça. Tratar aqui mesmo!

31.5.04

O Retorno

Andava eu pelas ruas do Rio de Janeiro. O dia estava bonito com o sol amenizando o frio do inverno (?) carioca. Sentei-me num banco da orla de Ipanema e admirava o encontro de céu e mar quando um vento forte trouxe nuvens. O céu tornou-se plúmbeo e raios cruzavam as nuvens. Tomado do mais legítimo pânico, me escondi debaixo do banco quando uma voz tonitroante dirigiu-se a mim:
- Sai daí de baixo, frouxo!
- Quem é?
- Sou eu, o Mago! O Velho Mago!
- Mago? Por onde andavas?
- Ah! por aí... Entrei em contato contigo pois quero que sejas meu arauto! Avise à plebe ignara que EU voltei para sanar o males da humanidade!
Desde esse dia, sou o arauto desse cara aqui

20.5.04

As Letras Aprisionadas

Olho a branca folha em branco e suspiro. Depois olho para dentro de mim e vejo um bilhão de letras se espremendo para cair sobre a branca folha, mas a porta está fechada. Levanto-me e dou voltas pela casa procurando pela chave. Não encontro. Procuro no fundo do copo e na guimba do cigarro, mas a chave também não está lá. Resignado, me recolho para tentar dormir, mas as letras se agitam dentro de minha cabeça, fazem barulho e não me deixam nem cochilar. Peço que se calem e elas se recusam. Ouço um barulho e descubro que as letras tinham arrombado a porta e se espalhavam pelo chão. Levanto-me desesperado tentando recolhe-las, mas elas são rápidas demais e se atiram sobre a branca folha agora não mais em branco e dizem: “SOMOS MAIS FORTES QUE SUA DEPRESSÃO, SEUS PORRES OU SUA SOLIDÃO!”
Desde então, parei de trancar a porta. Fecho os olhos e as letras tomam vida em folhas coloridas.

19.5.04

Medida Provisória

A PARTIR DE HOJE OS VÔOS PRESIDENCIAIS SAIRÃO DO AEROPORTO DE VIRACOPOS.

13.5.04

A Sala

Dentro da mínima sala, o pequeno e esquálido homem sentava-se no chão abraçado aos joelhos. Tinha como testemunha de seus pensamentos, o próprio assento e a rachadura no teto em forma de cachorro que resolvera chamar de Fred. Já não sabia há quanto tempo não via outra paisagem senão as marcas de infiltrações e as rachaduras nas paredes que o encarceravam. Imaginava que horas seriam, pois ouvia passos do lado de fora da porta de ferro batido.
Algumas vezes, uns homens entravam na sala. Mandavam-no ficar de costas para a porta e um dos homens o vendava. Ficavam muitas horas perguntando coisas sem sentido: “Onde está a bomba?” “Para quem você trabalha?” “De qual célula você faz parte?” “Quem são seus comparsas?”
No princípio ele respondia o que sabia, ou seja, nada. Depois de muito tempo sendo interrogado e respondendo o que os homens não queriam ouvir, resolveu calar-se por completo para descontentamento de seus interrogadores. Depois que eles saiam, ficava conversando com Fred durante horas. Por vezes achava que todas as suas faculdades mentais o haviam abandonado, mas rapidamente se convencia do contrário. Lembrava-se de seu nome, seu endereço, da casa onde morou, dos vizinhos.
Em verdade, lembrar-se de sua vida era tudo o que lhe havia restado, além de conversar com Fred que já tinha se tornado um grande amigo e confidente. Contava à figura de cachorro no teto seus segredos e medos mais profundos. Coisas que ele escondia até de si mesmo como o filho que tivera e abandonara, o homem que teve que matar, o medo de morrer só. Sendo que esse último já estava superado. Sabia que estava na sala para morrer. Poderia até ser de velhice, mas morreria se tivesse sorte.
Um dia, escutava os passos do lado de fora e os homens pareciam mais apressados. A porta se abriu com violência e, pela primeira vez, vira os homens. Vestiam uniformes negros. A sombra dos quepes cobria seus olhos de modo que só se via órbitas negras e ainda carregavam pistolas em coldres presos em suas cinturas. Dois homens entraram primeiro parando à frente da porta. Logo em seguida, com passadas lentas e controladas, um jovem comandante entrou também.
- Eu sou o Comandante Hessler – disse pausadamente. A voz dura e firme do comandante feriu-lhe os ouvidos – As coisas vão mudar aqui, meu caro. Quero que você responda a todas as minhas perguntas. Levante-se! – O pequenino homem levantou-se com dificuldade. A luz que penetrava pela porta incomodava seus olhos fazendo-os arder. – Vire-se para a parede! – Ordenou o comandante. O homenzinho, em pé no centro da sala não se moveu.
- Vire-se!!
Sem esperar mais, o comandante sacou de sua pistola e acertou um único e certeiro tiro bem no meio da testa do homem que ousara desafiar suas ordens. Em silêncio os três homens deixaram a sala e rumaram para o gabinete do General onde o Comandante Hessler faria seu relatório.
O impassível general escutou todo o relatório de Hessler sem piscar e ao fim, dirigiu palavra ao seu sobordinado:
- O senhor é burro, comandante? – Hessler gagejou:
- Co-como, senhor?
- Uma sala tem quantas paredes, idiota?
- Qua-quatro, senhor...
- Então o prisioneiro não desobedeceu a sua ordem! Tínhamos razões para acreditar que, em breve ele estaria pronto para nos dizer tudo! Comandante?
- S-s-sim, senhor...
- Considere-se exonerado!
Dias depois o corpo do Comandante Hessler trajando seu uniforme de gala, foi encontrado em sua residência. Pendurado pelo pescoço a um nó de forca preso a uma viga do teto. A carta que pairava abaixo das lustosas botas negras, tinha grifada as palavras "exoneração desronrosa".

12.5.04

Já não me vejo, não me tenho como antes,
A vida ganhou um papel muito grande.
Contorno teu contorno,
Sinto teu olhar de perto e por dentro
Corro risco de vida
E nem o medo me impede.
O sentimento humano
Nunca se solidificará
Nunca se sentirá concreto
Presencio tua ausência.
Solidifiquei-me em teu corpo,
Duramente sobrevivi em teu coração,
Bombeando-me, líquida,
Em breve destino...
Evaporei-me junto com teu silêncio.
E eis que me senti viva.

7.5.04

Dersú Usalá (atendento ao carinhosíssimo pedido de uma leitora, e porque não, amiga)

Uma vez eu comentei aqui que eu queria ser Akira Kurosawa. Acabei de descobrir que queria ser uma mistura do Kurosawa com Andrei Tarkowski. Mas isso não vem ao caso, pois estamos aqui para falar de Dersú Usalá, que é do Kurosawa.
O filme é uma produção russo-nipônica de 1975 que, não por acaso, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1976. Vale ressaltar que o filme veio logo após uma fase de depressão de Kurosawa (dizem que por causa do fracasso no Japão de seu filme anterior – Dodesukaden – de 1970) que resultou numa tentativa de suicídio frustrada.
O filme conta a história (real, diga-se de passagem) da amizade do Capitão Vladmir Arseniev (Yuri Solomin), líder de uma expedição enviada à fronteira da Sibéria com a China a fim de realizar um levantamento topográfico da região, e Dersú Usalá (Maksim Munsuk), um caçador que vive da e na floresta daquela região.
Dito assim, o filme pode parecer desinteressante. Mas lembrem-se: é um Kurosawa! E como um bom Kurosawa, o filme apresenta movimentos sutis de câmera, longos planos, fotografia primorosa, profundidade de personagens e, conseqüentemente, das relações entre eles.
É interessante ver como o escárnio e a descrença da tropa em Dersú, se transforma em respeito e admiração pela simplicidade e conhecimento que carrega o pequenino velho de pernas arqueadas, olhar vivo e fala apressada.
Dersú Usalá é pura poesia em movimento. A integração do homem com a natureza e a amizade entre os dois protagonistas é retratada de forma magistral por aquele que este velho e alquebrado escriba, considera um dos cinco grandes diretores da história do cinema mundial.
Em uma nota mais intimista, gosto de acreditar que Kurosawa dirigiu e escreveu um filme tão tocante e tão bonito depois de ter descoberto (ou re-descoberto) a vida. Acho que a partir do momento que se viu vivo, escreveu uma história de aproximação dos homens. Não a aproximação que hoje chamamos de “globalização”. Mas a aproximação de uma pessoa da outra. Sem máscaras, nem fingimentos. Somente o respeito e admiração pelo próximo.

4.5.04

Fotas

Pra quem não viu as fotas publicadas aqui, clica aqui e vê lá!


Retiro

Meu tempo às vezes se perde
Em coisas que não desejo
Mas não repare esse lado
Pois meu amor é o mesmo
Nos momentos de carinho
Eu me desligo de tudo
Nos braços de quem se ama
É fácil esquecer o mudo

Às vezes eu me retiro
E nada me faz sentido
Só há um canto na vida
Aonde eu me refugio
Afasta as sombras que eu vejo
Nos teus olhos tão aflitos
Você conhece minh’alma
E quando quer me visita

(Paulinho da Viola)

2.5.04

Cara nova

Gente boa,

Acabei de voltar da Maromba e vou publicar fotinhas mais tarde!

25.4.04

Recuperação

A tentativa de suicídio do Descobri foi evitada graças ao carinho de alguns amigos. O corpo do blog foi encontrado ainda com vida deitado ao lado de um frasco de aspirinas infantis com formato de bichinhos.
Depois de levado para o pronto-socorro, o blog agora está em fase de desintoxicação e recuperação podendo ter alta já nessa semana.
Uma vez recuperado, haverá um coquetel de reestréia a acontecer no dia 03 de maio do corrente ano. Todos estão convidados.
A festa será regada a Cidra Cereser, "cocrete" e quantidas estúpidas de cajuzinho. Querendo evitar que bolsos de paletós e bolsas se encharquem com a gordura e o açucar dos víveres oferecidos, um saco plástico será distribuído na entrada para que os convidados possam levar para casa um pouco da festa.
Alguns contratos já foram fechados: Falcão será o Mestre de Cerimônias e Rosana fará uma participação especialíssima cantando "Como uma Deusa" (tentei contratar a Joanna, mas ela já tinha compromisso). Após o show, o D.J Meciê Limá comandará as carrapetas com o melhor da Retrospectiva Furacão 2000.
Aguardo todos aqui no dia 03 de maio.
Um beijo no gato e um chute nas crianças!!

19.4.04

Carta de Suicídio

Seguinte: não faz mais sentido ficar enganando vocês. Há tempos que eu não consigo escrever nada de razoável para colocar aqui. Minha vida está uma bagunça fenomenal e como a grande maioria das pessoas, meus textos refletem coisas da minha vida e não dá para escrever bagunça e sofrimento. Preciso de um tempo para me reerguer.
Tenho andado muito cansado de mim mesmo. As mesma dores, as mesmas desilusões, a mesma falta de perspectiva, coração repleto e a vida vazia.
Conheci gente muito boa nesse quase um ano de Descobri. Gente que me acompanhou desde o começo e até desde antes do começo quando eu escrevia o Mago. Gente que me ajudou a escrever melhor (se é que isso é possível) e a ver os meus textos por um outro prisma.
Foi ótimo tê-los aqui compartilhando, xingando, rindo, brincando, chorando. Foi fantástico saber que até gente de outros países acompanhavam minhas aventuras e desventuras. Gente de Portugal, Estados Unidos, Uruguai, Japão e de um país chamado “Unknown” (hehehe) que representa 1,6% das visitas.
Bom... é isso aí. “Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí levando um violão debaixo do braço”.
Ainda apareço pra deixar meus impertinentes comentários nos blogs alheios. Fiquem bem e lembrem-se dos meus sábios ensinamentos: rapadura é doce, mas não é mole não!
Beijos enormes e abraços apertados,
Marcio

13.4.04

Crítica

Vocês já leram a crítica que a Cathy fez de um texto meu lá no Despenseiros da Palavra? Não? Como assim? Clica aqui e vai lá logo!!

10.4.04

The Beauty of All Things

There is something within you.
There is something in everything that is:
Unbelievable beauty, flowing from deep inside.
Don't be shocked or surprised if I lift your disguise.
Realize
that I can see it in all things, all,
but especially you.

There is something we carry,
Like a rhythm that tells us who we are.
It's the rhythm of living. Hear, and we'll come to see
who we can really be-fore Time erases time.
It's sublime.
And I can see it in all things, all, but especially you.

The time is upon us to lose our indifference.
For Time isn't holding us anywhere. I declare:
Life gives savoir faire.
Clean the windows of your inner star
And see things as they are:
An infinity of light like a torch in the night.
For the Sun and the Moon and the Stars
Are living within you.
You are shining in everything that is.

Here's what I see in your eyes right now:
Ten thousand lives over many years like leaves on the vine of this morning's glory,
The determination of years coming to fruition
In the ever-present now of your life, unfolding now in the flowering of days.
The constellation of stars in the sky are like a fugue of light in velvet hands.
The melody never ends, echoing again and again.
Nearer still sounds a melody leading through darkened rooms,
Playing like the Sun on the water; like its reflection in your downcast eyes.
When will you come to see you like I do?
And know you like I do? And hear you like I do?
And love you like I do?

(Laurence Hobgood/Kurt Elling)

7.4.04

Tai-Chi é muito bom!! Tenho dores por todo o corpo! Alguém tem um bom analgésico aí?

6.4.04

Pequena correção: é amanhã, quarta-feira que começa!
Agora é sério: na próxima quinta-feira começo as aulas de Tai-Chi Chuan!!

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