Os dias se passaram e a ressaca também. O mais importante de tudo que aconteceu foi o que ficou. As pessoas, o clima de completa confraternização, as risadas. Tudo isso ficou entranhado nas paredes da casa nova. A felicidade é feita de coisas pequenas como reunir as pessoas que se ama num mesmo lugar e curtir um ao outro.
É muito bom estar de volta ao círculo de amizades que foi criado ao meu redor. É bom saber que tenho um porto seguro mesmo estando afastado por um longo e tenebroso inverno. Essa reunião foi como voltar pra casa. Mais que isso, foi como voltar pra casa e encontrar todos de braços abertos.
28.11.07
4.11.07
Mandamentos Para Se Viver Só
1 - Mantenha a casa em ordem. Ninguém pode viver num chiqueiro.
2 – Mantenha a casa limpa. Poucas coisas são melhores que cheiro de casa limpa por você mesmo.
3 – Tenha incensos, essências, coisas que façam sua casa ter um cheiro agradável caso você não tenha tempo ou esteja muito cansado para uma limpeza séria.
4 – Tenha plantas. Muitas plantas. Plantas bonitas e cheirosas.
5 – Cuide das suas plantas. Regue e sempre regue escutando música. Elas adoram e respondem a isso.
6 – Não tenha medo de gastar. Afinal, é a sua casa!
7 – Tenha filmes. Nem sempre o cara que faz a programação da TV tem o seu gosto.
8 – Dê atenção ao seu gato (caso você tenha um. Isso é muito importante se você não quer sua casa cheirando a xixi de gato!).
9 – (Muito importante) Faça da sua casa o seu retiro. Espiritual ou não. Sinta-se bem em casa. Goste de estar em casa.
10 – Faça sua própria comida mesmo que o dia tenha sido desgastante, cansativo e tal.
11 – Dance sozinho mesmo que você ache que tem alguém olhando. Você já é ridículo sem dançar...
12 – Cultive o hábito da leitura. Se você não tem TV a cabo, você vai precisar!
13 – Se você fuma, mantenha seus cinzeiros limpos como se a Virgem Maria pudesse apagar os cigarros dela ali.
2 – Mantenha a casa limpa. Poucas coisas são melhores que cheiro de casa limpa por você mesmo.
3 – Tenha incensos, essências, coisas que façam sua casa ter um cheiro agradável caso você não tenha tempo ou esteja muito cansado para uma limpeza séria.
4 – Tenha plantas. Muitas plantas. Plantas bonitas e cheirosas.
5 – Cuide das suas plantas. Regue e sempre regue escutando música. Elas adoram e respondem a isso.
6 – Não tenha medo de gastar. Afinal, é a sua casa!
7 – Tenha filmes. Nem sempre o cara que faz a programação da TV tem o seu gosto.
8 – Dê atenção ao seu gato (caso você tenha um. Isso é muito importante se você não quer sua casa cheirando a xixi de gato!).
9 – (Muito importante) Faça da sua casa o seu retiro. Espiritual ou não. Sinta-se bem em casa. Goste de estar em casa.
10 – Faça sua própria comida mesmo que o dia tenha sido desgastante, cansativo e tal.
11 – Dance sozinho mesmo que você ache que tem alguém olhando. Você já é ridículo sem dançar...
12 – Cultive o hábito da leitura. Se você não tem TV a cabo, você vai precisar!
13 – Se você fuma, mantenha seus cinzeiros limpos como se a Virgem Maria pudesse apagar os cigarros dela ali.
24.8.07
Nova vida, vida nova!




Queria dizer umas palavras de Caetano:
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E a mãe do seu irmão
Minha mãe e eu
Meus irmãos e eu
E os pais da sua mãe
E a irmã da sua mãe
Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a morte e tem o amor
E tem o mote e tem a glosa
Eu digo que ela é gostosa
Eu digo que ela é gostosa
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E o irmão da sua mãe
Funciona pra mim como se fosse meu anjo-da-guarda dizendo isso pra mim já que não tenho irmãos, tios ou qualquer familiar além de mamãe e meu padastro me dizendo essas coisas.
Minha vida vai mudar radicalmente sim. Fico eu aqui, morrendo de medo, ansiedade, pânico, sofrimento. Mas é difícil não dar certo com tanta gente boa torcendo a favor.
N.A: Fui fazer minha despedida oficial dos jogos de tênis hoje (vou morar em Santa Teresa e conheço minha preguiça. Sei que não vou ao Jardim Botânico jogar) e eis que a figurinha ali de cima me aparece na quadra fazendo a maior das bagunças com a rede a as bolinhas de tênis. Fiquei me perguntando: o que será que significa um gato aparecer na sua despedida?
22.4.07
Yours
You, with your hand outstretched
Finger on the key
This lock that you release
Is opening but isn't free
And I hope that you can see
How it beats inside of me
Instead of pushing fear aside
I want to run I want to hide
I am vulnerably yours
She, who is wanting me
Whose touch can make me cry
I can only understand
By never asking her why
Hear the contradictions fly
And as hard as I may try
Every truth becomes a lie
In the ache of her reply
I am passionately.....
Yours
And the saddest eyes are
Yours
And the softest skin is
Yours
And the hope I borrow is
Yours
So won't you let me in I'm yours
All that I begin is yours
Every prize I win is yours
At your feet again I'm yours
All I am is yours
All I am is wanting you
I've fallen down and I can't seem to come to
If I should die before I wake
I commend my soul into this ache
Up above the world so high
Where the water tends to meet the sky
She's all I'm after by the toe
And I won't let go....
And I wanted you to know
That if you reap what you would sew
I would take it blow by blow
All I am is....
Yours
And the saddest eyes are
Yours
And the softest skin is
Yours
And the hope I borrow is
Yours
So won't you let me in I'm yours
All that I begin is yours
Every prize I win is yours
At your feet again I'm yours
All I am is yours
Yours
Finger on the key
This lock that you release
Is opening but isn't free
And I hope that you can see
How it beats inside of me
Instead of pushing fear aside
I want to run I want to hide
I am vulnerably yours
She, who is wanting me
Whose touch can make me cry
I can only understand
By never asking her why
Hear the contradictions fly
And as hard as I may try
Every truth becomes a lie
In the ache of her reply
I am passionately.....
Yours
And the saddest eyes are
Yours
And the softest skin is
Yours
And the hope I borrow is
Yours
So won't you let me in I'm yours
All that I begin is yours
Every prize I win is yours
At your feet again I'm yours
All I am is yours
All I am is wanting you
I've fallen down and I can't seem to come to
If I should die before I wake
I commend my soul into this ache
Up above the world so high
Where the water tends to meet the sky
She's all I'm after by the toe
And I won't let go....
And I wanted you to know
That if you reap what you would sew
I would take it blow by blow
All I am is....
Yours
And the saddest eyes are
Yours
And the softest skin is
Yours
And the hope I borrow is
Yours
So won't you let me in I'm yours
All that I begin is yours
Every prize I win is yours
At your feet again I'm yours
All I am is yours
Yours
21.4.07
Ainda te quero, ainda te amo
E mais uma vez me deparo contigo, folha em branco.
O que era tão fácil agora me parece tão difícil. Mesmo agora que sei e reconheço estar só. Escolha, eu sei.
Talvez seja a noite que trás os fantasmas que rondam minha cama. Talvez os fantasmas me rondem o tempo todo e eu só perceba sua presença quando é noite.
Eu deveria te procurar, mas tenho muito medo da sua rejeição. Não creio que você vá me receber de braços abertos depois do que fiz. Talvez eu tenha tanto medo da sua rejeição que não me arrisque a saber se você ainda me quer ou não. Talvez eu carregue para sempre o benefício (?) da dúvida. Ou quem sabe eu te ligue numa dessas noites? Só pra escutar sua voz. Como eu fiz outro dia e você não sabe e nem percebeu.
Acho que o que me faz não te procurar é a vergonha. Vergonha de ter feito o que eu fiz.
Como explicar o inexplicável? Como dizer de forma compreensível que, olhando para trás, eu me achava possuído por um espírito ruim ou qualquer coisa assim? A não ser que você acredite que aquele fosse eu. Se sim, não há mais esperanças. Esperanças que eu fiz questão de matar friamente.
Me pego pensando em você e achando que pensando com muita força, o telefone vai tocar e vou ouvir a suavidade da sua voz dizendo que me ama.
De qualquer modo, quero que você saiba que sua motivação me fez uma pessoa melhor. Sou conhecido no meu ambiente de trabalho e as pessoas gostam de mim porque você me fez ver quem eu sou.
Acho, francamente, que você nunca voltaria pra mim pelo simples fato de eu ter tido outra mulher. Acho que isso seria um entrave na nossa vida.
Acho que ainda não te procurei porque acho muita coisa.
A verdade é a seguinte: achei que pudesse te esquecer nos braços de outra mulher, mas isso não é verdade e nunca foi. Achei que já tinha te esquecido. Achei que não te amava mais. E no meio de todos os meus “achismos”, descobri que ainda te amo. E descobri que a gente não deu certo por causa dos meus medos. Sempre tive muito medo de te perder. Tenho medo de ser quem eu posso ser.
Te liguei e uma outra pessoa atendeu. Não sei se não sei seu número ou se você mudou. Toda a coragem que eu tinha juntado foi em vão. Que meus sentimentos fiquem registrados. Quem sabe você ainda Lê o que eu escrevo...
O que era tão fácil agora me parece tão difícil. Mesmo agora que sei e reconheço estar só. Escolha, eu sei.
Talvez seja a noite que trás os fantasmas que rondam minha cama. Talvez os fantasmas me rondem o tempo todo e eu só perceba sua presença quando é noite.
Eu deveria te procurar, mas tenho muito medo da sua rejeição. Não creio que você vá me receber de braços abertos depois do que fiz. Talvez eu tenha tanto medo da sua rejeição que não me arrisque a saber se você ainda me quer ou não. Talvez eu carregue para sempre o benefício (?) da dúvida. Ou quem sabe eu te ligue numa dessas noites? Só pra escutar sua voz. Como eu fiz outro dia e você não sabe e nem percebeu.
Acho que o que me faz não te procurar é a vergonha. Vergonha de ter feito o que eu fiz.
Como explicar o inexplicável? Como dizer de forma compreensível que, olhando para trás, eu me achava possuído por um espírito ruim ou qualquer coisa assim? A não ser que você acredite que aquele fosse eu. Se sim, não há mais esperanças. Esperanças que eu fiz questão de matar friamente.
Me pego pensando em você e achando que pensando com muita força, o telefone vai tocar e vou ouvir a suavidade da sua voz dizendo que me ama.
De qualquer modo, quero que você saiba que sua motivação me fez uma pessoa melhor. Sou conhecido no meu ambiente de trabalho e as pessoas gostam de mim porque você me fez ver quem eu sou.
Acho, francamente, que você nunca voltaria pra mim pelo simples fato de eu ter tido outra mulher. Acho que isso seria um entrave na nossa vida.
Acho que ainda não te procurei porque acho muita coisa.
A verdade é a seguinte: achei que pudesse te esquecer nos braços de outra mulher, mas isso não é verdade e nunca foi. Achei que já tinha te esquecido. Achei que não te amava mais. E no meio de todos os meus “achismos”, descobri que ainda te amo. E descobri que a gente não deu certo por causa dos meus medos. Sempre tive muito medo de te perder. Tenho medo de ser quem eu posso ser.
Te liguei e uma outra pessoa atendeu. Não sei se não sei seu número ou se você mudou. Toda a coragem que eu tinha juntado foi em vão. Que meus sentimentos fiquem registrados. Quem sabe você ainda Lê o que eu escrevo...
18.4.07
Sempre
Sempre
Eu te contemplava sempre
Feito um gato aos pés da dona
Mesmo em sonho estive atento
Para poder lembrar-te sempre
Como olhando o firmamento
Vejo estrelas que já foram
Noite afora para sempre
O teu corpo em movimento
Os teus lábios em flagrante
O teu riso,o teu silêncio
Serão meus ainda e sempre
Dura a vida alguns instantes
Porém mais do que bastantes
Quando cada instante é sempre
(Chico Buarque, sempre ele)
Eu te contemplava sempre
Feito um gato aos pés da dona
Mesmo em sonho estive atento
Para poder lembrar-te sempre
Como olhando o firmamento
Vejo estrelas que já foram
Noite afora para sempre
O teu corpo em movimento
Os teus lábios em flagrante
O teu riso,o teu silêncio
Serão meus ainda e sempre
Dura a vida alguns instantes
Porém mais do que bastantes
Quando cada instante é sempre
(Chico Buarque, sempre ele)
5.4.07
Escrever é Negar Sentimentos
Uma vez um poeta disse: "escrever é negar sentimentos".
Chegou em casa naquela noite se sentindo diferente, estranho, esquisito. Tirou o paletó como fazia sempre, fumou um cigarro como sempre, mas as coisas lhe pareciam diferentes, estranhas, esquisitas.
Não tinha fome, não tinha sede, nada. Andava nu pela casa o que lhe pareceu ainda mais diferente, estranho, esquisito. Não era hábito seu. Colocou uma música, mas o som lhe parecia uma cacofonia e resolveu tirar. Nu e no silêncio da casa, caminhou até o quarto, sentou na beirada da cama com a cabeça apoiada nas mãos, os cotovelos apoiados nos joelhos e fitava o nada. Num repente começou a rezar. Do jeito dele, claro. Tinha estudado em colégio de padre quando pequeno, mas não sabia Pai-Nosso ou Ave-Maria, então naquela estranheza, naquela diferença, naquela esquisitice, conversou com Deus.
Dizia coisas desconexas, estúpidas, absurdas e ao mesmo tempo coerentes e inteligentes. Sabia que Deus entendia. Falou durante horas e horas e horas e horas sem fim. Em dado momento, achou que perderia a voz e passou a falar para dentro, murmurando. Sabia que Deus o escutava. Tinha certeza. Afinal, nunca tinha falado antes com Ele e seria uma grande sacanagem se o todo-poderoso não o escutasse agora.
Não pediu nada. Nem para ele, nem para ninguém. Só falou.
Quando achou que tinha terminado, sentou-se ao computador e escreveu e escreveu e escreveu até que não sentia mais a ponta dos dedos. Até que não conseguia mais manter o corpo na cadeira. Até que foi tomado de todo o cansaço do mundo. Se atirou da cadeira para a cama e dormiu.
Em um sonho, ouviu uma frase. Como se alguém muito, muito longe gritasse, conseguiu distinguir algumas palavras.
Acordou aos prantos. Lá estava ele. Mais uma vez, negando seus sentimentos...
Chegou em casa naquela noite se sentindo diferente, estranho, esquisito. Tirou o paletó como fazia sempre, fumou um cigarro como sempre, mas as coisas lhe pareciam diferentes, estranhas, esquisitas.
Não tinha fome, não tinha sede, nada. Andava nu pela casa o que lhe pareceu ainda mais diferente, estranho, esquisito. Não era hábito seu. Colocou uma música, mas o som lhe parecia uma cacofonia e resolveu tirar. Nu e no silêncio da casa, caminhou até o quarto, sentou na beirada da cama com a cabeça apoiada nas mãos, os cotovelos apoiados nos joelhos e fitava o nada. Num repente começou a rezar. Do jeito dele, claro. Tinha estudado em colégio de padre quando pequeno, mas não sabia Pai-Nosso ou Ave-Maria, então naquela estranheza, naquela diferença, naquela esquisitice, conversou com Deus.
Dizia coisas desconexas, estúpidas, absurdas e ao mesmo tempo coerentes e inteligentes. Sabia que Deus entendia. Falou durante horas e horas e horas e horas sem fim. Em dado momento, achou que perderia a voz e passou a falar para dentro, murmurando. Sabia que Deus o escutava. Tinha certeza. Afinal, nunca tinha falado antes com Ele e seria uma grande sacanagem se o todo-poderoso não o escutasse agora.
Não pediu nada. Nem para ele, nem para ninguém. Só falou.
Quando achou que tinha terminado, sentou-se ao computador e escreveu e escreveu e escreveu até que não sentia mais a ponta dos dedos. Até que não conseguia mais manter o corpo na cadeira. Até que foi tomado de todo o cansaço do mundo. Se atirou da cadeira para a cama e dormiu.
Em um sonho, ouviu uma frase. Como se alguém muito, muito longe gritasse, conseguiu distinguir algumas palavras.
Acordou aos prantos. Lá estava ele. Mais uma vez, negando seus sentimentos...
24.2.07
Ainda assim
Mesmo que as coisas fossem adiante. Mesmo que você realmente não me amasse mais. Mesmo que eu não te amasse mais, eu faria tudo outra vez.
Mesmo que tudo fosse verdade. Que você conseguisse não me amar mais de uma hora pra outra como foi dito. Mesmo que eu não te quisesse mais, ainda assim, faria tudo de novo.
Faria tudo pra começar de novo. Pra escrever tudo de novo. Pra ouvir a chuva caindo mais uma vez. Pra ver os mesmos filmes. Te conhecer de novo e continuar te amando.
Isso tudo porque só carrego comigo as boas lembranças. Porque te levo em meu corpo como tatuagem (tá bom, isso não é meu... Peguei emprestado do Chico. Buarque. Não o gato).
Não que eu queria que as coisas chegassem ao que chegaram, mas os bons momentos... Esses são eternos.
A dor. A dor. Física, palpável, densa, insustentável. Mas há um tempo para tudo nessa vida. Na minha, na sua, na nossa. As noites insones, os remédios... Tudo isso há de ser compensado.
“Preciso descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
Que bota no corpo uma outra vez...
... Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu”
Mesmo que tudo fosse verdade. Que você conseguisse não me amar mais de uma hora pra outra como foi dito. Mesmo que eu não te quisesse mais, ainda assim, faria tudo de novo.
Faria tudo pra começar de novo. Pra escrever tudo de novo. Pra ouvir a chuva caindo mais uma vez. Pra ver os mesmos filmes. Te conhecer de novo e continuar te amando.
Isso tudo porque só carrego comigo as boas lembranças. Porque te levo em meu corpo como tatuagem (tá bom, isso não é meu... Peguei emprestado do Chico. Buarque. Não o gato).
Não que eu queria que as coisas chegassem ao que chegaram, mas os bons momentos... Esses são eternos.
A dor. A dor. Física, palpável, densa, insustentável. Mas há um tempo para tudo nessa vida. Na minha, na sua, na nossa. As noites insones, os remédios... Tudo isso há de ser compensado.
“Preciso descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
Que bota no corpo uma outra vez...
... Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu”
19.2.07
Don't Walk Away
Why do I say, don't walk away
You'll be the way your were before
When you don't want me anymore
Don't turn around, don't ever leave
A lonely room where empty days
Are gathering to meet me when you're gone, gone
How in the world will I go on
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away)
Don't walk away, don't say goodbye
Don't turn around, don't let it die
When shadows fall, when day is done
All through the night, all of my life
Don't walk away Is it a dream, when will it end
When everything we've ever known
Has ended and I'm all alone
Where will I go, where will I be
The feelings that I've never shown
Maybe I'll find the answer when you're gone, gone
How in the world will I go on
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away)
You'll be the way your were before
When you don't want me anymore
Don't turn around, don't ever leave
A lonely room where empty days
Are gathering to meet me when you're gone, gone
How in the world will I go on
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away)
Don't walk away, don't say goodbye
Don't turn around, don't let it die
When shadows fall, when day is done
All through the night, all of my life
Don't walk away Is it a dream, when will it end
When everything we've ever known
Has ended and I'm all alone
Where will I go, where will I be
The feelings that I've never shown
Maybe I'll find the answer when you're gone, gone
How in the world will I go on
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away) all you gotta do is stay
(Don't walk away)
12.1.07
Minha vida, minha morte
Curiosamente, não se sabe o que vai acontecer. Ou melhor, sabe-se, mas é melhor não pensar nisso.
Era meu último dia na cela. De uma forma estranha e reconfortante, as pessoas, ou melhor, os guardas me tratavam como se eu fosse gente. Até então, eu era somente um prisioneiro.Minha morte, por enforcamento, estava marcada para dez da noite.
Tudo me parecia uma grande metáfora. Eu pensava em tudo que tinha feito e não conseguia me sentir livre. Sabia com uma precisão cirúrgica tudo o que tinha feito. Sabia que não tinha sido o que minha mãe esperava de mim. Sabia que não consegui sair do casulo como havia prometido à minha esposa. Logo essas duas que tanto confiavam e acreditavam em mim.
No meu último jantar, pedi que me servissem o purê de batatas de minha esposa e um contra-filé “deep fried” de minha mãe. Claro que não era igual, mas os cozinheiros da prisão fizeram o melhor deles.
Pedi um cigarro e fumei como se fuma o último cigarro da sua vida. Também pedi uma dose de vodka. Minha cabeça ficou leve e o cigarro me queimou a língua como se fosse cascalho quente. Pensei nas duas mulheres da minha vida pela penúltima vez. Respirei fundo e fui conduzido pelos estreitos e fétidos corredores da prisão. Eu estava curiosamente calmo e cantava baixinho (Let’s make love, for old trimes sake. Let’s set right, an old mistake. Let’s invite our hearts to break. Is right tonight, just for old times sake.)
Ao chegarmos à forca, tentei fugir, lutei, acertei um soco em um dos guardas, mas fui contido. O padre falava qualquer coisa que não consegui compreender, pois chorava demais. Acho que chorava numa desesperada tentativa de fazer com que todos sentissem pena de mim e me deixassem ir. Mas isso seria ridículo. Cada um carrega sua cruz e a minha era ser morto por enforcamento. Compreendi tudo o que me foi dito a respeito de minha sentença e parei com o choro.
Minhas últimas palavras foram: Queria ser Superman e fazer o tempo voltar. Já que não posso, alguém explica pra Tita, por favor. Ela não vai entender porque eu sumi por tanto tempo. Minha mãe... Você fez o melhor, criou o melhor. Não se culpe, pois a culpa é toda minha. Bebê... Desculpe. Queria ser melhor. Queria ter tentado com mais força, mas eu não consegui. Queria ter te dado tudo que você merece. Queria ter te feito feliz, mas se eu te fiz feliz por cinco minutos da sua vida, então esses foram os cinco minutos mais felizes da minha vida.
Minha última lágrima escorreu quando a corda foi posta ao redor do meu pescoço. Fechei os olhos e a última coisa que senti foi o chão faltar de baixo de mim. A última coisa que escutei foi o estalar do meu pescoço. Morri sem ter conseguido ser o que as duas pessoas que eu amo tivessem a chance de vislumbrar alguma esperança em mim. Na verdade, morri muito depois de ter matado todas as esperanças das minhas duas mulheres.
Era meu último dia na cela. De uma forma estranha e reconfortante, as pessoas, ou melhor, os guardas me tratavam como se eu fosse gente. Até então, eu era somente um prisioneiro.Minha morte, por enforcamento, estava marcada para dez da noite.
Tudo me parecia uma grande metáfora. Eu pensava em tudo que tinha feito e não conseguia me sentir livre. Sabia com uma precisão cirúrgica tudo o que tinha feito. Sabia que não tinha sido o que minha mãe esperava de mim. Sabia que não consegui sair do casulo como havia prometido à minha esposa. Logo essas duas que tanto confiavam e acreditavam em mim.
No meu último jantar, pedi que me servissem o purê de batatas de minha esposa e um contra-filé “deep fried” de minha mãe. Claro que não era igual, mas os cozinheiros da prisão fizeram o melhor deles.
Pedi um cigarro e fumei como se fuma o último cigarro da sua vida. Também pedi uma dose de vodka. Minha cabeça ficou leve e o cigarro me queimou a língua como se fosse cascalho quente. Pensei nas duas mulheres da minha vida pela penúltima vez. Respirei fundo e fui conduzido pelos estreitos e fétidos corredores da prisão. Eu estava curiosamente calmo e cantava baixinho (Let’s make love, for old trimes sake. Let’s set right, an old mistake. Let’s invite our hearts to break. Is right tonight, just for old times sake.)
Ao chegarmos à forca, tentei fugir, lutei, acertei um soco em um dos guardas, mas fui contido. O padre falava qualquer coisa que não consegui compreender, pois chorava demais. Acho que chorava numa desesperada tentativa de fazer com que todos sentissem pena de mim e me deixassem ir. Mas isso seria ridículo. Cada um carrega sua cruz e a minha era ser morto por enforcamento. Compreendi tudo o que me foi dito a respeito de minha sentença e parei com o choro.
Minhas últimas palavras foram: Queria ser Superman e fazer o tempo voltar. Já que não posso, alguém explica pra Tita, por favor. Ela não vai entender porque eu sumi por tanto tempo. Minha mãe... Você fez o melhor, criou o melhor. Não se culpe, pois a culpa é toda minha. Bebê... Desculpe. Queria ser melhor. Queria ter tentado com mais força, mas eu não consegui. Queria ter te dado tudo que você merece. Queria ter te feito feliz, mas se eu te fiz feliz por cinco minutos da sua vida, então esses foram os cinco minutos mais felizes da minha vida.
Minha última lágrima escorreu quando a corda foi posta ao redor do meu pescoço. Fechei os olhos e a última coisa que senti foi o chão faltar de baixo de mim. A última coisa que escutei foi o estalar do meu pescoço. Morri sem ter conseguido ser o que as duas pessoas que eu amo tivessem a chance de vislumbrar alguma esperança em mim. Na verdade, morri muito depois de ter matado todas as esperanças das minhas duas mulheres.
26.10.06
20.12.05
Classificados
Gente boa,
Já que não pinta emprego, resolvi anunciar meus serviços de tradução Inglês-Português-Inglês. Não sou juramentado, mas quebro um galho que só vendo! Faço traduções técnicas, manual de instrução, livros, matérias jornalísticas (já fiz uma pro jornal Extra que ganhou prêmio lá fora), história em quadrinhos, o que vier.
Precisando, entrar em contato pelo mail: marcito_ribeiro@hotmail.com que também é o MSN.
FELIZ NATAL E BOM 2006!!
Já que não pinta emprego, resolvi anunciar meus serviços de tradução Inglês-Português-Inglês. Não sou juramentado, mas quebro um galho que só vendo! Faço traduções técnicas, manual de instrução, livros, matérias jornalísticas (já fiz uma pro jornal Extra que ganhou prêmio lá fora), história em quadrinhos, o que vier.
Precisando, entrar em contato pelo mail: marcito_ribeiro@hotmail.com que também é o MSN.
FELIZ NATAL E BOM 2006!!
28.11.05
Nosso Deque
Fui caminhando pela orla da lagoa prestando atenção nas faces das pessoas - impressionante o que um domingo ensolarado traz de sorrisos – não pude deixar de observar. Andava despreocupada e preguiçosamente carregando Ruben Braga que me faria companhia, mas sem deixar de prestar atenção nos rostos alheios. A vida deveria ser feita única e exclusivamente de domingos de sol.
Cheguei ao nosso deque e sentei-me à sombra para ler minha companhia. Ali crianças bem vestidas de pais melhor ainda vestidos, corriam e gritavam em louco frenesi sem atrapalhar minha leitura. Uma das crianças me olhava com ar desconfiado possivelmente tentando imaginar o que poderia ser mais interessante do que gritar e correr. Sorri para ela que me sorriu de volta e voltou aos seus afazeres infantis. Talvez tenha se tranqüilizado sabendo que eu também me divertia.
Um Bem-Te-Vi chegou perto de mim para saber o que eu lia. Primeiro pousou acima de mim num fio de eletricidade, mas a visão não era boa. Aproximou-se mais, aprovou minha leitura, me olhou nos olhos e viu o quão feliz eu estava; aposto que, como todo Bem-Te-Vi é fofoqueiro, foi correndo contar aos outros Bem-Te-Vis que ali naquele deque se sentava um homem feliz. E aposto uma mariola mordida que ele sabia porque eu estava feliz!
O sol fazia com que os outros suassem, mas para mim ele chamou uma brisa leve que me protegia do calor. Luzes dançavam sobre a superfície da água que balançavam levemente o nosso deque quase que embalando nosso sonho que agora, é mais real do que a própria vida.
Cheguei ao nosso deque e sentei-me à sombra para ler minha companhia. Ali crianças bem vestidas de pais melhor ainda vestidos, corriam e gritavam em louco frenesi sem atrapalhar minha leitura. Uma das crianças me olhava com ar desconfiado possivelmente tentando imaginar o que poderia ser mais interessante do que gritar e correr. Sorri para ela que me sorriu de volta e voltou aos seus afazeres infantis. Talvez tenha se tranqüilizado sabendo que eu também me divertia.
Um Bem-Te-Vi chegou perto de mim para saber o que eu lia. Primeiro pousou acima de mim num fio de eletricidade, mas a visão não era boa. Aproximou-se mais, aprovou minha leitura, me olhou nos olhos e viu o quão feliz eu estava; aposto que, como todo Bem-Te-Vi é fofoqueiro, foi correndo contar aos outros Bem-Te-Vis que ali naquele deque se sentava um homem feliz. E aposto uma mariola mordida que ele sabia porque eu estava feliz!
O sol fazia com que os outros suassem, mas para mim ele chamou uma brisa leve que me protegia do calor. Luzes dançavam sobre a superfície da água que balançavam levemente o nosso deque quase que embalando nosso sonho que agora, é mais real do que a própria vida.
24.11.05
Bebê
Engraçado como as coisa começam... Talvez começar seja a parte mais difícil da caminhada, ou é o que dizem. Pra mim, os buracos da estrada são os mais complicados. Acho fácil começar assim como acho fácil desistir. Mas é na longa caminhada, quando ela me olha e diz: "Calma, Bebê. A gente vai juntos até o fim." que eu esqueço os buracos, olho nos olhos dela, me vejo e aí, tudo fica mais suave...
"Não , não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar. Aprendi! A vida me ensinou a caminhar cantando, como convém a mim e aos que vão comigo" Thiago de Mello ( pois já não vou mais sozinha)
"Não , não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar. Aprendi! A vida me ensinou a caminhar cantando, como convém a mim e aos que vão comigo" Thiago de Mello ( pois já não vou mais sozinha)
15.10.05
Eu Sou o Tigre
Eu sou o delicioso Paradoxo.
O mundo inteiro é meu palco.
Eu incendeio novas trilhas;
Eu procuro o inatingível,
E intento o que não foi intentado.
Danço ao som da música da vida
Em alegre abandono.
Venha cavalgar comigo no meu carrossel.
Veja as cores em número infinito,
As luzes que cintilam.
Todos me aclamam o realizador sem paralelo.
O mundo inteiro é meu palco.
Eu incendeio novas trilhas;
Eu procuro o inatingível,
E intento o que não foi intentado.
Danço ao som da música da vida
Em alegre abandono.
Venha cavalgar comigo no meu carrossel.
Veja as cores em número infinito,
As luzes que cintilam.
Todos me aclamam o realizador sem paralelo.
26.9.05
As Mais Tocadas de Marcito
1- Collin Hay – Down Under (Accoustic Version)
2- Damien Rice – The Blower’s Daughter
3- Blues Treavellers – Canadian Rose
4- Ella Fitzgerald and Oscar Peterson – Midnight Sun
5- Lynyrd Skynyrd – Heartbreak Hotel
6- Nina Simone – Love Me or Leave Me
7- John Coltrane – Central Park West
8- The Guess Who – No Sugar Tonight
9- Black Box – Fall Into my Love
10- Seals and Crofts – Summer Breeze
11- Ednardo - Dorothe L’Amour
12- Ednardo – Flora
13- Milton Nascimento – Canção Amiga
14- Novos Baianos – A Menina Dança
15- Paulinho da Viola – Bebadosamba
16- Ac/Dc – Ride On
17- The Band – The Night They Drove Old Dixie Down
18- Aimee Mann – Wise Up
19- Bill Evans & Eddie Gomes – Invitation
20- Blues Travellers – Make My Way
2- Damien Rice – The Blower’s Daughter
3- Blues Treavellers – Canadian Rose
4- Ella Fitzgerald and Oscar Peterson – Midnight Sun
5- Lynyrd Skynyrd – Heartbreak Hotel
6- Nina Simone – Love Me or Leave Me
7- John Coltrane – Central Park West
8- The Guess Who – No Sugar Tonight
9- Black Box – Fall Into my Love
10- Seals and Crofts – Summer Breeze
11- Ednardo - Dorothe L’Amour
12- Ednardo – Flora
13- Milton Nascimento – Canção Amiga
14- Novos Baianos – A Menina Dança
15- Paulinho da Viola – Bebadosamba
16- Ac/Dc – Ride On
17- The Band – The Night They Drove Old Dixie Down
18- Aimee Mann – Wise Up
19- Bill Evans & Eddie Gomes – Invitation
20- Blues Travellers – Make My Way
3.9.05
Bebadosamba
Um mestre do verso, de olhar destemido,
disse uma vez, com certa ironia :
“Se lágrima fosse de pedra
eu choraria”
Mas eu, Boca, como semrpe perdido
Bêbado de sambas e tantos sonhos
Choro a lágrima comum,
Que todos choram
Embora não tenha, nessas horas,
Saudade do passado, remorso
Ou mágoas menores
Meu choro, Boca,
Dolente, por questão de estilo,
É chula quase raiada
Solo espontâneo e rude
De um samba nunca terminado
Um rio de murmúrios da memória
De meus olhos, e quando aflora
Serve, antes de tudo,
Para aliviar o peso das palavras
Que ninguém é de pedra
(Paulinho da Viola)
disse uma vez, com certa ironia :
“Se lágrima fosse de pedra
eu choraria”
Mas eu, Boca, como semrpe perdido
Bêbado de sambas e tantos sonhos
Choro a lágrima comum,
Que todos choram
Embora não tenha, nessas horas,
Saudade do passado, remorso
Ou mágoas menores
Meu choro, Boca,
Dolente, por questão de estilo,
É chula quase raiada
Solo espontâneo e rude
De um samba nunca terminado
Um rio de murmúrios da memória
De meus olhos, e quando aflora
Serve, antes de tudo,
Para aliviar o peso das palavras
Que ninguém é de pedra
(Paulinho da Viola)
4.8.05
Gerontion
E me defino nas palavras de Shakespeare:
Thou hast nor youth nor age,
But, as it were, an after dinner's sleep,
Dreaming on both
(Não és jovem nem velho,
Mas como, se após o jantar adormecesses,
Sonhando que ambos fosses)
Thou hast nor youth nor age,
But, as it were, an after dinner's sleep,
Dreaming on both
(Não és jovem nem velho,
Mas como, se após o jantar adormecesses,
Sonhando que ambos fosses)
30.7.05
6.7.05
Prisão
Fui conduzido por corredores estreitos cercados de guardas. Ainda estava algemado. Me despedia de alguns conhecidos que me desejavam sorte por trás das grades de suas celas, mas na maior parte do caminho, olhava para o chão. O velho piso de cimento empoeirado não ia deixar saudades. Sentia que me faria uma grande falta a rachadura em forma de cachorro na parede cheia de infiltrações da minha cela com quem eu conversava e contava segredos.Eu e os guardas chegamos ao portão principal por onde eu entrara muitos anos atrás. A luz do dia violava minhas retinas. Minha vida recomeçava ali.
23.10.04
14.10.04
100° Post
Aêêêêêêêêêêê!!!!
Quem diria que eu chegaria aqui! 100° post!!!
Pra comemorar, vou anunciar minha flauta:
Vendo flauta transversa Yamaha F100 SII. Tá um pouco escurecida pela falta de uso, mas funciona direitinho. Sapatilhas e lubrificação em perfeito estado. Preço: R$ 900,00. Tenho visto por aí gente vendendo o mesmo modelo de flauta entre R$ 1.200,00 e R$ 1.300,00. Como a minha tá precisando de uma limpeza, tô dando essa colher de chá! Quem se interessar, deixa um recado COM E-MAIL ali nos comentários oumanda um mail pro endereço ali de cima em "fale comigo".
Muito grato, gente boa! Inté a próxima!!
Quem diria que eu chegaria aqui! 100° post!!!
Pra comemorar, vou anunciar minha flauta:
Vendo flauta transversa Yamaha F100 SII. Tá um pouco escurecida pela falta de uso, mas funciona direitinho. Sapatilhas e lubrificação em perfeito estado. Preço: R$ 900,00. Tenho visto por aí gente vendendo o mesmo modelo de flauta entre R$ 1.200,00 e R$ 1.300,00. Como a minha tá precisando de uma limpeza, tô dando essa colher de chá! Quem se interessar, deixa um recado COM E-MAIL ali nos comentários oumanda um mail pro endereço ali de cima em "fale comigo".
Muito grato, gente boa! Inté a próxima!!
6.9.04
Meu Tempo é Hoje
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
Meu mundo é hoje
Não existe amanhã pra mim
Eu sou assim
Assim morrerei um dia
Não levarei arrependimentos
Nem o peso da hipocrisia
Tenho pena daqueles
Que se agacham até o chão
Enganando a si mesmos
Por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte nesse enorme batalhão
Pois sei que além de flores
Nada mais vai pro caixão
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
(Paulinho da Viola)
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
Meu mundo é hoje
Não existe amanhã pra mim
Eu sou assim
Assim morrerei um dia
Não levarei arrependimentos
Nem o peso da hipocrisia
Tenho pena daqueles
Que se agacham até o chão
Enganando a si mesmos
Por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte nesse enorme batalhão
Pois sei que além de flores
Nada mais vai pro caixão
Eu sou assim
Quem quiser gostar de mim, eu sou assim
(Paulinho da Viola)
13.8.04
Lições
Eu tenho que aprender que eu tenho que sentar pra escrever na hora que a idéia bate. Esses dias, estava eu na cozinha quando uma idéia super legal pra um texto me ocorreu. Pensei: "daqui a pouco eu sento lá e escrevo nem que seja o rascunho...". Quem foi que te falou que eu consegui me lembrar o que eu tinha pensado? Fiquei eu sentado na frente do computador, o editor de texto olhando pra mim inquisitivamente e eu com cara de mané...
Depois eu fico me cobrando escrever... Quem é que pode escrever sendo um preguiçoso de carteirinha?
Humpf!
Depois eu fico me cobrando escrever... Quem é que pode escrever sendo um preguiçoso de carteirinha?
Humpf!
7.8.04
Bluer than Blue
After you go
I can catch up on my reading
After you go
I'll have a lot more time for sleeping
And when you're gone it looks like things
Are gonna be a lot easier
Life will be a breeze, you know
I really should be glad
But I'm bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
After you go
I'll have a lot more room in my closet
After you go
I'll stay out all night long if I feel like it
And when you're gone
I can run through the house screaming
And no one will ever hear me
I really should be glad
But I'm bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
I don't have to miss no TV shows
I can start my whole life over
Change the numbers on my telephone
But the nights will sure be colder, and I'm
...Bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
Bluer than blue
(Michael Johnson)
Sei lá... Me deu uma tristeza...
I can catch up on my reading
After you go
I'll have a lot more time for sleeping
And when you're gone it looks like things
Are gonna be a lot easier
Life will be a breeze, you know
I really should be glad
But I'm bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
After you go
I'll have a lot more room in my closet
After you go
I'll stay out all night long if I feel like it
And when you're gone
I can run through the house screaming
And no one will ever hear me
I really should be glad
But I'm bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
I don't have to miss no TV shows
I can start my whole life over
Change the numbers on my telephone
But the nights will sure be colder, and I'm
...Bluer than blue
Sadder than sad
You're the only light
This empty room has ever had
Life without you is gonna be
Bluer than blue
Bluer than blue
(Michael Johnson)
Sei lá... Me deu uma tristeza...
27.7.04
Prêmio
Update:
Acatando sugestões, os prêmios passam a ser: 1 mariola mordida, 1 caceteira elétrica, 1 pênis Montreal ou um caralho de pelúcia!
Antenção, meus adorados leitores!
Enquanto escrevo, este humilde blog conta com 7912 visitas! Em sendo assim, resolvi premiar a visita de número 8000 com uma mariola mordida ou uma caceteira elétrica!
O vencedor poderá escolher entre esses dois maravilhosos prêmios patrocinados pela Velho Mago Inc.
Acatando sugestões, os prêmios passam a ser: 1 mariola mordida, 1 caceteira elétrica, 1 pênis Montreal ou um caralho de pelúcia!
Antenção, meus adorados leitores!
Enquanto escrevo, este humilde blog conta com 7912 visitas! Em sendo assim, resolvi premiar a visita de número 8000 com uma mariola mordida ou uma caceteira elétrica!
O vencedor poderá escolher entre esses dois maravilhosos prêmios patrocinados pela Velho Mago Inc.
13.7.04
Da Saudade e do Tempo
Depois de um longo e tenebroso inverno, consegui, finalmente, assistir ao documentário “Paulinho da Viola – Meu Tempo é Hoje”. Outra hora eu falo do filme ou escrevo uma daquelas minhas parcas críticas cinematográficas que ninguém lê.
O que me chamou a atenção foi uma descoberta que fiz: eu não tenho saudade.
Uma vez constatado o fato, abri outra cerveja, acendi mais um cigarro e me pus a pensar na coisa. Abri o dicionário para ver a morfologia e o significado literal da palavra “saudade”. Segue:
“1. Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável.”
Para mim, bastaram as sete primeiras palavras e, na verdade, uma delas diz quase tudo: “incompletude”.
Muitas vezes, uso expressões como “tenho saudade de jogar bola na pracinha” ou coisa que o valha, mas na verdade não é saudade. Eu não gostaria de ter dez anos de novo. Nem dezoito, nem três. Penso no meu passado com muito carinho, muito afeto e procuro não repetir algumas burradas que cometi lá. O que passou, virou história, aprendizado. Pessoas também passaram e continuam passando pela minha vida e fazendo parte e construindo comigo a minha história. Umas chegam e vão, outras chegam ficam um tempo e também se vão. Mas as mais importantes são as que marcam. As marcas que carregamos são indeléveis e nem a implacabilidade do tempo pode apagar. Da mesma forma, não sinto saudades. Da mesma forma, penso nas pessoas que se foram com muito carinho e respeito. O que deveria ser vivido naquele tempo com aquela pessoa, foi completo, me bastou, me fez completo.
Recentemente encontrei pessoas de um passado nem tão distante assim. Gente de colégio, gente de quem gosto muito mesmo! Claro que a conversa girou em torno das coisas desse passado. Me vinham imagens e boas sensações daquele tempo, mas o tempo ficou lá. As pessoas reapareceram, mas a união, a cumplicidade que se tinha naquele tempo, não existem mais. As pessoas seguem seus caminhos. Existe o carinho por termos dividido uma época tão rica na vida de qualquer um. Época de experimentações, afirmações, medos, dúvidas muito mais intensos do que hoje.
Mudando um pouco, mas não completamente de assunto. Reparei, nessa aventura de reler meus textos antigos, que escrevo muito sobre mares, rios e sobre o tempo. Mar e rio são metáforas para o próprio tempo e confesso que muitas vezes usei dessas metáforas sem saber desse significado.
O tempo não pára, a vida não pára. Sentir saudade é uma forma de se tentar ficar lá naquele tempo e isso interrompe, vai contra o sentido da própria vida. Como dizia Heráclito a vida é um fluxo de constante movimento (como o rio, como o mar). Eu tenho problemas com o tempo. Nunca quis que o tempo parasse. Sei que tenho problemas em administrar meu tempo, mas vou aprendendo enquanto sigo essa minha vereda.
“A única coisa que nos cabe decidir é o que fazer com o tempo que nos foi dado”
Gandalf
“O tempo perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.”
(Se alguém souber o autor, este velho e alquebrado escriba agradecerá a contribuição)
“Meu tempo as vezes se perde
Em coisas que não desejo...”
Retiro – Paulinho da Viola
"O vento empurra o barco, mas quem escolhe o rumo é o timoneiro"
Marcio Brito
O que me chamou a atenção foi uma descoberta que fiz: eu não tenho saudade.
Uma vez constatado o fato, abri outra cerveja, acendi mais um cigarro e me pus a pensar na coisa. Abri o dicionário para ver a morfologia e o significado literal da palavra “saudade”. Segue:
“1. Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável.”
Para mim, bastaram as sete primeiras palavras e, na verdade, uma delas diz quase tudo: “incompletude”.
Muitas vezes, uso expressões como “tenho saudade de jogar bola na pracinha” ou coisa que o valha, mas na verdade não é saudade. Eu não gostaria de ter dez anos de novo. Nem dezoito, nem três. Penso no meu passado com muito carinho, muito afeto e procuro não repetir algumas burradas que cometi lá. O que passou, virou história, aprendizado. Pessoas também passaram e continuam passando pela minha vida e fazendo parte e construindo comigo a minha história. Umas chegam e vão, outras chegam ficam um tempo e também se vão. Mas as mais importantes são as que marcam. As marcas que carregamos são indeléveis e nem a implacabilidade do tempo pode apagar. Da mesma forma, não sinto saudades. Da mesma forma, penso nas pessoas que se foram com muito carinho e respeito. O que deveria ser vivido naquele tempo com aquela pessoa, foi completo, me bastou, me fez completo.
Recentemente encontrei pessoas de um passado nem tão distante assim. Gente de colégio, gente de quem gosto muito mesmo! Claro que a conversa girou em torno das coisas desse passado. Me vinham imagens e boas sensações daquele tempo, mas o tempo ficou lá. As pessoas reapareceram, mas a união, a cumplicidade que se tinha naquele tempo, não existem mais. As pessoas seguem seus caminhos. Existe o carinho por termos dividido uma época tão rica na vida de qualquer um. Época de experimentações, afirmações, medos, dúvidas muito mais intensos do que hoje.
Mudando um pouco, mas não completamente de assunto. Reparei, nessa aventura de reler meus textos antigos, que escrevo muito sobre mares, rios e sobre o tempo. Mar e rio são metáforas para o próprio tempo e confesso que muitas vezes usei dessas metáforas sem saber desse significado.
O tempo não pára, a vida não pára. Sentir saudade é uma forma de se tentar ficar lá naquele tempo e isso interrompe, vai contra o sentido da própria vida. Como dizia Heráclito a vida é um fluxo de constante movimento (como o rio, como o mar). Eu tenho problemas com o tempo. Nunca quis que o tempo parasse. Sei que tenho problemas em administrar meu tempo, mas vou aprendendo enquanto sigo essa minha vereda.
“A única coisa que nos cabe decidir é o que fazer com o tempo que nos foi dado”
Gandalf
“O tempo perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.”
(Se alguém souber o autor, este velho e alquebrado escriba agradecerá a contribuição)
“Meu tempo as vezes se perde
Em coisas que não desejo...”
Retiro – Paulinho da Viola
"O vento empurra o barco, mas quem escolhe o rumo é o timoneiro"
Marcio Brito
8.7.04
Do Beijo
- Meu bem, me dá um beijo?
- Assim, sem mais nem menos?
- É que me deu vontade de esquecer o mundo...
- Assim, sem mais nem menos?
- É que me deu vontade de esquecer o mundo...
1.7.04
Das Definições. Parte I
Gemidos: palavras que se começa a dizer, mas no meio do caminho, já se tem certeza de que o outro entendeu e a necessidade de completá-las se esvai!
28.6.04
Aniversário
Um ano. Ontem, dia 27 de junho esse blog completou um ano de existência. Passei os dias que antecederam esse aniversário me dedicando a ler tudo o que escrevi desde o começo, desde o dia 27 de junho de 2003 e me diverti bastante.
Tudo começou quando o Mago já estava agonizante. Eu já estava cansado do personagem e queria continuar escrevendo, mas não lá. Não escrevendo o que eu escrevia. Decidi que seria interessante falar sobre descobertas minhas sobre o mundo, sobre mim, sobre os outros. Achei que seria mais interessante ainda ter gente que pudesse contribuir com suas próprias descobertas, enriquecendo assim o blog. Acabou não dando certo por diversos motivos, mas resolvi continuar com a coisa assim mesmo tendo como colaboradora a já conhecida Menina da Torre que aparecia esporadicamente pra escrever. Sempre fui admirador dos textos e da própria Menina da Torre e, um belo dia, mostrei a ela um continho que eu tinha escrito a respeito de uma cena no metrô da qual fui protagonista e ela, com toda a propriedade me disse:
- Por que você não publica isso, caralho? Ficou ótimo!!
- Pô... Taí! Vou publicar mesmo!
Fiquei surpreso com a quantidade de gente que tinha gostado do conto. Como algumas pessoas sabem, eu sou meu crítico mais ferino e isso me impediu de publicar muitas coisas aqui. Principalmente no começo quando eu não tinha segurança no que escrevia. Hoje, um pouco menos inseguro nos meus textos, escrevo e quase não percebo. O que antes era um certo esforço, hoje sai naturalmente. Há muito já não tento domar minhas palavras e nem tento direcionar a escrita. Simplesmente deixo as coisas fluírem, as estórias surgirem e seus personagens ganharem vida nessas parcas linhas que escrevo.
Um ano. Em um ano vi blogs morrerem e blogs nascerem. Vi a minha forma de escrever mudar muito e ainda vi gente que mudou a forma de escrever depois que passou a me ler (apesar de não reconhecer. Acontece... eu acho.). Conheci gentes e conheci gente. Fiz amigos. Uns ficaram no caminho, outros estreitaram os laços de amizade. Ganhei e perdi. Gente que me ajudou a escrever melhor, a superar crises. Gente que me mostrou tanta coisa sobre mim tendo somente lido meus textos. Gente que me encanta. Aqui me expus, contei fragmentos da minha vida, contei minhas angústias, tristezas, frustrações, alegrias, paixões. Vi uniões e separações. Falei sobre música e cinema que são minhas grandes paixões. Me apaixonei, quebrei a cara e nunca odiei ninguém. Talvez a mim mesmo em certos momentos. Confesso que não posso mais ter contato com algumas pessoas. Ainda me é muito doloroso... Mas não guardo rancores. Essas coisas envenenam e descobri que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Um dia, quem sabe eu escrevo sobre isso. Ou não. Tem coisas que é melhor a gente não mexer mais. Pode ser que a ferida se abra de novo e a dor volte ainda mais intensa. É... Melhor esquecer.
Confesso também que perdi um pouco do tesão de escrever. Mentira. Perdi o tesão de escrever e publicar aqui. Tenho escrito muito. Minha vida chegou a um momento de mudanças estruturais que eu estou achando o máximo. Vou voltar a fazer coisas que nunca deveria ter deixado de lado e resolvi fazer outras que nunca tinha feito. Percebi que a vida premia a ousadia e resolvi ser ousado.
Sou um sujeito que cria raízes. Criei aqui, mas essas eu vou ter que cortar. Preciso canalizar essa minha criatividade para outro lugar. Fazer outras coisas. Dar um rumo nessa minha vida. Tenho sonhos e chegou a hora de correr atrás deles.
Não vou parar de publicar alguns textos aqui, mas a freqüência vai diminuir drasticamente. Tenho muito carinho pelos meus textos e pelos que me acompanham. Meu e-mail está ali em cima e o endereço é também meu MSN. Apareçam se quiserem.
Pra terminar, resolvi postar uma música que passei anos caçando. Sabia quem tocava, mas não sabia o nome da música e nem entendia direito a letra. Com uma ajuda do pessoa da Rádio Antena 1 daqui do Rio, descobri que a música é Talking Out of Turn do The Moody Blues.
When I took a little loving from you
Oh I, never thought about the hurting inside
But I took a little more than I should
Oh why, can't explain that I ever would
Let you slip through my fingers
Let you escape like yesterday
I would appreciate you knowing
I thought your love had come to stay
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
But I took a little more of your each day
When I didn't see that I was breaking you apart
With angry words of love I didn't mean
Oh why, can't believe that I ever would
Talk myself out of tomorrow
Talked like a fool to yesterday
And as the evening loses colour
Your love began to fade away
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Talking out of turn
If I upset you
I didn't mean to hurt you
I didn't mean to make you cry
I don't need an alibi
To start me talking out of turn
When I took a little loving from you
Oh I, can't believe that I ever would
Let you slip through my fingers
Let you escape like yesterday
I would appreciate you knowing
I thought your love had come to stay
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Tudo começou quando o Mago já estava agonizante. Eu já estava cansado do personagem e queria continuar escrevendo, mas não lá. Não escrevendo o que eu escrevia. Decidi que seria interessante falar sobre descobertas minhas sobre o mundo, sobre mim, sobre os outros. Achei que seria mais interessante ainda ter gente que pudesse contribuir com suas próprias descobertas, enriquecendo assim o blog. Acabou não dando certo por diversos motivos, mas resolvi continuar com a coisa assim mesmo tendo como colaboradora a já conhecida Menina da Torre que aparecia esporadicamente pra escrever. Sempre fui admirador dos textos e da própria Menina da Torre e, um belo dia, mostrei a ela um continho que eu tinha escrito a respeito de uma cena no metrô da qual fui protagonista e ela, com toda a propriedade me disse:
- Por que você não publica isso, caralho? Ficou ótimo!!
- Pô... Taí! Vou publicar mesmo!
Fiquei surpreso com a quantidade de gente que tinha gostado do conto. Como algumas pessoas sabem, eu sou meu crítico mais ferino e isso me impediu de publicar muitas coisas aqui. Principalmente no começo quando eu não tinha segurança no que escrevia. Hoje, um pouco menos inseguro nos meus textos, escrevo e quase não percebo. O que antes era um certo esforço, hoje sai naturalmente. Há muito já não tento domar minhas palavras e nem tento direcionar a escrita. Simplesmente deixo as coisas fluírem, as estórias surgirem e seus personagens ganharem vida nessas parcas linhas que escrevo.
Um ano. Em um ano vi blogs morrerem e blogs nascerem. Vi a minha forma de escrever mudar muito e ainda vi gente que mudou a forma de escrever depois que passou a me ler (apesar de não reconhecer. Acontece... eu acho.). Conheci gentes e conheci gente. Fiz amigos. Uns ficaram no caminho, outros estreitaram os laços de amizade. Ganhei e perdi. Gente que me ajudou a escrever melhor, a superar crises. Gente que me mostrou tanta coisa sobre mim tendo somente lido meus textos. Gente que me encanta. Aqui me expus, contei fragmentos da minha vida, contei minhas angústias, tristezas, frustrações, alegrias, paixões. Vi uniões e separações. Falei sobre música e cinema que são minhas grandes paixões. Me apaixonei, quebrei a cara e nunca odiei ninguém. Talvez a mim mesmo em certos momentos. Confesso que não posso mais ter contato com algumas pessoas. Ainda me é muito doloroso... Mas não guardo rancores. Essas coisas envenenam e descobri que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Um dia, quem sabe eu escrevo sobre isso. Ou não. Tem coisas que é melhor a gente não mexer mais. Pode ser que a ferida se abra de novo e a dor volte ainda mais intensa. É... Melhor esquecer.
Confesso também que perdi um pouco do tesão de escrever. Mentira. Perdi o tesão de escrever e publicar aqui. Tenho escrito muito. Minha vida chegou a um momento de mudanças estruturais que eu estou achando o máximo. Vou voltar a fazer coisas que nunca deveria ter deixado de lado e resolvi fazer outras que nunca tinha feito. Percebi que a vida premia a ousadia e resolvi ser ousado.
Sou um sujeito que cria raízes. Criei aqui, mas essas eu vou ter que cortar. Preciso canalizar essa minha criatividade para outro lugar. Fazer outras coisas. Dar um rumo nessa minha vida. Tenho sonhos e chegou a hora de correr atrás deles.
Não vou parar de publicar alguns textos aqui, mas a freqüência vai diminuir drasticamente. Tenho muito carinho pelos meus textos e pelos que me acompanham. Meu e-mail está ali em cima e o endereço é também meu MSN. Apareçam se quiserem.
Pra terminar, resolvi postar uma música que passei anos caçando. Sabia quem tocava, mas não sabia o nome da música e nem entendia direito a letra. Com uma ajuda do pessoa da Rádio Antena 1 daqui do Rio, descobri que a música é Talking Out of Turn do The Moody Blues.
When I took a little loving from you
Oh I, never thought about the hurting inside
But I took a little more than I should
Oh why, can't explain that I ever would
Let you slip through my fingers
Let you escape like yesterday
I would appreciate you knowing
I thought your love had come to stay
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
But I took a little more of your each day
When I didn't see that I was breaking you apart
With angry words of love I didn't mean
Oh why, can't believe that I ever would
Talk myself out of tomorrow
Talked like a fool to yesterday
And as the evening loses colour
Your love began to fade away
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Talking out of turn
If I upset you
I didn't mean to hurt you
I didn't mean to make you cry
I don't need an alibi
To start me talking out of turn
When I took a little loving from you
Oh I, can't believe that I ever would
Let you slip through my fingers
Let you escape like yesterday
I would appreciate you knowing
I thought your love had come to stay
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
Talking out of turn
Shot to pieces
When will I learn
3.6.04
Futuro do pretérito mal feito
Sempre se pegava absorto, pensando no passado e na falsa segurança que este trazia. Olhava fotos antigas e seus olhos se enchiam de lágrimas como se vivesse o passado agora. Sentia-se seguro no passado quando era querido, amado e divertido. Em momentos como esse a vida lhe parecia calma e feliz. Vivia seu presente no passado, seu passado no presente. Hoje era apenas mais um. Visto como um louco, inconstante e piegas.
Certo dia olhou para o futuro e não viu nada mais que seu próprio reflexo envelhecido, triste e solitário. Não sozinho, mas solitário. Não queria viver o futuro. No futuro, continuava cometendo os mesmo erros, mas tinha mais dificuldade em se reerguer quando lhe puxavam o tapete ou quando ele tropeçava em sua própria pressa em se revelar, se resolver, se conhecer.
Em outro dia, curioso para saber se algo mudara em seu futuro, viu uma pessoa próxima. Era uma mulher. Bonita, de sorriso largo e sincero. Foi apenas um flash que vira. Sabia que mesmo que aquilo acontecesse, seria fugaz. Não criava mais ilusões a respeito de seu futuro. Sabia que daria um jeito de estragá-lo. Como fez ao longo de toda a sua vida.
Andava nu pelas ruas da cinzenta cidade. Era assim que se sentia com sua “arte”. Como se estivesse exposto aos olhares curiosos dos transeuntes que comentavam, censuravam ou aplaudiam. Sim. Havia quem aplaudisse mesmo que hipocritamente. Nesse dia, a mulher refletida ao seu lado no futuro, passou por ele. Apresentou-se, conversaram, mas como sempre, falara demais. Ela, por algum milagre, não percebera ou talvez fingisse não perceber.
Ele, mais uma vez, tinha se auto-sabotado. Perguntava-se se teria visto o futuro ou só mais uma repetição do passado. Um eco de um grito abafado em seu frágil peito de vidro. Coitado... De tão frágil, fino e transparente, começava a vazar. Uma pequena rachadura que ele tampou com o dedo. Mais uma rachadura que tampou com outro dedo até que não havia mais dedos para conter o vazamento. Vazio, foi pra casa catando os cacos de seu peito pelo caminho. Já na casa que não era sua, deitou-se na cama de outra pessoa e chorava lágrimas que já haviam sido derramadas.
Certo dia olhou para o futuro e não viu nada mais que seu próprio reflexo envelhecido, triste e solitário. Não sozinho, mas solitário. Não queria viver o futuro. No futuro, continuava cometendo os mesmo erros, mas tinha mais dificuldade em se reerguer quando lhe puxavam o tapete ou quando ele tropeçava em sua própria pressa em se revelar, se resolver, se conhecer.
Em outro dia, curioso para saber se algo mudara em seu futuro, viu uma pessoa próxima. Era uma mulher. Bonita, de sorriso largo e sincero. Foi apenas um flash que vira. Sabia que mesmo que aquilo acontecesse, seria fugaz. Não criava mais ilusões a respeito de seu futuro. Sabia que daria um jeito de estragá-lo. Como fez ao longo de toda a sua vida.
Andava nu pelas ruas da cinzenta cidade. Era assim que se sentia com sua “arte”. Como se estivesse exposto aos olhares curiosos dos transeuntes que comentavam, censuravam ou aplaudiam. Sim. Havia quem aplaudisse mesmo que hipocritamente. Nesse dia, a mulher refletida ao seu lado no futuro, passou por ele. Apresentou-se, conversaram, mas como sempre, falara demais. Ela, por algum milagre, não percebera ou talvez fingisse não perceber.
Ele, mais uma vez, tinha se auto-sabotado. Perguntava-se se teria visto o futuro ou só mais uma repetição do passado. Um eco de um grito abafado em seu frágil peito de vidro. Coitado... De tão frágil, fino e transparente, começava a vazar. Uma pequena rachadura que ele tampou com o dedo. Mais uma rachadura que tampou com outro dedo até que não havia mais dedos para conter o vazamento. Vazio, foi pra casa catando os cacos de seu peito pelo caminho. Já na casa que não era sua, deitou-se na cama de outra pessoa e chorava lágrimas que já haviam sido derramadas.
2.6.04
Classificados
Vendo coração.
Vinte e muitos (quase trinta) anos de uso. Ventrículos em perfeito estado de funcionamento. Tem a péssima mania de se apaixonar pelas pessoas erradas e adquiriu diversas cicatrizes devido a essa pequena falha. Encontra-se um pouco mofado, mas nada que manhãs de sol, boa música, livros ou filmes não possam dar jeito. Desanda a bater acelerado quando perto do objeto de afeição. Fiel, companheiro e cúmplice. Por fora não parece grande, mas cabem muitas pessoas confortavelmente. Dou preferência àqueles que tiverem a auto-estima em um nível que não o torne babaca nem o endureça. Tratar aqui mesmo!
Vinte e muitos (quase trinta) anos de uso. Ventrículos em perfeito estado de funcionamento. Tem a péssima mania de se apaixonar pelas pessoas erradas e adquiriu diversas cicatrizes devido a essa pequena falha. Encontra-se um pouco mofado, mas nada que manhãs de sol, boa música, livros ou filmes não possam dar jeito. Desanda a bater acelerado quando perto do objeto de afeição. Fiel, companheiro e cúmplice. Por fora não parece grande, mas cabem muitas pessoas confortavelmente. Dou preferência àqueles que tiverem a auto-estima em um nível que não o torne babaca nem o endureça. Tratar aqui mesmo!
31.5.04
O Retorno
Andava eu pelas ruas do Rio de Janeiro. O dia estava bonito com o sol amenizando o frio do inverno (?) carioca. Sentei-me num banco da orla de Ipanema e admirava o encontro de céu e mar quando um vento forte trouxe nuvens. O céu tornou-se plúmbeo e raios cruzavam as nuvens. Tomado do mais legítimo pânico, me escondi debaixo do banco quando uma voz tonitroante dirigiu-se a mim:
- Sai daí de baixo, frouxo!
- Quem é?
- Sou eu, o Mago! O Velho Mago!
- Mago? Por onde andavas?
- Ah! por aí... Entrei em contato contigo pois quero que sejas meu arauto! Avise à plebe ignara que EU voltei para sanar o males da humanidade!
Desde esse dia, sou o arauto desse cara aqui
- Sai daí de baixo, frouxo!
- Quem é?
- Sou eu, o Mago! O Velho Mago!
- Mago? Por onde andavas?
- Ah! por aí... Entrei em contato contigo pois quero que sejas meu arauto! Avise à plebe ignara que EU voltei para sanar o males da humanidade!
Desde esse dia, sou o arauto desse cara aqui
20.5.04
As Letras Aprisionadas
Olho a branca folha em branco e suspiro. Depois olho para dentro de mim e vejo um bilhão de letras se espremendo para cair sobre a branca folha, mas a porta está fechada. Levanto-me e dou voltas pela casa procurando pela chave. Não encontro. Procuro no fundo do copo e na guimba do cigarro, mas a chave também não está lá. Resignado, me recolho para tentar dormir, mas as letras se agitam dentro de minha cabeça, fazem barulho e não me deixam nem cochilar. Peço que se calem e elas se recusam. Ouço um barulho e descubro que as letras tinham arrombado a porta e se espalhavam pelo chão. Levanto-me desesperado tentando recolhe-las, mas elas são rápidas demais e se atiram sobre a branca folha agora não mais em branco e dizem: “SOMOS MAIS FORTES QUE SUA DEPRESSÃO, SEUS PORRES OU SUA SOLIDÃO!”
Desde então, parei de trancar a porta. Fecho os olhos e as letras tomam vida em folhas coloridas.
Desde então, parei de trancar a porta. Fecho os olhos e as letras tomam vida em folhas coloridas.
19.5.04
13.5.04
A Sala
Dentro da mínima sala, o pequeno e esquálido homem sentava-se no chão abraçado aos joelhos. Tinha como testemunha de seus pensamentos, o próprio assento e a rachadura no teto em forma de cachorro que resolvera chamar de Fred. Já não sabia há quanto tempo não via outra paisagem senão as marcas de infiltrações e as rachaduras nas paredes que o encarceravam. Imaginava que horas seriam, pois ouvia passos do lado de fora da porta de ferro batido.
Algumas vezes, uns homens entravam na sala. Mandavam-no ficar de costas para a porta e um dos homens o vendava. Ficavam muitas horas perguntando coisas sem sentido: “Onde está a bomba?” “Para quem você trabalha?” “De qual célula você faz parte?” “Quem são seus comparsas?”
No princípio ele respondia o que sabia, ou seja, nada. Depois de muito tempo sendo interrogado e respondendo o que os homens não queriam ouvir, resolveu calar-se por completo para descontentamento de seus interrogadores. Depois que eles saiam, ficava conversando com Fred durante horas. Por vezes achava que todas as suas faculdades mentais o haviam abandonado, mas rapidamente se convencia do contrário. Lembrava-se de seu nome, seu endereço, da casa onde morou, dos vizinhos.
Em verdade, lembrar-se de sua vida era tudo o que lhe havia restado, além de conversar com Fred que já tinha se tornado um grande amigo e confidente. Contava à figura de cachorro no teto seus segredos e medos mais profundos. Coisas que ele escondia até de si mesmo como o filho que tivera e abandonara, o homem que teve que matar, o medo de morrer só. Sendo que esse último já estava superado. Sabia que estava na sala para morrer. Poderia até ser de velhice, mas morreria se tivesse sorte.
Um dia, escutava os passos do lado de fora e os homens pareciam mais apressados. A porta se abriu com violência e, pela primeira vez, vira os homens. Vestiam uniformes negros. A sombra dos quepes cobria seus olhos de modo que só se via órbitas negras e ainda carregavam pistolas em coldres presos em suas cinturas. Dois homens entraram primeiro parando à frente da porta. Logo em seguida, com passadas lentas e controladas, um jovem comandante entrou também.
- Eu sou o Comandante Hessler – disse pausadamente. A voz dura e firme do comandante feriu-lhe os ouvidos – As coisas vão mudar aqui, meu caro. Quero que você responda a todas as minhas perguntas. Levante-se! – O pequenino homem levantou-se com dificuldade. A luz que penetrava pela porta incomodava seus olhos fazendo-os arder. – Vire-se para a parede! – Ordenou o comandante. O homenzinho, em pé no centro da sala não se moveu.
- Vire-se!!
Sem esperar mais, o comandante sacou de sua pistola e acertou um único e certeiro tiro bem no meio da testa do homem que ousara desafiar suas ordens. Em silêncio os três homens deixaram a sala e rumaram para o gabinete do General onde o Comandante Hessler faria seu relatório.
O impassível general escutou todo o relatório de Hessler sem piscar e ao fim, dirigiu palavra ao seu sobordinado:
- O senhor é burro, comandante? – Hessler gagejou:
- Co-como, senhor?
- Uma sala tem quantas paredes, idiota?
- Qua-quatro, senhor...
- Então o prisioneiro não desobedeceu a sua ordem! Tínhamos razões para acreditar que, em breve ele estaria pronto para nos dizer tudo! Comandante?
- S-s-sim, senhor...
- Considere-se exonerado!
Dias depois o corpo do Comandante Hessler trajando seu uniforme de gala, foi encontrado em sua residência. Pendurado pelo pescoço a um nó de forca preso a uma viga do teto. A carta que pairava abaixo das lustosas botas negras, tinha grifada as palavras "exoneração desronrosa".
Algumas vezes, uns homens entravam na sala. Mandavam-no ficar de costas para a porta e um dos homens o vendava. Ficavam muitas horas perguntando coisas sem sentido: “Onde está a bomba?” “Para quem você trabalha?” “De qual célula você faz parte?” “Quem são seus comparsas?”
No princípio ele respondia o que sabia, ou seja, nada. Depois de muito tempo sendo interrogado e respondendo o que os homens não queriam ouvir, resolveu calar-se por completo para descontentamento de seus interrogadores. Depois que eles saiam, ficava conversando com Fred durante horas. Por vezes achava que todas as suas faculdades mentais o haviam abandonado, mas rapidamente se convencia do contrário. Lembrava-se de seu nome, seu endereço, da casa onde morou, dos vizinhos.
Em verdade, lembrar-se de sua vida era tudo o que lhe havia restado, além de conversar com Fred que já tinha se tornado um grande amigo e confidente. Contava à figura de cachorro no teto seus segredos e medos mais profundos. Coisas que ele escondia até de si mesmo como o filho que tivera e abandonara, o homem que teve que matar, o medo de morrer só. Sendo que esse último já estava superado. Sabia que estava na sala para morrer. Poderia até ser de velhice, mas morreria se tivesse sorte.
Um dia, escutava os passos do lado de fora e os homens pareciam mais apressados. A porta se abriu com violência e, pela primeira vez, vira os homens. Vestiam uniformes negros. A sombra dos quepes cobria seus olhos de modo que só se via órbitas negras e ainda carregavam pistolas em coldres presos em suas cinturas. Dois homens entraram primeiro parando à frente da porta. Logo em seguida, com passadas lentas e controladas, um jovem comandante entrou também.
- Eu sou o Comandante Hessler – disse pausadamente. A voz dura e firme do comandante feriu-lhe os ouvidos – As coisas vão mudar aqui, meu caro. Quero que você responda a todas as minhas perguntas. Levante-se! – O pequenino homem levantou-se com dificuldade. A luz que penetrava pela porta incomodava seus olhos fazendo-os arder. – Vire-se para a parede! – Ordenou o comandante. O homenzinho, em pé no centro da sala não se moveu.
- Vire-se!!
Sem esperar mais, o comandante sacou de sua pistola e acertou um único e certeiro tiro bem no meio da testa do homem que ousara desafiar suas ordens. Em silêncio os três homens deixaram a sala e rumaram para o gabinete do General onde o Comandante Hessler faria seu relatório.
O impassível general escutou todo o relatório de Hessler sem piscar e ao fim, dirigiu palavra ao seu sobordinado:
- O senhor é burro, comandante? – Hessler gagejou:
- Co-como, senhor?
- Uma sala tem quantas paredes, idiota?
- Qua-quatro, senhor...
- Então o prisioneiro não desobedeceu a sua ordem! Tínhamos razões para acreditar que, em breve ele estaria pronto para nos dizer tudo! Comandante?
- S-s-sim, senhor...
- Considere-se exonerado!
Dias depois o corpo do Comandante Hessler trajando seu uniforme de gala, foi encontrado em sua residência. Pendurado pelo pescoço a um nó de forca preso a uma viga do teto. A carta que pairava abaixo das lustosas botas negras, tinha grifada as palavras "exoneração desronrosa".
12.5.04
Já não me vejo, não me tenho como antes,
A vida ganhou um papel muito grande.
Contorno teu contorno,
Sinto teu olhar de perto e por dentro
Corro risco de vida
E nem o medo me impede.
O sentimento humano
Nunca se solidificará
Nunca se sentirá concreto
Presencio tua ausência.
Solidifiquei-me em teu corpo,
Duramente sobrevivi em teu coração,
Bombeando-me, líquida,
Em breve destino...
Evaporei-me junto com teu silêncio.
E eis que me senti viva.
A vida ganhou um papel muito grande.
Contorno teu contorno,
Sinto teu olhar de perto e por dentro
Corro risco de vida
E nem o medo me impede.
O sentimento humano
Nunca se solidificará
Nunca se sentirá concreto
Presencio tua ausência.
Solidifiquei-me em teu corpo,
Duramente sobrevivi em teu coração,
Bombeando-me, líquida,
Em breve destino...
Evaporei-me junto com teu silêncio.
E eis que me senti viva.
7.5.04
Dersú Usalá (atendento ao carinhosíssimo pedido de uma leitora, e porque não, amiga)
Uma vez eu comentei aqui que eu queria ser Akira Kurosawa. Acabei de descobrir que queria ser uma mistura do Kurosawa com Andrei Tarkowski. Mas isso não vem ao caso, pois estamos aqui para falar de Dersú Usalá, que é do Kurosawa.
O filme é uma produção russo-nipônica de 1975 que, não por acaso, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1976. Vale ressaltar que o filme veio logo após uma fase de depressão de Kurosawa (dizem que por causa do fracasso no Japão de seu filme anterior – Dodesukaden – de 1970) que resultou numa tentativa de suicídio frustrada.
O filme conta a história (real, diga-se de passagem) da amizade do Capitão Vladmir Arseniev (Yuri Solomin), líder de uma expedição enviada à fronteira da Sibéria com a China a fim de realizar um levantamento topográfico da região, e Dersú Usalá (Maksim Munsuk), um caçador que vive da e na floresta daquela região.
Dito assim, o filme pode parecer desinteressante. Mas lembrem-se: é um Kurosawa! E como um bom Kurosawa, o filme apresenta movimentos sutis de câmera, longos planos, fotografia primorosa, profundidade de personagens e, conseqüentemente, das relações entre eles.
É interessante ver como o escárnio e a descrença da tropa em Dersú, se transforma em respeito e admiração pela simplicidade e conhecimento que carrega o pequenino velho de pernas arqueadas, olhar vivo e fala apressada.
Dersú Usalá é pura poesia em movimento. A integração do homem com a natureza e a amizade entre os dois protagonistas é retratada de forma magistral por aquele que este velho e alquebrado escriba, considera um dos cinco grandes diretores da história do cinema mundial.
Em uma nota mais intimista, gosto de acreditar que Kurosawa dirigiu e escreveu um filme tão tocante e tão bonito depois de ter descoberto (ou re-descoberto) a vida. Acho que a partir do momento que se viu vivo, escreveu uma história de aproximação dos homens. Não a aproximação que hoje chamamos de “globalização”. Mas a aproximação de uma pessoa da outra. Sem máscaras, nem fingimentos. Somente o respeito e admiração pelo próximo.
O filme é uma produção russo-nipônica de 1975 que, não por acaso, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1976. Vale ressaltar que o filme veio logo após uma fase de depressão de Kurosawa (dizem que por causa do fracasso no Japão de seu filme anterior – Dodesukaden – de 1970) que resultou numa tentativa de suicídio frustrada.
O filme conta a história (real, diga-se de passagem) da amizade do Capitão Vladmir Arseniev (Yuri Solomin), líder de uma expedição enviada à fronteira da Sibéria com a China a fim de realizar um levantamento topográfico da região, e Dersú Usalá (Maksim Munsuk), um caçador que vive da e na floresta daquela região.
Dito assim, o filme pode parecer desinteressante. Mas lembrem-se: é um Kurosawa! E como um bom Kurosawa, o filme apresenta movimentos sutis de câmera, longos planos, fotografia primorosa, profundidade de personagens e, conseqüentemente, das relações entre eles.
É interessante ver como o escárnio e a descrença da tropa em Dersú, se transforma em respeito e admiração pela simplicidade e conhecimento que carrega o pequenino velho de pernas arqueadas, olhar vivo e fala apressada.
Dersú Usalá é pura poesia em movimento. A integração do homem com a natureza e a amizade entre os dois protagonistas é retratada de forma magistral por aquele que este velho e alquebrado escriba, considera um dos cinco grandes diretores da história do cinema mundial.
Em uma nota mais intimista, gosto de acreditar que Kurosawa dirigiu e escreveu um filme tão tocante e tão bonito depois de ter descoberto (ou re-descoberto) a vida. Acho que a partir do momento que se viu vivo, escreveu uma história de aproximação dos homens. Não a aproximação que hoje chamamos de “globalização”. Mas a aproximação de uma pessoa da outra. Sem máscaras, nem fingimentos. Somente o respeito e admiração pelo próximo.
4.5.04
Fotas
Pra quem não viu as fotas publicadas aqui, clica aqui e vê lá!
Retiro
Meu tempo às vezes se perde
Em coisas que não desejo
Mas não repare esse lado
Pois meu amor é o mesmo
Nos momentos de carinho
Eu me desligo de tudo
Nos braços de quem se ama
É fácil esquecer o mudo
Às vezes eu me retiro
E nada me faz sentido
Só há um canto na vida
Aonde eu me refugio
Afasta as sombras que eu vejo
Nos teus olhos tão aflitos
Você conhece minh’alma
E quando quer me visita
(Paulinho da Viola)
Retiro
Meu tempo às vezes se perde
Em coisas que não desejo
Mas não repare esse lado
Pois meu amor é o mesmo
Nos momentos de carinho
Eu me desligo de tudo
Nos braços de quem se ama
É fácil esquecer o mudo
Às vezes eu me retiro
E nada me faz sentido
Só há um canto na vida
Aonde eu me refugio
Afasta as sombras que eu vejo
Nos teus olhos tão aflitos
Você conhece minh’alma
E quando quer me visita
(Paulinho da Viola)
2.5.04
25.4.04
Recuperação
A tentativa de suicídio do Descobri foi evitada graças ao carinho de alguns amigos. O corpo do blog foi encontrado ainda com vida deitado ao lado de um frasco de aspirinas infantis com formato de bichinhos.
Depois de levado para o pronto-socorro, o blog agora está em fase de desintoxicação e recuperação podendo ter alta já nessa semana.
Uma vez recuperado, haverá um coquetel de reestréia a acontecer no dia 03 de maio do corrente ano. Todos estão convidados.
A festa será regada a Cidra Cereser, "cocrete" e quantidas estúpidas de cajuzinho. Querendo evitar que bolsos de paletós e bolsas se encharquem com a gordura e o açucar dos víveres oferecidos, um saco plástico será distribuído na entrada para que os convidados possam levar para casa um pouco da festa.
Alguns contratos já foram fechados: Falcão será o Mestre de Cerimônias e Rosana fará uma participação especialíssima cantando "Como uma Deusa" (tentei contratar a Joanna, mas ela já tinha compromisso). Após o show, o D.J Meciê Limá comandará as carrapetas com o melhor da Retrospectiva Furacão 2000.
Aguardo todos aqui no dia 03 de maio.
Um beijo no gato e um chute nas crianças!!
Depois de levado para o pronto-socorro, o blog agora está em fase de desintoxicação e recuperação podendo ter alta já nessa semana.
Uma vez recuperado, haverá um coquetel de reestréia a acontecer no dia 03 de maio do corrente ano. Todos estão convidados.
A festa será regada a Cidra Cereser, "cocrete" e quantidas estúpidas de cajuzinho. Querendo evitar que bolsos de paletós e bolsas se encharquem com a gordura e o açucar dos víveres oferecidos, um saco plástico será distribuído na entrada para que os convidados possam levar para casa um pouco da festa.
Alguns contratos já foram fechados: Falcão será o Mestre de Cerimônias e Rosana fará uma participação especialíssima cantando "Como uma Deusa" (tentei contratar a Joanna, mas ela já tinha compromisso). Após o show, o D.J Meciê Limá comandará as carrapetas com o melhor da Retrospectiva Furacão 2000.
Aguardo todos aqui no dia 03 de maio.
Um beijo no gato e um chute nas crianças!!
19.4.04
Carta de Suicídio
Seguinte: não faz mais sentido ficar enganando vocês. Há tempos que eu não consigo escrever nada de razoável para colocar aqui. Minha vida está uma bagunça fenomenal e como a grande maioria das pessoas, meus textos refletem coisas da minha vida e não dá para escrever bagunça e sofrimento. Preciso de um tempo para me reerguer.
Tenho andado muito cansado de mim mesmo. As mesma dores, as mesmas desilusões, a mesma falta de perspectiva, coração repleto e a vida vazia.
Conheci gente muito boa nesse quase um ano de Descobri. Gente que me acompanhou desde o começo e até desde antes do começo quando eu escrevia o Mago. Gente que me ajudou a escrever melhor (se é que isso é possível) e a ver os meus textos por um outro prisma.
Foi ótimo tê-los aqui compartilhando, xingando, rindo, brincando, chorando. Foi fantástico saber que até gente de outros países acompanhavam minhas aventuras e desventuras. Gente de Portugal, Estados Unidos, Uruguai, Japão e de um país chamado “Unknown” (hehehe) que representa 1,6% das visitas.
Bom... é isso aí. “Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí levando um violão debaixo do braço”.
Ainda apareço pra deixar meus impertinentes comentários nos blogs alheios. Fiquem bem e lembrem-se dos meus sábios ensinamentos: rapadura é doce, mas não é mole não!
Beijos enormes e abraços apertados,
Marcio
Tenho andado muito cansado de mim mesmo. As mesma dores, as mesmas desilusões, a mesma falta de perspectiva, coração repleto e a vida vazia.
Conheci gente muito boa nesse quase um ano de Descobri. Gente que me acompanhou desde o começo e até desde antes do começo quando eu escrevia o Mago. Gente que me ajudou a escrever melhor (se é que isso é possível) e a ver os meus textos por um outro prisma.
Foi ótimo tê-los aqui compartilhando, xingando, rindo, brincando, chorando. Foi fantástico saber que até gente de outros países acompanhavam minhas aventuras e desventuras. Gente de Portugal, Estados Unidos, Uruguai, Japão e de um país chamado “Unknown” (hehehe) que representa 1,6% das visitas.
Bom... é isso aí. “Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí levando um violão debaixo do braço”.
Ainda apareço pra deixar meus impertinentes comentários nos blogs alheios. Fiquem bem e lembrem-se dos meus sábios ensinamentos: rapadura é doce, mas não é mole não!
Beijos enormes e abraços apertados,
Marcio
13.4.04
10.4.04
The Beauty of All Things
There is something within you.
There is something in everything that is:
Unbelievable beauty, flowing from deep inside.
Don't be shocked or surprised if I lift your disguise.
Realize
that I can see it in all things, all,
but especially you.
There is something we carry,
Like a rhythm that tells us who we are.
It's the rhythm of living. Hear, and we'll come to see
who we can really be-fore Time erases time.
It's sublime.
And I can see it in all things, all, but especially you.
The time is upon us to lose our indifference.
For Time isn't holding us anywhere. I declare:
Life gives savoir faire.
Clean the windows of your inner star
And see things as they are:
An infinity of light like a torch in the night.
For the Sun and the Moon and the Stars
Are living within you.
You are shining in everything that is.
Here's what I see in your eyes right now:
Ten thousand lives over many years like leaves on the vine of this morning's glory,
The determination of years coming to fruition
In the ever-present now of your life, unfolding now in the flowering of days.
The constellation of stars in the sky are like a fugue of light in velvet hands.
The melody never ends, echoing again and again.
Nearer still sounds a melody leading through darkened rooms,
Playing like the Sun on the water; like its reflection in your downcast eyes.
When will you come to see you like I do?
And know you like I do? And hear you like I do?
And love you like I do?
(Laurence Hobgood/Kurt Elling)
There is something in everything that is:
Unbelievable beauty, flowing from deep inside.
Don't be shocked or surprised if I lift your disguise.
Realize
that I can see it in all things, all,
but especially you.
There is something we carry,
Like a rhythm that tells us who we are.
It's the rhythm of living. Hear, and we'll come to see
who we can really be-fore Time erases time.
It's sublime.
And I can see it in all things, all, but especially you.
The time is upon us to lose our indifference.
For Time isn't holding us anywhere. I declare:
Life gives savoir faire.
Clean the windows of your inner star
And see things as they are:
An infinity of light like a torch in the night.
For the Sun and the Moon and the Stars
Are living within you.
You are shining in everything that is.
Here's what I see in your eyes right now:
Ten thousand lives over many years like leaves on the vine of this morning's glory,
The determination of years coming to fruition
In the ever-present now of your life, unfolding now in the flowering of days.
The constellation of stars in the sky are like a fugue of light in velvet hands.
The melody never ends, echoing again and again.
Nearer still sounds a melody leading through darkened rooms,
Playing like the Sun on the water; like its reflection in your downcast eyes.
When will you come to see you like I do?
And know you like I do? And hear you like I do?
And love you like I do?
(Laurence Hobgood/Kurt Elling)
6.4.04
27.3.04
Rosa
Tu és divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus Esculturada E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
És todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção de tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer.
(Pixinhguinha/Otávio de Souza)
Estátua majestosa do amor
Por Deus Esculturada E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
És todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção de tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer.
(Pixinhguinha/Otávio de Souza)
22.3.04
A Santa Sexta-Feira e o Show do Jethro Tull
Passava um pouco da 19:30 de sexta a noite. Eu estava sentado ao computador esperando uma pessoa aparecer no MSN quando meu telefone toca. Era Pedro – meu fiel escudeiro.
- Preguinho, quer ir no show do Jethro?
- Pô neguinho, to duro feito côco!
- Caralho! Eu perguntei se você quer ir ao show e não se você tem dinheiro!
- Claro que eu quero, porra!
- Daqui a vinte minutos eu te ligo!
Sento-me ao computador mais uma vez para esperar. O telefone toca de novo. De novo era Pedro – meu fiel escudeiro – cantando no meu ouvido:
- “Sitting on a park bench”
- Vai rolar?
- Vai! Lá pelas dez e pouco a gente passa aí!
Dilema... Eu precisava muito, mas muito mesmo falar com a pessoa que eu estava esperando e nunca tinha visto um show do Jethro! O que fazer, meu pai?
Eis que a pessoa que eu estava procurando aparece. Contei meu dilema e ela, adoradora de Jethro também, me manda ir ao show. Tínhamos perto de duas horas para conversar e foi o que fizemos. O que foi dito? Só a gente sabe! Mas as coisas se resolveram da melhor maneira possível! A hora fatal chegou. Nos despedimos, passei pela geladeira pra pegar cerveja para o povo que estava chegando. Desci, entrei no carro e nos dirigimos para a Barra da Tijuca – o cu do Rio de Janeiro.
Ano de eleições para a prefeitura dos estados da confederação é uma merda! Na esquina da Jardim Botânico com Pacheco Leão, as obras permitiam que somente um carro por vez passasse. Tanto de um lado como do outro. O show começava as 22:30 e as 22:15 estávamos presos na rua Jardim Botânico. Alguém aí sabe o que é o transito normal da rua Jardim Botânico? Agora imagina quando só passa um carro de cada vez. Imaginou? Agora some-se a isso a nossa angústia pra chegar logo na casa de shows do Rio que mais mudou de nome (qual é o nome mesmo?).
Felizmente, ao passarmos pela rua Pacheco Leão, o trânsito melhorou e em poucos porém angustiantes minutos, chegamos ao Via Parque. Adentramos o estacionamento do shopping e... quem foi que disse que tinha vaga? Rodamos, rodamos, rodamos e estacionamos perto de um jardinzinho. Comentei:
- Foi impressão minha ou tinha uma fila enorme de gente na porta?
- Deve ser gente saindo do shopping e pagando estacionamento...
Claro que não! Era fila mesmo! Comentei:
- Bom... com esse monte de gente do lado de fora, o show não deve nem ter começado ainda! – Um carinha que estava na nossa frente vira-se para trás e, com toda a propriedade nos informa:
- O show já tá rolando há uns quarenta minutos!
Depois de superados todos os percalços, entramos no “não-sei-das-quantas” Hall e, como fora anunciado pelo arauto da desgraça anteriormente, o show já tinha de fato começado. Fomos nos embrenhando naquele mar de gente tentando achar um lugar que desse pra ver o palco. NOTA: nunca vi um show de Rock and Roll onde, na frente do palco ficam várias mesas e o povo roqueiro mesmo, se espremendo lááááá trás! Nunca vi isso na minha vida!
Bom, estávamos lá, o show estava rolando, a cerveja era Brahma (eca!) e custava cinco dinheiros. O garçons quase morreu de rir comigo:
- Quanto é a cerveja, irmão?
- Cinco dineiros!
- Uma só?
- Uma só!
- Putamerda! E é Brahma ainda por cima?? Bom... já que não tem tu, vai tu mesmo!
Nesse momento, Ian Anderson pára para conversar com a platéia e eu dou um berro histérico:
- SONGS FROM THE WOODS!!!
Não é que ela atacou de Songs from the Woods?
O show foi ótimo! Nota 10!! A organização do evento... nota 0!
Mas o que importa mesmoé que, durante todo o show, eu só pensava naquela pessoa. E dancei! Pra quem me conhece sabe que isso é raaaaro... Mas lá estava eu. Dançando! E só dançava porque pensava naquela pessoa e no quanto ela gosta de dançar!
Que foi? Tô feliz, oras!
- Preguinho, quer ir no show do Jethro?
- Pô neguinho, to duro feito côco!
- Caralho! Eu perguntei se você quer ir ao show e não se você tem dinheiro!
- Claro que eu quero, porra!
- Daqui a vinte minutos eu te ligo!
Sento-me ao computador mais uma vez para esperar. O telefone toca de novo. De novo era Pedro – meu fiel escudeiro – cantando no meu ouvido:
- “Sitting on a park bench”
- Vai rolar?
- Vai! Lá pelas dez e pouco a gente passa aí!
Dilema... Eu precisava muito, mas muito mesmo falar com a pessoa que eu estava esperando e nunca tinha visto um show do Jethro! O que fazer, meu pai?
Eis que a pessoa que eu estava procurando aparece. Contei meu dilema e ela, adoradora de Jethro também, me manda ir ao show. Tínhamos perto de duas horas para conversar e foi o que fizemos. O que foi dito? Só a gente sabe! Mas as coisas se resolveram da melhor maneira possível! A hora fatal chegou. Nos despedimos, passei pela geladeira pra pegar cerveja para o povo que estava chegando. Desci, entrei no carro e nos dirigimos para a Barra da Tijuca – o cu do Rio de Janeiro.
Ano de eleições para a prefeitura dos estados da confederação é uma merda! Na esquina da Jardim Botânico com Pacheco Leão, as obras permitiam que somente um carro por vez passasse. Tanto de um lado como do outro. O show começava as 22:30 e as 22:15 estávamos presos na rua Jardim Botânico. Alguém aí sabe o que é o transito normal da rua Jardim Botânico? Agora imagina quando só passa um carro de cada vez. Imaginou? Agora some-se a isso a nossa angústia pra chegar logo na casa de shows do Rio que mais mudou de nome (qual é o nome mesmo?).
Felizmente, ao passarmos pela rua Pacheco Leão, o trânsito melhorou e em poucos porém angustiantes minutos, chegamos ao Via Parque. Adentramos o estacionamento do shopping e... quem foi que disse que tinha vaga? Rodamos, rodamos, rodamos e estacionamos perto de um jardinzinho. Comentei:
- Foi impressão minha ou tinha uma fila enorme de gente na porta?
- Deve ser gente saindo do shopping e pagando estacionamento...
Claro que não! Era fila mesmo! Comentei:
- Bom... com esse monte de gente do lado de fora, o show não deve nem ter começado ainda! – Um carinha que estava na nossa frente vira-se para trás e, com toda a propriedade nos informa:
- O show já tá rolando há uns quarenta minutos!
Depois de superados todos os percalços, entramos no “não-sei-das-quantas” Hall e, como fora anunciado pelo arauto da desgraça anteriormente, o show já tinha de fato começado. Fomos nos embrenhando naquele mar de gente tentando achar um lugar que desse pra ver o palco. NOTA: nunca vi um show de Rock and Roll onde, na frente do palco ficam várias mesas e o povo roqueiro mesmo, se espremendo lááááá trás! Nunca vi isso na minha vida!
Bom, estávamos lá, o show estava rolando, a cerveja era Brahma (eca!) e custava cinco dinheiros. O garçons quase morreu de rir comigo:
- Quanto é a cerveja, irmão?
- Cinco dineiros!
- Uma só?
- Uma só!
- Putamerda! E é Brahma ainda por cima?? Bom... já que não tem tu, vai tu mesmo!
Nesse momento, Ian Anderson pára para conversar com a platéia e eu dou um berro histérico:
- SONGS FROM THE WOODS!!!
Não é que ela atacou de Songs from the Woods?
O show foi ótimo! Nota 10!! A organização do evento... nota 0!
Mas o que importa mesmoé que, durante todo o show, eu só pensava naquela pessoa. E dancei! Pra quem me conhece sabe que isso é raaaaro... Mas lá estava eu. Dançando! E só dançava porque pensava naquela pessoa e no quanto ela gosta de dançar!
Que foi? Tô feliz, oras!
17.3.04
Basta um Dia
Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se come e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
(Chico Buarque)
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se come e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
(Chico Buarque)
12.3.04
Pedaço de Mim
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
(Chico Buarque)
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
(Chico Buarque)
10.3.04
Velho
- Abre! É pra você!
- Não imaginei que fosse pra sua mãe!
O velho, sentado em sua poltrona, admirava estático o cuidadoso embrulho feito pela moça da livraria. As mãos trêmulas pelos anos de tabagismo e intimidade com a garrafa começaram a desfazer o laço.
- Ah! Você é desses? – Perguntei me divertindo.
- Desses?
- É! Desses que desfazem o laço e vão abrindo o embrulho cheio de cuidados! Se você soubesse a agonia que isso causa em quem te dá o presente...
- Já fui moço e tive pressa! As coisas hoje me parecem mais divertidas quando feitas vagarosamente.
Velho. Era assim que eu o chamava. Coisa nossa. Na verdade, ele já era velho de espírito antes de sê-lo de fato. Lembro de quando perguntei sua idade e ele, rabugento como sempre, respondeu:
- Dez anos a mais que meu corpo!
Comecei a acreditar que ele jamais abriria o maldito embrulho e sabia que ele o abria devagar só pra me irritar. Passei a ter certeza disso quando reparei que ele colocara o livro a frente do rosto e me espiava por cima do mesmo fazendo força para não rir da minha angústia. Depois de mais alguns agoniantes instantes, o papel de embrulho enfeitado com vários Garfields caiu ao chão e um silêncio denso pairou sobre a sala. Pude ver que os grandes olhos verdes do Velho estavam marejados por trás das grossas lentes. Lentamente ele levantou a cabeça e me fuzilou com o olhar:
- Imbecil! Isso certamente custou uma pequena fortuna! Fortuna essa que deveria ter sido empregada num belo e romântico jantar com sua namorada!
- Também te amo, Velho! Que bom que você gostou!
O livro em questão era um exemplar da primeira edição de O Ser e o Nada de Jean Paul Sartre, escritor preferido do Velho e que de fato tinha me custado muitos meses de horas extras. Valeu à pena. Velho era escritor e já tinha algumas centenas de trabalhos publicados. Obras existencialistas e sobre realismo dialético. Havia se formado em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e por volta de 2007, já depois dos 30 anos de idade. Aos 35, fora convidado pelo governo francês a fazer um doutorado em Sorbonne, o que o obrigou a abandonar as escolas em que lecionava história e filosofia para o segundo grau. Foi assim que o conheci. Em uma branca sala de aula do Centro Educacional Anísio Teixeira, o ainda jovem professor entra em sala vestindo uma surrada calça jeans, tênis e uma camiseta com uma desbotada gravura de O Grito estampada no peito. Jogou sobre a mesa uma pasta de couro repleta de livros, textos e anotações que carregava a tira-colo. Olhou para a turma de aproximadamente 40 alunos e disparou:
- Bom dia, criaturas acéfalas! Sim! Acéfalas! Com o passar dos anos e com a minha tutela, os senhores se tornarão criaturas capazes de portar alguma coisa parecida com um cérebro dentro dessa cachola vazia que paira sobre seus pescoços! Sem mais delongas, quero que os senhores, por escrito, me entreguem seus nomes, idade, o último livro que leram e o livro que mais gostaram em todas as suas vazias vidas!
Os alunos se entreolhavam apavorados, cochichavam e murmuravam enquanto o Velho abriu a porta da sala, encostou-se ao batente e fumava um cigarro soltando a fumaça para fora da sala.
- Professor? O senhor vai fumar aqui? – perguntou um incauto aluno
- Vou não! Já estou fumando aqui! Algum problema?
- É que eu não suporto cheiro de cigarro...
- Ótimo! Fica sem respirar! Fiquem avisados, senhores: aqui dentro desta sala de aula não existe democracia! Exerçam a democracia em seus lares, no futebol de rua ou em qualquer outro lugar. Aqui dentro é uma ditadura comandada com mão de aço por este que vos fala!
Confesso que esse primeiro encontro foi um pouco traumatizante, mas no decorrer daquele ano, Velho foi mostrando quem ele realmente era: um pai pra muitos de nós e carrasco para outros tantos.
Certo dia, mais da metade da turma tinha matado aula para beber cerveja numa birosca perto do colégio. Velho deu sua aula para a metade presente (eu estava na metade da cervejada) e depois disso foi até a birosca. Entrou fingindo que não tinha nos visto, pediu duas cervejas, pegou um copo e sentou-se entre nós. Do meu lado, para ser preciso. Olhou um por um na roda, encheu seu copo passando as garrafas para que nos servíssemos, ergueu seu copo, brindamos e todo o conteúdo do copo foi sorvido em poucos segundos.
Fazia um calor rubro naquela tarde de julho. Velho conversava conosco e citava poetas, filósofos, falamos sobre música, cinema, literatura, artes. Seu discurso era sempre inflamado e apaixonado o que nos fazia prestar atenção naquele jovem velho que dizia odiar os modernistas e, principalmente, os pós-modernistas. Dizia que seu gosto musical começou em 1920 e parou no comecinho da década de 80 fazendo pouco caso e criticando todos os nossos ídolos. Numa análise mais profunda, acho até que ele se divertia com isso! No fim da tarde nos disse:
- Essa época que vocês estão vivendo é muito especial. Cultivem suas amizades, leiam MUITO e de tudo que passar por essas mãos, namorem e bebam com responsabilidade, tratem bem o outro, cuidem do nosso meio ambiente, sejam engajados em alguma causa que vocês acreditem piamente, tratem as mulheres com muito carinho e respeito. É nessa época da vida de vocês que seus valores, sua moral e sua ética estão se formando. Não desperdicem isso, não se tornem pessoas vazias e lembrem-se: a felicidade está na busca pelo seu sonho e não na realização do mesmo. - Velho pagou nossa conta e se foi cantarolando Ventura Highway. Fiquei observando o passo forte e decidido daquele homem que se tornaria meu ideal de vida.
Isso foi há muitos anos e nunca perdemos contato. Semana passada fui visitá-lo no hospital. Perecia que a velhice física o havia alcançado. Continuava rabugento como sempre mas de uma forma mais branda. Conversamos amenidades por cerca de uma hora até que Velho ficou cansado e me pediu para que eu fosse para casa.
Morrera ao longo daquela noite, foi o que a mocinha do hospital me contou pelo telefone. Ela me contou também que ele tinha deixado uma carta para mim. Corri até o hospital e ao entrar no seu quarto, vi a carta sobre a cama. Abri e li:
“Animal,
Não quis te contar mas sabia que não passaria da noite então, quando você se foi, escrevi essas linhas tortas não sabendo muito bem o por quê.
Quero que você seja o guardião de tudo que foi meu: meus livros, discos e escritos. Sei que estarão bem guardados com você.
Enquanto escrevo, lembrei-me de uma vez quando você me disse que queria ser igual a mim e que respondi em alto e bom som: ‘Impossível, Animal! Impossível!’
Saiba que continua achando impossível existir alguém igual a mim mas, rest assure que tu te tornaste uma pessoa melhor do que eu tenha sido em qualquer momento da minha existência.
Do pai que nunca fui para o filho que nunca tive!
Um forte abraço do
Velho”.
- Não imaginei que fosse pra sua mãe!
O velho, sentado em sua poltrona, admirava estático o cuidadoso embrulho feito pela moça da livraria. As mãos trêmulas pelos anos de tabagismo e intimidade com a garrafa começaram a desfazer o laço.
- Ah! Você é desses? – Perguntei me divertindo.
- Desses?
- É! Desses que desfazem o laço e vão abrindo o embrulho cheio de cuidados! Se você soubesse a agonia que isso causa em quem te dá o presente...
- Já fui moço e tive pressa! As coisas hoje me parecem mais divertidas quando feitas vagarosamente.
Velho. Era assim que eu o chamava. Coisa nossa. Na verdade, ele já era velho de espírito antes de sê-lo de fato. Lembro de quando perguntei sua idade e ele, rabugento como sempre, respondeu:
- Dez anos a mais que meu corpo!
Comecei a acreditar que ele jamais abriria o maldito embrulho e sabia que ele o abria devagar só pra me irritar. Passei a ter certeza disso quando reparei que ele colocara o livro a frente do rosto e me espiava por cima do mesmo fazendo força para não rir da minha angústia. Depois de mais alguns agoniantes instantes, o papel de embrulho enfeitado com vários Garfields caiu ao chão e um silêncio denso pairou sobre a sala. Pude ver que os grandes olhos verdes do Velho estavam marejados por trás das grossas lentes. Lentamente ele levantou a cabeça e me fuzilou com o olhar:
- Imbecil! Isso certamente custou uma pequena fortuna! Fortuna essa que deveria ter sido empregada num belo e romântico jantar com sua namorada!
- Também te amo, Velho! Que bom que você gostou!
O livro em questão era um exemplar da primeira edição de O Ser e o Nada de Jean Paul Sartre, escritor preferido do Velho e que de fato tinha me custado muitos meses de horas extras. Valeu à pena. Velho era escritor e já tinha algumas centenas de trabalhos publicados. Obras existencialistas e sobre realismo dialético. Havia se formado em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e por volta de 2007, já depois dos 30 anos de idade. Aos 35, fora convidado pelo governo francês a fazer um doutorado em Sorbonne, o que o obrigou a abandonar as escolas em que lecionava história e filosofia para o segundo grau. Foi assim que o conheci. Em uma branca sala de aula do Centro Educacional Anísio Teixeira, o ainda jovem professor entra em sala vestindo uma surrada calça jeans, tênis e uma camiseta com uma desbotada gravura de O Grito estampada no peito. Jogou sobre a mesa uma pasta de couro repleta de livros, textos e anotações que carregava a tira-colo. Olhou para a turma de aproximadamente 40 alunos e disparou:
- Bom dia, criaturas acéfalas! Sim! Acéfalas! Com o passar dos anos e com a minha tutela, os senhores se tornarão criaturas capazes de portar alguma coisa parecida com um cérebro dentro dessa cachola vazia que paira sobre seus pescoços! Sem mais delongas, quero que os senhores, por escrito, me entreguem seus nomes, idade, o último livro que leram e o livro que mais gostaram em todas as suas vazias vidas!
Os alunos se entreolhavam apavorados, cochichavam e murmuravam enquanto o Velho abriu a porta da sala, encostou-se ao batente e fumava um cigarro soltando a fumaça para fora da sala.
- Professor? O senhor vai fumar aqui? – perguntou um incauto aluno
- Vou não! Já estou fumando aqui! Algum problema?
- É que eu não suporto cheiro de cigarro...
- Ótimo! Fica sem respirar! Fiquem avisados, senhores: aqui dentro desta sala de aula não existe democracia! Exerçam a democracia em seus lares, no futebol de rua ou em qualquer outro lugar. Aqui dentro é uma ditadura comandada com mão de aço por este que vos fala!
Confesso que esse primeiro encontro foi um pouco traumatizante, mas no decorrer daquele ano, Velho foi mostrando quem ele realmente era: um pai pra muitos de nós e carrasco para outros tantos.
Certo dia, mais da metade da turma tinha matado aula para beber cerveja numa birosca perto do colégio. Velho deu sua aula para a metade presente (eu estava na metade da cervejada) e depois disso foi até a birosca. Entrou fingindo que não tinha nos visto, pediu duas cervejas, pegou um copo e sentou-se entre nós. Do meu lado, para ser preciso. Olhou um por um na roda, encheu seu copo passando as garrafas para que nos servíssemos, ergueu seu copo, brindamos e todo o conteúdo do copo foi sorvido em poucos segundos.
Fazia um calor rubro naquela tarde de julho. Velho conversava conosco e citava poetas, filósofos, falamos sobre música, cinema, literatura, artes. Seu discurso era sempre inflamado e apaixonado o que nos fazia prestar atenção naquele jovem velho que dizia odiar os modernistas e, principalmente, os pós-modernistas. Dizia que seu gosto musical começou em 1920 e parou no comecinho da década de 80 fazendo pouco caso e criticando todos os nossos ídolos. Numa análise mais profunda, acho até que ele se divertia com isso! No fim da tarde nos disse:
- Essa época que vocês estão vivendo é muito especial. Cultivem suas amizades, leiam MUITO e de tudo que passar por essas mãos, namorem e bebam com responsabilidade, tratem bem o outro, cuidem do nosso meio ambiente, sejam engajados em alguma causa que vocês acreditem piamente, tratem as mulheres com muito carinho e respeito. É nessa época da vida de vocês que seus valores, sua moral e sua ética estão se formando. Não desperdicem isso, não se tornem pessoas vazias e lembrem-se: a felicidade está na busca pelo seu sonho e não na realização do mesmo. - Velho pagou nossa conta e se foi cantarolando Ventura Highway. Fiquei observando o passo forte e decidido daquele homem que se tornaria meu ideal de vida.
Isso foi há muitos anos e nunca perdemos contato. Semana passada fui visitá-lo no hospital. Perecia que a velhice física o havia alcançado. Continuava rabugento como sempre mas de uma forma mais branda. Conversamos amenidades por cerca de uma hora até que Velho ficou cansado e me pediu para que eu fosse para casa.
Morrera ao longo daquela noite, foi o que a mocinha do hospital me contou pelo telefone. Ela me contou também que ele tinha deixado uma carta para mim. Corri até o hospital e ao entrar no seu quarto, vi a carta sobre a cama. Abri e li:
“Animal,
Não quis te contar mas sabia que não passaria da noite então, quando você se foi, escrevi essas linhas tortas não sabendo muito bem o por quê.
Quero que você seja o guardião de tudo que foi meu: meus livros, discos e escritos. Sei que estarão bem guardados com você.
Enquanto escrevo, lembrei-me de uma vez quando você me disse que queria ser igual a mim e que respondi em alto e bom som: ‘Impossível, Animal! Impossível!’
Saiba que continua achando impossível existir alguém igual a mim mas, rest assure que tu te tornaste uma pessoa melhor do que eu tenha sido em qualquer momento da minha existência.
Do pai que nunca fui para o filho que nunca tive!
Um forte abraço do
Velho”.
O que dizer dela?
E o que dizer dela, nua em pêlo,
pêlos ouriçados pela proximidade dele?
O que dizer dela, que ofega
e desfalece de olho aberto,
boca receptiva e
nua em pêlo?
O que dizer dele,
que com todos os defeitos-imperfeições dela,
é quem a recolhe nos braços,
cacos de dia,
e os remonta, um a um,
até ela ser outra,
nua em pêlo,
olho fechado, sono profundo.
O que dizer disso tudo,
que acontece a esmo,
dia sim outro também;
o que dizer dela?
pêlos ouriçados pela proximidade dele?
O que dizer dela, que ofega
e desfalece de olho aberto,
boca receptiva e
nua em pêlo?
O que dizer dele,
que com todos os defeitos-imperfeições dela,
é quem a recolhe nos braços,
cacos de dia,
e os remonta, um a um,
até ela ser outra,
nua em pêlo,
olho fechado, sono profundo.
O que dizer disso tudo,
que acontece a esmo,
dia sim outro também;
o que dizer dela?
3.3.04
Etc.
Estou sozinho, estou triste etc.
Quem virá com a nova brisa que penetra
Pelas frestas do meu ninho
Quem insiste em anunciar-se no desejo
Quem tanto não vejo ainda
Quem pessoa secreta
Vem, te chamo
Vem etc.
(Caetano Veloso)
Quem virá com a nova brisa que penetra
Pelas frestas do meu ninho
Quem insiste em anunciar-se no desejo
Quem tanto não vejo ainda
Quem pessoa secreta
Vem, te chamo
Vem etc.
(Caetano Veloso)
27.2.04
Memórias
Fazia frio e chovia uma chuvinha fina naquele dia de inverno. Passava um pouco das oito da manhã; o homem de terno e gravata dentro da TV narrava as notícias em tom dramático, a chaleira apitava sobre o fogão, os gatos se enrodilhavam em suas pernas pedindo comida e no aparelho de som, George Winston tocava “Rain”.
Não pensava em nada. Olhava os pingos de chuva se transformarem em flocos de neve e dançarem até o batente das janelas. Se esforçava, mas não conseguia lembrar de nada. Era quase um zumbi: não comia, mal dormia e tentava lembrar da época em que estava vivo. “Se estar vivo é sentir, então nunca estive vivo. Ao menos, não consigo me lembrar...”.
Acendeu um cigarro e sentou-se junto à janela observando o pequeno montinho de neve sobre o parapeito. O fogo da lareira crepitava e o cheiro de café se espalhava lentamente como um fog inglês. Um frio cinza tomava conta do alto apartamento de onde se via grande parte da cidade espalhando-se em blocos idênticos, que continham casa idênticas, que continham gente identicamente contente com a segurança de uma família e um lar. Não lembrava de nada.
Um dos gatos se empoleirou no alto da estante e deitava como a esfinge enquanto o outro, num canto do sofá, dormia tranqüilamente. O telefone tocou, mas resolveu deixar a máquina atender. Do outro lado, uma voz mais do que familiar:
- Marcio, aqui é sua mãe! Eu sei que você está em casa bebendo café com vodka e fumando um cigarro atrás do outro! – fez uma pausa longa. “Desistiu”. – Meu filho, você não pode se isolar do mundo! O mundo não se resume à sua casa, cara! Há quanto tempo você não escreve? Há quanto tempo você vem dizendo que não consegue criar? Me liga quando quiser...., e logo! Um beijo!
“Não sou só. Sou livre. Me libertei de tudo que me prendia, me angustiava. Disse não! Liberdade é poder dizer não!”. Acendeu outro cigarro, recostou-se no sofá e cochilou. Seus sonhos eram agitados e em preto e branco. Sempre sonhava colorido, mas dessa vez tudo estava em tons de cinza. Imagens obscuras se fundiam às sombras, pessoas se escondiam no escuro, todos fugiam exceto por um par de olhos que o seguia. Olhava por cima dos ombros tentando ver um rosto, mas não via nada mais do que um par de olhos.
Acordou num salto com o toco do cigarro queimando seus dedos. Derrubou o cinzeiro que se espatifou no carpete espalhando cinzas e tocos de cigarro. Correu até seu quarto e ao passar por um espelho, não se reconheceu. O rosto envelhecido, a barba grande, os quilos acumulados na cintura. Não era mais a imagem que tinha de si.
Ao entrar no quarto avistou os jeans jogados sobre a escrivaninha, era o que precisava. Agarrou os jeans, correu na direção da porta de saída agarrando os sapatos e o sobretudo no caminho. Chamou o elevador e vestia suas roupas enquanto esperava. Tinha se lembrado onde vira aqueles olhos. Onde os tinha visto? Quando? Não lembrava.
Lembrou-se de uma cidade que era fronteiriça e era para lá que dirigia o carro. Seu coração batia como se fosse explodir dentro do peito. Não se lembrava de endereço ou telefone. “Louco! Louco! Se diz livre mas entregou-se a todos os charmes da burguesia para que se sentisse livre! Ridículo! Você é ridículo!!”. Sua mente vociferava, tinha um nó no estômago e as pernas formigavam. Ao chegar a duas quadras de onde acreditava ser o que procurava, largou o carro no meio da rua e corria sob a chuva que agora caia torrencialmente. Corria e não sabia se gritava ou se tinha a boca aberta num grito mudo. Sabia que corria. Escutava seus passos no chão, tropeçava em montes de neve fofa, mas continuava a correr.
Chegou a um prédio de três andares, parou em frente e gritou. A mulher sentada junto à janela do último andar ouviu. Não podia acreditar naquilo e correu escadaria abaixo. Abriu o portão e os dois se viram. “Esses são os olhos”. Caminharam lentamente um na direção do outro. Ele tentou secar o rosto com a palma da mão. Queria saber se aquilo era real. Lembrou-se de tudo! Dela. Da vida, das conversas ao telefone. Ela parou. Ele caminho até ela e disse:
- Preciso de você! Preciso viver e acho que só vou viver quando estiver com você!
Ela andou até ele, o abraçou e disse:
- Shhh... Vai ficar tudo bem!
Não pensava em nada. Olhava os pingos de chuva se transformarem em flocos de neve e dançarem até o batente das janelas. Se esforçava, mas não conseguia lembrar de nada. Era quase um zumbi: não comia, mal dormia e tentava lembrar da época em que estava vivo. “Se estar vivo é sentir, então nunca estive vivo. Ao menos, não consigo me lembrar...”.
Acendeu um cigarro e sentou-se junto à janela observando o pequeno montinho de neve sobre o parapeito. O fogo da lareira crepitava e o cheiro de café se espalhava lentamente como um fog inglês. Um frio cinza tomava conta do alto apartamento de onde se via grande parte da cidade espalhando-se em blocos idênticos, que continham casa idênticas, que continham gente identicamente contente com a segurança de uma família e um lar. Não lembrava de nada.
Um dos gatos se empoleirou no alto da estante e deitava como a esfinge enquanto o outro, num canto do sofá, dormia tranqüilamente. O telefone tocou, mas resolveu deixar a máquina atender. Do outro lado, uma voz mais do que familiar:
- Marcio, aqui é sua mãe! Eu sei que você está em casa bebendo café com vodka e fumando um cigarro atrás do outro! – fez uma pausa longa. “Desistiu”. – Meu filho, você não pode se isolar do mundo! O mundo não se resume à sua casa, cara! Há quanto tempo você não escreve? Há quanto tempo você vem dizendo que não consegue criar? Me liga quando quiser...., e logo! Um beijo!
“Não sou só. Sou livre. Me libertei de tudo que me prendia, me angustiava. Disse não! Liberdade é poder dizer não!”. Acendeu outro cigarro, recostou-se no sofá e cochilou. Seus sonhos eram agitados e em preto e branco. Sempre sonhava colorido, mas dessa vez tudo estava em tons de cinza. Imagens obscuras se fundiam às sombras, pessoas se escondiam no escuro, todos fugiam exceto por um par de olhos que o seguia. Olhava por cima dos ombros tentando ver um rosto, mas não via nada mais do que um par de olhos.
Acordou num salto com o toco do cigarro queimando seus dedos. Derrubou o cinzeiro que se espatifou no carpete espalhando cinzas e tocos de cigarro. Correu até seu quarto e ao passar por um espelho, não se reconheceu. O rosto envelhecido, a barba grande, os quilos acumulados na cintura. Não era mais a imagem que tinha de si.
Ao entrar no quarto avistou os jeans jogados sobre a escrivaninha, era o que precisava. Agarrou os jeans, correu na direção da porta de saída agarrando os sapatos e o sobretudo no caminho. Chamou o elevador e vestia suas roupas enquanto esperava. Tinha se lembrado onde vira aqueles olhos. Onde os tinha visto? Quando? Não lembrava.
Lembrou-se de uma cidade que era fronteiriça e era para lá que dirigia o carro. Seu coração batia como se fosse explodir dentro do peito. Não se lembrava de endereço ou telefone. “Louco! Louco! Se diz livre mas entregou-se a todos os charmes da burguesia para que se sentisse livre! Ridículo! Você é ridículo!!”. Sua mente vociferava, tinha um nó no estômago e as pernas formigavam. Ao chegar a duas quadras de onde acreditava ser o que procurava, largou o carro no meio da rua e corria sob a chuva que agora caia torrencialmente. Corria e não sabia se gritava ou se tinha a boca aberta num grito mudo. Sabia que corria. Escutava seus passos no chão, tropeçava em montes de neve fofa, mas continuava a correr.
Chegou a um prédio de três andares, parou em frente e gritou. A mulher sentada junto à janela do último andar ouviu. Não podia acreditar naquilo e correu escadaria abaixo. Abriu o portão e os dois se viram. “Esses são os olhos”. Caminharam lentamente um na direção do outro. Ele tentou secar o rosto com a palma da mão. Queria saber se aquilo era real. Lembrou-se de tudo! Dela. Da vida, das conversas ao telefone. Ela parou. Ele caminho até ela e disse:
- Preciso de você! Preciso viver e acho que só vou viver quando estiver com você!
Ela andou até ele, o abraçou e disse:
- Shhh... Vai ficar tudo bem!
19.2.04
Opa.
Se eu disser que estou de DIETA MONETÁRIA séria e que, em lugar da boca fechei foi a mão, eu vou pro inferno, Pai?
Pra mim, conceito de "caro e barato" é simples:
- É mais de um real?
- É um e cinquenta, mina. ( notem que estou mesmo em são paulo )
- Então não quero.
Né?
Pra mim, conceito de "caro e barato" é simples:
- É mais de um real?
- É um e cinquenta, mina. ( notem que estou mesmo em são paulo )
- Então não quero.
Né?
12.2.04
EU QUERO.
Descobri que existe um vibrador da Hello Kity e agora não sossego enquanto não tiver um só pra, vc sabe, colocar na mesa de centro da sala pra enfeitar.
\o/
\o/
5.2.04
Conversas que um dia chato no escritório pode gerar
Marcio: sabe qual é a pior forma de se encotrar um bicho na goiaba?
Marcio: encontrar
Daniel San: lembra o bixinho do C&P
Marcio: sei. quer responder a porra da pergunta?
Daniel San: sei não
Marcio: encontrar meio bicho!
Marcio: hahahahahahahahaha!
Daniel San: eca!
Marcio: muito engraçado!
Marcio: irc!
Daniel San: fazia anos que eu não ria tanto
Marcio: eu imagino!
Daniel San :décadas
Daniel San: desde a Guerra do Vietnã
Marcio: eu lembro de vc se descaralhando de rir no meio da guerra
Daniel San: quando servi com John Kerry, meu amigo, futuro presidente dos EE.UU
Marcio: manjo!
Marcio: sabe que ele dava muito a bunda pro dentista do pelotão?
Daniel San: estávamos num bote PC149, no meio de um alagado
Marcio: o Dr. Extração sem Dor
Daniel San: sabia, fui eu que os apresentei
Daniel San: mas, como ia dizendo...
Marcio: ah!
Marcio: sim, diga!
Daniel San: estávamos num bote, PC149, no meio de um alagado... de um lado, trezentos vietnamitas
Marcio: e aí?
Daniel San: de outro, um paredão de mata fechada sem nenhuma possibilidade de correr
Daniel San: eu podia ver a felicidade no rosto daqueles putos camponeses
Daniel San: foi quando JK me disse
- abra aquela caixa
Daniel San: eu abri, e para minha surpresa, encontrei vários saquinhos, com um gás escuro dentro
Daniel San: um gás meio verde, meio azul
Marcio: eita
Daniel San: ele disse para mim
- despeje-os na água, todos!
Daniel San: eu os despejei, enquanto os camponeses riam e engatilhavam as escopetas e metralhadoras
Marcio: e aí, e aí?
Daniel San: quando os saquinhos chegaram na borda do matagal onde os vietnamitas estavam
Daniel San: ele puxou do bolso uma espécie de controle remoto
Daniel San: apertou um botãozinho que dizia mais ou menos
- shoot her ass!
Daniel San: e boooooooommmmm!!!!!!!!!!!!
Daniel San: a mata toda se transformou numa fétida e verde-escura fumaçeira!
Daniel San: foi quando ele me disse
- comprei isto do Márcio... saca o Personal Peido-Embaleitor 74?
Daniel San: (the end)
Marcio: é verdade! me lembro de ter vendido pra ele o último carregamento!
Daniel San: foi o que salvou aquela missão americana em solo hostil
Marcio: nesse dia, eu estava num bar em Pu-tang
Daniel San: hahahahahahahaha!
Marcio: bebi tanto e comi tanto uma vietnamita que mijei fogo no dia seguinte!
Daniel San: sim, eu lembro, fica numa picada, perto de Zo-Nang
Daniel San: aaahhhh, por isso que o batalhão lhe chamava de lança-fogo??
Marcio: isso! foi uma época triste de ,minha vida!
Daniel San: então foi assim que saímos do Vietnã... num Airbus
Marcio: sim, sim... me lembro bem!
Daniel San: comprado em Feira de Sant´ana, pelo Sarney
Marcio: lembro-me inclusive, que o avião tinha uma decoração toda nordestina!
Daniel San: tava lá o velho Ulysses também,
Marcio: não foi Ulysses que queria abrir a porta do avião pra vomitar?
Daniel San: isso, as atendentes nos recebiam com aqueles chapéu-lampião
Daniel San: não, quem FEZ isso foi o Tancredo Neves
Marcio: ah é...!
Marcio: se lembra do Delfin entalado no assento?
Daniel San: hahaha! ele queria ir na asa!
Daniel San: sim, estamos apresentando o programa: RECORDAR É VIVER
Marcio:claro! estamos relembrando as histórias do nosso tempo no Vietnam
Marcio: guerra é fogo!
Daniel San: literalmente
Falar besteira nessa quantidade é quase uma arte!
Marcio: encontrar
Daniel San: lembra o bixinho do C&P
Marcio: sei. quer responder a porra da pergunta?
Daniel San: sei não
Marcio: encontrar meio bicho!
Marcio: hahahahahahahahaha!
Daniel San: eca!
Marcio: muito engraçado!
Marcio: irc!
Daniel San: fazia anos que eu não ria tanto
Marcio: eu imagino!
Daniel San :décadas
Daniel San: desde a Guerra do Vietnã
Marcio: eu lembro de vc se descaralhando de rir no meio da guerra
Daniel San: quando servi com John Kerry, meu amigo, futuro presidente dos EE.UU
Marcio: manjo!
Marcio: sabe que ele dava muito a bunda pro dentista do pelotão?
Daniel San: estávamos num bote PC149, no meio de um alagado
Marcio: o Dr. Extração sem Dor
Daniel San: sabia, fui eu que os apresentei
Daniel San: mas, como ia dizendo...
Marcio: ah!
Marcio: sim, diga!
Daniel San: estávamos num bote, PC149, no meio de um alagado... de um lado, trezentos vietnamitas
Marcio: e aí?
Daniel San: de outro, um paredão de mata fechada sem nenhuma possibilidade de correr
Daniel San: eu podia ver a felicidade no rosto daqueles putos camponeses
Daniel San: foi quando JK me disse
- abra aquela caixa
Daniel San: eu abri, e para minha surpresa, encontrei vários saquinhos, com um gás escuro dentro
Daniel San: um gás meio verde, meio azul
Marcio: eita
Daniel San: ele disse para mim
- despeje-os na água, todos!
Daniel San: eu os despejei, enquanto os camponeses riam e engatilhavam as escopetas e metralhadoras
Marcio: e aí, e aí?
Daniel San: quando os saquinhos chegaram na borda do matagal onde os vietnamitas estavam
Daniel San: ele puxou do bolso uma espécie de controle remoto
Daniel San: apertou um botãozinho que dizia mais ou menos
- shoot her ass!
Daniel San: e boooooooommmmm!!!!!!!!!!!!
Daniel San: a mata toda se transformou numa fétida e verde-escura fumaçeira!
Daniel San: foi quando ele me disse
- comprei isto do Márcio... saca o Personal Peido-Embaleitor 74?
Daniel San: (the end)
Marcio: é verdade! me lembro de ter vendido pra ele o último carregamento!
Daniel San: foi o que salvou aquela missão americana em solo hostil
Marcio: nesse dia, eu estava num bar em Pu-tang
Daniel San: hahahahahahahaha!
Marcio: bebi tanto e comi tanto uma vietnamita que mijei fogo no dia seguinte!
Daniel San: sim, eu lembro, fica numa picada, perto de Zo-Nang
Daniel San: aaahhhh, por isso que o batalhão lhe chamava de lança-fogo??
Marcio: isso! foi uma época triste de ,minha vida!
Daniel San: então foi assim que saímos do Vietnã... num Airbus
Marcio: sim, sim... me lembro bem!
Daniel San: comprado em Feira de Sant´ana, pelo Sarney
Marcio: lembro-me inclusive, que o avião tinha uma decoração toda nordestina!
Daniel San: tava lá o velho Ulysses também,
Marcio: não foi Ulysses que queria abrir a porta do avião pra vomitar?
Daniel San: isso, as atendentes nos recebiam com aqueles chapéu-lampião
Daniel San: não, quem FEZ isso foi o Tancredo Neves
Marcio: ah é...!
Marcio: se lembra do Delfin entalado no assento?
Daniel San: hahaha! ele queria ir na asa!
Daniel San: sim, estamos apresentando o programa: RECORDAR É VIVER
Marcio:claro! estamos relembrando as histórias do nosso tempo no Vietnam
Marcio: guerra é fogo!
Daniel San: literalmente
Falar besteira nessa quantidade é quase uma arte!
4.2.04
Jabá pouco é bobagem
Fala, sangue.
Seguinte: aquele lance de meninadatorre.com tava me dando nos pacová já. Aí, chutei o pau da barraca e fiz um outro, nome nadavê, tipo ansim, pá botá os bicho pá fora, tá ligado?
Então.
Agora a Menina da Torre é A MINA CARIOCA DE SAMPA.
Já tô pedindo um template lá. Quem quiser ajudar.....
Mas ó, Chefe: fica tranquilo que eu já trouxe meus paninhos pra cá e me instalei, falou?
Daqui não saio, adqui ninguém me ti-ra.
Seguinte: aquele lance de meninadatorre.com tava me dando nos pacová já. Aí, chutei o pau da barraca e fiz um outro, nome nadavê, tipo ansim, pá botá os bicho pá fora, tá ligado?
Então.
Agora a Menina da Torre é A MINA CARIOCA DE SAMPA.
Já tô pedindo um template lá. Quem quiser ajudar.....
Mas ó, Chefe: fica tranquilo que eu já trouxe meus paninhos pra cá e me instalei, falou?
Daqui não saio, adqui ninguém me ti-ra.
3.2.04
A Verdade Verdadeira
Perseverar é se foder até não poder mais.
E, para quem não sabia: eu sempre estive aqui. Muito prazer, eu sou a Menina da Torre e costumo abalar Bangu. Bangu não, que é coisa de pobre. Mindinguinha. Eu abalo do Jabaquara ao Tucuruvi. Sou a rainha do Taboão. E por aí afora. Tô chique que só, me afogando em enchentes em uma das maiores metrópoles do mundo. Mas pelo menos é de se dar orgulho. " Uma das maiores do mundo" Heh.
Sou a Vice-Presidente de Operações desta pocilga até segunda ordem.
E ai de quem ousar dizer o contrário.
Estou exilada e por enquanto só mantenho contato por aqui. E não, este não é meu novo endereço. Em breve, na sua TV, a próxima novela das sete. Não perca!
E, para quem não sabia: eu sempre estive aqui. Muito prazer, eu sou a Menina da Torre e costumo abalar Bangu. Bangu não, que é coisa de pobre. Mindinguinha. Eu abalo do Jabaquara ao Tucuruvi. Sou a rainha do Taboão. E por aí afora. Tô chique que só, me afogando em enchentes em uma das maiores metrópoles do mundo. Mas pelo menos é de se dar orgulho. " Uma das maiores do mundo" Heh.
Sou a Vice-Presidente de Operações desta pocilga até segunda ordem.
E ai de quem ousar dizer o contrário.
Estou exilada e por enquanto só mantenho contato por aqui. E não, este não é meu novo endereço. Em breve, na sua TV, a próxima novela das sete. Não perca!
30.1.04
Aquela velha idade nova.
Eram duas, as moças. Bem, "moças" é bondade, já que deviam equilibrar-se entre seus sessenta e setenta anos. Não importa. Estavam lado a lado, em um daqueles bancos de cor cinza do metrô de São Paulo. Linha Azul, estação Ana Rosa, sentido Tucuruvi, destino Sé. Quem conhece um pouco esse caos de linhas e baldeações e metamorfoses já se situou. Quem não, bem, também não tem muito o que exlicar. É mais ou menos como estar na Linha verde do metrô do Rio, na estação de Triagem, sentido Estácio, destino São Cristóvão. Ok. Mas divago.
Eram duas, as moças. Ambas enrugadas, mas as semelhanças paravam por aí. A da esquerda, tadinha, um pouco curvada, vestido de pano preto e branco, cabelo preso em coque, sandálias rasteiras de couro, nenhum acessório a não ser por uma bolsa igualmente de pano preto e olhos azuis distantes em algum ano de antes. Ou de depois. Ou de nunca mais.
Eram duas, as moças. A da direita, enrugada sim, mas o sintoma velhice só se podia perceber por este fato. Vestia jeans bordado, camisa de seda com babados, jaqueta jeans com lantejoulas, sapato bico fino e carregava em si anéis e brincos ostensivos. Tinha uma maquiagem forte, cabelos avermelhados e um esforço gigantesco em se parecer mais nova. Inquieta, não sossegava um minutos, abria a bolsa, tirava um espelhinho, ajeitava o cabelo, puxava um lenço, secava o rosto - céus, como fazia calor - , olhava o telefone, virava-se para olhar a rua, cruzava as pernas, descruzava e quem estava em volta começou a se incomodar.
Menos eu. Eram duas, as moças. E eu ali, de pé - tinha cedido o meu lugar no banco cinza para a primeira, da esquerda - frente às duas, tecendo cenas em minha mente: de onde estavam vindo? Por que eram tão diferentes? Que passado guardavam ali, estampado em cada ruga e em cada gesto - exagerado em uma e nulo em outra - e para onde estavam seguindo?
Fiquei a imaginar. Eram duas as moças. Algumas décadas atrás, a da esquerda era uma recatada moça de família. Casou-se sem amor, teve filhos por ser o percurso normal da mulher, envelheceu porque assim o tinha de ser. A outra, da direita, essa não: frequentou salões e cabarés, deitou-se com os homens que quis - e com os que não quis, por dinheiro. Viveu. Quebrou a cara algumas vezes, mas paciência. Ou poderia ser o contrário. Ou não. Sou só eu imaginando coisas.
Eu ali, frente à elas. Uma quieta, a outra irrequieta ainda. Elas me olham. E eu me imagino equilibrando-me entre meus sessenta e setenta anos, se vou ser como uma ou outra. E elas ficam ali, a lembrar de seus vinte e poucos.
E desço sem perguntar qual das duas é mais feliz.
Eram duas, as moças. Ambas enrugadas, mas as semelhanças paravam por aí. A da esquerda, tadinha, um pouco curvada, vestido de pano preto e branco, cabelo preso em coque, sandálias rasteiras de couro, nenhum acessório a não ser por uma bolsa igualmente de pano preto e olhos azuis distantes em algum ano de antes. Ou de depois. Ou de nunca mais.
Eram duas, as moças. A da direita, enrugada sim, mas o sintoma velhice só se podia perceber por este fato. Vestia jeans bordado, camisa de seda com babados, jaqueta jeans com lantejoulas, sapato bico fino e carregava em si anéis e brincos ostensivos. Tinha uma maquiagem forte, cabelos avermelhados e um esforço gigantesco em se parecer mais nova. Inquieta, não sossegava um minutos, abria a bolsa, tirava um espelhinho, ajeitava o cabelo, puxava um lenço, secava o rosto - céus, como fazia calor - , olhava o telefone, virava-se para olhar a rua, cruzava as pernas, descruzava e quem estava em volta começou a se incomodar.
Menos eu. Eram duas, as moças. E eu ali, de pé - tinha cedido o meu lugar no banco cinza para a primeira, da esquerda - frente às duas, tecendo cenas em minha mente: de onde estavam vindo? Por que eram tão diferentes? Que passado guardavam ali, estampado em cada ruga e em cada gesto - exagerado em uma e nulo em outra - e para onde estavam seguindo?
Fiquei a imaginar. Eram duas as moças. Algumas décadas atrás, a da esquerda era uma recatada moça de família. Casou-se sem amor, teve filhos por ser o percurso normal da mulher, envelheceu porque assim o tinha de ser. A outra, da direita, essa não: frequentou salões e cabarés, deitou-se com os homens que quis - e com os que não quis, por dinheiro. Viveu. Quebrou a cara algumas vezes, mas paciência. Ou poderia ser o contrário. Ou não. Sou só eu imaginando coisas.
Eu ali, frente à elas. Uma quieta, a outra irrequieta ainda. Elas me olham. E eu me imagino equilibrando-me entre meus sessenta e setenta anos, se vou ser como uma ou outra. E elas ficam ali, a lembrar de seus vinte e poucos.
E desço sem perguntar qual das duas é mais feliz.
25.1.04
Análise
Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, nesse ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
(Fernando Pessoa)
Que me vem de olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, nesse ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
(Fernando Pessoa)
20.1.04
Perguntinhas...
Vocês já repararam que eu tenho dado títulos aos meus textos?
Vocês (além do Léo) repararam que eu matei meu primeiro personagem?
Vocês (além do Léo) repararam que eu matei meu primeiro personagem?
13.1.04
Das memórias e seus percalços
Andava pela rua cabisbaixo repassando sua vida como se fosse uma sessão de slides. Recriava diálogos modificando-os como se acontecessem agora e pudesse incluir ou suprimir falas, fazer outros movimentos. De um certo modo, se divertia.
Uma chuva fina caia sobre a cidade emprestando uma coloração plúmbea e fria aos prédios e até mesmo ao mar que mais parecia uma continuação em movimento do céu negro e carregado. Sentou-se em um banco da orla e nem se incomodou com o contato da pedra fria e úmida contra seu traseiro. Admirava o movimento das ondas e suas memórias surgiam no mesmo ritmo: indo e voltando não dando mais tempo para que as cenas fossem reconstruídas. Simplesmente apareciam abruptamente, sumindo com delicadeza deixando suas impressões na areia e voltando para o fundo escuro de onde vieram. Sentia-se sufocado por tantas lembranças e já não conseguia mais ficar sentado, precisava se movimentar. Acreditava que assim deixaria para trás suas memórias mas não podia. “Quem sou eu sem minhas memórias? Como uma pessoa pode se sentir completa sem relembrar o que passou, o que vivi?”. Parou repentinamente e reparou que estava de olhos fechados. As perguntas cessaram assim como o ir e vir de suas lembranças. Olhou ao redor e se descobriu nu em meio à praia, suas roupas tinham ficado para trás e sentia seu corpo quente apesar do dia frio. Olhou para o mar e resolveu ir de encontro às suas memórias, foi indo, indo, vencendo as ondas com toda a determinação que lhe restava. De tão determinado, sentia-se invencível, capaz de vencer a própria morte.
Seu corpo fora encontrado ainda agonizante nas areias da praia de Ipanema. O pescador que o encontrou, contou à polícia que ainda pode ouvir seu último sussurro:
- Encontrei – ele dizia – encontrei...!
Uma chuva fina caia sobre a cidade emprestando uma coloração plúmbea e fria aos prédios e até mesmo ao mar que mais parecia uma continuação em movimento do céu negro e carregado. Sentou-se em um banco da orla e nem se incomodou com o contato da pedra fria e úmida contra seu traseiro. Admirava o movimento das ondas e suas memórias surgiam no mesmo ritmo: indo e voltando não dando mais tempo para que as cenas fossem reconstruídas. Simplesmente apareciam abruptamente, sumindo com delicadeza deixando suas impressões na areia e voltando para o fundo escuro de onde vieram. Sentia-se sufocado por tantas lembranças e já não conseguia mais ficar sentado, precisava se movimentar. Acreditava que assim deixaria para trás suas memórias mas não podia. “Quem sou eu sem minhas memórias? Como uma pessoa pode se sentir completa sem relembrar o que passou, o que vivi?”. Parou repentinamente e reparou que estava de olhos fechados. As perguntas cessaram assim como o ir e vir de suas lembranças. Olhou ao redor e se descobriu nu em meio à praia, suas roupas tinham ficado para trás e sentia seu corpo quente apesar do dia frio. Olhou para o mar e resolveu ir de encontro às suas memórias, foi indo, indo, vencendo as ondas com toda a determinação que lhe restava. De tão determinado, sentia-se invencível, capaz de vencer a própria morte.
Seu corpo fora encontrado ainda agonizante nas areias da praia de Ipanema. O pescador que o encontrou, contou à polícia que ainda pode ouvir seu último sussurro:
- Encontrei – ele dizia – encontrei...!
8.1.04
2.1.04
12.12.03
- Sabe o que eu queria?
- Não.
- Ser seguro de mim...
- E você não é?
- Não. Por que? Pareço?
- Parece... Mas também, a gente se conhece pouco. Ainda não sei suas reações, seu comportamento.
- É verdade. E o mais curioso é que parece que a gente se conhece há tempos incontáveis.
- Tempo... Acho que é a única coisa comum a tudo. Tudo mesmo! Tudo tem um tempo seu, próprio. E ainda assim, tempo pode ser conceitual.
- Como assim?
- Qual o tempo certo de se começar a trabalhar? Qual o tempo certo de se ter um filho? “O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem”.
- O que é isso? É seu?
- Não. É uma coisa de um livro que eu li quando era pequeno. Cada letra tinha um versinho desses. O “T” era esse. Acho que era um livro de trava-línguas.
- E você lembra dos outros?
- Não... Tem muito tempo que eu li isso... Quanto tempo a gente tem aqui nessa terra? Quando eu morrer, para onde vai o tempo?
- Por que você se preocupa tanto com o tempo?
- Porque perdi muito tempo tentando descobrir quem eu sou.
- E já descobriu?
- Não. Alguém já se descobriu por completo?
- Não que eu conheça. As pessoas mudam de acordo com o tempo.
- O tempo conceitual ou o tempo geral, dessa forma que a gente conhece?
- Acho que da forma geral, mundana.
- Ah...Mas o que deflagra essas mudanças? O tempo ou a vivência?
- Quanto mais tempo de vida se tem, maior a vivência. Então o tempo nos muda.
- Mas pode-se ter muita vivência em pouco tempo de vida. A vida é dissonante e muitas vezes, nos leva para lugares estranhos.
- É verdade... Por falar em tempo... Nosso tempo acabou. São cento e cinqüenta dinheiros.
- Ué! Há pouco tempo atrás eram cem dinheiros!
- Ah... Mas isso foi há muito tempo!
- É... Deve ser o sinal dos tempos...
- Não.
- Ser seguro de mim...
- E você não é?
- Não. Por que? Pareço?
- Parece... Mas também, a gente se conhece pouco. Ainda não sei suas reações, seu comportamento.
- É verdade. E o mais curioso é que parece que a gente se conhece há tempos incontáveis.
- Tempo... Acho que é a única coisa comum a tudo. Tudo mesmo! Tudo tem um tempo seu, próprio. E ainda assim, tempo pode ser conceitual.
- Como assim?
- Qual o tempo certo de se começar a trabalhar? Qual o tempo certo de se ter um filho? “O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem”.
- O que é isso? É seu?
- Não. É uma coisa de um livro que eu li quando era pequeno. Cada letra tinha um versinho desses. O “T” era esse. Acho que era um livro de trava-línguas.
- E você lembra dos outros?
- Não... Tem muito tempo que eu li isso... Quanto tempo a gente tem aqui nessa terra? Quando eu morrer, para onde vai o tempo?
- Por que você se preocupa tanto com o tempo?
- Porque perdi muito tempo tentando descobrir quem eu sou.
- E já descobriu?
- Não. Alguém já se descobriu por completo?
- Não que eu conheça. As pessoas mudam de acordo com o tempo.
- O tempo conceitual ou o tempo geral, dessa forma que a gente conhece?
- Acho que da forma geral, mundana.
- Ah...Mas o que deflagra essas mudanças? O tempo ou a vivência?
- Quanto mais tempo de vida se tem, maior a vivência. Então o tempo nos muda.
- Mas pode-se ter muita vivência em pouco tempo de vida. A vida é dissonante e muitas vezes, nos leva para lugares estranhos.
- É verdade... Por falar em tempo... Nosso tempo acabou. São cento e cinqüenta dinheiros.
- Ué! Há pouco tempo atrás eram cem dinheiros!
- Ah... Mas isso foi há muito tempo!
- É... Deve ser o sinal dos tempos...
26.11.03
A Estrada
Encostei meu carro e olhei para o mapa mais uma vez. Quem olhava de longe e me via de cenho franzido poderia pensar que eu estava entendendo o que estava desenhado ali. Tirei os olhos do mapa e olhei para frente algumas vezes numa tentativa vã de me achar naquela imensidão de estrada cercada por mato. Sai do carro para ter uma visão melhor da estrada e, quem sabe, achar uma placa que indicasse onde eu estava.
- Muito bem... Admita! Você está completamente perdido! Também... Mapa vagabundo dos diabos! – Pensava com uma certa raiva de mim. – Muito bonito, Zé! Culpe o mapa!
No som do carro, Robert Plant cantava as maravilhas que o esperavam na Califórnia e, logo em seguida, Christopher Cross dizia “nunca serei o mesmo sem você aqui”. Era uma seleção musical duvidosa, porém eclética. Duvidosa porque os roqueiros me crucificariam e os românticos me queimariam vivo ainda que gostasse muito dessa misturada sem dar preferência a um ou a outro.
Rasguei o “falso” mapa e me sentei no capô do carro para admirar a paisagem ao meu redor. Descobri que já passavam das três da tarde e que estava dirigindo desde as seis da manhã. Fui ao carro mais uma vez para buscar o maço de cigarros e, droga, só tem mais dois!
- Preciso de cigarros e uma cerveja. E rápido! – Voltei para o banco do motorista, girei a chave e o rosnado do motor me fez relaxar um pouco. Mick Jagger começou a cantar Paint in Black. Coloquei os óculos escuros e me senti como Mad Max. Acelerava cada vez mais e, como a estrada estava vazia, posicionei o carro bem sobre as faixas amarelas. Parecia que o carro as ia engolindo furiosamente como um cortador de grama a jato.
Ao longe, avistei um posto de gasolina que não recebia fregueses há um bom tempo. A poeira já tinha se apossado das bombas de combustível e da varanda da pequena loja de conveniência anexa ao posto. Uma senhora, perto dos seus setenta anos, sentava em uma cadeira de balanço na varanda e fumava um cigarro enquanto admirava o nada.
Estacionei o carro ao lado de uma das bombas e sai do carro em estilo cinematográfico retirando os óculos escuros puxando a haste direita num movimento brusco para a esquerda e para baixo.
A tal senhora usava um vestido quadriculado com um avental amarrado à cintura. Veio caminhando lentamente em minha direção e disse com uma voz quase firme tentando disfarçar a tremedeira:
- Não tenho combustível. O fornecedor deveria ter passado aqui há uma semana mas ainda não veio.
- A senhora tem cigarros?
- Tem uma máquina lá dentro que acho que ainda funciona – Tentei em vão identificar seu sotaque numa esperança de descobrir onde estava mas não deu certo.
- Ok! Obrigado.
Entrei na pequena loja onde, nos fundos, ficava a máquina. Depositei duas notas e apertei o botão correspondente à marca de minha preferência mas nada aconteceu. Chutei a lateral da máquina e três maços caíram no receptáculo. Sem cerimônia, peguei os três e os guardei nos bolsos dos jeans que já estavam bem surrados.
- Ah, vai... Foi a máquina que quis me roubar e depois da coerção, mudou de idéia! – Pensei me desculpando pelo furto qualificado.
Havia uma porta lateral na da loja e, muito curioso, resolvi averiguar. A tal porta não era aberta há muito tempo e, com um certo esforço, consegui move-la. As velhas dobradiças rangeram e um odor espesso de poeira me invadiu as narinas.
Atrás da porta havia um grande salão de pé direito alto. Muitas mesas com cadeiras apoiadas cercavam um pequeno palco e sobre ele, um piano coberto com lençol branco e mais acima, um belo e majestoso lustre de cristal. As janelas de vidro colorido retratavam grandes nomes do jazz como Wayne Shorter, Louis Armstrong, John Coltrane e Thelonious Monk.
Lentamente, meio hipnotizado, caminhei até o majestoso piano de calda. Descobri a frente do instrumento e a inscrição Steinway and Sons pareceu tomar vida ao refletir a débil iluminação externa que era filtrada pelos vidros coloridos. Levantei a tampa do teclado e pressionei uma tecla. O som encheu o ambiente ecoando por todos os cantos e custou a morrer. Sentei-me no empoeirado banquinho fazendo uma nuvem branca subir. Dedilhei alguns acordes e o piano estava surpreendentemente afinado. Uma empolgação juvenil tomou conta de mim e continuei tocando animadamente.
- Há muito tempo não se escuta música nesse salão. – A senhora estava escorada no umbral da porta e me olhava com olhos tristes.
- Credo! A senhora me assustou!
- Estava só observando. Toque mais se quiser.
- Um pergunta: a senhora tem alguma previsão de quando o combustível vai chegar?
- Não. Como está seu tanque?
- Vazio. Bem vazio.
- Posso te alugar um quarto que tenho aqui em cima. Nada luxuoso: uma cama grande, um relógio de parede e uma geladeira.
- E quem precisa de mais que isso?
Sorrimos e a senhora chegou mais perto do piano cantando algumas canções antigas.
- Muito bem... Admita! Você está completamente perdido! Também... Mapa vagabundo dos diabos! – Pensava com uma certa raiva de mim. – Muito bonito, Zé! Culpe o mapa!
No som do carro, Robert Plant cantava as maravilhas que o esperavam na Califórnia e, logo em seguida, Christopher Cross dizia “nunca serei o mesmo sem você aqui”. Era uma seleção musical duvidosa, porém eclética. Duvidosa porque os roqueiros me crucificariam e os românticos me queimariam vivo ainda que gostasse muito dessa misturada sem dar preferência a um ou a outro.
Rasguei o “falso” mapa e me sentei no capô do carro para admirar a paisagem ao meu redor. Descobri que já passavam das três da tarde e que estava dirigindo desde as seis da manhã. Fui ao carro mais uma vez para buscar o maço de cigarros e, droga, só tem mais dois!
- Preciso de cigarros e uma cerveja. E rápido! – Voltei para o banco do motorista, girei a chave e o rosnado do motor me fez relaxar um pouco. Mick Jagger começou a cantar Paint in Black. Coloquei os óculos escuros e me senti como Mad Max. Acelerava cada vez mais e, como a estrada estava vazia, posicionei o carro bem sobre as faixas amarelas. Parecia que o carro as ia engolindo furiosamente como um cortador de grama a jato.
Ao longe, avistei um posto de gasolina que não recebia fregueses há um bom tempo. A poeira já tinha se apossado das bombas de combustível e da varanda da pequena loja de conveniência anexa ao posto. Uma senhora, perto dos seus setenta anos, sentava em uma cadeira de balanço na varanda e fumava um cigarro enquanto admirava o nada.
Estacionei o carro ao lado de uma das bombas e sai do carro em estilo cinematográfico retirando os óculos escuros puxando a haste direita num movimento brusco para a esquerda e para baixo.
A tal senhora usava um vestido quadriculado com um avental amarrado à cintura. Veio caminhando lentamente em minha direção e disse com uma voz quase firme tentando disfarçar a tremedeira:
- Não tenho combustível. O fornecedor deveria ter passado aqui há uma semana mas ainda não veio.
- A senhora tem cigarros?
- Tem uma máquina lá dentro que acho que ainda funciona – Tentei em vão identificar seu sotaque numa esperança de descobrir onde estava mas não deu certo.
- Ok! Obrigado.
Entrei na pequena loja onde, nos fundos, ficava a máquina. Depositei duas notas e apertei o botão correspondente à marca de minha preferência mas nada aconteceu. Chutei a lateral da máquina e três maços caíram no receptáculo. Sem cerimônia, peguei os três e os guardei nos bolsos dos jeans que já estavam bem surrados.
- Ah, vai... Foi a máquina que quis me roubar e depois da coerção, mudou de idéia! – Pensei me desculpando pelo furto qualificado.
Havia uma porta lateral na da loja e, muito curioso, resolvi averiguar. A tal porta não era aberta há muito tempo e, com um certo esforço, consegui move-la. As velhas dobradiças rangeram e um odor espesso de poeira me invadiu as narinas.
Atrás da porta havia um grande salão de pé direito alto. Muitas mesas com cadeiras apoiadas cercavam um pequeno palco e sobre ele, um piano coberto com lençol branco e mais acima, um belo e majestoso lustre de cristal. As janelas de vidro colorido retratavam grandes nomes do jazz como Wayne Shorter, Louis Armstrong, John Coltrane e Thelonious Monk.
Lentamente, meio hipnotizado, caminhei até o majestoso piano de calda. Descobri a frente do instrumento e a inscrição Steinway and Sons pareceu tomar vida ao refletir a débil iluminação externa que era filtrada pelos vidros coloridos. Levantei a tampa do teclado e pressionei uma tecla. O som encheu o ambiente ecoando por todos os cantos e custou a morrer. Sentei-me no empoeirado banquinho fazendo uma nuvem branca subir. Dedilhei alguns acordes e o piano estava surpreendentemente afinado. Uma empolgação juvenil tomou conta de mim e continuei tocando animadamente.
- Há muito tempo não se escuta música nesse salão. – A senhora estava escorada no umbral da porta e me olhava com olhos tristes.
- Credo! A senhora me assustou!
- Estava só observando. Toque mais se quiser.
- Um pergunta: a senhora tem alguma previsão de quando o combustível vai chegar?
- Não. Como está seu tanque?
- Vazio. Bem vazio.
- Posso te alugar um quarto que tenho aqui em cima. Nada luxuoso: uma cama grande, um relógio de parede e uma geladeira.
- E quem precisa de mais que isso?
Sorrimos e a senhora chegou mais perto do piano cantando algumas canções antigas.
24.11.03
12.11.03
Sentou-se à mesa munido de lápis e papel, acendeu um cigarro, deu uma tragada e apoiou-o no cinzeiro que tinha furtado de um restaurante. Soltou a fumaça vagarosamente tentando achar formas distintas e sorriu com co canto da boca.
A sala toda estava escura a não ser pelo lustre que ficava exatamente sobre a mesa. Dentro do lustre uma lâmpada concentrava seu facho amarelado sobre o papel e o cinzeiro. Além disso, a casa escura e silenciosa como uma igreja. Percebendo a movimentação seus gatos subiram na mesa para averiguar o que acontecia, ganharam carinhos, festinhas e desceram para continuar dormindo no sofá.
Olhava além do único ponto luminoso da casa e percebeu como a fumaça do cigarro criava formas fantasmagóricas. Tinha a impressão de que a escuridão parecia querer engolfá-lo e torná-lo parte dela.
Recostou na cadeira, deu uma longa tragada no cigarro apagando-o logo em seguida. Fechou os olhos e permaneceu assim por algum tempo. Tinha a nítida sensação de que o tempo havia parado. Sentiu uma moleza e cochilou. Ao acordar, percebeu que estava bem no meio de um campo de alfazemas. O dia ia nascendo e o sol, preguiçosamente começava a despontar no horizonte. Olhou para baixo e viu a leve bruma que subia do chão trazendo consigo, o cheiro inebriante das plantas. Passou os olhos ao seu redor e não havia nada mais do que muitos quilômetros de plantações de flores divididas em enormes retângulos não muito regulares delimitados por uma pequena vala onde a água se concentrava.
Havia papoulas vermelhas, rosas de todas as cores, margaridas, violetas, amores-perfeitos. Sentiu algo frio atingir seu peito e olhando para si, percebeu que estava nu e que o sistema de irrigação tinha sido ligado. Sentiu o cheiro de terra molhada invadir suas narinas, fechou os olhos, fez uma volta completa sobre os pés tentando distinguir todos os aromas presentes e sentiu que em algum lugar distante, estavam queimando lenha. Abriu os olhos e viu fumaça ao longe.
Começou a caminhar na direção da fumaça mas não consegui conter a curiosidade em saber que lugar era aquele. Começou a correr e lembrou-se de que estava nu.
- Como é que eu apareço assim na casa dos outros? – Pensou parando de correr.
Continuou caminhando mas a largas passadas e decidiu que contaria uma história qualquer aos seus possíveis anfitriões.
Chegou até os rústicos e irregulares degraus que levavam até a varanda de tábuas corridas que, devido às intempéries, estavam empenadas e soltas em alguns pontos. Bateu com os nós dos dedos à pesada porta de madeira de lei e correu para trás de um barril a fim de se esconder. Esperou alguns segundos mas não houve resposta. Dirigiu-se à porta mais uma vez e bateu mais forte correndo em seguida para seu barril-esconderijo. Nada. Voltou à porta e girou a maçaneta e a porta abriu forçando os gonzos secos e rangendo alto.
Ao espiar dentro da casa reparou que se sentia estranhamente familiarizado com os móveis e com o ambiente. Não havia televisão na sala. Somente dois sofás de três lugares cada formavam um ângulo reto entre si e que emolduravam uma mesa de centro com tampo de vidro. Sobre a mesa, um cinzeiro com algumas guimbas de cigarros de palha. ouviu um ruído de uma panela de barro sendo postas sobre um fogão a lenha. Em pouco tempo o cheiro de café invadiu a casa. Agora ouvia passos se dirigindo a espaçosa e pouco mobiliada sala.
Sentiu um frio no estômago mas decidiu que não correria nem se esconderia. Um velho magro porém com a musculatura bem definida pelos anos de trabalho braçal. Um cavanhaque já branco e muito bem aparado emoldurava a boca de lábios grossos. Alguns vasos bem dilatados nos cantos do nariz denunciavam a intimidade com o álcool.
O velho voltou-se para ele e os verdes, expressivos e penetrantes olhos verdes encontraram os seus.
- Finalmente você chegou! – Disse com a voz firme – Estou te esperando desde bem cedo. Por que demorou tanto? – Abriu a boca mas não conseguia proferir as palavras. – Nah... não diga nada. Sei o que você está pensando.
- Quem é você – Balbuciou o jovem.
- Não reparou a semelhança? Eu sou você. Somos a mesma pessoa com alguns anos de intervalo.
- Mas que lugar é esse? Como é que isso aconteceu?
- Tem uma hora na vida de uma pessoa, quando se está feliz e equilibrado, em que uma janela temporal é aberta. Ao olhar por essa janela, pode-se ver o passado ou o futuro. Sua escolha foi o futuro
- Esse é o meu futuro? Mas não é nada do que planejei apesar de não me desagradar em nada!
- Essa foi a escolha que fizemos!
- Foi uma boa escolha?
- Foi a grande escolha que fizemos. Aqui somos felizes com nossas flores, o silêncio, o trabalho. Nossos amigos nos visitam com freqüência e ainda por cima, fazemos nossa própria cerveja!
Sentaram se um em cada sofá, bebiam cerveja e fumavam conversando sobre o passado. Riram bastante e lá pelas tantas, foram dormir. O jovem acordou cedo e não se lembrava de ter dormido tão bem assim. Queria conversar com o velho mas não o encontrou. Resignou-se e foi cuidar do trabalho da fazenda. Herança de seu futuro.
A sala toda estava escura a não ser pelo lustre que ficava exatamente sobre a mesa. Dentro do lustre uma lâmpada concentrava seu facho amarelado sobre o papel e o cinzeiro. Além disso, a casa escura e silenciosa como uma igreja. Percebendo a movimentação seus gatos subiram na mesa para averiguar o que acontecia, ganharam carinhos, festinhas e desceram para continuar dormindo no sofá.
Olhava além do único ponto luminoso da casa e percebeu como a fumaça do cigarro criava formas fantasmagóricas. Tinha a impressão de que a escuridão parecia querer engolfá-lo e torná-lo parte dela.
Recostou na cadeira, deu uma longa tragada no cigarro apagando-o logo em seguida. Fechou os olhos e permaneceu assim por algum tempo. Tinha a nítida sensação de que o tempo havia parado. Sentiu uma moleza e cochilou. Ao acordar, percebeu que estava bem no meio de um campo de alfazemas. O dia ia nascendo e o sol, preguiçosamente começava a despontar no horizonte. Olhou para baixo e viu a leve bruma que subia do chão trazendo consigo, o cheiro inebriante das plantas. Passou os olhos ao seu redor e não havia nada mais do que muitos quilômetros de plantações de flores divididas em enormes retângulos não muito regulares delimitados por uma pequena vala onde a água se concentrava.
Havia papoulas vermelhas, rosas de todas as cores, margaridas, violetas, amores-perfeitos. Sentiu algo frio atingir seu peito e olhando para si, percebeu que estava nu e que o sistema de irrigação tinha sido ligado. Sentiu o cheiro de terra molhada invadir suas narinas, fechou os olhos, fez uma volta completa sobre os pés tentando distinguir todos os aromas presentes e sentiu que em algum lugar distante, estavam queimando lenha. Abriu os olhos e viu fumaça ao longe.
Começou a caminhar na direção da fumaça mas não consegui conter a curiosidade em saber que lugar era aquele. Começou a correr e lembrou-se de que estava nu.
- Como é que eu apareço assim na casa dos outros? – Pensou parando de correr.
Continuou caminhando mas a largas passadas e decidiu que contaria uma história qualquer aos seus possíveis anfitriões.
Chegou até os rústicos e irregulares degraus que levavam até a varanda de tábuas corridas que, devido às intempéries, estavam empenadas e soltas em alguns pontos. Bateu com os nós dos dedos à pesada porta de madeira de lei e correu para trás de um barril a fim de se esconder. Esperou alguns segundos mas não houve resposta. Dirigiu-se à porta mais uma vez e bateu mais forte correndo em seguida para seu barril-esconderijo. Nada. Voltou à porta e girou a maçaneta e a porta abriu forçando os gonzos secos e rangendo alto.
Ao espiar dentro da casa reparou que se sentia estranhamente familiarizado com os móveis e com o ambiente. Não havia televisão na sala. Somente dois sofás de três lugares cada formavam um ângulo reto entre si e que emolduravam uma mesa de centro com tampo de vidro. Sobre a mesa, um cinzeiro com algumas guimbas de cigarros de palha. ouviu um ruído de uma panela de barro sendo postas sobre um fogão a lenha. Em pouco tempo o cheiro de café invadiu a casa. Agora ouvia passos se dirigindo a espaçosa e pouco mobiliada sala.
Sentiu um frio no estômago mas decidiu que não correria nem se esconderia. Um velho magro porém com a musculatura bem definida pelos anos de trabalho braçal. Um cavanhaque já branco e muito bem aparado emoldurava a boca de lábios grossos. Alguns vasos bem dilatados nos cantos do nariz denunciavam a intimidade com o álcool.
O velho voltou-se para ele e os verdes, expressivos e penetrantes olhos verdes encontraram os seus.
- Finalmente você chegou! – Disse com a voz firme – Estou te esperando desde bem cedo. Por que demorou tanto? – Abriu a boca mas não conseguia proferir as palavras. – Nah... não diga nada. Sei o que você está pensando.
- Quem é você – Balbuciou o jovem.
- Não reparou a semelhança? Eu sou você. Somos a mesma pessoa com alguns anos de intervalo.
- Mas que lugar é esse? Como é que isso aconteceu?
- Tem uma hora na vida de uma pessoa, quando se está feliz e equilibrado, em que uma janela temporal é aberta. Ao olhar por essa janela, pode-se ver o passado ou o futuro. Sua escolha foi o futuro
- Esse é o meu futuro? Mas não é nada do que planejei apesar de não me desagradar em nada!
- Essa foi a escolha que fizemos!
- Foi uma boa escolha?
- Foi a grande escolha que fizemos. Aqui somos felizes com nossas flores, o silêncio, o trabalho. Nossos amigos nos visitam com freqüência e ainda por cima, fazemos nossa própria cerveja!
Sentaram se um em cada sofá, bebiam cerveja e fumavam conversando sobre o passado. Riram bastante e lá pelas tantas, foram dormir. O jovem acordou cedo e não se lembrava de ter dormido tão bem assim. Queria conversar com o velho mas não o encontrou. Resignou-se e foi cuidar do trabalho da fazenda. Herança de seu futuro.
8.11.03
Queria rasgar o próprio peito e sair de dentro de si! Se libertar da prisão que lhe era imposta pelos outros, pela sociedade. Queria simplesmente, ser ele mesmo. Só isso.
- Só? E você acha que isso é simples? Como lhe dar com a reprovação alheia? Como mostrar como realmente se é exibindo todos os seus pontos fracos, abrindo a guarda para que pudessem feri-lo? Como explicar que se é sensível, amoroso, carinhoso, compreensível apesar de escutar os problemas dos que o cercam e querer arranjar soluções mirabolantes em um mundo que deixou esses sentimentos todos para trás há muito?
- Talvez porque eu não saiba quem sou ainda! Não completamente! Ainda há portas a serem exploradas dentro da minha mente! Portas que são abertas esporadicamente quando escuto uma música ou vejo um filme que me toca! Portas que ficam no escuro e me é impossível achar a chave! Não que eu não saiba onde ela está porque sei exatamente onde estão essas chaves! Tenho que lidar com meu medo de abri-las e encontrar coisas que fiz questão de esquecer mas que ainda assim, fazem parte da minha formação!
Ninguém se faz sozinho! Todos somos produtos das pessoas que nos cercam, do ambiente em que fomos criados, das coisas que escolhemos...
Queria poder contar que choro feito criança a cada cena de um filme, a cada frase de uma música, a cada elogio que recebo. Mas tenho que encarar os olhares de reprovação ou de estranheza. Queria poder saber o que sei hoje quando era mais novo! Teria feito algumas coisas diferentemente! Não que me arrependa do que fiz, disse ou deixei de fazer ou de dizer. Não nem arrependo de nada. Tenho um sonho utópico de poder mudar as coisas que me cercam, as pessoas tudo! Não que eu ache que meu mundo seja perfeito ou que as pessoas são imperfeitas. Só acho que falta amor, paixão, tesão, compaixão, humanidade, solidariedade, vontade, preocupação com o outro.
Aprenda com o grande ensinamento do cristianismo: AME O PRÓXIMO! Todos temos os mesmo questionamentos, as mesmas aflições, as mesmas inseguranças! Se abra, toque as pessoas! Tem tanta gente por aí que precisa e quer ser tocada. Basta um aperto de mão, um tapinha no ombro. Mostre que você se importa com quem está na rua. Seja gentil com as pessoas. Trate as mulheres como princesas porque elas todas o são e querem ser tratadas assim! Ouça mais música, mas música boa! Viaje nessas músicas! Elas têm o poder de abrir essas portas que a gente mantém trancadas! Tenha boas lembranças por mais que uma separação tenha sido traumática ou que alguém tenha te machucado muito. Tenha carinho! É tão bom ter carinho, dar carinho e ser acarinhado! Saiba dar sem receber ou esperar nada em troca. Peça colo. Dê colo. Escreva, cante, fale, converse, faça arte pois a arte imita a vida! Mostre através de alguma coisa como é a sua vida! Express yourself!! Fique na sua quando se sentir intimista! Você é a melhor companhia para você! Seja fiel às suas idéias, aos seus ideais e às suas crenças mas não seja fanático. Dance como se ninguém estivesse vendo!
Chore de alegria ou de tristeza! Chorar alivia a alma, te deixa mais leve!
Seja seu ego e não seu alter-ego! Mergulhe de cabeça. Se a piscina estiver vazia, o tempo vai tratar as feridas!
Seja você e lembre-se: felicidade não é a chegada e sim o caminho!
N.A: Escrevi esse texto de uma forma que nunca tinha feito antes. Simplesmente fui escrevendo e evitei corrigir erros que geralmente comento mesmo tentando corrigi-los mas espero fazê-lo com o passar do tempo. Acho que esse texto mereceu ir ao ar do jeito que foi concebido.
Chorei muito ao escrevê-lo pois ainda acho que, não só o mundo mas as pessoas ainda têm salvação! Vamos fazer deste mundo um mundo melhor e isso só cabe a nós! E que, fundamentalmente e ao contrário de Maquiavel, acho que todos somos bons por natureza!
- Só? E você acha que isso é simples? Como lhe dar com a reprovação alheia? Como mostrar como realmente se é exibindo todos os seus pontos fracos, abrindo a guarda para que pudessem feri-lo? Como explicar que se é sensível, amoroso, carinhoso, compreensível apesar de escutar os problemas dos que o cercam e querer arranjar soluções mirabolantes em um mundo que deixou esses sentimentos todos para trás há muito?
- Talvez porque eu não saiba quem sou ainda! Não completamente! Ainda há portas a serem exploradas dentro da minha mente! Portas que são abertas esporadicamente quando escuto uma música ou vejo um filme que me toca! Portas que ficam no escuro e me é impossível achar a chave! Não que eu não saiba onde ela está porque sei exatamente onde estão essas chaves! Tenho que lidar com meu medo de abri-las e encontrar coisas que fiz questão de esquecer mas que ainda assim, fazem parte da minha formação!
Ninguém se faz sozinho! Todos somos produtos das pessoas que nos cercam, do ambiente em que fomos criados, das coisas que escolhemos...
Queria poder contar que choro feito criança a cada cena de um filme, a cada frase de uma música, a cada elogio que recebo. Mas tenho que encarar os olhares de reprovação ou de estranheza. Queria poder saber o que sei hoje quando era mais novo! Teria feito algumas coisas diferentemente! Não que me arrependa do que fiz, disse ou deixei de fazer ou de dizer. Não nem arrependo de nada. Tenho um sonho utópico de poder mudar as coisas que me cercam, as pessoas tudo! Não que eu ache que meu mundo seja perfeito ou que as pessoas são imperfeitas. Só acho que falta amor, paixão, tesão, compaixão, humanidade, solidariedade, vontade, preocupação com o outro.
Aprenda com o grande ensinamento do cristianismo: AME O PRÓXIMO! Todos temos os mesmo questionamentos, as mesmas aflições, as mesmas inseguranças! Se abra, toque as pessoas! Tem tanta gente por aí que precisa e quer ser tocada. Basta um aperto de mão, um tapinha no ombro. Mostre que você se importa com quem está na rua. Seja gentil com as pessoas. Trate as mulheres como princesas porque elas todas o são e querem ser tratadas assim! Ouça mais música, mas música boa! Viaje nessas músicas! Elas têm o poder de abrir essas portas que a gente mantém trancadas! Tenha boas lembranças por mais que uma separação tenha sido traumática ou que alguém tenha te machucado muito. Tenha carinho! É tão bom ter carinho, dar carinho e ser acarinhado! Saiba dar sem receber ou esperar nada em troca. Peça colo. Dê colo. Escreva, cante, fale, converse, faça arte pois a arte imita a vida! Mostre através de alguma coisa como é a sua vida! Express yourself!! Fique na sua quando se sentir intimista! Você é a melhor companhia para você! Seja fiel às suas idéias, aos seus ideais e às suas crenças mas não seja fanático. Dance como se ninguém estivesse vendo!
Chore de alegria ou de tristeza! Chorar alivia a alma, te deixa mais leve!
Seja seu ego e não seu alter-ego! Mergulhe de cabeça. Se a piscina estiver vazia, o tempo vai tratar as feridas!
Seja você e lembre-se: felicidade não é a chegada e sim o caminho!
N.A: Escrevi esse texto de uma forma que nunca tinha feito antes. Simplesmente fui escrevendo e evitei corrigir erros que geralmente comento mesmo tentando corrigi-los mas espero fazê-lo com o passar do tempo. Acho que esse texto mereceu ir ao ar do jeito que foi concebido.
Chorei muito ao escrevê-lo pois ainda acho que, não só o mundo mas as pessoas ainda têm salvação! Vamos fazer deste mundo um mundo melhor e isso só cabe a nós! E que, fundamentalmente e ao contrário de Maquiavel, acho que todos somos bons por natureza!
30.10.03
Como muitos devem imaginar, hoje é meu aniversário. Este ano uma coisa legal me aconteceu: ao contrário dos outros anos quando eu ficava triste e até meio deprimido por ver que os anos passaram e que eu atingi muito pouco do que a sociedade considera sucesso, me peguei pensando nas pessoas que conheci ao longo dessa 29 primaveras. Descobri que as pessoas que ficaram são as que realmente gostam de mim apesar de eu ser eu, ou melhor, ser assim desse jeito. Descobri que as pessoas que passaram, deixaram marca e que penso em cada uma delas com muito respeito e carinho. Que as pessoas que me sacanearam, fizeram com que eu ficasse mais esperto apesar de fazer com que eu acreditasse que o negócio era “levar vantagem em tudo” e que a lei era a “lei da selva”.
Com isso, reproduzo um trecho do diálogo com uma pessoa muito, mas muito querida que me ligou na virada do dia 29 para o dia 30:
“- ... porque você é meu amigo, amo muito você e eu não quero te perder!
- Mas só sou o que sou por causa das pessoas que me cercam
- Vai tomar no cu!”
Com isso, reproduzo um trecho do diálogo com uma pessoa muito, mas muito querida que me ligou na virada do dia 29 para o dia 30:
“- ... porque você é meu amigo, amo muito você e eu não quero te perder!
- Mas só sou o que sou por causa das pessoas que me cercam
- Vai tomar no cu!”
29.10.03
Gostaria de pedir mil desculpas pelo meu sumiço. É que essas duas últimas semanas foram as que antecederam meus 10 dias de férias e a coisa ficou muito, mas muito corrida.
O bom disso tudo é que tenho tido algumas idéias que pretendo transformar em textos esperando sempre que vocês gostem!
Um beijo para todos e aguardem só mais um pouco que já, já tem texto novo!
O bom disso tudo é que tenho tido algumas idéias que pretendo transformar em textos esperando sempre que vocês gostem!
Um beijo para todos e aguardem só mais um pouco que já, já tem texto novo!
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